{"id":13043,"date":"2015-12-22T09:49:01","date_gmt":"2015-12-22T11:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/1975-versus-2015-um-passado-e-um-presente-para-refletir\/"},"modified":"2015-12-22T09:49:01","modified_gmt":"2015-12-22T11:49:01","slug":"1975-versus-2015-um-passado-e-um-presente-para-refletir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/12\/22\/1975-versus-2015-um-passado-e-um-presente-para-refletir\/","title":{"rendered":"\u201c1975 versus 2015\u201d: Um passado e um presente para refletir"},"content":{"rendered":"<p>Por: Mart\u00edn Hern\u00e1ndez<\/p>\n<p>Recentemente foram publicados neste blog (<em>Blog Converg\u00eancia<\/em>)\u00a0dois artigos de um antigo camarada, Enio Bucchioni, que conhe\u00e7o desde 1979 e com quem atuei por v\u00e1rios anos na antiga Converg\u00eancia Socialista e, por um breve per\u00edodo, no PSTU.<\/p>\n<p>Esses dois artigos s\u00e3o: \u201c<em>1975 versus 2015: Vietn\u00e3, \u00faltima expropria\u00e7\u00e3o sobre a burguesia<\/em>\u201d e \u201c<em>1975 versus 2015: a consci\u00eancia ap\u00f3s o fim dos Estados Oper\u00e1rios<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Duas raz\u00f5es me levaram a comentar os trabalhos de Enio. A primeira \u00e9 que ele aborda um tema fascinante, sobre o qual venho estudando, escrevendo e debatendo h\u00e1 mais de 20 anos. A segunda tem a ver com os objetivos que o autor se prop\u00f5e a atingir, com os quais compartilho plenamente: \u201c<em>&#8230;fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre <strong>as duas \u00e9pocas<\/strong>, a de 1975 e a de 2015, (&#8230;) de modo que o leitor mais jovem possa refletir e <strong>tirar as devidas consequ\u00eancias pol\u00edticas e pr\u00e1ticas para a a\u00e7\u00e3o na atualidade<\/strong><\/em>\u201d<sup>*<\/sup>.<\/p>\n<p>Em torno dessas duas datas (1975 e 2015), Enio Bucchioni compara dois momentos da hist\u00f3ria mundial: antes e depois dos processos do Leste Europeu e chega \u00e0 conclus\u00e3o que a derrota provocada pela restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos ex-Estados oper\u00e1rios foi de tal magnitude que agora estar\u00edamos em uma nova \u201c\u00e9poca\u201d, caracterizada por um profundo retrocesso da luta de classes e da consci\u00eancia das massas: <em>\u201cPor isso, o mundo desses \u00faltimos 30 anos <strong>nada, absolutamente nada<\/strong> tem de similar aos per\u00edodos imediatamente anterior e posterior \u00e0 derrota pol\u00edtica e militar do imperialismo no Vietn\u00e3 em 1975<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c9 como se o tempo tivesse andado para tr\u00e1s e retornado a uma \u00e9poca anterior \u00e0 1917, quando a possibilidade de haver pa\u00edses sem burgueses, sem propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, fosse apenas uma proposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Marx e Engels (&#8230;)<\/em>\u201d<em>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como era o mundo, segundo Bucchioni, antes da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos antigos Estados oper\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p>Enio, como antigo militante de esquerda, assume a responsabilidade de mostrar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es de militantes socialistas como era o mundo h\u00e1 quarenta anos:<\/p>\n<p>\u201c<em>(&#8230;) para estes jovens da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, ter\u00edamos de didaticamente expor que n\u00e3o havia, no fundamental, propriedade privada nem capitalistas diretos em 32 pa\u00edses\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>No Chile, durante o governo Allende no in\u00edcio dos anos 70, o proletariado esteve perto de colocar um ponto final na domina\u00e7\u00e3o do Capital.