{"id":1634,"date":"2011-04-26T12:54:08","date_gmt":"2011-04-26T12:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/04\/26\/as-expropriacoes-e-o-socialismo\/"},"modified":"2011-04-26T12:54:08","modified_gmt":"2011-04-26T12:54:08","slug":"as-expropriacoes-e-o-socialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/04\/26\/as-expropriacoes-e-o-socialismo\/","title":{"rendered":"As expropria\u00e7\u00f5es e o socialismo"},"content":{"rendered":"\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"133\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chavez.jpg\" vspace=\"3\" width=\"200\" \/>Uma das a&ccedil;&otilde;es que faz com que grande parte dos trabalhadores e da popula&ccedil;&atilde;o pobre veja com simpatia o Governo Ch&aacute;vez &eacute; precisamente o fato de ele ter se atrevido a expropriar alguns grupos econ&ocirc;micos poderosos, enquanto amea&ccedil;a outros de tomar a mesma medida.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Esta simpatia &eacute; compartilhada por grande parte da esquerda venezuelana e mundial, j&aacute; que as a&ccedil;&otilde;es do governo s&atilde;o comparadas com as medidas revolucion&aacute;rias adotadas no in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o cubana por Fidel Castro e o movimento &ldquo;26 de julho&rdquo; contra as multinacionais estrangeiras, e com as expropria&ccedil;&otilde;es realizadas pelos comunistas sovi&eacute;ticos, chineses, alem&atilde;es, poloneses, vietnamitas etc. durante a constru&ccedil;&atilde;o do erroneamente chamado &ldquo;socialismo real&rdquo;, hoje inexistente.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Para entender a import&acirc;ncia do tema, &eacute; necess&aacute;rio passearmos brevemente pela teoria marxista, propulsora do socialismo cient&iacute;fico, ou seja, do socialismo l&oacute;gica e racionalmente realiz&aacute;vel.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Segundo esta teoria, derivada do estudo do desenvolvimento da humanidade, suas leis inerentes e sua evolu&ccedil;&atilde;o prov&aacute;vel, o socialismo seria o in&iacute;cio da transi&ccedil;&atilde;o para o comunismo ou sociedade sem classes sociais, sem explora&ccedil;&atilde;o e sem Estado como aparato de domina&ccedil;&atilde;o da classe que possui o poder pol&iacute;tico.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Para que esta sociedade pudesse existir, deveria ser abolida a propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, de distribui&ccedil;&atilde;o e de com&eacute;rcio de bens e servi&ccedil;os, j&aacute; que &eacute; dessa propriedade privada que deriva a explora&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o desigual da riqueza social.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&Eacute; por isso que os marxistas ou socialistas cient&iacute;ficos consideravam esta primeira etapa de transi&ccedil;&atilde;o, em que a classe oper&aacute;ria possui o poder pol&iacute;tico e o mant&eacute;m usando o Estado contra as classes exploradoras, como uma etapa de cria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es materiais, sociais e culturais para a desapari&ccedil;&atilde;o de todo vest&iacute;gio de opress&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&Eacute; neste contexto em que se levantava, no programa socialista, a expropria&ccedil;&atilde;o dos grandes meios de produ&ccedil;&atilde;o, de distribui&ccedil;&atilde;o e de troca, que passariam para as m&atilde;os do Estado Oper&aacute;rio em uma etapa de transi&ccedil;&atilde;o, ao final da qual o Estado desapareceria e os meios de produ&ccedil;&atilde;o seriam apropriados pela sociedade, em um estado de consci&ecirc;ncia, cultura, t&eacute;cnica, organiza&ccedil;&atilde;o e riqueza econ&ocirc;mica que permitiria a administra&ccedil;&atilde;o dos recursos sem a necessidade de recorrer &agrave; viol&ecirc;ncia organizada do Estado.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">No entanto, as expropria&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foram a&ccedil;&otilde;es exclusivas do governo socialista ou do Estado Oper&aacute;rio em transi&ccedil;&atilde;o para o comunismo. O Estado Burgu&ecirc;s ou Capitalista tamb&eacute;m recorreu &agrave;s expropria&ccedil;&otilde;es quando o interesse do capitalismo como um todo prevaleceu sobre o interesse do empres&aacute;rio capitalista expropriado.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&Eacute; por isso que quase todos os Estados Capitalistas t&ecirc;m em sua legisla&ccedil;&atilde;o a faculdade do Estado de expropriar bens materiais em fun&ccedil;&atilde;o do &ldquo;interesse coletivo&rdquo;. A Venezuela n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o, tendo essa possibilidade desde a &eacute;poca da IV Rep&uacute;blica (portanto, antes do governo Ch&aacute;vez).