{"id":1864,"date":"2011-09-25T02:21:51","date_gmt":"2011-09-25T02:21:51","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/09\/25\/as-violacoes-coletivas-da-minustah\/"},"modified":"2011-09-25T02:21:51","modified_gmt":"2011-09-25T02:21:51","slug":"as-violacoes-coletivas-da-minustah","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/09\/25\/as-violacoes-coletivas-da-minustah\/","title":{"rendered":"As viola\u00e7\u00f5es coletivas da Minustah"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); \"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"150\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/MINUSTAH-KOLERA.jpg\" vspace=\"4\" width=\"200\" \/>Port-Salut, pequena cidade costeira ao sul da Rep&uacute;blica do Haiti, se destaca por suas praias atraentes e sua paisagem radiante como um cart&atilde;o postal. H&aacute; uma semana, por&eacute;m ganhou um novo elemento em sua reputa&ccedil;&atilde;o: ao menos quatro militares uruguaios da mal intitulada Miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Estabiliza&ccedil;&atilde;o do Haiti (Minustah) violaram coletivamente Johnny Jean, um jovem garoto de 18 anos.&nbsp;<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); \"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; \"><br \/>\n\tSe o ato ocorreu no dia 28 de julho de 2011, foi somente no final de agosto que come&ccedil;ou a ocupar os notici&aacute;rios. Em parte, devido ao fato de o v&iacute;deo do crime ter sido difundido na Internet. Na verdade, os pr&oacute;prios militares filmaram a cena. E a utilizaram como filme para deleitarem-se com sua proeza. E o que &eacute; pior, na presen&ccedil;a de jovens adolescentes da regi&atilde;o, todos amigos da v&iacute;tima. Foi precisamente um deles que utilizou seu telefone celular para gravar algumas seq&uuml;&ecirc;ncias do v&iacute;deo que foi difundido pela ag&ecirc;ncia Haiti Press Network (HPN). O v&iacute;deo s&oacute; ficou dispon&iacute;vel algumas horas na rede. N&atilde;o se sabe se tratou de uma a&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica do governo uruguaio ou da pr&oacute;pria ONU: Youtube justificou a retirada do v&iacute;deo dizendo que sua pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; a promo&ccedil;&atilde;o do &oacute;dio, dado que muitos coment&aacute;rios (mais de 4 mil) condenavam a barb&aacute;rie da ONU.&nbsp;<\/p>\n<p>\t<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\" font-size: 11px; background-color: rgb(255, 255, 255); \"><span style=\" font-size: 11px; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; \"><object height=\"330\" width=\"400\"><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><embed access=\"always\" allowfullscreen=\"true\" height=\"330\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eQ26dg4htww?version=3&amp;hl=pt_BR\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"400\"><\/embed><\/span><\/span><\/object><\/span><\/span><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); \"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; \"><span style=\"font-family:georgia, serif;\"><\/p>\n<p>\tFoi necess&aacute;rio o emprego de soldados da Minustah para devolver Port-Salut a seu remanso de paz. Em 1995, por exemplo, a cidade contava com apenas 40 policiais. Enquanto o pessoal da pol&iacute;cia nacional n&atilde;o deixou de aumentar, a cidade n&atilde;o tinha mais que 7 policiais em 2004. J&aacute; que era quase imposs&iacute;vel registrar um incidente grave fora o roubo de um cabrito ou de alguns sacos de batatas. Contudo, paradoxalmente, desde 2004, h&aacute; um contingente da Minustah para &ldquo;estabilizar&rdquo; Port-Salut. Dado que a natureza tem horror do vazio e que, como &eacute; bem sabido, o &oacute;cio &eacute; a m&atilde;e de todos os defeitos, os militares deveriam encontrar algo para justificar sua presen&ccedil;a. Pouco a pouco introduziram: a prostitui&ccedil;&atilde;o de menores e o &ldquo;interc&acirc;mbio&rdquo; de comida por produtos alucin&oacute;genos e\/ou il&iacute;citos como o tabaco, o &aacute;lcool, a &lsquo;marijuana&rsquo;. Tudo isso &eacute; resultado do informe tornado p&uacute;blico pela Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH), de 4 de setembro de 2011.