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>Em Portugal houve at\u00e9 mesmo a possibilidade real de haver a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia (&#8230;). Nas antigas col\u00f4nias portuguesas em \u00c1frica, id\u00eantica possibilidade de aniquila\u00e7\u00e3o da propriedade privada ocorreu, ficando o destino de Angola, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9 nas m\u00e3os das dire\u00e7\u00f5es guerrilheiras do MPLA, FRELIMO e PAIGC, respectivamente. O mesmo ocorreu com os sandinistas na Am\u00e9rica central.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>(&#8230;) floresciam militantes no mundo inteiro, que sonhavam e lutavam para, num futuro pr\u00f3ximo, <strong>expropriarem a burguesia em seus pa\u00edses.<\/strong> Era a <strong>consci\u00eancia socialista<\/strong> que se apossava de milh\u00f5es de pessoas em v\u00e1rias partes do mundo.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>(&#8230;) no Chile, onde centenas de milhares de prolet\u00e1rios e jovens desfilavam suas bandeiras vermelhas pelas ruas do pa\u00eds, <strong>quase todos comunistas ou socialistas.<\/strong> O Partido Comunista tinha 200 mil filiados e o Partido Socialista, 400 mil, em uma na\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de habitantes<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>(&#8230;) at\u00e9 o fim dos Estados Oper\u00e1rios a <strong>consci\u00eancia<\/strong> de uma ampla parcela das massas era, em sua imensa maioria genericamente <strong>socialista<\/strong> (&#8230;)<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>(&#8230;) a palavra de ordem &#8216;Um, dois, tr\u00eas Vietn\u00e3s&#8217; <strong><u>atingia a consci\u00eancia dos ativistas e das massas em todo o planeta.<\/u><\/strong><\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>Era totalmente pertinente a perspectiva, a possibilidade, de ver em um horizonte <strong>relativamente pr\u00f3ximo<\/strong> o fim do imp\u00e9rio norte-americano(&#8230;)<\/em>\u201d<\/p>\n<p><em>\u201c<strong><u>Era assim nos anos 70:<\/u><\/strong> de 10 que retornaram ao Brasil a partir do come\u00e7o de 1974, passamos a 560 em junho de 1978. \u00c9ramos 56 vezes mais fortes <\/em>[na Converg\u00eancia Socialista]<em> quantitativamente num espa\u00e7o de tempo de apenas 4 anos e meio.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que <strong><u>n\u00e3o somente no Brasil<\/u><\/strong> o trotskismo em suas v\u00e1rias nuances teve esse <strong><u>crescimento espantoso<\/u><\/strong><\/em>.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como era a consci\u00eancia das massas quando estavam sob a dire\u00e7\u00e3o do stalinismo?<\/strong><\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o que Bucchioni faz do mundo de quarenta anos atr\u00e1s, se fosse verdadeira, poderia servir para demonstrar sua tese de que, \u00e0 diferen\u00e7a do que est\u00e1 acontecendo hoje, naqueles anos o mundo caminhava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do capitalismo e \u00e0 derrota final do imperialismo, mas essa descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>O texto tem uma s\u00e9rie de exageros, de tal tamanho que lhe tiram a seriedade e, o que \u00e9 mais importante, certamente criam uma enorme confus\u00e3o entre os jovens militantes a quem o texto se destina.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, um detalhe secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao tema em debate, mas n\u00e3o de menor import\u00e2ncia no que diz respeito ao m\u00e9todo utilizado para defender uma posi\u00e7\u00e3o. Enio faz uma pequena manobra com a hist\u00f3ria para demonstrar que a burguesia havia sido expropriada em 32 pa\u00edses, quando, na realidade, isso ocorreu em 16 pa\u00edses.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Ou quando diz que a palavra de ordem de Che Guevara, de construir muitos Vietn\u00e3s, \u201c<em>atingia a consci\u00eancia dos <strong>ativistas e das massas em todo o planeta<\/strong><\/em>\u201d, quando, na verdade, essa consigna <strong>nunca foi tomada pela maioria da vanguarda e muito menos pelas massas.