{"id":1565,"date":"2011-03-22T16:42:02","date_gmt":"2011-03-22T16:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/03\/22\/inercia-do-governo-pode-aumentar-tragedia-no-japao\/"},"modified":"2011-03-22T16:42:02","modified_gmt":"2011-03-22T16:42:02","slug":"inercia-do-governo-pode-aumentar-tragedia-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/03\/22\/inercia-do-governo-pode-aumentar-tragedia-no-japao\/","title":{"rendered":"In\u00e9rcia do governo pode aumentar trag\u00e9dia no Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b><i><span style=\"line-height: 115%; color: #333333\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"144\" hspace=\"3\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/_bSO6dDZIIyg\/TYjqOCcUtXE\/AAAAAAAABQ8\/ngY5UWcZaHk\/s144-c\/2203201102.jpg\" vspace=\"3\" width=\"144\" \/>Depois do terremoto e dos tsunamis, japoneses est&atilde;o amea&ccedil;ados de sofrer um desastre nuclear<\/span><\/i><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Na &uacute;ltima sexta-feira, dia 11, o Jap&atilde;o foi atingido por um dos maiores terremotos j&aacute; registrados no mundo, chegando a uma magnitude de 9 pontos na escala Richter. <\/span><\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">&nbsp;Na sequ&ecirc;ncia do terremoto, o pa&iacute;s sofreu tamb&eacute;m com um tsunami que devastou algumas cidades da costa nordeste do pa&iacute;s. As imagens do tsunami destruindo casas, carros, avi&otilde;es e da pilha de destro&ccedil;os sendo arrastados pela for&ccedil;a das ondas s&atilde;o impressionantes.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Antes de tudo, queremos mandar nosso mais profundo sentimento de solidariedade a todos os japoneses e seus familiares. Pela intensidade do terremoto, o desastre poderia ser ainda maior, caso se abatesse em outro pa&iacute;s e n&atilde;o no rico Jap&atilde;o. Para efeito de compara&ccedil;&atilde;o, o tremor que matou mais de 230 mil pessoas no Haiti, em janeiro de 2010, foi 900 vezes menor do que o tremor japon&ecirc;s. Ou seja, se o mesmo terremoto, seguido por um tsunami, ocorresse em algum pa&iacute;s pobre como Haiti ou a Indon&eacute;sia, o n&uacute;mero de v&iacute;tima certamente estaria na casa de centenas de milhares. &Eacute; importante lembrar que Indon&eacute;sia e Sumatra sequer foram alertados do tsunami que devastou esses pa&iacute;ses em 2004.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Desastre nuclear<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">No entanto, a trag&eacute;dia japonesa agora amea&ccedil;a a se transformar numa grande cat&aacute;strofe nuclear. A usina nuclear Fukushima 1, cerca de 250 quil&ocirc;metros a nordeste de T&oacute;quio, sofreu pelo menos cinco explos&otilde;es por conta do terremoto e h&aacute; vazamento de radia&ccedil;&atilde;o ao redor da usina. Outra usina que o governo decretou sob estado de urg&ecirc;ncia foi a de Onagawa.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">A possibilidade de um desastre nuclear surpreende muita gente, pois o Jap&atilde;o sempre foi considerado um modelo de preven&ccedil;&atilde;o a desastres naturais, com experi&ecirc;ncia em sismos. Bilh&otilde;es foram gastos em planejamento para o desenvolvimento de tecnologia para limitar os danos de tremores e tsunamis. A pergunta &eacute;: como o governo japon&ecirc;s deixou de fora deste planejamento as usinas nucleares? A resposta a essa quest&atilde;o evidencia uma grande neglig&ecirc;ncia dos governantes do pa&iacute;s.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">O Jap&atilde;o tem 55 usinas deste tipo, fundamentais para alimentar uma das maiores economias capitalista do mundo. Entre elas a maior usina nuclear do mundo, a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa. Por incr&iacute;vel que possa parecer essa usina foi constru&iacute;da sob uma falha geol&oacute;gica. Em julho de 2007, a usina de Kashiwazaki-Kariwa estava a 19 quil&ocirc;metros do epicentro de um terremoto de 6,8 graus de magnitude na escala Richter, o que causou alguns danos &agrave; planta. Hoje a usina se encontra em funcionamento, depois de sofrer obras de repara&ccedil;&atilde;o que custaram US$1,6 bilh&atilde;o.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black\">O que as autoridades n&atilde;o falam<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Ap&oacute;s o an&uacute;ncio do vazamento radioativo na usina nuclear de Fukushima, o balan&ccedil;o dos fatos j&aacute; assusta. Mais de 210 mil moradores da regi&atilde;o onde fica a planta tiveram de ser evacuados e outros 160 est&atilde;o sendo mantidos em quarentena pelas autoridades, que receiam o risco de contamina&ccedil;&atilde;o por radia&ccedil;&atilde;o. Uma zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea de 30 quil&ocirc;metros de di&acirc;metro j&aacute; foi criada na regi&atilde;o. Dentro dela, os moradores est&atilde;o proibidos de sa&iacute;rem de suas casas. Apesar de tudo isso, o governo do pa&iacute;s demorou em