{"id":12986,"date":"2015-12-17T10:58:15","date_gmt":"2015-12-17T12:58:15","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/nascimento-e-evolucao-do-discurso-orientalista-uma-critica-marxista\/"},"modified":"2015-12-17T10:58:15","modified_gmt":"2015-12-17T12:58:15","slug":"nascimento-e-evolucao-do-discurso-orientalista-uma-critica-marxista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/12\/17\/nascimento-e-evolucao-do-discurso-orientalista-uma-critica-marxista\/","title":{"rendered":"Nascimento e evolu\u00e7\u00e3o do discurso orientalista: uma cr\u00edtica marxista"},"content":{"rendered":"<p><em>Al\u00e9m de servir para interpretar o mundo, o discurso \u00e9 uma ferramenta para transmitir ideologias. Serve tamb\u00e9m para legitimar e explicar as a\u00e7\u00f5es das classes sociais, que geralmente atuam em defesa de seus interesses. Quando se trata de rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o, sejam elas entre classes, Estados, civiliza\u00e7\u00f5es ou pessoas, o discurso de alguns cumpre o papel de apoiar e refor\u00e7ar o status quo, enquanto o de outros \u00e9 de luta contra a ordem. As guerras s\u00e3o tamb\u00e9m guerras de relatos, de discursos opostos que interatuam em disputa; os grandes enfrentamentos entre civiliza\u00e7\u00f5es sempre estiveram acompanhados dos relatos em que se baseavam.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Gabriel Huland<\/p>\n<p><strong>Surgimento e expans\u00e3o do Isl\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>As grandes religi\u00f5es monote\u00edstas se apoiam em relatos hist\u00f3ricos, m\u00edticos e jur\u00eddicos que oferecem determinadas interpreta\u00e7\u00f5es de mundo e normas de conduta humana. Algumas religi\u00f5es t\u00eam um car\u00e1ter expansionista e outras n\u00e3o. Dentre as religi\u00f5es expansionistas monote\u00edstas, o cristianismo e o isl\u00e3 s\u00e3o as mais importantes, sendo uma terceira, evidentemente, o juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>O isl\u00e3 surge no s\u00e9culo VII d.C. e se expande formidavelmente, convertendo-se em algo mais que uma simples religi\u00e3o; antes, \u00e9 uma vis\u00e3o de mundo igualitarista que busca unificar todas as tribos da pen\u00ednsula ar\u00e1bica sob um poder \u00fanico.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Por\u00e9m, vendo amea\u00e7ado seu poder, os oligarcas da Meca est\u00e3o preocupados. A mensagem igualitarista deste jovem Maom\u00e9 e, sobretudo, sua irrever\u00eancia antiaristocr\u00e1tica s\u00e3o capazes de socavar as bases de um mundo hierarquizado e n\u00e3o-igualit\u00e1rio.<\/em>&#8221; (Chebel, 2011, p.18<em>)<\/em><\/p>\n<p>Tanto o isl\u00e3 como o cristianismo t\u00eam importantes pontos de contato, tanto \u00e9 assim que de um ponto de vista sociol\u00f3gico se considera que existe um fio de continuidade entre ambos. Em muitos momentos, as duas religi\u00f5es souberam conviver de maneira harmoniosa, em outros, no entanto, a harmonia n\u00e3o foi a regra. A expans\u00e3o do isl\u00e3 causou assombro no mundo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Primeiro a P\u00e9rsia, S\u00edria e Egito, logo Turquia, depois o Norte da \u00c1frica; todas estas regi\u00f5es foram caindo diante dos ex\u00e9rcitos mu\u00e7ulmanos; nos s\u00e9culo VIII e IX conquistaram a Espanha, Sic\u00edlia e partes da Fran\u00e7a; nos s\u00e9culos XIII e XIV o isl\u00e3 chegou ao poder na \u00cdndia, Indon\u00e9sia e China. E perante este assalto extraordin\u00e1rio, a Europa s\u00f3 p\u00f4de responder com medo, inclusive com uma esp\u00e9cie de terror. Os autores crist\u00e3os que testemunharam as conquistas isl\u00e2micas tinham escasso interesse em aprender a elevada cultura e a magnific\u00eancia dos mu\u00e7ulmanos, que eram, como disse Gibbon, &#8216;contempor\u00e2neos ao per\u00edodo mais obscuro e indolente dos anais europeus&#8217; (e completa, ainda que com alguma satisfa\u00e7\u00e3o: &#8216;desde que aumentou a produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no Ocidente, parece que o estudo no Oriente definhou e declinou&#8217;).