{"id":1613,"date":"2011-04-16T04:37:18","date_gmt":"2011-04-16T04:37:18","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/04\/16\/a-mulher-na-revolucao-mexicana\/"},"modified":"2011-04-16T04:37:18","modified_gmt":"2011-04-16T04:37:18","slug":"a-mulher-na-revolucao-mexicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/04\/16\/a-mulher-na-revolucao-mexicana\/","title":{"rendered":"A Mulher na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><br \/>\nArtigo publicado na revista da LIT-QI, <i>Correio Internacional<\/i> (Nova \u00c9poca), n\u00ba 4,\u00a0mar\u00e7o de 2011. <\/b><\/span><\/span><br \/>\n<!--more--><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 \u00e9 bem conhecida. Como j\u00e1 citado em outro artigo, suas mobiliza\u00e7\u00f5es foram os estopins que deflagraram a revolu\u00e7\u00e3o. Sabe-se, tamb\u00e9m, que o processo revolucion\u00e1rio europeu do in\u00edcio do s\u00e9culo XX deu origem a grandes mulheres revolucion\u00e1rias, como Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo. Assim como conhecemos o importante papel desempenhado pelas mulheres na revolu\u00e7\u00e3o chinesa.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Mas h\u00e1 uma grande revolu\u00e7\u00e3o que acaba de completar 100 anos, mas pouco estudada pelo Marxismo. Falamos sobre ela em outras p\u00e1ginas da revista. Aqui, neste dossi\u00ea dedicado \u00e0s lutas das mulheres, queremos citar alguns fatos sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres naquela que foi uma das grandes revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX, a revolu\u00e7\u00e3o mexicana de 1910.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social das mulheres n\u00e3o se iniciou em 1910<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O processo de industrializa\u00e7\u00e3o iniciado no porfiriato<sup>1<\/sup> abriu, para as mulheres, as portas das f\u00e1bricas, oficinas, escrit\u00f3rios, com\u00e9rcio, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e, em particular, aumentou sua participa\u00e7\u00e3o no magist\u00e9rio. A cria\u00e7\u00e3o da Escola Normal de Professoras, em 1888, atribuiu grande import\u00e2ncia \u00e0 profiss\u00e3o de professora. Em 1876, 58,33% dos professores eram do sexo masculino e 25% do feminino; em 1900, 32,5% eram homens e 67,5% mulheres e em 1907, 78,29% dos docentes eram mulheres. <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Assim, ela come\u00e7a a sair dos estreitos limites do lar para outras atividades, n\u00e3o apenas laborais, mas tamb\u00e9m culturais e pol\u00edticas, o que leva a uma significativa mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, que n\u00e3o foi muito bem visto pela imprensa da \u00e9poca. Por exemplo, o jornal <em>El Clar\u00edn<\/em>, de Guadalajara, disse: \u201cAs senhoras e senhoritas da capital muito ativas, assaz viris que fazem discursos, comp\u00f5em pe\u00e7as musicais e abra\u00e7am e beijam em p\u00fablico (&#8230;) francamente, n\u00e3o nos agradam esses arroubos viris do sexo fr\u00e1gil; afastem-nas de sua esfera natural de atua\u00e7\u00e3o, separem-na de tarefas como pregar bot\u00f5es, preparar uma refei\u00e7\u00e3o ou de ensinar uma ora\u00e7\u00e3o a seus filhos (&#8230;)\u201d.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A influ\u00eancia dos movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos se faz sentir. Iniciou-se a organiza\u00e7\u00e3o de grupos de mulheres que come\u00e7aram a escrever em jornais e revistas femininas sobre a necessidade de lutar pela emancipa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Come\u00e7aram a questionar a desigualdade intelectual entre os sexos, exigindo educa\u00e7\u00e3o e conhecimento igualit\u00e1rios que lhes permitissem o engajamento no processo cultural e pol\u00edtico.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Desta forma, foram surgindo mulheres intelectuais que aderiram \u00e0 luta contra o regime e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Foi o caso de Dolores Gim\u00e9nez y Muro, professora e poetisa, presidente da <i>Liga Feminina antirreelei\u00e7\u00e3o \u201cJosefa Ortiz de Dom\u00ednguez\u201d<\/i><sup>2<\/sup> e que ocupou o posto de coronel do ex\u00e9rcito zapatista at\u00e9 o seu assassinato em 1919.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Estas mulheres foram perseguidas, presas, algumas fuziladas. Mas seu trabalho foi mantido e chegaram a cumprir um papel destacado na elabora\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o imposta pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>As mulheres dos soldados<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">As mulheres dos soldados, mais conhecidas como <i>Adelas<\/i>, aparecem no in\u00edcio dos enfrentamentos armados. Elas s\u00e3o filhas, esposas e amantes dos soldados que lutaram na Revolu\u00e7\u00e3o e muitas delas foram grandes combatentes, sendo muito bem retratadas nos quadros de Frida Kahlo. Tiveram tamb\u00e9m seu reconhecimento na m\u00fasica. A can\u00e7\u00e3o <i>La Adelita<\/i>, por exemplo, fala de uma mulher de grande beleza, companheira de um sargento, mas tamb\u00e9m dotada de muita coragem, motivo pelo qual \u00e9 admirada por todos os homens. <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A grande maioria das mulheres camponesas engajava-se nos diferentes ex\u00e9rcitos de acordo com seu lugar de origem, voluntariamente ou sob o velho sistema de <i>leva<\/i><sup>3<\/sup>. Muitas vezes tiveram de suportar sequestros e estupros; abusos sexuais t\u00edpicos das guerras.