{"id":12974,"date":"2015-12-16T11:31:42","date_gmt":"2015-12-16T13:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/uma-resposta-da-classe-trabalhadora-ao-problema-do-virus-zika-e-da-microcefalia\/"},"modified":"2015-12-16T11:31:42","modified_gmt":"2015-12-16T13:31:42","slug":"uma-resposta-da-classe-trabalhadora-ao-problema-do-virus-zika-e-da-microcefalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/12\/16\/uma-resposta-da-classe-trabalhadora-ao-problema-do-virus-zika-e-da-microcefalia\/","title":{"rendered":"Uma resposta da classe trabalhadora ao problema do v\u00edrus Zika e da microcefalia"},"content":{"rendered":"<p><em>At\u00e9 uns meses atr\u00e1s, a epidemia da qual mais se falava com o in\u00edcio do ver\u00e3o era a dengue. No entanto, este ano o vil\u00e3o mudou. Chama-se Zika e hoje \u00e9 um dos grandes receios da popula\u00e7\u00e3o brasileira e muito especialmente das mulheres gr\u00e1vidas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Maria Costa<\/p>\n<p>\u201c<em>Estamos assistindo ao surgimento de uma gera\u00e7\u00e3o de sequelados. O impacto ser\u00e1 gigantesco<\/em>\u201d<sup>1<\/sup>, s\u00e3o as palavras da chefe do servi\u00e7o de infectologia pedi\u00e1trica do Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz, do Recife. Existe essa possibilidade, mas acreditamos que o governo tem os meios para diminuir ao m\u00e1ximo o impacto desta epidemia, ainda que para isso tenha que fazer algo que nunca se disp\u00f4s a fazer: colocar os seus recursos financeiros e materiais a servi\u00e7o da sa\u00fade e do bem-estar da classe trabalhadora e deixar de financiar banqueiros e multinacionais.<\/p>\n<p><strong>Onde surgiu e o que \u00e9 o v\u00edrus Zika?<\/strong><\/p>\n<p>O v\u00edrus Zika pertence a um grupo de v\u00edrus designados flaviv\u00edrus (\u201cv\u00edrus amarelos\u201d), juntamente com o v\u00edrus da dengue e da febre amarela. Estes v\u00edrus s\u00e3o transmitido por mosquitos do g\u00eanero <em>Aedes<\/em> (que significa odioso em grego). Existem v\u00e1rias esp\u00e9cies de mosquito <em>Aedes<\/em>, mas o que circula majoritariamente na Am\u00e9rica Latina \u00e9 o <em>Aedes aegypti<\/em> (&#8220;odioso do Egito&#8221;) e \u00e9 ele que transmite o v\u00edrus no Brasil.<\/p>\n<p>O v\u00edrus Zika foi introduzido no Brasil, possivelmente, por turistas que vieram assistir \u00e0 Copa do Mundo em 2014. Este v\u00edrus foi detectado pela primeira vez em um macaco sentinela para monitoramento da febre amarela, na floresta Zika, em Uganda, no ano de 1947, e da\u00ed vem o seu nome. Foi isolado pela primeira vez em seres humanos em 1968, na Nig\u00e9ria, e de 1971 a 1981 foi identificado em v\u00e1rios pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos at\u00e9 que, em 2007, causou um surto de maiores dimens\u00f5es na Ilha Yap, na regi\u00e3o sudoeste do Oceano Pac\u00edfico<sup>2<\/sup>. Naquele momento, foi considerada uma doen\u00e7a infecciosa emergente pelo grau de dispers\u00e3o geogr\u00e1fica que tinha alcan\u00e7ado. Em 2014, foi publicado um estudo que concluiu que o v\u00edrus Zika estava sofrendo um processo importante de muta\u00e7\u00f5es e que j\u00e1 era poss\u00edvel definir duas linhagens diferentes do v\u00edrus: a Africana e a Asi\u00e1tica<sup>3<\/sup>. \u00c9 esta \u00faltima linhagem que circula neste momento no Brasil, Col\u00f4mbia, Chile, El Salvador, Guatemala, M\u00e9xico, Paraguai, Suriname e Venezuela.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Em fevereiro de 2015, foram notificados ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade cerca de 6.800 casos de doen\u00e7a exantem\u00e1tica, ou seja, com erup\u00e7\u00f5es vermelhas na pele, sem causa definida na Regi\u00e3o Nordeste. Todos os casos apresentaram evolu\u00e7\u00e3o benigna e cura espont\u00e2nea. Em 29 de abril, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia anunciaram a identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika como causador dessa doen\u00e7a. Atualmente, o v\u00edrus j\u00e1 foi identificado em 20 estados brasileiros, s\u00f3 estando livres Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre<sup>5<\/sup>. No entanto, acreditamos que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo para que surjam casos nestes estados.