<\/em>&#8221; (Said, 2014, p.93)<\/p>\n<p>A primeira grande resposta do mundo crist\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o do isl\u00e3 foram as cruzadas. A partir da Europa se organizaram ex\u00e9rcitos para invadir as terras b\u00edblicas, que naquele momento formavam parte dos territ\u00f3rios do Imp\u00e9rio Mu\u00e7ulmano, com o objetivo de tomar Jerusal\u00e9m dos \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Esta violenta rea\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos se deu em propor\u00e7\u00f5es exorbitantes, n\u00e3o somente pela amea\u00e7a militar representada pelo isl\u00e3, mas tamb\u00e9m pela superioridade t\u00e9cnica e cultural que este imp\u00e9rio ascendente representava naquele momento em rela\u00e7\u00e3o a uma Europa fragmentada e dividida sob o dom\u00ednio de uma nobreza parasit\u00e1ria e uma Igreja Cat\u00f3lica corrupta.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Em princ\u00edpios do s\u00e9culo XIX, nos tempos em que reinava seu antepassado (de al-Mustazhir) Harun AL-Rashid, o califado era o Estado mais rico e poderoso da Terra, e sua capital (Bagd\u00e1) era o centro da civiliza\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada. Tinham mil m\u00e9dicos diplomados, um grande hospital gratuito, um servi\u00e7o postal regular, v\u00e1rios bancos \u2014alguns dos quais tinham sucursais na China \u2014, uma excelente canaliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, um sistema de descargas direto aos esgotos, bem como uma f\u00e1brica de papel: os ocidentais, que s\u00f3 passam a utilizar o pergaminho ap\u00f3s sua chegada ao Oriente, aprenderam na S\u00edria a arte de fabricar papel a partir da palha de trigo<\/em>.&#8221; (Maalouf, 2012, p. 97)<\/p>\n<p>O papado impulsionava as cruzadas n\u00e3o somente para retomar o Santo Sepulcro, mas tamb\u00e9m para livrar a humanidade de um culto que \u201cexaltava a ignor\u00e2ncia, a crueldade, a escravid\u00e3o, o despotismo e era inimigo da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d (Gil Bar-daj\u00ed, 2009). N\u00e3o se tratava simplesmente de uma quest\u00e3o territorial, que sem d\u00favidas era parte do problema, mas de uma guerra de relatos, entre duas maneiras de sentir e perceber a realidade.<\/p>\n<p>&#8220;(&#8230;) <em>mas as cruzadas s\u00e3o o ponto de partida de todas as persegui\u00e7\u00f5es \u00e0queles que n\u00e3o professam uma mesma f\u00e9, passando por este monumento \u00e0 intoler\u00e2ncia que foi a Inquisi\u00e7\u00e3o, seguindo com as depreda\u00e7\u00f5es e genoc\u00eddios a cargo dos espanh\u00f3is, portugueses, ingleses, franceses e holandeses nas Am\u00e9ricas, \u00c1sia e \u00c1frica entre 1500-1900, e culminando com os holocaustos de Stalin e Hitler, Hiroshima e Vietn\u00e3 \u2013 sem esquecermo-nos dos massacres perpetrados contra o povo arm\u00eanio (1915-1923) e argelino (1948-1960) \u2013, que abalaram o nosso s\u00e9culo XX.<\/em>&#8221; (El\u00eda, sem data, p. 12)<\/p>\n<p><strong>O Renascimento, as Revolu\u00e7\u00f5es Burguesas e a Expans\u00e3o Colonial<\/strong><\/p>\n<p>Com o Renascimento, a Expans\u00e3o Mar\u00edtima \u00e0s Am\u00e9ricas, as Revolu\u00e7\u00f5es Liberais (principalmente a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa), a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a forma\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais na Europa, os imp\u00e9rios brit\u00e2nico e franc\u00eas, no s\u00e9culo XIX, viram-se imersos em um per\u00edodo de importantes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, econ\u00f4micos, pol\u00edticos e militares, iniciando uma grande expans\u00e3o colonial, que teve como uma de suas consequ\u00eancias o dom\u00ednio do com\u00e9rcio mar\u00edtimo no Mediterr\u00e2neo e das rotas comerciais com a \u00cdndia.