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Portanto, a diferen&ccedil;a entre um governo revolucion&aacute;rio, socialista, e outro burgu&ecirc;s, capitalista, n&atilde;o est&aacute; em que um exproprie e o outro n&atilde;o, mas, sim, em que contexto se d&aacute; esta expropria&ccedil;&atilde;o, ou seja, a servi&ccedil;o de que classe social, de que pol&iacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Um governo capitalista expropria um im&oacute;vel &#8211; propriedade privada &#8211; para construir, por exemplo, uma ferrovia que facilitar&aacute; para todos os capitalistas o transporte de mercadorias, insumos e mat&eacute;rias-primas de um lugar a outro, facilitando a realiza&ccedil;&atilde;o do capital. Um governo deste tipo n&atilde;o ataca a propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, mas a reafirma. Na expropria&ccedil;&atilde;o, reconhece o valor de mercado da propriedade privada, aceitando, assim, as oscila&ccedil;&otilde;es especulativas dos pre&ccedil;os de venda e a apropria&ccedil;&atilde;o pelo capitalista da riqueza gerada por seus empregados. Por isso, um governo capitalista se preocupa muito em indenizar o expropriado, em reconhecer sua propriedade privada, obtida mediante a explora&ccedil;&atilde;o direta ou indireta.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Um governo socialista, ao contr&aacute;rio, expropria como parte de um plano geral estrat&eacute;gico, em que se declara abolida a propriedade privada dos grandes meios de produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio. Mas, como conhece a origem da riqueza do capitalista, n&atilde;o o indeniza, n&atilde;o lhe paga nada, pois o empres&aacute;rio se tornou rico explorando os trabalhadores. Al&eacute;m disso, como est&aacute; a servi&ccedil;o da classe trabalhadora, coloca as empresas expropriadas sob controle de seus trabalhadores, organizados democraticamente e articulando estas empresas em um plano econ&ocirc;mico nacional que busque desenvolver as for&ccedil;as produtivas, requisito indispens&aacute;vel para a transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade socialista.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por &uacute;ltimo, um governo socialista colocaria as empresas expropriadas a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do socialismo nacional e internacionalmente, j&aacute; que o capitalismo deve ser derrotado na arena mundial para que o socialismo possa triunfar definitivamente em n&iacute;vel nacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">O Governo de Ch&aacute;vez recorreu &agrave;s expropria&ccedil;&otilde;es para solucionar situa&ccedil;&otilde;es em que o aparelho produtivo foi paralisado ou semiparalisado, seja por abandono do dono, por sabotagem ou por conveni&ecirc;ncia do Governo ou da na&ccedil;&atilde;o. Essas expropria&ccedil;&otilde;es foram indenizadas pelo valor de mercado ou acima deste. Mas n&atilde;o foram realizadas como parte de um plano econ&ocirc;mico nacional, e, sim, conforme a necessidade conjuntural.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Soma-se a isso o fato de que as expropria&ccedil;&otilde;es n&atilde;o serviram para fortalecer os trabalhadores no interior da ind&uacute;stria. Ao contr&aacute;rio, serviram para diminuir suas conquistas e cercear seus direitos sindicais. O controle oper&aacute;rio democr&aacute;tico foi combatido ferozmente em cada uma dessas ocasi&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Esses problemas nos alertam sobre o verdadeiro car&aacute;ter burgu&ecirc;s do Governo Ch&aacute;vez que, no interesse do capital nacional, est&aacute; se chocando com um setor capitalista que tem fortes la&ccedil;os com o imperialismo ianque e que, pelas convuls&otilde;es sociais que ocorreram no pa&iacute;s, n&atilde;o tem outro rem&eacute;dio al&eacute;m de realizar essas reformas em nome do socialismo. Como disse Ch&aacute;vez: &ldquo;fazer a revolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica para fechar o caminho da revolu&ccedil;&atilde;o violenta&rdquo; (que pode ser interpretado como: realizar algumas reformas para que os trabalhadores n&atilde;o fa&ccedil;am a verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o que retire o poder da burguesia)<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Mas, ainda que conhe&ccedil;amos o verdadeiro motivo das expropria&ccedil;&otilde;es, &eacute; um erro combat&ecirc;-las, como manifestaram os companheiros da Unidade Socialista de Esquerda (USI) em suas publica&ccedil;&otilde;es e atividades convocadas (como a marcha de 5 de fevereiro de 2011, que em suas consignas expressava estar contra as expropria&ccedil;&otilde;es).<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Os companheiros afirmam estar contra as expropria&ccedil;&otilde;es porque os trabalhadores das empresas expropriadas n&atilde;o foram consultados e porque deterioram as conquistas destes trabalhadores. Esse foi o argumento para conformar uma alian&ccedil;a com um setor sindical contra a expropria&ccedil;&atilde;o da Cargill, da Agroisle&ntilde;a e da Polar.