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 transmitido e que doen\u00e7as causa o v\u00edrus Zika?<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento, as d\u00favidas predominam muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s certezas sobre como se transmite o v\u00edrus e que doen\u00e7as pode causar.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, sabe-se com certeza que o v\u00edrus \u00e9 transmitido pelo mosquito <em>Aedes<\/em> <em>aegypti<\/em>, no caso do Brasil. Existem suspeitas de que seja transmitido pelo leite materno, pela placenta, durante o parto e tamb\u00e9m pela saliva e pelo s\u00eamen <sup>4,6<\/sup>. Apesar disso, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), assim como o CDC-Center for Desease Control (centro para controle de doen\u00e7as dos EUA) e o ECDC (CDC da Uni\u00e3o Europeia), n\u00e3o admitem que estejam comprovadas estas vias de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao momento, s\u00f3 a doen\u00e7a exantem\u00e1tica \u00e9 comprovadamente causada de forma direta pelo v\u00edrus Zika. A s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 e a microcefalia em rec\u00e9m-nascidos, filhos de m\u00e3es que contra\u00edram Zika durante a gravidez, est\u00e3o relacionadas com a infec\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o se tem a certeza de por qual mecanismo.<\/p>\n<p>80% das pessoas infectadas pelo v\u00edrus n\u00e3o apresentam qualquer sintoma e 20% apresentam uma s\u00edndrome com a presen\u00e7a de erup\u00e7\u00f5es vermelhas na pele (exantema) e coceira, febre, conjuntivite, dores musculares e das articula\u00e7\u00f5es e cefaleia. Nem todos os sintomas est\u00e3o presentes, os tr\u00eas primeiros referidos s\u00e3o os mais comuns.<\/p>\n<p>A S\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 (SGB) \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune em que o sistema imunol\u00f3gico ataca o revestimento das c\u00e9lulas nervosas (a bainha de mielina). Isso acontece ap\u00f3s infec\u00e7\u00f5es causadas por alguns v\u00edrus e bact\u00e9rias que t\u00eam prote\u00ednas da sua superf\u00edcie semelhantes \u00e0s das c\u00e9lulas do sistema nervoso. Em algumas pessoas, o sistema imunol\u00f3gico \u201cconfunde-se\u201d e acaba por atacar tamb\u00e9m as c\u00e9lulas nervosas por causa dessa semelhan\u00e7a. A doen\u00e7a caracteriza-se por fraqueza muscular de gravidade vari\u00e1vel, formigamento e dores musculares. N\u00e3o existe tratamento espec\u00edfico para esta doen\u00e7a. Em geral, as pessoas se recuperam totalmente, ainda que algumas possam necessitar de fisioterapia.<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o ter sido comprovado, acredita-se que haja rela\u00e7\u00e3o entre a infec\u00e7\u00e3o por Zika e a SGB, pois tanto no Brasil como na Polin\u00e9sia Francesa houve um aumento de casos de SGB durante o surto de Zika. Em julho de 2015, foram diagnosticados 42 casos de SGB na Bahia, dos quais 62% tinham hist\u00f3rico de sintomas consistentes com infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 na Bahia. No geral, os estados do Nordeste tiveram um aumento de 50 a 100% do n\u00famero de casos de SGB este ano.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a microcefalia e qual sua rela\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus Zika?<\/strong><\/p>\n<p>A microcefalia n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a em si, mas um sintoma. Medidas como o peso, comprimento\/altura e per\u00edmetro cef\u00e1lico variam muito nos seres humanos. Para avaliar estas medidas nas crian\u00e7as, desde o nascimento s\u00e3o utilizadas, no Brasil, as curvas de percentis, elaboradas pela OMS, que podemos encontrar nas cadernetas de sa\u00fade infantil. Estas curvas s\u00e3o medidas estat\u00edsticas que nos dizem qual a percentagem da popula\u00e7\u00e3o que tem um determinado valor de peso, altura ou per\u00edmetro cef\u00e1lico. Quando se afastam muito da m\u00e9dia (percentil 50), podem indicar a presen\u00e7a de doen\u00e7as. Em rec\u00e9m-nascidos de termo (mais de 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o), a microcefalia normalmente \u00e9 diagnosticada quando o per\u00edmetro cef\u00e1lico \u00e9 inferior a 32 cm, com base nas curvas da OMS, que levam em conta amostras da popula\u00e7\u00e3o em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Os fetos e rec\u00e9m-nascidos com microcefalia t\u00eam maior probabilidade de terem doen\u00e7as neurol\u00f3gicas associadas e por isso devem ser submetidos a exames complementares para avalia\u00e7\u00e3o do sistema neurol\u00f3gico. Al\u00e9m disso, todos os casos de microcefalia devem ser notificados ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS).<\/p>\n<p>A microcefalia pode ser causada por v\u00e1rias doen\u00e7as durante a gravidez (rub\u00e9ola, toxoplasmose, HIV, s\u00edfilis, etc.) e tamb\u00e9m por alguns medicamentos ou drogas como o \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Em 22 de outubro deste ano, a Secretaria de Sa\u00fade de Pernambuco notificou ao MS um aumento dos casos de microcefalia. At\u00e9 ent\u00e3o tinham sido registrados 26 casos.<sup>7<\/sup> Para se ter uma ideia, no final de 2014, tinham sido registrados 12 casos em Pernambuco, ou seja, menos de metade.<sup>8<\/sup> Desde essa data para c\u00e1, o n\u00famero de casos aumentou exponencialmente. No momento em que escrevo este texto, j\u00e1 s\u00e3o mais de 1.700 casos em todo o Brasil. S\u00f3 na primeira semana de dezembro, o n\u00famero de casos suspeitos de microcefalia aumentou 41%, passando de 1.248 para 1.761.<sup>9<\/sup><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o aumento do n\u00famero de casos de microcefalia e a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika foi estabelecida por v\u00e1rios fatos, entre os quais destaco os mais significativos: 1) Entrevistas com mais de 60 gestantes, que tiveram doen\u00e7a exantem\u00e1tica na gravidez e cujos filhos nasceram com microcefalia, sem hist\u00f3rico de doen\u00e7a gen\u00e9tica na fam\u00edlia e\/ou exames que evidenciassem outras causas de microcefalia; 2) Identifica\u00e7\u00e3o de casos de microcefalia tamb\u00e9m na Polin\u00e9sia Francesa coincidentes com surto do v\u00edrus Zika; 3) Identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika em l\u00edquido amni\u00f3tico de duas gestantes cujos fetos apresentavam microcefalia, no interior da Para\u00edba; 4) Identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Zika em tecidos de um rec\u00e9m-nascido que morreu cinco dias depois do parto, no estado do Cear\u00e1, e que tinha sido diagnosticado com microcefalia durante a gravidez.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>A OMS tamb\u00e9m reconheceu a rela\u00e7\u00e3o entre a infec\u00e7\u00e3o pelo Zika e o aumento de casos de microcefalia, mas afirma que ainda n\u00e3o se pode afirmar com certeza que a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus seja a causa direta da microcefalia ou se existem outros fatores associados.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os rec\u00e9m-nascidos com microcefalia apresentam, na maioria dos casos, altera\u00e7\u00f5es nos exames cerebrais como calcifica\u00e7\u00f5es, menor desenvolvimento de algumas \u00e1reas cerebrais e, em alguns casos, diminui\u00e7\u00e3o dos sulcos cerebrais (\u201cc\u00e9rebro liso\u201d). Apesar de o comunicado afirmar que os rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o apresentam sintomas de doen\u00e7a ao exame f\u00edsico al\u00e9m da microcefalia, o conjunto de altera\u00e7\u00f5es aos exames complementares deixa prever que muito provavelmente ser\u00e3o crian\u00e7as com d\u00e9ficits cognitivos e motores importantes.<\/p>\n<p>A microcefalia n\u00e3o tem cura. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel o tratamento de suporte para as doen\u00e7as neurol\u00f3gicas associadas (epilepsia, por exemplo) e terapias que ajudem a ultrapassar os d\u00e9ficits cognitivos e motores (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, etc. ).<\/p>\n<p><strong>Microcefalia: 32 ou 33 cm de per\u00edmetro cef\u00e1lico?