{"id":1698,"date":"2011-06-09T17:54:12","date_gmt":"2011-06-09T17:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/06\/09\/as-mobilizacoes-continuam-contra-o-regime-e-a-miseria\/"},"modified":"2011-06-09T17:54:12","modified_gmt":"2011-06-09T17:54:12","slug":"as-mobilizacoes-continuam-contra-o-regime-e-a-miseria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/06\/09\/as-mobilizacoes-continuam-contra-o-regime-e-a-miseria\/","title":{"rendered":"As mobiliza\u00e7\u00f5es continuam contra o regime e a mis\u00e9ria"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"line-height: 24px\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"120\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/marrocos_protestos.jpg\" vspace=\"4\" width=\"180\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<div style=\"line-height: 26pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"line-height: 24px\">Marrocos n&atilde;o &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o, pois tem uma situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social muito parecida ao resto [dos pa&iacute;ses em luta no Magreb]. No Marrocos, um pa&iacute;s de cerca de 35 milh&otilde;es de habitantes, h&aacute; 5 milh&otilde;es na pobreza extrema e outros 5 milh&otilde;es na emigra&ccedil;&atilde;o (18% da popula&ccedil;&atilde;o), dos quais, oficialmente, 800.000 est&atilde;o na Espanha.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Milhares de marroquinos perderam a vida tentando cruzar o estreito de Gibraltar em busca de um trabalho e de um sal&aacute;rio para sobreviverem e poderem enviar recursos para suas fam&iacute;lias. A taxa oficial de desemprego no Marrocos &eacute; de 9,1%, ainda que com grandes desigualdades, j&aacute; que h&aacute; regi&otilde;es onde supera os 18%. Um ter&ccedil;o dos formados nas universidades est&aacute; desempregado e 50% d0s desempregados nunca conseguiu o primeiro emprego. O sal&aacute;rio &eacute; t&atilde;o baixo como no resto da regi&atilde;o, 10 vezes mais baixo do que em Espanha. H&aacute; uma taxa de analfabetismo superior a 50%.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Aliado do imperialismo e de Israel<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O regime marroquino &eacute;, al&eacute;m do mais, um fiel aliado dos EUA, com quem tem assinado um TLC (Tratado de Livre Com&eacute;rcio), e &eacute; s&oacute;cio militar privilegiado por fora da OTAN. Com a OTAN, ademais, mant&eacute;m acordos de colabora&ccedil;&atilde;o e participou em v&aacute;rias manobras militares conjuntas. O tema do apoio aos palestinos por parte dos reis marroquinos foi sempre usado como desculpa ou camuflagem perante a oposi&ccedil;&atilde;o interna, visto que sempre mantiveram excelentes rela&ccedil;&otilde;es com Israel: Hasan II ajudou a que se estabelecessem rela&ccedil;&otilde;es entre o Egito e Israel em 1978 e, desde os anos 50, foi a sede do Mossad, servi&ccedil;o secreto israelita para o norte de &Aacute;frica. Israel ajudou na forma&ccedil;&atilde;o da guarda pessoal do rei e foi um dos provedores de armamento para o ex&eacute;rcito marroquino.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>As mobiliza&ccedil;&otilde;es crescem<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">As mobiliza&ccedil;&otilde;es atuais t&ecirc;m seu antecedente no processo de lutas que j&aacute; existia no pa&iacute;s. Houve importantes mobiliza&ccedil;&otilde;es dos universit&aacute;rios e tamb&eacute;m dos formados desempregados, dos trabalhadores de diversas &aacute;reas, como o t&ecirc;xtil, fosfato e os pescadores. Em 2008, com a crise do aumento dos alimentos, houve grandes mobiliza&ccedil;&otilde;es, como a rebeli&atilde;o do p&atilde;o, duramente reprimidas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Com a crise econ&ocirc;mica mundial ocorreram demiss&otilde;es massivas, como os mais de 50.000 demitidos na ind&uacute;stria t&ecirc;xtil na cidade de Tanger (cerca de metade da for&ccedil;a de trabalho).No Saara, que foi tomado pela for&ccedil;a no ano 1975, com o acordo de Franco e seu herdeiro Juan Carlos, continuou havendo mobiliza&ccedil;&otilde;es. O acampamento que se formou nas imedia&ccedil;&otilde;es de El Aiun, onde se reclamava melhorias sociais (trabalho e habita&ccedil;&atilde;o), foi desmantelado a sangue e fogo no passado m&ecirc;s de novembro de 2010. O Rif (a regi&atilde;o sobretudo berbere do norte de Marrocos) foi a zona mais castigada pelo regime de Hasan II, onde utilizaram at&eacute; bombardeamentos a&eacute;reos contra a popula&ccedil;&atilde;o civil nos anos 60 e onde houve tamb&eacute;m mais dureza