<\/strong><\/p>\n<p>Eu tive a oportunidade, na Argentina, de participar ativamente da campanha em apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o vietnamita e de levantar a palavra de ordem de Guevara, mas apenas alguns ativistas (muito poucos, na verdade) a assumiam.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o acontecia s\u00f3 na Argentina. Acontecia tamb\u00e9m nos Estados Unidos, que foi a vanguarda indiscut\u00edvel dessa luta, a tal ponto que as mobiliza\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias centenas de milhares de pessoas acabaram provocando a retirada das tropas norte-americanas e a primeira derrota militar do imperialismo.<\/p>\n<p>N\u00f3s<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, por meio do SWP, tivemos a oportunidade de participar e, em v\u00e1rios momentos, codirigir essas mobiliza\u00e7\u00f5es de massas nos EUA e nunca vimos a palavra de ordem de Guevara ser assumida pelas massas e nem sequer por uma parte da vanguarda. Mais ainda, nesse pa\u00eds, as massas nunca assumiram qualquer tipo de palavra de ordem que defendesse a vit\u00f3ria do Viet Cong ou da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As palavras de ordem nunca foram al\u00e9m de \u201cPaz!\u201d e \u201cFora as tropas do Vietn\u00e3!\u201d, porque as massas estavam realizando uma a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que foi qualitativa para a derrota do imperialismo, mas faziam isso com uma <strong>consci\u00eancia burguesa.<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 um exagero dizer que, naqueles anos, &#8220;<em>(&#8230;)<\/em> <em>floresciam militantes no mundo inteiro, que sonhavam e lutavam para, num futuro pr\u00f3ximo, <strong>expropriarem a burguesia em seus pa\u00edses.<\/strong> Era a <strong>consci\u00eancia socialista<\/strong> que se apossava de <strong>milh\u00f5es de pessoas<\/strong> em v\u00e1rias partes do mundo.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Naqueles anos, quando eu estava na Argentina, andei por muitos pa\u00edses (Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Espanha, Brasil, Fran\u00e7a etc.) e n\u00e3o conheci nenhum pa\u00eds onde milh\u00f5es de pessoas \u201c<em>sonhavam e lutavam para, num futuro pr\u00f3ximo, expropriarem a burguesia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no <em>Manifesto Comunista<\/em>, Marx e Engels afirmavam que: \u201c<em>As ideias dominantes numa determinada \u00e9poca nunca foram mais do que as ideias das classes dominantes<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Seria, portanto, bastante estranho que, em um mundo dominado pelo imperialismo nos pa\u00edses capitalistas e, indiretamente, pelos seus agentes nos Estados oper\u00e1rios burocratizados, a consci\u00eancia das massas fosse \u201csocialista\u201d.<\/p>\n<p>Claro que poderia acontecer que, sob a domina\u00e7\u00e3o imperialista, organiza\u00e7\u00f5es marxistas ganhassem peso de massas, como aconteceu nos primeiros anos da II Internacional e tamb\u00e9m da III.<\/p>\n<p>Mas o stalinismo ou a socialdemocracia, de quarenta anos atr\u00e1s, n\u00e3o eram organiza\u00e7\u00f5es marxistas, nem sequer centristas ou confusamente socialistas. Eram organiza\u00e7\u00f5es reformistas, aparatos contrarrevolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, o stalinismo, em nome do socialismo e da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, realizava uma pr\u00e1tica burguesa e difundia tamb\u00e9m uma ideologia burguesa: a coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo, a paz mundial, a unidade com a burguesia \u201cprogressista\u201d, os governos de frente popular, a invas\u00e3o dos pa\u00edses que se levantavam contra as burocracias governantes e at\u00e9 mesmo o apoio a ditaduras militares sanguin\u00e1rias, ao mesmo tempo que, no interior dos Estados oper\u00e1rios, mantinha regimes muito semelhantes ao fascismo, contra os revolucion\u00e1rios e a classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como seria poss\u00edvel que esse tipo de aparatos, contrarrevolucion\u00e1rios, produzisse uma consci\u00eancia, de massas, \u201csocialista\u201d?