<\/p>\n<p>&#8220;<em>A Fran\u00e7a estendeu seu dom\u00ednio sobre a Tun\u00edsia em 1881, a Gr\u00e3-Bretanha ocupou o Egito em 1882, a It\u00e1lia tomou a L\u00edbia em 1911, e as pot\u00eancias europeias consentiram em rela\u00e7\u00e3o a um protetorado espanhol-franc\u00eas sobre o Marrocos (o \u00fanico pa\u00eds do Norte da \u00c1frica a conseguir preservar sua independ\u00eancia do dom\u00ednio otomano).<\/em>&#8221; (Rogan, 2009, p. 134)<\/p>\n<p>Todos estes acontecimentos marcam, durante um intervalo temporal de 3 ou 4 s\u00e9culos, o per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o do sistema capitalista na Europa e sua posterior expans\u00e3o em busca de mercados, m\u00e3o de obra e mat\u00e9rias-primas. Por falta de espa\u00e7o, n\u00e3o podemos explicar em detalhes todos estes grandes acontecimentos da hist\u00f3ria humana, que marcam o in\u00edcio da decad\u00eancia do mundo isl\u00e2mico e o dom\u00ednio europeu sobre o mundo.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o do Norte da \u00c1frica avan\u00e7ou com for\u00e7a no s\u00e9culo XIX, visto que nos s\u00e9culos anteriores os principais imp\u00e9rios europeus estavam mais ocupados estabilizando os seus pa\u00edses, que vivenciaram diversas revolu\u00e7\u00f5es, e consolidando os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e econ\u00f4micos representados pela revolu\u00e7\u00e3o industrial. Espanha e Portugal, por sua vez, j\u00e1 possu\u00edam dom\u00ednios coloniais na Am\u00e9rica e viviam de usurpar o ouro e outras riquezas naturais.<\/p>\n<p>&#8220;<em>As col\u00f4nias se estabeleciam por raz\u00f5es econ\u00f4micas e estrat\u00e9gicas; esperava-se que proporcionassem produtos tropicais \u00e0 metr\u00f3pole e servissem de mercado para suas manufaturas, al\u00e9m de oferecer um lugar de assentamento para seus cidad\u00e3os e uma fonte de investimentos produtivos para sua burguesia. Por outro lado, considerava-se que os imp\u00e9rios tinham uma miss\u00e3o civilizadora que difundiria o cristianismo e elevaria a cultura nativa at\u00e9 os n\u00edveis europeus.<\/em>&#8221; (Allen, 2013)<\/p>\n<p>Para levar a cabo esse ambicioso projeto colonial eram necess\u00e1rios dois requisitos: em primeiro lugar, construir um discurso que legitimasse a coloniza\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, estudar e codificar as sociedades que teriam que dominar. \u00c9 neste contexto que aparece o discurso orientalista.<\/p>\n<p>&#8220;<em>O per\u00edodo em que se produziu o grande progresso das institui\u00e7\u00f5es e do conte\u00fado do orientalismo coincidiu exatamente com o per\u00edodo de maior expans\u00e3o europeia; desde 1815 a 1914 o dom\u00ednio colonial europeu direto se ampliou de mais ou menos 35% da superf\u00edcie da Terra para 85%. Todos os continentes foram afetados, mas sobretudo a \u00c1frica e a \u00c1sia. Os dois grandes imp\u00e9rios eram o brit\u00e2nico e o franc\u00eas, aliados e s\u00f3cios em alguns momentos e rivais hostis em outros. No Oriente, desde as costas orientais do Mediterr\u00e2neo at\u00e9 a Indochina e a Mal\u00e1sia, suas possess\u00f5es coloniais e \u00e1reas de influ\u00eancia imp<\/em><em>erial eram adjacentes, com frequ\u00eancia faziam fronteira e, reiteradamente, haviam sido objeto de suas disputas. Mas foi no Oriente M\u00e9dio, nas terras do Oriente M\u00e9dio \u00e1rabe em que supostamente o isl\u00e3 define suas caracter\u00edsticas culturais e \u00e9tnicas, onde brit\u00e2nicos e franceses se enfrentaram entre si e com o \u2018Oriente\u2019 de uma maneira mais intensa, familiar e complexa.