<\/p>\n<p>\tA viola&ccedil;&atilde;o do jovem Johnny se inscreve nesse marco. Na verdade, para conseguir sua sobreviv&ecirc;ncia di&aacute;ria, muitos adolescentes e jovens, filhos e filhas de camponeses empobrecidos como Johnny, estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de proximidade com os soldados da ONU empregados em distintas regi&otilde;es do pa&iacute;s. O jovem Johnny havia se vinculado amistosamente com um dos soldados do contingente uruguaio, chamado &ldquo;Pocho&rdquo;. Este &uacute;ltimo ao que parece n&atilde;o participou do repudi&aacute;vel ato. E at&eacute; se viu impedido de lhe ajudar, j&aacute; que os bandidos haviam fechado a porta do quarto no qual realizaram este ato criminoso para impedir que os gritos do jovem garoto chegassem aos ouvidos de seu &ldquo;amigo&rdquo; Pocho.&nbsp;<\/p>\n<p>\tA opul&ecirc;ncia na qual vivem os soldados &lsquo;onusianos&rsquo; instalados no Haiti &eacute;, ao menos, chocante. Nas cidades, se instalam nos melhores hot&eacute;is, passeiam nas praias nos finais de semana, sobretudo em Port-Salut que s&atilde;o especialmente bonitas. Como contrapartida, compram os mais jovens, os prostituem e os violam. Esses militares n&atilde;o s&oacute; se beneficiam de uma impunidade absoluta, j&aacute; que seu estatuto de soldados da ONU os coloca acima das leis haitianas, mas tamb&eacute;m o poder de seu sal&aacute;rio representa mais que um insulto para os pobres policiais e outros funcion&aacute;rios do Estado haitiano. Uma compara&ccedil;&atilde;o: o soldado uruguaio recebe em seu pa&iacute;s um sal&aacute;rio equivalente a 400 d&oacute;lares, enquanto que na Minustah recebe 1.500 d&oacute;lares ao m&ecirc;s, o que o permite ter uma vida folgada no Haiti e at&eacute; guardar para uma comprar uma casa modesta ao voltar a seu pa&iacute;s. A Minustah paga ao governo uruguaio quatro vezes mais do que recebe cada soldado como sal&aacute;rio, ou seja, a ocupa&ccedil;&atilde;o militar de outro pa&iacute;s &eacute; um neg&oacute;cio rent&aacute;vel para o Estado uruguaio e seu Minist&eacute;rio de Defesa.&nbsp;<\/p>\n<p>\tO governo uruguaio da Frente Amplo (presidido pelo tupamaro Jos&eacute; Mujica), argumenta que esta viola&ccedil;&atilde;o coletiva perpetrada contra Johnny Jean n&atilde;o &eacute; mais que um incidente isolado e que os &uacute;nicos culpados seriam os quatro soldados. Esquecem assim do papel das for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio refrescar a mem&oacute;ria.<\/p>\n<p>\t<b>Contexto de machismo e opress&atilde;o<\/b><br \/>\n\tH&aacute; que se destacar que a viola&ccedil;&atilde;o de Johnny n&atilde;o &eacute; um fato acidental. Na verdade, a menos de um ano do desembarque da Minustah no Haiti &ndash; mais concretamente em 18 de fevereiro de 2005 &ndash; tr&ecirc;s &ldquo;capacetes azuis&rdquo; paquistaneses violaram uma jovem garota de nome Nad&eacute;ge Nicolas. No entanto, apesar de se tratar de um ato criminoso que causou a ira popular, sobretudo das organiza&ccedil;&otilde;es feministas, o caso segue impune e foi arquivado posteriormente. No caso atual, a Minustah tem esgrimido o chicote da moral crist&atilde;, machista, fortemente dominante no Haiti. Tanto os crist&atilde;os como os homens da lei e outros formadores de opini&atilde;o, n&atilde;o demoraram em mostrar sua abomina&ccedil;&atilde;o por aquele ataque &agrave; dignidade e &agrave; identidade (masculina) do jovem garoto. Em outras palavras, ele teria deixado de ser homem pelo fato de haver sido violado por quatro homens armados. O que na cultura machista significa que deixou de existir.