{"id":1466,"date":"2011-01-18T00:19:59","date_gmt":"2011-01-18T00:19:59","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2011\/01\/18\/povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia\/"},"modified":"2011-01-18T00:19:59","modified_gmt":"2011-01-18T00:19:59","slug":"povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/01\/18\/povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia\/","title":{"rendered":"Povo na rua derruba ditador na Tun\u00edsia"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"106\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tunisia.jpg\" vspace=\"6\" width=\"159\" \/>Uma revolu&ccedil;&atilde;o sacode o Magrebe e o mundo &aacute;rabe, com o centro na Tun&iacute;sia, onde o povo conseguiu uma primeira grande vit&oacute;ria ao derrubar, no dia 14 de Janeiro, o presidente Ben Ali, o ditador que h&aacute; 23 anos se mantinha no poder. Durante mais de um m&ecirc;s, a popula&ccedil;&atilde;o tunisina, em especial a juventude, v&iacute;tima de um &iacute;ndice de desemprego de mais de 30%, mobilizou-se nas ruas de Tunes contra o aumento de pre&ccedil;o dos alimentos, a corrup&ccedil;&atilde;o e a falta de<\/font><br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t<font face=\"Georgia, serif\">liberdade no pa&iacute;s. As manifesta&ccedil;&otilde;es, a exigir tamb&eacute;m a ren&uacute;ncia do presidente &#8211; &quot;Ben Ali para a rua&quot; ou &quot;Ben Ali assassino&quot;, eram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes -, foram reprimidas com extrema viol&ecirc;ncia pelo ex&eacute;rcito e pela pol&iacute;cia, provocando mais de 70 mortes.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">O desespero e a falta de perspectiva que tomavam conta do pa&iacute;s ficaram evidentes quando um jovem imolou-se na cidade de Sidi Bouzidi, em meados de Dezembro passado, um tr&aacute;gico exemplo seguido por outros. Fora a gota de &aacute;gua. A partir da&iacute;, a juventude resolveu ir para &agrave;s ruas e enfrentar a viol&ecirc;ncia policial, no que foi acompanhada e apoiada pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o tinham nada a perder. O mesmo pensou o povo da vizinha Arg&eacute;lia, acossado por problemas id&ecirc;nticos &#8211; o desemprego cr&oacute;nico, o elevado pre&ccedil;o dos alimentos e a falta de liberdade.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">&Agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es que rebentaram no pa&iacute;s, o governo argelino respondeu com a tradicional for&ccedil;a bruta, fazendo v&aacute;rios mortos e dezenas de feridos, mas ensaiou um recuo, baixando o pre&ccedil;o de alguns produtos, a indiciar a sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a revolta popular. Mas esta n&atilde;o diminuiu: em Argel e muitas outras cidades, os populares saqueiam edif&iacute;cios do governo e ag&ecirc;ncias banc&aacute;rias e carros s&atilde;o queimados.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\"><b>Burguesia e militares tentam ganhar tempo<\/b><\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">Na Tun&iacute;sia, o bando que controla o pa&iacute;s est&aacute; a tentar manobrar para manter-se no poder. Foi este o sentido do pronunciamento do primeiro-ministro Mohammed Ghanouchi, que tentou assumir a Presid&ecirc;ncia ap&oacute;s o afastamento de Ben Ali (no que foi contrariado pelo Conselho Constitucional, que designou o presidente do Parlamento para esta fun&ccedil;&atilde;o), prometendo elei&ccedil;&otilde;es para dentro de 6 meses, ao mesmo tempo que mantinha o recolher obrigat&oacute;rio e o estado de emerg&ecirc;ncia.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">Por outro lado, o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros tunisino, Kamel Morjane, possivelmente com o aval do imperialismo franc&ecirc;s (a Fran&ccedil;a &eacute; o quarto maior investidor estrangeiro na Tun&iacute;sia) e norte-americano (satisfeito com a coopera&ccedil;&atilde;o do governo tunisino no combate ao &quot;terrorismo&quot;), que sempre apoiaram Ben Ali e s&oacute; passaram a critic&aacute;-lo nas v&eacute;speras da sua queda, prop&otilde;e a forma&ccedil;&atilde;o de um governo de unidade nacional.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">Acontece que o primeiro-ministro Mohammed Ghanouchi, assim como todos os governantes e sectores beneficiados durante os 23 anos da ditadura de Ben Ali, n&atilde;o s&atilde;o neutros, pelo contr&aacute;rio, fizeram toda a sua carreira pol&iacute;tica &agrave; sombra do ditador e n&atilde;o querem renunciar ao poder e aos seus privil&eacute;gios.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">A tentativa da burguesia e dos militares agora, com o apoio do imperialismo, &eacute; ganhar tempo para derrotar a revolta popular e fazer com que tudo volte ao mesmo. Por um lado, apontando para long&iacute;nquas elei&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo que, com a desculpa de impedir a ac&ccedil;&atilde;o dos saqueadores, reprime e impede novas mobiliza&ccedil;&otilde;es nas ruas.<\/font><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.3cm;\">\n\t<font face=\"Georgia, serif\">Mas &ndash; e isso &eacute; o que mais teme a burguesia &aacute;rabe e o imperialismo &ndash; a revolu&ccedil;&atilde;o tunisina pode ser o in&iacute;cio de uma revolu&ccedil;&atilde;o ainda maior: a revolu&ccedil;&atilde;o do povo &aacute;rabe, farto de governantes corruptos, ditatoriais e fantoches do imperialismo.<\/font><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma revolu&ccedil;&atilde;o sacode o Magrebe e o mundo &aacute;rabe, com o centro na Tun&iacute;sia, onde o povo conseguiu uma primeira grande vit&oacute;ria ao derrubar, no dia 14 de Janeiro, o presidente Ben Ali, o ditador que h&aacute; 23 anos se mantinha no poder. 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