<\/p>\n<p>Outros aparatos, que n\u00e3o faziam parte dos partidos comunistas e que tamb\u00e9m falavam de socialismo, tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam gerar uma consci\u00eancia socialista, porque eram ou movimentos nacionalistas burgueses ou organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras, muito radicais em suas a\u00e7\u00f5es, mas reformistas em seu programa. Eram, na maioria dos casos, o \u201creformismo armado\u201d de que falava Nahuel Moreno, a tal ponto que quase todas essas organiza\u00e7\u00f5es eram sat\u00e9lites das burocracias sovi\u00e9tica, cubana, chinesa ou diretamente de correntes ou Estados burgueses. Para confirmar tal fato, seria suficiente ver onde est\u00e3o agora cada uma dessas organiza\u00e7\u00f5es: \u00e0 frente de dezenas de Estados capitalistas.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 somente exageros<\/strong><\/p>\n<p>Para tentar demonstrar sua tese, Bucchioni transforma a consci\u00eancia burguesa em socialista e da\u00ed conclui que, h\u00e1 quarenta anos, o fim do capitalismo e do imperialismo estava pr\u00f3ximo. No entanto, esse n\u00e3o \u00e9 o principal problema do texto, porque n\u00e3o era a consci\u00eancia burguesa das massas o que impedia, naquele per\u00edodo, acabar com o imperialismo e com o capitalismo. Afinal, qualquer marxista sabe (ou deveria saber) que as massas fazem revolu\u00e7\u00f5es, contra a burguesia, com uma consci\u00eancia majoritariamente burguesa.<\/p>\n<p>O que impedia acabar com o imperialismo era a exist\u00eancia, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, de um pacto contrarrevolucion\u00e1rio<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> entre o imperialismo e a principal dire\u00e7\u00e3o do movimento de massas, a burocracia sovi\u00e9tica (o stalinismo) que visava, justamente, impedir o fim do capitalismo e do imperialismo.<\/p>\n<p>Nessa realidade, havia somente uma possibilidade de acabar com o capitalismo: que as massas, em n\u00edvel internacional, derrotassem o stalinismo, mas, naquele per\u00edodo, aconteceu o contr\u00e1rio. Foi o stalinismo, com seus tanques, que derrotou as massas que se levantaram contra ele na Alemanha Oriental, Hungria, Pol\u00f4nia e Tchecoslov\u00e1quia.<\/p>\n<p>No final da Segunda Guerra Mundial, houve um ascenso revolucion\u00e1rio de massas como nunca antes havia acontecido, a tal ponto que chegou-se a expropriar a burguesia em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo a China, o mais populoso do planeta.<\/p>\n<p>Mas esse poderoso ascenso era apenas uma face da realidade. A outra face era que a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, o trotskismo, n\u00e3o saiu fortalecido da guerra e ficou marginalizado. Quem se fortaleceu foi a dire\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria, o stalinismo, ao se colocar \u00e0 frente desses processos revolucion\u00e1rios. Chegou, em alguns casos, a expropriar a burguesia para impedir a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o mundial, fato que se tornou muito evidente no Leste Europeu, onde, com exce\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via, n\u00e3o foram as revolu\u00e7\u00f5es que expropriaram a burguesia, mas o Ex\u00e9rcito Vermelho, que ocupou esses pa\u00edses e realizou a expropria\u00e7\u00e3o antes que as massas o fizessem por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os fatos da realidade da segunda metade do s\u00e9culo XX, somente podem ser entendidos se forem analisados no contexto dessa contradi\u00e7\u00e3o: por um lado, grande fortalecimento do ascenso e, por outro, enorme fortalecimento da dire\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do movimento de massas,.