alertar sobre a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Numa reportagem do jornal norte-americano New York Times, especialistas j&aacute; haviam alertado que a usina n&atilde;o estava funcionando adequadamente logo depois do terremoto. Segundo o jornal, as quantidades de c&eacute;sio que foram detectadas indicavam claramente que o combust&iacute;vel que alimenta a planta j&aacute; estava danificado. Contudo, as autoridades japonesas se mantiveram inertes por horas at&eacute; ordenarem a evacua&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea. Agora, fornecem informa&ccedil;&otilde;es a conta-gotas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Segundo informa&ccedil;&otilde;es do governo japon&ecirc;s, a usina n&atilde;o foi planejada para aguentar tremores superiores a 7,9 graus na escala Richter, bem abaixo da intensidade do terremoto que atingiu o Jap&atilde;o.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><i><span style=\"line-height: 115%; color: black\">&ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o se tornou t&atilde;o cr&iacute;tica que n&atilde;o tem mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar &aacute;gua doce para resfriar o reator e estabiliz&aacute;-lo, e agora, como recurso &uacute;ltimo e extremo, recorrem &agrave; &aacute;gua do mar&rdquo;<\/span><\/i><span style=\"line-height: 115%; color: black\">, disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Pol&iacute;ticos de Washington. Mas enquanto o governo do Jap&atilde;o se apressa em acalmar a popula&ccedil;&atilde;o, minimizando os impactos da trag&eacute;dia, explos&otilde;es continuam atingindo os reatores da usina. Tudo indica que o acidente nuclear pode ser mais grave do que dizem as autoridades japonesas.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Segundo o jornal espanhol El Pa&iacute;s, Andr&eacute;-Claude Lacoste, da Autoridade de Seguran&ccedil;a Nuclear francesa, informou que o acidente na usina nuclear de Fukushima est&aacute;&nbsp;<i>&ldquo;mais al&eacute;m de Three Miles Island, sem chegar [ao n&iacute;vel de] Chernobyl&rdquo;<\/i>. A autoridade se refere aos dois mais importantes acidentes nucleares da hist&oacute;ria recente.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">Em 1979, o acidente de Three Miles Island, pr&oacute;ximo da cidade de Harrisburg, alcan&ccedil;ou o n&iacute;vel 5, isto &eacute;, um acidente com consequ&ecirc;ncias de maior alcance. Pouco antes de divulgar sua avalia&ccedil;&atilde;o sobre o acidente nuclear no Jap&atilde;o, o governo da Fran&ccedil;a orientou seus cidad&atilde;os a se retirarem imediatamente do pa&iacute;s. Para os franceses esse n&iacute;vel j&aacute; foi atingido pelo acidente de Fukushima I e caminha para o n&iacute;vel 6. A declara&ccedil;&atilde;o contradiz a vers&atilde;o oficial do governo japon&ecirc;s que at&eacute; agora qualificou o acidente em n&iacute;vel 4, com consequ&ecirc;ncias e alcance locais.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">A escala dos n&iacute;veis de gravidade com acidentes nucleares vai at&eacute; 7 (acidente grave), n&iacute;vel que foi atingido apenas pela cat&aacute;strofe da usina nuclear de Chernobyl, na Ucr&acirc;nia, em 1986. Na &eacute;poca, o regime stalinista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica ocultou de todo o mundo e da popula&ccedil;&atilde;o ucraniana as reais consequ&ecirc;ncias do desastre. At&eacute; hoje, n&atilde;o se sabe exatamente quantas pessoas morreram.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\"><span style=\"line-height: 115%; color: black\">O terremoto no Jap&atilde;o foi a maior trag&eacute;dia do pa&iacute;s j&aacute; registrada desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a trag&eacute;dia pode ser ainda pior devido &agrave; falta de a&ccedil;&atilde;o do governo. Investir em usinas nucleares sempre foi perigoso, mas constru&iacute;-las sobre falhas geol&oacute;gicas &eacute; mais do que mera imprud&ecirc;ncia: simboliza o desprezo dos governantes com milhares de vidas e mostra a fragilidade da opera&ccedil;&atilde;o de usinas de energia nuclear no sistema capitalista.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal\">\n\t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: georgia, serif\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.pstu.org.br<\/a>, 15\/03\/2010<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois do terremoto e dos tsunamis, japoneses est&atilde;o amea&ccedil;ados de sofrer um desastre nuclear &nbsp; Na &uacute;ltima sexta-feira, dia 11, o Jap&atilde;o foi atingido por um dos maiores terremotos j&aacute; registrados no mundo, chegando a uma magnitude de 9 pontos na escala Richter.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5706],"tags":[],"class_list":["post-1565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-japao"],"fimg_url":false,"categories_names":["Jap\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1565\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}