<\/p>\n<p>\t&Eacute; necess&aacute;rio destacar que este jovem &eacute; um produto da classe camponesa haitiana. Seu n&iacute;vel de estudos confirma essa realidade. Aos 18 anos, Johnny freq&uuml;enta o quinto ano escolar prim&aacute;rio. N&atilde;o p&ocirc;de retornar &agrave; escola para o ano acad&ecirc;mico 2010-2011 por falta de dinheiro. &Eacute; o quarto filho de sua m&atilde;e. Seus irm&atilde;os n&atilde;o s&atilde;o do mesmo pai que ele. A diferen&ccedil;a das assinaturas certificadas pelo informe da RNDDH permite destacar esse fato significativo.<\/p>\n<p>\tTer v&aacute;rios filhos de pais diferentes &eacute; o resultado de dois fen&ocirc;menos intrinsecamente vinculados que se encontram nas camadas populares haitianas: o abandono paterno e seu corol&aacute;rio, a monogamia em s&eacute;rie. A mulher\/m&atilde;e de um filho abandonado por seu progenitor se vincula a outro homem para poder sobreviver com seu filho. Desta conex&atilde;o nasce um novo menino, abandonado tamb&eacute;m por seu novo progenitor. Reinicia-se com um terceiro homem com a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o: encontrar uma maneira para que suas &ldquo;crian&ccedil;as sem pai&rdquo; possam sobreviver. Nessa linha, ter&aacute; v&aacute;rias crian&ccedil;as de pais diferentes, de diferentes nomes, obviamente, sempre e quando aquelas crian&ccedil;as tiverem a &ldquo;oportunidade&rdquo; de serem reconhecidas legalmente por seus pais biol&oacute;gicos.<\/p>\n<p>\t<b>Guerra aos mais pobres<\/b><br \/>\n\tEm todas as suas a&ccedil;&otilde;es, a ocupa&ccedil;&atilde;o dirigida pela ONU aponta sistematicamente contra o povo empobrecido. Suas viola&ccedil;&otilde;es e seus assassinatos ocorrem nos bairros miser&aacute;veis como Cite-Soleil; contra as jovens mulheres e os indefesos jovens. A esse respeito, o RNDDH informa do caso muito conhecido do enforcamento de um menor de 16 anos, G&eacute;rald Gilles, em uma base militar dos &ldquo;capacetes azuis&rdquo; nepaleses em Car&eacute;nage, Cap-Haitien (segunda cidade do Haiti, localizada no norte do pa&iacute;s). A Minustah tentou fazer esse crime passar como um suic&iacute;dio. Assim como Johnny Jean, G&eacute;rald Gilles fazia &ldquo;interc&acirc;mbio&rdquo; com os soldados da ONU, ou seja, prestava-lhes servi&ccedil;os em troca de comida. Assim, como uma verdadeira for&ccedil;a de ocupa&ccedil;&atilde;o, a Minustah utiliza a viola&ccedil;&atilde;o como arma de guerra. Humilha, explora, submete os mais pac&iacute;ficos, que apenas entram em contato com ela para garantir sua sobreviv&ecirc;ncia, ou simplesmente porque s&atilde;o pobres; aqueles e aquelas cuja pele &eacute; mais escura porque se queimou sob o sol escaldante do Haiti; aqueles e aquelas que tiveram a infelicidade de viver em Cite-soleil e demais &ldquo;zonas sem direitos&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>\tEm sua guerra contra os mais pobres, a Minustah &ndash; como tropa de ocupa&ccedil;&atilde;o &ndash; introduz uma diferen&ccedil;a de import&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a outras invas&otilde;es militares sobre o solo haitiano. Na verdade, sob a ocupa&ccedil;&atilde;o norte-americana no Haiti (1915-1934), o arsenal racista dos Estados Unidos havia se desencadeado tanto contra os mulatos como contra os negros e negras, ricos e pobres. Isso obrigou, inclusive aqueles que inicialmente apoiavam a invas&atilde;o, a integrar-se na luta contra