<\/p>\n<p>Enio n\u00e3o localiza os fatos dentro dessa contradi\u00e7\u00e3o. Por isso, come\u00e7a por ignorar o pacto contrarrevolucion\u00e1rio e termina colocando todos os acontecimentos da realidade no campo da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo, no Chile, toda a realidade, segundo ele, abria a possibilidade de expropriar a burguesia: o governo de Frente Popular de Salvador Allende, milhares de militantes socialistas e comunistas, os antigos Estados oper\u00e1rios, a consci\u00eancia das massas (determinada pelos aparatos), quando a realidade era examente a oposta. Era uma t\u00edpica revolu\u00e7\u00e3o dos anos em que o stalinismo dirigia o movimento de massas, em que havia um grande ascenso oper\u00e1rio e popular, mas n\u00e3o havia uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, trotskista, por isso a Frente Popular de Salvador Allende, o PC e o PS (com seus milhares de jovens com bandeiras vermelhas) e os ex-Estados oper\u00e1rios, com suas dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias (Fidel Castro \u00e0 frente), impuseram sua pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o com a burguesia (e n\u00e3o de expropria\u00e7\u00e3o) e assim prepararam o caminho para a vit\u00f3ria de Pinochet.<\/p>\n<p>Foi mais uma derrota, entre tantas, gerada pelo pacto contrarrevolucion\u00e1rio do stalinismo com o imperialismo.<\/p>\n<p>\u201c<em>Sob a bandeira da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, a pol\u00edtica conciliadora praticada pela \u2018Frente Popular\u2019 condena a classe oper\u00e1ria \u00e0 impot\u00eancia e abre o caminho para o fascismo<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>Sobre o suposto crescimento \u201cespantoso\u201d do trotskismo<\/strong><\/p>\n<p>Os jovens militantes veem, no dia a dia, como \u00e9 dif\u00edcil construir o partido e, a esses militantes, Bucchioni explica que antes, quando as massas lutavam no Vietn\u00e3 e derrotavam o imperialismo, isto \u00e9, no per\u00edodo em que o stalinismo era a principal dire\u00e7\u00e3o das massas, o trotskismo tinha um crescimento \u201cespantoso\u201d.<\/p>\n<p>Essa afirma\u00e7\u00e3o, certamente muito curiosa, me faz recordar o que era o trotskismo quando eu comecei a militar.<\/p>\n<p>Lembro-me quando, em 1968, entrei no PRT &#8211; La Verdad da Argentina, que era dirigido por Nahuel Moreno, o maior dirigente trotskista do p\u00f3s-guerra. O partido, ap\u00f3s 25 anos de atua\u00e7\u00e3o e depois de ter sido protagonista de grandes acontecimentos da luta de classes, como ter dirigido a grande greve metal\u00fargica de Buenos Aires, tinha somente 200 militantes.<\/p>\n<p>Da mesma forma, no Peru, apesar de ter dirigido a revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria na d\u00e9cada de 1960 e de ter em nossas fileiras Hugo Blanco, o maior dirigente de massas do trotskismo da \u00e9poca<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, nosso partido nunca teve mais do que 30 militantes.<\/p>\n<p>Nunca me esque\u00e7o do informe que recebi, poucos meses ap\u00f3s ter come\u00e7ado a militar, sobre as for\u00e7as da IV Internacional. Nosso partido era um dos maiores. Na Fran\u00e7a, t\u00ednhamos 30 militantes; na Espanha e em Portugal, nenhum. No Brasil e na Venezuela, t\u00ednhamos alguns contatos; na Col\u00f4mbia e na Am\u00e9rica Central, nada.<\/p>\n<p>E, em 1976 (ap\u00f3s a derrota do imperialismo no Vietn\u00e3), na It\u00e1lia, ganhamos para a tend\u00eancia bolchevique um grupo de estudantes secundaristas. E me lembro, como se fosse hoje, da dura discuss\u00e3o que Moreno teve com aqueles jovens, pois eles queriam ir militar na classe oper\u00e1ria italiana e Moreno, que sempre teve a obsess\u00e3o de inserir nossos partidos e grupos na classe oper\u00e1ria, ap\u00f3s longas discuss\u00f5es, convenceu-os a n\u00e3o irem para o movimento oper\u00e1rio. Seu argumento foi muito simples: \u201cVoc\u00eas ainda s\u00e3o muito d\u00e9beis e se forem para a classe oper\u00e1ria o stalinismo vai acabar com voc\u00eas.