<\/strong><\/p>\n<p>A medida que define a microcefalia \u00e9 controversa. Normalmente, \u00e9 estabelecida quando a medida de per\u00edmetro cef\u00e1lico est\u00e1 abaixo do 3\u00ba percentil para a idade e o sexo, ou seja, 32 cm nos rec\u00e9m-nascidos de mais de 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o. Para os que nascem com menos semanas de gesta\u00e7\u00e3o (prematuros), existem tabelas espec\u00edficas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12979 alignright\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia-300x200.jpg\" alt=\"microcefalia\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia-768x512.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia-696x464.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/microcefalia.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na primeira nota informativa lan\u00e7ada pelo governo, publicada em 17 de novembro<sup>7<\/sup>, este estabelece como medida de corte 33 cm de per\u00edmetro cef\u00e1lico para notifica\u00e7\u00e3o de microcefalia. Esta decis\u00e3o visava aumentar a sensibilidade na detec\u00e7\u00e3o de casos de doen\u00e7a. Como disse anteriormente, o per\u00edmetro cef\u00e1lico de 33 ou 32 cm n\u00e3o define por si s\u00f3 uma doen\u00e7a. \u00c9 um marcador para fazer exames complementares que avaliem se existe ou n\u00e3o doen\u00e7a. Ao estabelecer uma medida de corte mais elevada, est\u00e1-se, na pr\u00e1tica, aumentando a popula\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 submetida a exames complementares e acompanhamento m\u00e9dico para diagnosticar se existe ou n\u00e3o doen\u00e7a, o que seria correto na atual situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, em nota publicada em 7 de dezembro, o governo voltou atr\u00e1s, reestabelecendo a medida de 32 cm para notifica\u00e7\u00e3o de microcefalia: \u201c<em>At\u00e9 o dia 28 de novembro, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade havia recebido 1.248 notifica\u00e7\u00f5es de casos suspeitos. Todos esses casos t\u00eam medida craniana igual ou inferior a 33 cm. Na primeira triagem desses casos suspeitos, muitos dos diagn\u00f3sticos realizados precocemente e preventivamente j\u00e1 foram descartados. A nova medida visa agilizar os procedimentos cl\u00ednicos, sem descuidar dos beb\u00eas que fizeram parte da primeira lista de casos notificados.<\/em>\u201d<sup>10<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, o governo d\u00e1 a entender que houve rec\u00e9m-nascidos com 33 cm de per\u00edmetro cef\u00e1lico que n\u00e3o se comprovou que eram saud\u00e1veis, mas que ainda assim, a partir de agora, s\u00f3 v\u00e3o ser seguidos os com 32 cm de per\u00edmetro cef\u00e1lico para \u201c<em>agilizar os procedimentos cl\u00ednicos<\/em>\u201d . Ou seja, na pr\u00e1tica, uma parte dos beb\u00eas afetados pode n\u00e3o ser devidamente acompanhada para diminuir os gastos do SUS.<\/p>\n<p>Os beb\u00eas com microcefalia e altera\u00e7\u00f5es cerebrais em exames de imagem v\u00e3o ter que ser acompanhados por v\u00e1rios especialistas como oftalmologistas, neurologistas e otorrino e ter\u00e3o que come\u00e7ar a fazer fisioterapia antes dos 3 meses de vida<sup>1<\/sup>. Neste momento, h\u00e1 a hip\u00f3tese de que beb\u00eas com 33 cm de per\u00edmetro cef\u00e1lico e que estejam afetados com a doen\u00e7a n\u00e3o tenham o acompanhamento necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Consideramos que, por enquanto, deveria ser mantida como medida de refer\u00eancia os 33 cm, explicando aos pais que seria apenas uma forma de ter certeza de que nenhuma crian\u00e7a doente deixaria de ser acompanhada. Pode ser que, com o decorrer do tempo, chegue-se \u00e0 conclus\u00e3o que \u00e9 seguro usar os 32 cm como medida de corte, mas, neste momento em que se sabe t\u00e3o pouco sobre o v\u00edrus, \u00e9 com certeza uma medida precoce e que tem como \u00fanico objetivo diminuir custos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel diagnosticar a microcefalia e a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika durante a gravidez?