<\/em>&#8221; (Said, 2014, p.7)<\/p>\n<p>O orientalismo est\u00e1, de acordo com este racioc\u00ednio, ligado \u00e0s estruturas do poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico das elites europeias que, por sua vez, necessitavam construir da maneira mais \u201ccient\u00edfica\u201d e objetiva poss\u00edvel, pelo menos na apar\u00eancia, um relato que identificasse os inimigos da civiliza\u00e7\u00e3o que lideravam e que queriam expandir.<\/p>\n<p>Esta expans\u00e3o europeia se insere na etapa de forma\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais e da constru\u00e7\u00e3o das identidades nacionais europeias. O \u00eaxito de tal projeto passava em grande medida pela caracteriza\u00e7\u00e3o do \u201coutro\u201d, do \u201cestranho\u201d e do \u201cb\u00e1rbaro\u201d, j\u00e1 que, ao fim e ao cabo, t\u00e3o importante quanto saber quem somos \u00e9 saber quem n\u00e3o somos.<\/p>\n<p>O orientalismo se apoia desde o princ\u00edpio em generaliza\u00e7\u00f5es abstratas sobre um suposto car\u00e1ter oriental, contraposto ao ocidental. Por ser uma representa\u00e7\u00e3o mental, a ideia de Oriente, este espa\u00e7o geogr\u00e1fico e cultural a-hist\u00f3rico, \u00e9 est\u00e1tica; ao contr\u00e1rio do Ocidente, que \u00e9, por sua vez, din\u00e2mico, cambiante, hist\u00f3rico e diverso.<\/p>\n<p>No entanto, os \u201cacad\u00eamicos\u201d orientalistas n\u00e3o estavam preocupados em analisar a realidade, mas em buscar os aspectos desta realidade que se ajustassem \u00e0s suas teorias e preconceitos, ainda que os aspectos que se ajustassem fossem totalmente minorit\u00e1rios e pouco representativos das sociedades em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O objetivo dos orientalistas era \u201csalvar o oriental dos orientais\u201d, que nada mais eram que seres b\u00e1rbaros e incapazes de se autogovernar, mediante a exalta\u00e7\u00e3o de um remoto passado greco-romano presente no Oriente. Estas supostas ra\u00edzes greco-romanas, isto \u00e9, a exist\u00eancia de alguns pontos de contato entre Oriente e Ocidente, era o que permitia a estas civiliza\u00e7\u00f5es atrasadas orientais ter esperan\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Segundo Said, o orientalismo \u00e9 antes de tudo um discurso acad\u00eamico criado e desenvolvido por antrop\u00f3logos, soci\u00f3logos, historiadores, fil\u00f3logos, etc. De um modo mais geral, orientalismo \u00e9 tamb\u00e9m o estilo de pensamento que se baseia na distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica e epistemol\u00f3gica que se estabelece entre Oriente e Ocidente, ou seja, a forma de pensar o Oriente desenvolvida tanto por poetas, romancistas e fil\u00f3sofos, como por pol\u00edticos, economistas e administradores do Imp\u00e9rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Finalmente, a partir do s\u00e9culo XVIII, o orientalismo \u00e9 &#8216;a institui\u00e7\u00e3o coletiva que se relaciona com o Oriente, rela\u00e7\u00e3o que consiste em fazer declara\u00e7\u00f5es sobre ele, adotar posturas em rela\u00e7\u00e3o a ele, descrev\u00ea-lo, ensin\u00e1-lo, coloniz\u00e1-lo e decidir sobre ele; em resumo, um estilo ocidental que pretende dominar, reestruturar e exercer autoridade sobre o Oriente&#8217; <\/em>(Said, 2014, p.81).&#8221; (Gil Bardaj\u00ed, 2009)<\/p>\n<p>Os estudos do orientalismo t\u00eam como refer\u00eancia te\u00f3rica Edward Said, palestino radicado nos EUA e catedr\u00e1tico de literatura inglesa e comparada da Universidade de Columbia (Nova York), que, em 1978, publicou sua obra mais importante: <em>Orientalismo.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, existe uma s\u00e9rie de autores contempor\u00e2neos que criticam alguns aspectos da obra de Said e buscam atualiz\u00e1-la \u00e0 luz dos novos acontecimentos do Norte da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio conhecidos como \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d.