\u201d O PC italiano tinha, naquela \u00e9poca, um milh\u00e3o de filiados e controlava, com m\u00e3o de ferro, todo o movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o podemos nos esquecer, como faz Bucchioni, que se hoje n\u00f3s, trotskistas, lutamos pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional \u00e9 porque ela foi destru\u00edda, pela influ\u00eancia do stalinismo, em 1979, ou seja, ap\u00f3s a vit\u00f3ria dos vietnamitas e antes da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo no Leste Europeu, per\u00edodo no qual ele afirma que o trotskismo crescia de forma \u201cespantosa\u201d.<\/p>\n<p>A IV Internacional, desde seu nascimento, sofreu golpes terr\u00edveis devido ao assassinato de seus dirigentes pelas m\u00e3os de Stalin e, posteriormente, a sua d\u00e9bil dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu suportar a terr\u00edvel press\u00e3o que sofreu do aparato stalinista. Em 1953, a IV se dividiu quando a maioria de sua dire\u00e7\u00e3o, encabe\u00e7ada por Michel Pablo e Ernest Mandel, decidiu que todos os nossos partidos deveriam entrar nos partidos comunistas (o chamado \u201centrismo sui generis\u201d). Em 1963, houve uma reunifica\u00e7\u00e3o, mas, em 1979, dividiu-se novamente (e a partir da\u00ed acabou se destruindo), quando a maioria da dire\u00e7\u00e3o votou que era proibido construir partidos trotskistas em Cuba, Nicar\u00e1gua e El Salvador (ou seja, onde havia dire\u00e7\u00f5es stalinistas ou filo-stalinistas) e quando, posteriormente, apoiaram a repress\u00e3o do governo sandinista da Nicar\u00e1gua contra a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar, organizada pela Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique para lutar contra o ditador Somoza.<\/p>\n<p>Esta era a realidade do trotskismo quando o stalinismo dirigia o movimento de massas, e n\u00e3o aquela que Bucchioni afirma.<\/p>\n<p>Dentro dessa realidade, houve um pa\u00eds (a Bol\u00edvia na revolu\u00e7\u00e3o de 1952) onde, excepcionalmente, o trotskismo teve um crescimento \u201cespantoso\u201d (ganhou influ\u00eancia de massas), o que se explica pelo fato de que a Bol\u00edvia era um dos poucos pa\u00edses do mundo onde o stalinismo n\u00e3o existia.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m alguns poucos pa\u00edses (Espanha, Inglaterra, Argentina, Fran\u00e7a, Brasil e possivelmente alguns outros) onde o trotskismo, embora n\u00e3o tenha tido um crescimento \u201cespantoso\u201d, teve um desenvolvimento importante, chegando a construir partidos de vanguarda com certa for\u00e7a. \u00c9 o caso da Converg\u00eancia Socialista no Brasil, citado por Enio. Em pouco tempo, chegou a ter, no final de 1978, cerca de 800 militantes que, depois de uma forte crise, foram reduzidos a 300 no final de 1979.<\/p>\n<p>Em todos esses casos, excepcionais, houve uma combina\u00e7\u00e3o entre um grande ascenso do movimento de massas e crise dos Partidos Comunistas (ou do movimento nacionalista burgu\u00eas no caso da Argentina). No Brasil, por exemplo, o grande Partido Comunista (o \u201cPartid\u00e3o\u201d) estava praticamente destru\u00eddo quando houve o crescimento da Converg\u00eancia Socialista e \u00e9 isso o que tamb\u00e9m explica que nesse pa\u00eds tenha surgido o PT.<\/p>\n<p><strong>A restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e a destrui\u00e7\u00e3o do aparato stalinista<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, teve in\u00edcio a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na Iugosl\u00e1via; em 1978, com o plano das \u201cQuatro Moderniza\u00e7\u00f5es\u201d, na China; e, em 1985, o processo come\u00e7ou na ex-URSS, espalhando-se rapidamente para o restante do Leste Europeu. Dessa forma, perdeu-se uma das maiores conquistas da classe oper\u00e1ria em n\u00edvel mundial: Estados onde a burguesia havia sido expropriada e onde foram constru\u00eddas economias planificadas.