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Elas continuavam nos acampamentos as tarefas de seus lares, buscavam alimentos, cozinhavam, cuidavam dos doentes e feridos. Mas tamb\u00e9m lutavam. Cuidavam de seus maridos, pais ou filhos e quando estes ca\u00edam, elas continuavam a batalha. O testemunho a seguir \u00e9 um bom exemplo disso: <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u201cOuve-se um toque de trombeta \u00e0 dist\u00e2ncia pedindo senha. O eco difundiu o som do instrumento de guerra e o comandante do acampamento instruiu o corneteiro de ordens para responder. Uma vez confirmado que se tratava de for\u00e7as amigas, esperou-se sua chegada. Por outro lado, chegavam not\u00edcias de que o inimigo iria atacar em breve, e assim prepararam a defesa do acampamento. O comandante organizou a distribui\u00e7\u00e3o dos soldados sob seu comando. De repente, uma mulher de soldado chegou a toda velocidade, agitando um trapo enquanto avisava aos gritos que o inimigo estava pr\u00f3ximo. Ent\u00e3o, o comandante, como bom militar, alertou as tropas para dispararem somente sob seu comando.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Efetivamente, quando a for\u00e7a contr\u00e1ria encontrava-se a uma dist\u00e2ncia conveniente, ele deu a ordem disparando sua arma calibre 45 sobre o inimigo que se aproximava: FOGO!&#8230; Uma saraivada pesada recebeu os atacantes e, embora estes fossem superiores em n\u00famero, a tropa n\u00e3o se arredou e suportou o combate por 48 horas. Cada soldado que tombava era substitu\u00eddo por uma mulher de soldado, que mostrava coragem superior \u00e0 dos homens. Estes, por sua vez, vendo esta demonstra\u00e7\u00e3o de aud\u00e1cia, sentiram-se estimulados e derrotaram o inimigo. Deve-se fazer justi\u00e7a e esclarecer que meninos de idade entre 9 e 11 anos tamb\u00e9m participaram daquele combate, pegando em armas para defender a parte que lhes cabia na luta. Foi dura a jornada! <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">No acampamento, afundados na escurid\u00e3o da noite, os \u2018pe\u00f5es\u2019 descansavam.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">S\u00f3 se ouviam os passos dos soldados que faziam a ronda e vigiavam o sono de seus companheiros: chefes, oficiais e a tropa. Todos exaustos, n\u00e3o tinham comido e nem dormido durante as 48 horas de dura\u00e7\u00e3o da batalha! Ao redor do acampamento, muitos corpos encontravam-se espalhados e foram queimados em montes com gasolina. S\u00f3 tiveram sepulturas os 27 soldados que morreram em combate. O comando ordenou a emiss\u00e3o de passes para que suas vi\u00favas e filhos voltassem aos seus lugares de origem. A mulher mexicana sempre demonstrou coragem e destemor quando as circunst\u00e2ncias exigiram. Muitas receberam postos militares durante a Revolu\u00e7\u00e3o, algumas se tornaram famosas como coroneis e outras como soldados rasos&#8230;! A maioria, como verdadeiras mulheres de soldados!\u201d<sup>4<\/sup><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Algumas declara\u00e7\u00f5es de mulheres zapatistas descrevem como suas incorpora\u00e7\u00f5es ao ex\u00e9rcito se deram: <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u201cFui embora porque queimaram e despovoaram Huitzilac em 1911. Quando a revolu\u00e7\u00e3o eclodiu em 1910, tinha terra. Neste ano semeamos nosso gr\u00e3o de milho, mas tudo se perdeu, trapos e \u2013 voc\u00ea entende! \u2013 ficou tudo na casa, tudo&#8230; Entraram queimando, mas foi o governo, n\u00e3o os zapatistas. Quem entrou foi o governo. [Os homens] eram levados para bem longe, para a guerra, e n\u00f3s para o acampamento. Mas nos deixavam uma ajuda, caso algo acontecesse.\u201d<sup>5<\/sup><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u201cTodas n\u00f3s \u00e9ramos <i>Adelitas<\/i>, mas a <i>Adelita<\/i> verdadeira era de Ciudad Ju\u00e1rez&#8230; Ela dizia: Vamos! Entrem e as que t\u00eam medo que fiquem para cozinhar feij\u00e3o&#8230; \u00c9ramos muitas: Petra, Soled\u00e1&#8230; E quase todas n\u00f3s est\u00e1vamos preparadas para o combate.\u201d<sup>6<\/sup><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Algumas tarefas que realizavam: \u201cAs mulheres com Villa eram corajosas e valorosas, eram espi\u00e3s nos acampamentos federais, faziam-se passar por vendedoras. A tropa chamava-as de <i>Marias<\/i> e dessa forma elas entravam nas trincheiras, nos dep\u00f3sitos de armamentos, escutavam os movimentos e depois sa\u00edam e informavam o general Villa.