{"id":1531,"date":"2011-02-24T23:19:34","date_gmt":"2011-02-24T23:19:34","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/02\/24\/kadafi-uma-biografia-de-ida-e-volta\/"},"modified":"2011-02-24T23:19:34","modified_gmt":"2011-02-24T23:19:34","slug":"kadafi-uma-biografia-de-ida-e-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/02\/24\/kadafi-uma-biografia-de-ida-e-volta\/","title":{"rendered":"Kadafi: Uma biografia de ida e volta"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"120\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/untitled.bmp\" vspace=\"4\" width=\"180\" \/>Para entender o papel de Kadafi, s&atilde;o necess&aacute;rias algumas refer&ecirc;ncias hist&oacute;ricas. Na decomposi&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio otomano, no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, a L&iacute;bia foi invadida pela It&aacute;lia (1912), dividindo o pa&iacute;s em duas administra&ccedil;&otilde;es coloniais separadas: Cirenaica, no oriente, e Tripolitania, no ocidente. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A It&aacute;lia manteve-se na regi&atilde;o at&eacute; a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, o imperialismo e Stalin entram em acordo sobre a independ&ecirc;ncia do pa&iacute;s (1951) e imp&otilde;em Idris I como rei, vindo das tribos cirenaicas e claramente submetido &agrave;s pot&ecirc;ncias imperialistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em 1969, o coronel Muamar Kadafi, vindo de uma tribo bedu&iacute;na da regi&atilde;o de Tripolitania, encabe&ccedil;a um golpe de Estado com uma ideologia nacionalista pan-&aacute;rabe. Em 1977 seria fundado o Yamahiriyya (Estado das Massas) Socialista &Aacute;rabe da L&iacute;bia, um regime totalit&aacute;rio, apoiado nas for&ccedil;as armadas e em acordos intertribais, mas que se une aos demais governos da regi&atilde;o &ndash; especialmente Iraque e S&iacute;ria &ndash; para repudiar os acordos de el-Sadat com os Estados Unidos e Israel.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Isto transformou o regime l&iacute;bio num dos mais odiados pelo imperialismo. Em 1986, Ronald Reagan ordena o bombardeio das duas principais cidades do pa&iacute;s, Tr&iacute;poli e Bengasi. Em resposta, Kadafi promoveu uma s&eacute;rie de atentados terroristas, incluindo, em 1988, uma bomba num avi&atilde;o da Pan American que explodiu sobrevoando a localidade de Lockerbie na Esc&oacute;cia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Por&eacute;m, em 2003, cada vez mais isolado em sua pol&iacute;tica, Kadafi fez um acordo com o imperialismo que incluiu a responsabilidade pelo atentado sobre Lockerbie e uma abertura gradual das reservas l&iacute;bias para as empresas&nbsp;<\/span><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">multinacionais&nbsp;<\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px; \">de petr&oacute;leo, entre elas a Shell, a British Petroleum, a ENI italiana, a Total francesa e a Wintershal alem&atilde;. Entre as empresas norte-americanas est&atilde;o a Occidental Petroleum Corp, a ConocoPhillips e a Marathon Oil Corp.<\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A entrega deu um novo salto com os acordos de Kadafi com o governo de Berlusconi. O jornal El Pa&iacute;s (22\/2\/2011) informa que <i>&ldquo;desde que, h&aacute; dois anos, Il Cavaliere e o Coronel firmaram o Tratado de Amizade, Associa&ccedil;&atilde;o e Coopera&ccedil;&atilde;o, os neg&oacute;cios bilaterais j&aacute; superam os 40 bilh&otilde;es de euros anuais e alcan&ccedil;am todos os setores cruciais, da energia ao financeiro ou &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, sem faltarem os acordos militares e de intelig&ecirc;ncia.&rdquo;<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">De sua parte, Kadafi, como parte da comiss&atilde;o e intermedi&aacute;rio dos investimentos imperialistas, enriqueceu de forma obscena. Kadafi possui bilh&otilde;es de d&oacute;lares em investimentos em empresas europeias como a Fiat.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>O imperialismo voltou &agrave; L&iacute;bia pelas m&atilde;os de Kadafi<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Como tantos outros regimes do Oriente M&eacute;dio e do terceiro mundo em geral &ndash; na Am&eacute;rica Latina s&atilde;o not&oacute;rias as guinadas pr&oacute;-imperialistas de partidos e movimentos, como o Peronismo na Argentina, o PRI no M&eacute;xico e o MNR boliviano &ndash;, o da L&iacute;bia, apoiado nas for&ccedil;as armadas, passou de advers&aacute;rio e da resist&ecirc;ncia ao imperialismo para transformar-se em seu agente direto.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Kadafi tem a particularidade de ter permanecido quarenta anos &agrave; frente do pa&iacute;s, e por isso incorpora em sua biografia pessoal o caminho de ida e de volta nas rela&ccedil;&otilde;es com o imperialismo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Isso poderia acontecer, inclusive, com governos que hoje t&ecirc;m uma forte ret&oacute;rica anti-imperialista ou, ainda, que aplicam algumas medidas contra os interesses imediatos do imperialismo, como Ch&aacute;vez na Venezuela e Ortega na Nicar&aacute;gua. Nesses dois regimes j&aacute; apareceram tra&ccedil;os similares aos de Kadafi na L&iacute;bia: na Venezuela est&atilde;o as multinacionais do petr&oacute;leo, em ambos os pa&iacute;ses latino-americanos h&aacute; uma corrup&ccedil;&atilde;o enorme e seus governos promovem o surgimento de grupos econ&ocirc;micos burgueses favorecidos pelo Estado. Portanto, estes governos poderiam dar um giro pr&oacute;-imperialista como aconteceu com Kadafi.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>Fonte: revista Correio Internacional n&ordm; 4, 2011<\/i><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para entender o papel de Kadafi, s&atilde;o necess&aacute;rias algumas refer&ecirc;ncias hist&oacute;ricas. 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