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 um fato da realidade que a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desses Estados oper\u00e1rios burocratizados (j\u00e1 dependentes do imperialismo por meio das d\u00edvidas externas) era tamanha e tamb\u00e9m foi t\u00e3o sinistro o engano montado pelas burocracias para desmontar esses Estados burocratizados que as massas n\u00e3o se mobilizaram para defender suas conquistas hist\u00f3ricas. Assim se consumou uma derrota sem luta (uma das piores derrotas, segundo Trotsky).<\/p>\n<p>Se a hist\u00f3ria tivesse parado a\u00ed, isto \u00e9, se o Leste Europeu tivesse se transformado em uma nova China, com os regimes stalinistas de partido \u00fanico \u00e0 frente dos novos Estados capitalistas, possivelmente, neste momento, estar\u00edamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o de retrocesso da luta de classes, um fortalecimento do imperialismo e um completo retrocesso na consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o se deteve a\u00ed. Uma revolu\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie, como nunca se havia visto na hist\u00f3ria da humanidade, foi arrasando um por um, no chamado \u201cefeito domin\u00f3\u201d, os regimes burgueses, ditatoriais, dos partidos comunistas.<\/p>\n<p>Ca\u00eda assim o maior aparato contrarrevolucion\u00e1rio da hist\u00f3ria. Os regimes fascistas ou semifascistas. Os que haviam assassinado quase todos os dirigentes da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Os que tinham feito, contra as massas de todo o mundo, primeiro um pacto com Hitler e, depois, o pacto para dividir o mundo com o imperialismo. Os que haviam tra\u00eddo dezenas de revolu\u00e7\u00f5es, que haviam apoiado a ditadura genocida de Videla na Argentina e, finalmente, os que haviam restaurado o capitalismo nos Estados oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>E o que Enio Bucchioni diz sobre esses dois fatos, a restaura\u00e7\u00e3o e a revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201c<em>Sem d\u00favida <strong>o grande acontecimento hist\u00f3rico, da luta de classes mundial nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/strong>, que permeia por completo a consci\u00eancia dos ativistas e das massas foi o desaparecimento dos 32 antigos Estados Oper\u00e1rios, com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo (&#8230;)<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Dessa forma, Enio d\u00e1 por encerrada a hist\u00f3ria, quando as massas, ao derrubar o aparato stalinista, estavam iniciando uma nova etapa da luta de classes.<\/p>\n<p>Enio n\u00e3o d\u00e1 maior import\u00e2ncia a este fato colossal da luta de classes, mas, de qualquer maneira, faz uma refer\u00eancia \u00e0 derrota do stalinismo: \u201c<em>As an\u00e1lises comparativas entre as duas \u00e9pocas completamente distintas abordadas nesse texto n\u00e3o devem nos trazer tristezas saudosistas <strong>nem alegrias desmesuradas pelo fim do stalinismo<\/strong>.<\/em>\u201d \u00c9 um racioc\u00ednio l\u00f3gico para quem est\u00e1 convencido de que, sob a dire\u00e7\u00e3o do stalinismo, o trotskismo tinha um crescimento \u201cespantoso\u201d, ou para quem sente saudades dos milhares de trabalhadores e jovens que desfilavam com as bandeiras vermelhas do PC chileno. Mas n\u00e3o pode ser l\u00f3gico para aqueles que veem, como o autor deste artigo, a luta de classes se desenvolver atualmente, com muitas dificuldades e inimigos, mas sem a sinistra interven\u00e7\u00e3o do aparato da ex-URSS, juntamente com o imperialismo, para acabar com cada um dos processos revolucion\u00e1rios. Ou para quem, em n\u00edvel pessoal, p\u00f4de realizar um velho sonho, de visitar a R\u00fassia, a Pol\u00f4nia e a Ucr\u00e2nia, sem o perigo de ser assassinado, sequestrado ou entregue \u00e0 ditadura genocida de Videla na Argentina.