<\/p>\n<p>Das muitas defini\u00e7\u00f5es de orientalismo esbo\u00e7adas anteriormente, interessa-nos especialmente a \u00faltima, que afirma se tratar de um discurso acad\u00eamico utilizado com finalidades espec\u00edficas por determinadas classes sociais: as burguesias industriais europeias, centralmente a francesa e a inglesa.<\/p>\n<p>O orientalismo como discurso se converteu em uma das ferramentas mais poderosas para submeter uma parte dos pa\u00edses do mundo \u00e0 empresa colonial europeia em um primeiro momento e \u00e0 domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica norte-americana nos dias atuais.<\/p>\n<p><strong>O orientalismo moderno<\/strong><\/p>\n<p>A figura do \u201cespecialista em mundo \u00e1rabe\u201d, muito comum nas universidades, governos e grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, caracteriza um \u201cespecialista\u201d (em geral n\u00e3o \u00e1rabe) em sociedades que fizeram parte dos imp\u00e9rios \u00e1rabe e otomano.<\/p>\n<p>Na maioria das institui\u00e7\u00f5es que analisam o \u201cmundo \u00e1rabe\u201d, o n\u00famero de vozes \u00e1rabes \u00e9 bastante minorit\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s n\u00e3o \u00e1rabes, o que confirma uma das grandes premissas do discurso orientalista: que os \u00e1rabes s\u00e3o incapazes de representar a si mesmos.<\/p>\n<p>&#8220;<em>O &#8216;especialista em mundo \u00e1rabe&#8217; \u00e9 a pessoa que pelo simples fato de ter dedicado uma grande parte de sua carreira a estudar \u00e1rabe se considera no direito de fazer an\u00e1lises acerca da sociedade \u00e1rabe, da pol\u00edtica \u00e1rabe, da hist\u00f3ria \u00e1rabe ou da &#8216;mente \u00e1rabe&#8217;.<\/em>&#8221; (Gil Bardaj\u00ed, 2009)<\/p>\n<p>O debate sobre o orientalismo, presente nos discursos dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o na Europa e nos EUA, mant\u00e9m toda a sua atualidade porque, ainda que a humanidade tenha vivido na segunda metade do s\u00e9culo XX fortes processos de descoloniza\u00e7\u00e3o, segue existindo uma depend\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica dos ditos pa\u00edses em desenvolvimento (semicoloniais) em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses considerados desenvolvidos (imperialistas).<\/p>\n<p>O orientalismo forjado nos EUA a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX se distingue do europeu no sentido de que o orientalista de hoje \u00e9 \u201cum especialista regional, que se coloca a servi\u00e7o do governo, do mundo dos neg\u00f3cios, ou de ambos\u201d (Said, 2014, p.376).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um mero especialista em literatura, mas de um soci\u00f3logo especializado em uma determinada regi\u00e3o do planeta. O Oriente M\u00e9dio se converteu em uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica do ponto de vista pol\u00edtico e econ\u00f4mico, deixando de ser um mero rival do ponto de vista religioso, como era o caso anteriormente.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Em 1973, durante os angustiantes dias da guerra \u00e1rabe-israelense, o New York Times Magazine solicitou dois artigos, um que representava o lado israelense do conflito e outro o \u00e1rabe. O primeiro foi delegado a um jurista israelense, e o segundo a um ex-embaixador americano em um pa\u00eds \u00e1rabe que n\u00e3o tinha nenhuma forma\u00e7\u00e3o em estudos orientais.<\/em>&#8221; (Said, 2014, p. 387)<\/p>\n<p><strong>Israel e a necessidade de converter o \u00e1rabe em antissemita<\/strong><\/p>\n<p>Assim, a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel veio acompanhada da necessidade de converter o \u00e1rabe em antissemita. Segundo um estudo sobre como os \u00e1rabes s\u00e3o retratados em livros did\u00e1ticos norte-americanos, \u201c<em>o la\u00e7o mais forte \u00e9 a hostilidade dos \u00e1rabes \u2014 seu \u00f3dio \u2014 aos judeus e ao Estado de Israel<\/em>\u201d (<em>The Arabs in American Textbooks <\/em>citado por Said, 2014). O \u00e1rabe se converte ent\u00e3o em antissemita, fornecedor de petr\u00f3leo e jihadista.