a ocupa&ccedil;&atilde;o. Ainda que sob sua forma &ldquo;mais pac&iacute;fica&rdquo;: a propaganda escrita. Isso contribuiu para refor&ccedil;ar a luta que impulsionou o movimento dos Cacos, antes tratados de vagabundos tanto pelos invasores como pela classe dominante majoritariamente mulata. A Minustah, mais vigilante se poderia dizer, reprime quase que exclusivamente os mais pobres, para assegurar sua legitimidade ante a burguesia &ldquo;grand-narcho&rdquo; haitiana e &agrave; pequena burguesia, entre os quais recruta a parte fundamental de seu pessoal civil local. Assim, podem violar, poluir, contaminar e mentir tranquilamente dado que seus interesses se sintonizam com os dos &ldquo;cidad&atilde;os respeit&aacute;veis&rdquo;.<\/p>\n<p>\t<b>Amorda&ccedil;ar, humilhar, violar, prostituir<\/b><br \/>\n\tA viola&ccedil;&atilde;o coletiva deste jovem garoto n&atilde;o &eacute; o &uacute;ltimo ato da MInustah denunciado pela popula&ccedil;&atilde;o de Port-Salut. Na verdade, durante esse mesmo m&ecirc;s de agosto, uma organiza&ccedil;&atilde;o local havia denunciado em uma nota de imprensa as &ldquo;m&aacute;s atitudes&rdquo; do contingente uruguaio. Em resposta, a Minustah havia realizado sua pr&oacute;pria investiga&ccedil;&atilde;o. Essa investiga&ccedil;&atilde;o, obviamente, se pronunciou pela nega&ccedil;&atilde;o total e categ&oacute;rica dos fatos, concluindo que as den&uacute;ncias n&atilde;o tinham nenhum fundamento. Entre as acusa&ccedil;&otilde;es aos soldados uruguaios estavam: &lsquo;A prostitui&ccedil;&atilde;o de menores, contamina&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, consumo de maconha na presen&ccedil;a de menores, comportamento humilhante, insultante, desrespeitoso, at&eacute; aos cidad&atilde;os de Port-Salut&rsquo;. O interessante nisso tudo &eacute; que alguns dias antes da publica&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo da viola&ccedil;&atilde;o coletiva do jovem garoto de 18 anos na Internet, a for&ccedil;a da ONU alardeava de sua pretensa investiga&ccedil;&atilde;o, e acusava &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o Credop de difama&ccedil;&atilde;o. Pois agora, a viola&ccedil;&atilde;o e sua publica&ccedil;&atilde;o na Internet indicam que n&atilde;o s&oacute; os militares violaram e humilharam o jovem garoto, como que se divertiram com isso.&nbsp;<\/p>\n<p>\tSe a Minustah atualmente ocupa de novo o Haiti, n&atilde;o se deve &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es pela forma&ccedil;&atilde;o do novo governo, ou a reabertura das classes, ou porque um novo estudo acaba de demonstrar sua implica&ccedil;&atilde;o na transmiss&atilde;o criminosa da epidemia de c&oacute;lera; epidemia que at&eacute; agora matou mais de 5 mil haitianos e haitianas. Tampouco se deve a uma nova acusa&ccedil;&atilde;o sobre o despejo de fezes nos rios do pa&iacute;s, como foi a pr&aacute;tica desde outubro de 2010.<\/p>\n<p>\tPelo contr&aacute;rio, a Minustah v&ecirc; sacudida sua imagem de miss&atilde;o &lsquo;humanit&aacute;ria&rsquo;, deixando claro sua natureza &lsquo;mal&eacute;fica&rsquo;. Seus crimes ultrajantes e sua impunidade, encobertas pela chamada &lsquo;comunidade internacional&rsquo; ficam em evid&ecirc;ncia. A Minustah &eacute; machista e racista. Est&aacute; abertamente em guerra contra as camadas populares. Sua participa&ccedil;&atilde;o ativa na repress&atilde;o contra as manifesta&ccedil;&otilde;es em todo o pa&iacute;s, sobretudo as que tem lugar no marco da luta pelo reajuste salarial, constitu&iacute; uma testemunha contundente.