<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, o m\u00e9todo mais eficaz para diagnosticar a presen\u00e7a do v\u00edrus \u00e9 mediante a detec\u00e7\u00e3o do seu material gen\u00e9tico no sangue no per\u00edodo que decorre a infec\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m pode ser detectado no l\u00edquido amni\u00f3tico. A pesquisa de anticorpos \u00e9 pouco fidedigna porque gera rea\u00e7\u00f5es cruzadas com os anticorpos contra a dengue (ou seja, \u00e9 detectado um anticorpo contra o Zika que na verdade \u00e9 um anticorpo contra a dengue).<\/p>\n<p>O protocolo\u00a0 estabelecido pelo governo preconiza a realiza\u00e7\u00e3o deste teste apenas quando h\u00e1 suspeita de infec\u00e7\u00e3o pelo Zika: \u201c<em>Toda gr\u00e1vida, em qualquer idade gestacional, com doen\u00e7a exantem\u00e1tica aguda, exclu\u00eddas outras hip\u00f3teses de doen\u00e7as infecciosas e causas n\u00e3o infecciosas conhecidas<\/em>\u201d<sup>5<\/sup>. Este crit\u00e9rio \u00e9 totalmente insuficiente, pois 80% das infec\u00e7\u00f5es por Zika s\u00e3o assintom\u00e1ticas. Para garantir que o maior n\u00famero de gr\u00e1vidas sejam diagnosticadas, deve ser feito o teste de detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no primeiro trimestre de gesta\u00e7\u00e3o (at\u00e9 12 semanas) e no segundo (at\u00e9 20 semanas), juntamente com a pesquisa de anticorpos para o v\u00edrus. N\u00e3o se sabe quanto tempo o v\u00edrus permanece na corrente sangu\u00ednea e \u00e9 poss\u00edvel que, mesmo com a realiza\u00e7\u00e3o desses exames, a infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja detectada. Ainda assim, com certeza seria identificado um n\u00famero muito maior de gr\u00e1vidas em risco do que o atual protocolo do governo permite. Se, entretanto, forem descobertos outros m\u00e9todos de diagn\u00f3stico mais fidedignos, ent\u00e3o estes devem ser utilizados.<\/p>\n<p>A ultrassonografia (USG) morfol\u00f3gica realizada entre as 18 e 22 semanas pode diagnosticar se um feto tem microcefalia pela medi\u00e7\u00e3o de per\u00edmetro cef\u00e1lico. O crit\u00e9rio para definir microcefalia \u00e9 o mesmo: pelas curvas de percentis que avaliam o desenvolvimento dos fetos durante a gesta\u00e7\u00e3o, e especificamente o per\u00edmetro cef\u00e1lico. Hoje, a realiza\u00e7\u00e3o da USG morfol\u00f3gica n\u00e3o est\u00e1 prevista no acompanhamento das gr\u00e1vidas pelo SUS.<\/p>\n<p>A USG morfol\u00f3gica consegue detectar 88% de malforma\u00e7\u00f5es do Sistema Nervoso Central, entre elas a microcefalia, ou seja, em 12% dos casos existem malforma\u00e7\u00f5es diagnosticadas posteriormente na gravidez ou ao nascimento que n\u00e3o s\u00e3o detectadas na USG morfol\u00f3gica.<sup>11<\/sup><\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que haja casos que n\u00e3o sejam diagnosticados, pois a USG n\u00e3o tem capacidade de detectar todos os casos de microcefalia quando ela est\u00e1 presente e tamb\u00e9m porque, se a infec\u00e7\u00e3o ocorrer durante o segundo trimestre, \u00e9 poss\u00edvel que as les\u00f5es cerebrais s\u00f3 sejam vis\u00edveis no terceiro trimestre. Como \u00faltimo recurso em casos suspeitos, ou se a gr\u00e1vida desejar, pode ser feita a an\u00e1lise do l\u00edquido amni\u00f3tico para detectar a presen\u00e7a do v\u00edrus. Este \u00e9 um exame que ainda n\u00e3o se tem certeza se detecta todos os casos de infec\u00e7\u00e3o e que apresenta risco muito pequeno de provocar um aborto. Ainda assim, se a mulher desejar faz\u00ea-lo deve ter esta op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, se a microcefalia n\u00e3o tem cura e se nem todos os casos podem ser diagnosticados durante a gravidez, para que realizar tantos exames? A resposta \u00e9 simples: para que as mulheres gr\u00e1vidas tenham acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel sobre o estado de sa\u00fade do feto e sobre qual o risco de que nas\u00e7a com microcefalia, para que assim possam decidir se querem ou n\u00e3o levar a gravidez at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p><strong>O governo deixa mulheres e fam\u00edlias sem op\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o dada atualmente pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas \u00e9 evitar as picadas de mosquito: \u201c<em>Evite hor\u00e1rios e lugares com presen\u00e7a de mosquitos; Sempre que poss\u00edvel utilize roupas que protejam partes expostas do corpo; Consulte o m\u00e9dico sobre o uso de repelentes e verifique atentamente no r\u00f3tulo as orienta\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia de uso recomendada para gestantes; Permanecer, principalmente no per\u00edodo entre o anoitecer e o amanhecer, em locais com barreiras para entrada de insetos como: telas de prote\u00e7\u00e3o, mosquiteiros, ar-condicionado ou outras dispon\u00edveis<\/em>.