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&Eacute; verdade que os trabalhadores n&atilde;o foram consultados sobre essas expropria&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m n&atilde;o foram consultados sobre a propriedade privada dessas empresas, sua funda&ccedil;&atilde;o, sua condu&ccedil;&atilde;o ou o destino da riqueza gerada por eles. Visto dessa forma, o argumento da expropria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consultada se torna um argumento patronal, burgu&ecirc;s, defensor da propriedade privada e da explora&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Toda expropria&ccedil;&atilde;o &eacute; progressiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, porque encurta o caminho da planifica&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica quando a classe oper&aacute;ria tomar o poder. &Eacute; diferente tomar o poder e assumir o controle das empresas j&aacute; estatizadas do que ter que se enfrentar com os capitalistas de cada empresa, para expropri&aacute;-las e coloc&aacute;-las para produzir sob controle do Estado Oper&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Por que, ent&atilde;o, os companheiros da USI est&atilde;o contra as expropria&ccedil;&otilde;es, do lado dos capitalistas expropriados ou amea&ccedil;ados? O poss&iacute;vel argumento de que a expropria&ccedil;&atilde;o fortalece o regime autorit&aacute;rio de quem det&eacute;m o poder e a n&atilde;o expropria&ccedil;&atilde;o o debilita mascara o papel do burgu&ecirc;s e anula ou coloca em um papel secund&aacute;rio a a&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria das massas oper&aacute;rias, das empresas privadas ou estatais, com suas greves insurrecionais como m&eacute;todo cl&aacute;ssico revolucion&aacute;rio.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">A deteriora&ccedil;&atilde;o das conquistas trabalhistas n&atilde;o &eacute; um problema derivado da expropria&ccedil;&atilde;o, mas, sim, do car&aacute;ter burgu&ecirc;s do governo e do Estado, e tamb&eacute;m da situa&ccedil;&atilde;o geral da economia. Devemos partir do fato de que um setor minorit&aacute;rio, uma aristocracia oper&aacute;ria, goza de boas conquistas derivadas da posi&ccedil;&atilde;o privilegiada que possui o burgu&ecirc;s, dono da empresa, dentro da cadeia produtiva e de comercializa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">As ind&uacute;strias Polar possuem um vasto empreendimento industrial que abarca alimentos e bebidas, mas o principal neg&oacute;cio &eacute; sustentando com o v&iacute;cio alco&oacute;lico do consumo massivo de cerveja, que cobre o preju&iacute;zo de qualquer outro produto. <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Cargill e Agroisle&ntilde;a possu&iacute;am um alto componente estrangeiro, que permitia equilibrar conjunturalmente suas contas injetando recursos onde convinha para a empresa manter a paz nas rela&ccedil;&otilde;es trabalhistas. Todas s&atilde;o empresas do setor de agroalimentos, estrat&eacute;gico e que tinham uma importante margem de lucros.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Portanto, as melhores conquistas dos trabalhadores deste setor n&atilde;o s&atilde;o indicativos de que os empres&aacute;rios dessas empresas s&atilde;o mais generosos que o Governo (como poder&iacute;amos presumir da l&oacute;gica da USI), mas, sim, da privilegiada rela&ccedil;&atilde;o custo-benef&iacute;cio que estes burgueses t&ecirc;m na economia nacional. Novamente os companheiros assumem posi&ccedil;&otilde;es a favor dos patr&otilde;es, atribuindo ao empres&aacute;rio bondades que n&atilde;o possuem.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Portanto, o melhor &eacute; exigir a radicaliza&ccedil;&atilde;o das medidas de expropria&ccedil;&atilde;o, sem indeniza&ccedil;&atilde;o, de acordo com um plano estrat&eacute;gico, discutido e submetido ao controle dos trabalhadores, em que se vincule a expropria&ccedil;&atilde;o dos bancos, a estatiza&ccedil;&atilde;o da terra, o monop&oacute;lio do com&eacute;rcio exterior, o desenvolvimento da ind&uacute;stria estatal e de organismos oper&aacute;rios democraticamente auto-organizados para controlar o Governo e a economia.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Tha&iacute;s Rossi<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das a&ccedil;&otilde;es que faz com que grande parte dos trabalhadores e da popula&ccedil;&atilde;o pobre veja com simpatia o Governo Ch&aacute;vez &eacute; precisamente o fato de ele ter se atrevido a expropriar alguns grupos econ&ocirc;micos poderosos, enquanto amea&ccedil;a outros de tomar a mesma medida. &nbsp; Esta simpatia &eacute; compartilhada por grande parte da esquerda venezuelana [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":4985,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[167],"tags":[],"class_list":["post-1634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-venezuela"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chavez.jpg","categories_names":["Venezuela"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}