<\/p>\n<p>Por outro lado, o discurso orientalista, ao estar associado \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de poder entre Ocidente e Oriente, assume distintas formas segundo as necessidades de cada momento. Se antes era necess\u00e1rio caracterizar o oriental como um ser atrasado, misterioso e ex\u00f3tico, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas atuais exigem a descri\u00e7\u00e3o do \u00e1rabe como um ser perigoso, um terrorista irracional em potencial, um ser intolerante e extremista. Esta vis\u00e3o se fez abundante na grande m\u00eddia, sobretudo a partir da eclos\u00e3o dos conflitos \u00e1rabe-israelenses.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Ap\u00f3s a guerra de 1973 entre palestinos e israelenses, os \u00e1rabes come\u00e7am a se desenhar como uma amea\u00e7a. Eram &#8216;semitas&#8217;, tinham todos os tra\u00e7os de uma caricatura, e tamb\u00e9m eram &#8216;a causa&#8217; dos problemas que acometiam o Ocidente \u2014 a falta de petr\u00f3leo. O antissemitismo foi se transferindo assim do judeu ao \u00e1rabe. Considera-se o &#8216;\u00e1rabe&#8217; como um perturbador dos planos ocidentais e um obst\u00e1culo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948. (&#8230;) O prot\u00f3tipo do judeu anterior ao nazismo \u2014 nos diz Said \u2014 se desdobrou. Por um lado aparece o her\u00f3i judeu colonizador, que assume o papel de orientalista pioneiro, tal qual Burton ou Lane<sup>1<\/sup>. Por outro lado nos aparece a sua sombra terr\u00edvel na forma do \u00e1rabe oriental. (&#8230;) O \u00e1rabe \u00e9 agora um antissionista fornecedor de petr\u00f3leo.<\/em>&#8221; (Said, 2014, citado por Cabrera, 1997)<\/p>\n<p><strong>Orientalismo nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas<\/strong><\/p>\n<p>O discurso orientalista penetrou com for\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, seja por meio do cinema, do r\u00e1dio, da TV ou da imprensa escrita. O discurso acad\u00eamico serviu de base te\u00f3rica para a constru\u00e7\u00e3o de discursos utilizados pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa para descrever os \u00e1rabes e convencer a opini\u00e3o p\u00fablica de um conjunto de estere\u00f3tipos que pouco tem a ver com a realidade.<\/p>\n<p>Os grandes jornais s\u00e3o parte, em sua maioria, de mega corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas produtoras de discursos legitimadores de uma ordem social e defensoras de interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos espec\u00edficos: o sistema capitalista em sua atual forma decadente e parasit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio <em>Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People <\/em>(Filmes ruins, \u00e1rabes malvados: como Holywood vilificou um povo; na vers\u00e3o em portugu\u00eas), de Jack Shaheen, explora mais de cem anos de cria\u00e7\u00e3o de imagens degradantes e estereotipadas sobre os \u00e1rabes por parte dos grandes est\u00fadios cinematogr\u00e1ficos norte-americanos.<\/p>\n<p>A persist\u00eancia em difundir tais preconceitos (o documentarista analisou mais de mil filmes) contribuiu imensamente para a naturaliza\u00e7\u00e3o de preconceitos e percep\u00e7\u00f5es totalmente distorcidas sobre os diferentes povos \u00e1rabes. Trata-se de uma grande demonstra\u00e7\u00e3o de como o discurso orientalista se apoderou da opini\u00e3o p\u00fablica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edtica ao <em>Orientalismo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para analisar o orientalismo, Said utiliza os conceitos de discurso e poder de Foucault (Gil Bardaj\u00ed, 2009). Os estudos realizados pelo escritor palestino se baseiam fundamentalmente no \u00e2mbito da an\u00e1lise liter\u00e1ria e do discurso, mediante exame das bases ideol\u00f3gicas do discurso orientalista.