\u201d<sup>7<\/sup><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Os efeitos da participa\u00e7\u00e3o das mulheres<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mexico_soldaderas1.jpg\" alt=\"\" width=\"178\" height=\"285\" align=\"right\" border=\"0\" hspace=\"3\" vspace=\"3\" \/><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A grande participa\u00e7\u00e3o das mulheres na revolu\u00e7\u00e3o possibilitou o atendimento de muitas das suas reivindica\u00e7\u00f5es, algumas das quais foram incorporadas \u00e0 nova legisla\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a Lei do Div\u00f3rcio com dissolu\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo, editada em dezembro de 1914, a Lei do Casamento, decretada por Emiliano Zapata em 1915, e a Lei sobre Rela\u00e7\u00f5es Familiares, editada pelo governo de Carranza em abril de 1917.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">As iniciativas apresentadas ao Congresso Constituinte em 1916 &#8211; relativas \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o da pena de morte para o crime de estupro e \u00e0 concess\u00e3o do sufr\u00e1gio feminino &#8211; n\u00e3o foram aceitas. Ao negar o direito de voto \u00e0s mulheres, o Congresso Constituinte mostrou total desconhecimento de seu papel na luta armada revolucion\u00e1ria. Um discurso patriarcal se empenhava em mostr\u00e1-las reclusas no mundo dom\u00e9stico, excluindo-as dos assuntos pol\u00edticos. <\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em contrapartida, os direitos trabalhistas foram incorporados \u00e0 nova legisla\u00e7\u00e3o. O sal\u00e1rio m\u00ednimo das mulheres foi fixado em paridade com o sal\u00e1rio masculino, a jornada de trabalho foi estabelecida em oito horas di\u00e1rias no m\u00e1ximo e a licen\u00e7a-maternidade foi garantida por lei (nos tr\u00eas meses anteriores ao parto, as mulheres n\u00e3o desempenhariam trabalhos pesados e, no m\u00eas posterior, elas desfrutariam de descanso, com sal\u00e1rio integral e garantia de emprego; durante o per\u00edodo de aleitamento materno, teriam dois per\u00edodos extras de descanso de meia hora cada um). Os trabalhos insalubres e perigosos tamb\u00e9m foram proibidos para as mulheres e jovens menores de 16 anos.<sup>8<\/sup><\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<hr \/>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">1<\/span>&#8211; Per\u00edodo de 34 anos, 1876-1911, no qual Porfirio D\u00edaz exerceu o poder no M\u00e9xico.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">2<\/span> &#8211; Contra a reelei\u00e7\u00e3o de Porf\u00edrio Diaz.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">3<\/span> &#8211; Leva: Recrutamento obrigat\u00f3rio da popula\u00e7\u00e3o para servir o Ex\u00e9rcito.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">4<\/span> &#8211; O testemunho foi extra\u00eddo de www.locaaventuradeescribir.com e o depoente \u00e9 F\u00e9lix Lara Molina.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">5<\/span> &#8211; Entrevista com a Sra. Ignacia Pe\u00f1a Vda. de Fuentes, reproduzida por Martha Eva Rocha Islas em <i>Presen\u00e7a das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana: mulheres de soldados e revolucion\u00e1rias<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">6<\/span>&#8211; ROMO, Martha, <i>E as mulheres de soldados? Tomasa Garc\u00eda toma a palavra<\/i>, reproduzida por Martha Eva Rocha Islas em <i>Presen\u00e7a das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana: mulheres de soldados e revolucion\u00e1rias<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">7<\/span> &#8211; Entrevista do senhor F\u00e9lix Gardu\u00f1a Nava realizada por Ram\u00f3n Aupart em janeiro de 1980, reproduzida por Martha Eva Rocha Islas em <i>Presen\u00e7a das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana: mulheres de soldados e revolucion\u00e1rias<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"vertical-align: baseline;\">8<\/span> &#8211; Martha Eva Rocha Islas, <i>Presen\u00e7a das mulheres na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana: mulheres de soldados e revolucion\u00e1rias<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Marcos Margarido<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<hr \/>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Artigo relacionado:<\/span><\/span><\/div>\n<div align=\"left\"><strong><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/?p=1612\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana Vive<\/span><\/span><\/a><\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na revista da LIT-QI, Correio Internacional (Nova \u00c9poca), n\u00ba 4,\u00a0mar\u00e7o de 2011.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":4932,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[729,4280,3493,10],"tags":[2184,8077,8078],"class_list":["post-1613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2021","category-revista-correio-internacional","category-mulheres","category-teoria","tag-8m-2021","tag-mulheres-e-revolucao-mexicana","tag-revolucao-mexicana"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mexico_soldadera.jpg","categories_names":["8M 2021","Correio Internacional","Mulheres","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}