\u201d E ir ao m\u00e9dico se houver alguma altera\u00e7\u00e3o no seu estado de sa\u00fade&#8230;<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Por mais que tomem todos esses cuidados, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel garantir n\u00e3o v\u00e3o sofrer nenhuma picada de mosquito durante os 4 ou 5 meses que dura a \u00e9poca de atividade do <em>Aedes aegypti<\/em>. Ou seja, todas as mulheres gr\u00e1vidas neste momento, por mais cuidadosas que sejam, correm risco real de serem infectadas pelo v\u00edrus Zika e terem um filho com microcefalia.<\/p>\n<p>Diante desta realidade, no dia 12 de novembro, o diretor do Departamento de Vigil\u00e2ncia de Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Cl\u00e1udio Maierovitch, deu o seguinte conselho \u00e0s mulheres brasileiras: \u201c<em>N\u00e3o engravidem agora. Esse \u00e9 o conselho mais s\u00f3brio que pode ser dado<\/em>\u201d<sup>12<\/sup>. Tenho acordo com o conselho. Eu e muitos m\u00e9dicos cl\u00ednicos gerais, obstetras e pediatras que t\u00eam sido questionados respondem: \u201c<em>Por favor, n\u00e3o engravide agora!<\/em>\u201d. A pergunta que segue \u00e9: como?? Como garantir n\u00e3o engravidar num pa\u00eds em que a distribui\u00e7\u00e3o de contraceptivos gratuitos \u00e9 t\u00e3o deficiente? Onde pouqu\u00edssimas mulheres t\u00eam condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de ter acesso \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o que n\u00e3o exige ser tomada diariamente e que, por isso, \u00e9 muito mais segura (anel vaginal, adesivos cut\u00e2neos, DIU hormonal e de cobre)?<\/p>\n<p>Tendo no\u00e7\u00e3o do paradoxo, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apressou-se em soltar uma nota no dia 13 de novembro contrariando Cl\u00e1udio Maierovitch: \u201c<em>N\u00e3o h\u00e1 uma recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para evitar a gravidez. As informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo divulgadas conforme o andamento das investiga\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o de uma gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 individual de cada mulher e sua fam\u00edlia.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Deveria ser uma decis\u00e3o individual de cada mulher e sua fam\u00edlia, mas n\u00e3o \u00e9! A mulher que engravida de forma acidental n\u00e3o pode tomar mais nenhuma decis\u00e3o. O Estado j\u00e1 tomou por ela proibindo o aborto.<\/p>\n<p>Essa proibi\u00e7\u00e3o se torna hoje ainda mais tr\u00e1gica, pois n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a perspectiva de ter um filho n\u00e3o planejado, mas tamb\u00e9m um filho que pode ter enormes problemas de sa\u00fade e que vai necessitar de um acompanhamento m\u00e9dico que muitas fam\u00edlias trabalhadoras n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de proporcionar. Segundo a chefe do servi\u00e7o de infectologia pedi\u00e1trica do Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz de Recife, Angela Rocha, \u201c<em>\u00e9 necess\u00e1rio garantir que pais e cuidadores n\u00e3o tenham uma queda muito significativa nos rendimentos. Isso porque a rotina de tratamento desses beb\u00eas \u00e9 intensa. Pais ter\u00e3o de lev\u00e1-los \u00e0s consultas muita vezes durante o hor\u00e1rio de trabalho.