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas posteriores ao lan\u00e7amento de sua obra-prima (<em>Orientalismo<\/em>), um importante n\u00famero de estudos cr\u00edticos \u00e0 sua obra foram publicados. A cr\u00edtica mais importante aceita por Said \u00e9 a de que ele n\u00e3o prop\u00f5e categorias distintas das que censura, ou seja, em que pese a cr\u00edtica bem fundamentada da separa\u00e7\u00e3o artificial entre Ocidente e Oriente, Said acaba por assimilar estas duas categorias indiretamente ao n\u00e3o propor nenhuma outra que possa ser utilizada para analisar a Europa (Ocidente) e o mundo \u00e1rabe (Oriente).<\/p>\n<p>Outra importante cr\u00edtica se refere ao fato de Said estar por demais \u201cocidentalizado\u201d, por sua forma\u00e7\u00e3o fortemente brit\u00e2nica, na Palestina e no Egito, e a decis\u00e3o de seguir sua carreira acad\u00eamica nos EUA. Por outro lado, a bibliografia utilizada em <em>Orientalismo<\/em> \u00e9 majoritariamente europeia: s\u00e3o poucos os autores \u00e1rabes citados por Said.<\/p>\n<p>Gilbert Achcar n\u00e3o apenas afirma que Said sofreu demasiadas influ\u00eancias das academias brit\u00e2nica e norte-americana como utiliza pouco o vasto arsenal cultural da filosofia ocidental.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Por outro lado, com exce\u00e7\u00e3o de uma pequena refer\u00eancia a Weber e os in\u00fameros recha\u00e7os a Marx por ser Orientalista, h\u00e1 pouca discuss\u00e3o no livro de Said sobre o vasto corpus da filosofia e da teoria social ocidental.<\/em>&#8221; (Achcar, 2013, p. 1375)<\/p>\n<p>De acordo com o professor da <em>School of Oriental and African Studies (University of London)<\/em>, o <em>Orientalismo<\/em> se assenta no idealismo metodol\u00f3gico-filos\u00f3fico essencialista europeu, ao assumir a ideia de que o destino de uma civiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 fortemente ancorado na cultura, principalmente na religi\u00e3o, que permeia e explica todos os aspectos da civiliza\u00e7\u00e3o. Para Achcar, o estudo da religi\u00e3o nasce do enfrentamento entre o relativismo pluralista burgu\u00eas e o monop\u00f3lio ideol\u00f3gico do cristianismo (Achcar, 2013). Falta por parte de Said uma leitura que abarque o conjunto das rela\u00e7\u00f5es sociais de classe existentes em uma sociedade, limitando-se a um debate meramente cultural no plano das ideias.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas, em grande medida justas, n\u00e3o reduzem a import\u00e2ncia de <em>Orientalismo<\/em> para o mundo pol\u00edtico, cultural e acad\u00eamico. Trata-se de uma das grandes obras do s\u00e9culo XX. Para alguns, o autor \u00e9 o fundador do que viria a ser o discurso p\u00f3s-colonial.<\/p>\n<p>&#8220;<em>O livro de Said cumpriu um papel muito importante e n\u00e3o foi certamente por se tratar simplesmente de uma pe\u00e7a acad\u00eamica. Mas pelo contr\u00e1rio: foi exatamente a enorme pol\u00eamica causada por Orientalismo que fez dele um marco na hist\u00f3ria das ideias.<\/em>&#8221; (Achcar, 2013, p.1276)<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, sintetizamos as caracter\u00edsticas que nos parecem ser as mais importantes do discurso orientalista.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas mais importantes do discurso orientalista<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O Oriente \u00e9 tratado como um espa\u00e7o geogr\u00e1fico e cultural a-hist\u00f3rico.<\/li>\n<li>Subestima o desenvolvimento cultural dos povos da regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica.<\/li>\n<li>Utiliza os valores das democracias liberais europeias modernas para avaliar os regimes pol\u00edticos da regi\u00e3o chamada de Oriente.