na repress&atilde;o das mobiliza&ccedil;&otilde;es atuais, tendo havido j&aacute; v&aacute;rios mortos na cidade de Alhucemas na primeira marcha de 20 de fevereiro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Desde o come&ccedil;o deste novo processo de mobiliza&ccedil;&otilde;es houve v&aacute;rias jornadas centrais de luta (20 de fevereiro, 20 de mar&ccedil;o, 24 de abril e 15 de maio). Entre cada data aconteceram dezenas de mobiliza&ccedil;&otilde;es em in&uacute;meras cidades, como as convocadas v&aacute;rios dias pelos diplomados desempregados em Rabat ou como a mobiliza&ccedil;&atilde;o de desempregados e dos filhos dos aposentados da f&aacute;brica de Fosfatos exigindo trabalho, que tamb&eacute;m foi reprimida pela pol&iacute;cia na cidade de Khuribga. Os trabalhadores de outra grande f&aacute;brica de Fosfatos na cidade de Yorf Asfar, perto da cidade de El Jadida, realizaram uma grande greve no in&iacute;cio de maio.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>O governo faz concess&otilde;es para travar a luta<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O governo tratou de parar o processo de mobiliza&ccedil;&otilde;es reprimindo alguns protestos, mas ao mesmo tempo teve de ir fazendo concess&otilde;es para salvar o regime e seus neg&oacute;cios. No seu discurso, Mohamed VI anunciou reformas constitucionais, mas em seguida foi ele mesmo quem nomeou a comiss&atilde;o que estudaria as propostas de mudan&ccedil;as. Outra medida urgente que tomou foi aumentar o sal&aacute;rio das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e assegurar fundos para ajuda ao mantimento dos pre&ccedil;os da cesta b&aacute;sica. Mas isto n&atilde;o foi suficiente e as mobiliza&ccedil;&otilde;es continuaram. A cada jornada se juntavam mais cidades &agrave;s mobiliza&ccedil;&otilde;es, a &uacute;ltima chegou a mais de 100. Por isso teve de anunciar uma subida de 20 euros do sal&aacute;rio m&iacute;nimo a partir de 1 de maio, a subida de quase 55 euros para os funcion&aacute;rios do Estado, assim como a subida das pens&otilde;es, que pode alcan&ccedil;ar at&eacute; 90 euros mais ao m&ecirc;s. Tamb&eacute;m perante as cont&iacute;nuas mobiliza&ccedil;&otilde;es dos diplomados desempregados, anunciou que se contratariam 4.000 novos funcion&aacute;rios entre eles.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>A mesma luta<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Em Madrid se juntaram aos protestos da Porta do Sol com o movimento do 15 de Maio. Os imigrantes marroquinos sofrem com grande dureza a situa&ccedil;&atilde;o da crise econ&ocirc;mica, com um grande crescimento do desemprego. A luta dos jovens e trabalhadores marroquinos &eacute; a mesma que a daqui [Espanha]. Os imigrantes, como parte da classe oper&aacute;ria deste pa&iacute;s, lutam tanto pela mudan&ccedil;a no Marrocos, como pela mudan&ccedil;a aqui. Por isso, na <i>Corrente Vermelha<\/i>, damos todo o nosso apoio &agrave;s mobiliza&ccedil;&otilde;es em Marrocos e aplaudimos a unidade dos trabalhadores imigrantes marroquinos nos protestos das pra&ccedil;as de todo o Estado Espanhol.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">______________________________________<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>Uma monarquia capitalista e de milion&aacute;rios<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O rei e sua fam&iacute;lia s&atilde;o os propriet&aacute;rios do principal holding industrial e comercial marroquino ONA (Omnium Nord-Africain), do qual possuem 60% das a&ccedil;&otilde;es. Controlam a produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de fosfatos, que &eacute; uma das principais ind&uacute;strias do pa&iacute;s, a pesca, latic&iacute;nios, petr&oacute;leo, banca&#8230; Como dizem naquelas terras, &eacute; o polvo da economia marroquina. como o resto dos governos da regi&atilde;o, desde os anos 90, se dedicou &agrave;s privatiza&ccedil;&otilde;es que recomendava o FMI, quem beneficiou foram os multinacionais e, claro est&aacute;, a fam&iacute;lia real e seus amigos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 18pt\">\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Fonte: P&aacute;gina Roja n&ordm; 4 (Nova &Eacute;poca), junho 2011<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Renata Cambra<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marrocos n&atilde;o &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o, pois tem uma situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social muito parecida ao resto [dos pa&iacute;ses em luta no Magreb]. 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