<\/em>\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Mesmo que se tenha acesso aos melhores contraceptivos, nenhum deles \u00e9 100% seguro, inclusive quando s\u00e3o usados corretamente falham e podem ocorrer gravidezes indesejadas. Acreditamos que agora, mais do que nunca, \u00e9 fundamental que as mulheres possam escolher se querem ter um filho, correndo o risco de ser infectadas pelo Zika, ou se n\u00e3o querem correr esse risco, e nesse caso devem ter acesso a realizar um aborto no SUS, gratuito e em seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Um programa da classe trabalhadora para o combate ao <em>Aedes aegypti<\/em> e ao v\u00edrus Zika <\/strong><\/p>\n<p>1. Colocar em pr\u00e1tica, desde j\u00e1, um plano consequente para o combate ao <em>Aedes aegypti<\/em>, com medidas com efeito a curto e longo prazo, que passam por contrata\u00e7\u00e3o massiva de agentes de sa\u00fade para a elimina\u00e7\u00e3o de focos de reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito, limpeza de descampados especialmente nas \u00e1reas urbanas, eliminar todos os lix\u00f5es a c\u00e9u aberto, constru\u00e7\u00e3o de rede de esgoto e saneamento b\u00e1sico em todas as cidades e que sirvam a toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. Disponibiliza\u00e7\u00e3o de todos os recursos financeiros necess\u00e1rios para a pesquisa cient\u00edfica, em institui\u00e7\u00f5es estatais, sobre o v\u00edrus Zika inclusive para o poss\u00edvel desenvolvimento de uma vacina.<\/p>\n<p>3. O governo deve distribuir gratuitamente repelentes de qualidade para toda a popula\u00e7\u00e3o, mas de forma priorit\u00e1ria \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>4. Fornecimento gratuito a todas as mulheres em idade reprodutiva de todos os contraceptivos dispon\u00edveis, em especial os que n\u00e3o necessitam ingest\u00e3o di\u00e1ria e que por isso tornam-se mais seguros (anel vaginal, adesivos cut\u00e2neos, implante subcut\u00e2neo, DIU hormonal e de cobre).<\/p>\n<p>5. Legaliza\u00e7\u00e3o do aborto por malforma\u00e7\u00e3o do feto at\u00e9 as 24 semanas de gesta\u00e7\u00e3o. Todas as gr\u00e1vidas que forem diagnosticadas ou houver suspeita de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika devem ter op\u00e7\u00e3o de realizar um aborto, gratuito e pelo SUS, at\u00e9 as 24 semanas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>6. Legaliza\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 as 12 semanas para todas as mulheres que n\u00e3o desejarem engravidar.<\/p>\n<p>7. Todas as gr\u00e1vidas que n\u00e3o tiverem sintomas devem fazer o teste para saber se est\u00e3o infectadas com o v\u00edrus Zika no primeiro e segundo trimestre de gesta\u00e7\u00e3o. A ultrassonografia morfol\u00f3gica deve passar a ser obrigat\u00f3ria e deve ser realizada entre as 18 e 22 semanas para diagn\u00f3stico de microcefalia. No caso de d\u00favida, as mulheres que desejarem devem poder realizar a detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no l\u00edquido amni\u00f3tico.<\/p>\n<p>8. Disponibiliza\u00e7\u00e3o dos melhores tratamentos gratuitos para as crian\u00e7as com microcefalia e outras malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas. O governo deve fornecer um subs\u00eddio que garanta que as fam\u00edlias tenham todas as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de criar os seus filhos com dignidade. Garantia de estabilidade no emprego para todos os pais e m\u00e3es de crian\u00e7as com microcefalia e outras malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas.<\/p>\n<p>9. Para que possa ser dado o melhor atendimento \u00e0 classe trabalhadora e em especial \u00e0s gr\u00e1vidas neste momento, exigimos o fim do financiamento de empresas de sa\u00fade particular e planos de sa\u00fade! 10% do PIB para o SUS j\u00e1! Estatiza\u00e7\u00e3o das grandes empresas e planos de sa\u00fade!<\/p>\n<p>10. Para garantir que essas medidas sejam de fato aplicadas, \u00e9 necess\u00e1rio lutar por um governo socialista dos trabalhadores, sem patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.\u00a0<a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/noticias\/microcefalia-trara-geracao-de-sequelados-diz-medica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/exame.abril.com.br\/brasil\/noticias\/microcefalia-trara-geracao-de-sequelados-diz-medica<\/a><\/p>\n<p>2.\u00a0<a href=\"http:\/\/wwwnc.cdc.gov\/eid\/article\/15\/9\/09-0442_article\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/wwwnc.cdc.gov\/eid\/article\/15\/9\/09-0442_article<\/a><\/p>\n<p>3.