<\/li>\n<li>Os \u00e1rabes s\u00e3o incapazes de se autogovernar.<\/li>\n<li>Outorga aos EUA e \u00e0s pot\u00eancias europeias o papel de promotor da democracia na regi\u00e3o.<\/li>\n<li>Caracteriza a maioria dos \u00e1rabes como seres extremistas, jihadistas, fornecedores de petr\u00f3leo e antissemitas.<\/li>\n<li>Os Estados nacionais \u00e1rabes nascidos da era colonial s\u00e3o invi\u00e1veis, pois s\u00e3o uma panela de press\u00e3o de etnias, religi\u00f5es e seitas distintas.<\/li>\n<li>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o que exprimem um discurso orientalista costumam faz\u00ea-lo por meio dos \u201cespecialistas em mundo \u00e1rabe\u201d e n\u00e3o de analistas de proced\u00eancia \u00e1rabe que vivam no pa\u00eds analisado. Isto n\u00e3o quer dizer que pessoas de origem \u00e1rabe n\u00e3o possam tamb\u00e9m expressar elementos orientalistas em seu discurso, ou, ao contr\u00e1rio, que pessoas n\u00e3o \u00e1rabes n\u00e3o possam praticar um discurso n\u00e3o orientalista.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Nota:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Dois dos primeiros orientalistas. Citados por Said.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Trabalhos citados<\/strong><\/p>\n<p>Achcar, G. (2013). <em>Marxism, Orientalism, Cosmopolitanism. <\/em>London: Saqi Books.<\/p>\n<p>Allen, R. C. (2013). <em>Historia econ\u00f3mica mundial: una breve introducci\u00f3n. <\/em>Madrid: Alianza Editorial.<\/p>\n<p>Almarcegui, P. (2014). Orientalismo e p\u00f3s-orientalismo. Dez anos sem Edward Said. <em>Quaderns del mediterrani <\/em>(20-21), 231-234.<\/p>\n<p>Cabrera, H. (15 de mar\u00e7o de 1997). <em>Web Islam. <\/em>Recuperado em 17 de junho de 2015, de <em>Orientalismo: En torno al discurso de Edward Said<\/em>: <a href=\"http:\/\/www.webislam.com\/articulos\/18026-orientalismo_en_torno_al_discurso_de_edward_said.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.webislam.com\/articulos\/18026-orientalismo_en_torno_al_discurso_de_edward_said.html<\/a><\/p>\n<p>Chebel, M. (2011). <em>El islam \u2013 Historia y modernidad. <\/em>Madrid: Paid\u00f3s Contexto.<\/p>\n<p>El\u00eda, R. S. (Sem data). <em>La civilizaci\u00f3n del islam<\/em>. Peque\u00f1a enciclopedia de la cultura, las artes, las ciencias, el pensamiento y la fe de los pueblos musulmanes. Buenos Aires, Argentina.<\/p>\n<p>Gil Bardaj\u00ed, A. (2009). Orientalismo, treinta a\u00f1os despu\u00e9s. <em>La Torre del Virrey, revista de Estudios Culturales <\/em>(7), 61-66.<\/p>\n<p>Maalouf, A. (2012). <em>Las cruzadas vistas por los \u00e1rabes<\/em>\u00a0(7<sup>a<\/sup> ed.). Madrid: Alianza Editorial.<\/p>\n<p>Said, E. W. (2014). <em>Orientalismo <\/em>(6<sup>a<\/sup> ed.). Barcelona: Debolsillo.<\/p>\n<p>Rogan, E. (2009). <em>The Arabs. A History<\/em>. London: Penguin Books.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Arthur Gibson<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de servir para interpretar o mundo, o discurso \u00e9 uma ferramenta para transmitir ideologias. Serve tamb\u00e9m para legitimar e explicar as a\u00e7\u00f5es das classes sociais, que geralmente atuam em defesa de seus interesses. Quando se trata de rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o, sejam elas entre classes, Estados, civiliza\u00e7\u00f5es ou pessoas, o discurso de alguns cumpre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12987,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[6325,10],"tags":[],"class_list":["post-12986","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oriente-medio-mundo","category-teoria"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/orientalismo.jpg","categories_names":["Oriente M\u00e9dio","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12986\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}