<\/p>\n<p>Bucchioni \u00e9 coerente. Para ele, dos processos do Leste destaca-se apenas a derrota da restaura\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a queda revolucion\u00e1ria dos agentes do imperialismo que realizaram a restaura\u00e7\u00e3o. Por isso, chega \u00e0 conclus\u00e3o que agora as massas est\u00e3o num completo retrocesso, que sua consci\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais socialista (como se houvesse sido sob o stalinismo) e que o imperialismo est\u00e1 muito fortalecido.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 o que pensa o imperialismo depois de constatar que seu agente foi destru\u00eddo pelas massas: \u201c<em>venho dizendo <strong>nos \u00faltimos 20 anos:<\/strong> vivemos um per\u00edodo de <strong>instabilidade sem precedentes <\/strong>(&#8230;) o que eu chamo de \u2018despertar pol\u00edtico global\u2019, <strong>uma tomada de consci\u00eancia sobre as injusti\u00e7as, abusos, desigualdades e explora\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00c9 comovente ver o despertar produzir ondas como a primavera \u00e1rabe <strong>(&#8230;) a fragilidade norte-americana fica evidente <\/strong>(&#8230;) H\u00e1 enormes faixas de territ\u00f3rios dominadas por agita\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00f5es, raiva e perda de controle do Estado (&#8230;)Os EUA ainda s\u00e3o proeminentes. Mas jn\u00e3o s\u00e3o mais capazes de exercer poder hegem\u00f4nico\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 15\/12\/2015<\/p>\n<p>*Todos os grifos s\u00e3o do autor deste artigo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Em vez de contar o n\u00famero de pa\u00edses onde a burguesia foi expropriada, Bucchioni conta os pa\u00edses que surgiram depois da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O autor deste artigo, naqueles anos, era um dos dirigentes do PST argentino, que, em n\u00edvel internacional, integrava, juntamente com o SWP dos EUA, a Tend\u00eancia Leninista Trotskista (TLT) da IV Internacional.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto do Partido Comunista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Os acordos de Yalta e Potsdam estabelecidos no final da Segunda Guerra Mundial, entre os EUA, a Inglaterra e a URSS, para estabelecer a divis\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Leon Trotsky. Programa de Transi\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Nahuel Moreno considerava Hugo Blanco o maior dirigente trotskista de massas depois de Trotsky.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Zbigniew Brzezinski, um dos principais estrategistas da pol\u00edtica externa dos EUA nos \u00faltimos 40 anos. <strong>Assessor de todos os governos democratas desde 1977.<\/strong> Entrevista para a revista \u201c\u00c9poca\u201d, do Brasil, de 28\/12\/2014.<\/p>\n<p>Artigo publicado no <a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog Converg\u00eancia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Mart\u00edn Hern\u00e1ndez Recentemente foram publicados neste blog (Blog Converg\u00eancia)\u00a0dois artigos de um antigo camarada, Enio Bucchioni, que conhe\u00e7o desde 1979 e com quem atuei por v\u00e1rios anos na antiga Converg\u00eancia Socialista e, por um breve per\u00edodo, no PSTU. Esses dois artigos s\u00e3o: \u201c1975 versus 2015: Vietn\u00e3, \u00faltima expropria\u00e7\u00e3o sobre a burguesia\u201d e \u201c1975 versus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":13044,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3523],"tags":[2211,7779,8248,8249,343,4419,3551,4087,1363],"class_list":["post-13043","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-burocracia","tag-consciencia-das-massas","tag-destruicao-do-aparato-stalinista","tag-estados-operarios","tag-imperialismo-2","tag-leste-europeu","tag-restauracao-capitalista","tag-stalinismo","tag-trotskismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/queda-muro.jpg","categories_names":["Opini\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}