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3888466\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3888466\/<\/a><\/p>\n<p>4.\u00a0<a href=\"http:\/\/ecdc.europa.eu\/en\/healthtopics\/zika_virus_infection\/factsheet-health-professionals\/Pages\/factsheet_health_professionals.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ecdc.europa.eu\/en\/healthtopics\/zika_virus_infection\/factsheet-health-professionals\/Pages\/factsheet_health_professionals.aspx<\/a><\/p>\n<p>5. Protocolo de vigil\u00e2ncia e resposta \u00e0 ocorr\u00eancia de microcefalia relacionada \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika \/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, Departamento de Vigil\u00e2ncia das Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2015.<\/p>\n<p>6.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eurosurveillance.org\/ViewArticle.aspx?ArticleId=20751\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.eurosurveillance.org\/ViewArticle.aspx?ArticleId=20751<\/a><\/p>\n<p>7.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cosemspa.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/microcefalia-nota-informativa-17nov2015-c-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cosemspa.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/microcefalia-nota-informativa-17nov2015-c-1.pdf<\/a><\/p>\n<p>8.\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/content\/ministerio-da-saude-emite-neta-terca-2411-nota-imprensa-sobre-microcefalia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/content\/ministerio-da-saude-emite-neta-terca-2411-nota-imprensa-sobre-microcefalia<\/a><\/p>\n<p>9.\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2015\/12\/numero-de-casos-de-microcefalia-aumenta-de-novo-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2015\/12\/numero-de-casos-de-microcefalia-aumenta-de-novo-no-brasil.html<\/a><\/p>\n<p>10.\u00a0<a href=\"http:\/\/portalsaude.saude.gov.br\/index.php\/o-ministerio\/principal\/secretarias\/svs\/noticias-svs\/21109-nota-sobre-medida-do-perimetro-cefalico-para-diagnostico-de-bebes-com-microcefalia-relacionada-ao-virus-zika\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/portalsaude.saude.gov.br\/index.php\/o-ministerio\/principal\/secretarias\/svs\/noticias-svs\/21109-nota-sobre-medida-do-perimetro-cefalico-para-diagnostico-de-bebes-com-microcefalia-relacionada-ao-virus-zika<\/a><\/p>\n<p>11.\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/store\/10.1002\/uog.935\/asset\/935_ftp.pdf;jsessionid=2B7C58C766050EA1C15103760D586E9D.f03t03?v=1&amp;t=ii4sgl6e&amp;s=314e9fbcc9e1c202d58604255acf510660c50515\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/store\/10.1002\/uog.935\/asset\/935_ftp.pdf;jsessionid=2B7C58C766050EA1C15103760D586E9D.f03t03?v=1&amp;t=ii4sgl6e&amp;s=314e9fbcc9e1c202d58604255acf510660c50515<\/a><\/p>\n<p>12.\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.estadao.com.br\/noticias\/geral,diretor-do-ministerio-da-saude-aconselha-mulheres-de-pe-a-adiar-gravidez,10000001872\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/saude.estadao.com.br\/noticias\/geral,diretor-do-ministerio-da-saude-aconselha-mulheres-de-pe-a-adiar-gravidez,10000001872<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 uns meses atr\u00e1s, a epidemia da qual mais se falava com o in\u00edcio do ver\u00e3o era a dengue. No entanto, este ano o vil\u00e3o mudou. Chama-se Zika e hoje \u00e9 um dos grandes receios da popula\u00e7\u00e3o brasileira e muito especialmente das mulheres gr\u00e1vidas.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12975,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3523],"tags":[8236,8237,8238],"class_list":["post-12974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-opiniao","tag-microcefalia","tag-saude-publica","tag-zika-virus"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/aedes.jpg","categories_names":["Brasil","Opini\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12974"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12974\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}