<\/p>\n<p>\tA esse respeito, o mesmo informe da RNDDH indica: &lsquo;Em 12 de maio de 2011, G&eacute;na Winderson, estudante de s&eacute;timo ano no Col&eacute;gio Centro de Forma&ccedil;&atilde;o Cl&aacute;ssica de Verrettes, departamento de Artibonite, de quatorze anos, foi atingido por dois proj&eacute;teis disparados por soldados da Minustah. Esse incidente ocorreu no momento em que alguns do Col&eacute;gio Jacques Stephen Alexis organizavam uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a demiss&atilde;o de um professor&rsquo;. Na realidade, toda resist&ecirc;ncia popular e de classe &eacute; sistematicamente reprimida pela miss&atilde;o da ONU. Amorda&ccedil;ar, humilhar, violar, prostituir: &eacute; esse o credo da Minustah.<\/p>\n<p>\tA seguir, um extrato do informe da RDDDH sobre alguns casos de viola&ccedil;&otilde;es, torturas, assassinatos e deten&ccedil;&otilde;es ilegais e arbitr&aacute;rias perpetradas pela Minustah:<\/p>\n<p>\t1. Em 18 de fevereiro de 2005, tr&ecirc;s soldados paquistaneses do contingente da Minustah instalados em Gan&iuml;ves violaram Nadeige Nicolas;<\/p>\n<p>\t2. Em 20 de mar&ccedil;o de 2005, Robenson Laraque, jornalista da R&aacute;dio Tele Contacto, foi mortalmente ferido por proj&eacute;teis disparados por soldados da Minustah que expulsaram os antigos militares da pol&iacute;cia de Petit-Goave;<\/p>\n<p>\t3. Em 26 de novembro de 2005, em Carrefour Trois Mains, sobre a estrada do Aeroporto, Marie Rose Pr&eacute;c&eacute;us foi sodomizada e violada por um soldado jordaniano;<\/p>\n<p>\t4. Em 20 de dezembro de 2006, Stephane Durog&eacute;ne, estudante do terceiro ano do Centro de Forma&ccedil;&atilde;o Cl&aacute;ssico e Econ&ocirc;mico (CFCE) recebeu dois disparos no olho esquerdo por dois soldados da Minustah enquanto passava perto da Delegacia de Delmas 62;<\/p>\n<p>\t5. Em 3 de novembro de 2007, cento e onze &lsquo;capacetes azuis&rsquo; do Sri Lanka se envolveram em um caso de abuso e explora&ccedil;&atilde;o cujas v&iacute;timas s&atilde;o menores;<\/p>\n<p>\t6. Em 29 de maio de 2008, o policial Lucknis Jacques, da Delegacia de Cite-soleil, foi perseguido por soldados da Minustah;<\/p>\n<p>\t7. Em 6 de agosto de 2008, soldados da Minustah maltrataram dois policiais, Donson Bien-Aim&eacute; e Ronald Denis, da Delegacia de Cite-Soleil. Esses fatos foram perpetrados contra as v&iacute;timas apesar do fato de terem se identificado claramente;<\/p>\n<p>\t8. Em 18 de agosto de 2010, um menor &oacute;rf&atilde;o de 16 anos que respondia pelo nome de G&eacute;rald Jean Gilles foi encontrado pendurado em uma amendoeira na base dos soldados nepaleses da Minustah, situada em Car&eacute;nage, Cap-Haitien. Esse menor freq&uuml;entava a base e prestava servi&ccedil;os aos soldados;<\/p>\n<p>\t9. Na metade de outubro de 2010, capacetes azuis nepaleses da Minustah baseados em Mirebalais, s&atilde;o acusados de provocar e propagar o c&oacute;lera no Haiti pelo derramamento de res&iacute;duos humanos nos rios Boukan Kanni e Jenba, o que causou consider&aacute;veis perdas humanas.<\/p>\n<p>\tEsses fatos n&atilde;o s&atilde;o exaustivos. No entanto, em todos os casos previamente mencionados, a RNDDH responsabiliza a Minustah e por conseq&uuml;&ecirc;ncia a ONU; j&aacute; que &eacute; inconceb&iacute;vel que soldados contratados em uma for&ccedil;a da ONU, funcionem por fora de toda norma legal, se dediquem a atividades repudi&aacute;veis, e se beneficiem da imunidade penal conferida pela ONU.<\/p>\n<p>\t<b>MICHA&Euml;LLE DESROSIERS Y FRANCK SEGUY&nbsp;s&atilde;o soci&oacute;logos e militantes da esquerda haitiana<\/b>&nbsp;<\/p>\n<p>\t<b>Publicado originalmente em www.alencontre.org\/<\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Port-Salut, pequena cidade costeira ao sul da Rep&uacute;blica do Haiti, se destaca por suas praias atraentes e sua paisagem radiante como um cart&atilde;o postal. 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