{"id":12918,"date":"2015-12-10T11:16:48","date_gmt":"2015-12-10T13:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/ha-uma-direitizacao-politica-na-america-latina\/"},"modified":"2015-12-10T11:16:48","modified_gmt":"2015-12-10T13:16:48","slug":"ha-uma-direitizacao-politica-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/12\/10\/ha-uma-direitizacao-politica-na-america-latina\/","title":{"rendered":"H\u00e1 uma \u201cdireitiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d na Am\u00e9rica Latina?"},"content":{"rendered":"<p><em>A vit\u00f3ria de Mauricio Macri nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais argentinas parece dar raz\u00e3o a setores muito numerosos da esquerda latino-americana que afirmam que h\u00e1 uma \u201cdireitiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das sociedades\u201d em nosso continente.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Um exemplo claro desta vis\u00e3o \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o que a chamada \u201cRede de intelectuais e artistas em defesa da humanidade\u201d publicou poucos dias antes da realiza\u00e7\u00e3o do segundo turno na Argentina:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>&#8220;<\/em><em>N\u00e3o \u00e9 mais uma elei\u00e7\u00e3o nacional, mas uma disputa que pode ter repercuss\u00f5es continentais se a direita chegar \u00e0 Casa Rosada, provocando uma mudan\u00e7a na atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as regional<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>Uma poss\u00edvel vit\u00f3ria do macrismo na Argentina representaria um novo impulso para as for\u00e7as da direita do continente que pretendem vencer as elei\u00e7\u00f5es municipais na Venezuela em 6 de dezembro\u201d<\/em>; ajudaria a \u201c<em>impedir a nova candidatura de Evo Morales por meio do referendo que ser\u00e1 realizado em fevereiro de 2016 na Bol\u00edvia e precipitar a derrubada de Dilma Rousseff no Brasil<\/em>\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o concordamos com esta vis\u00e3o. Consideramos que faz uma an\u00e1lise superficial que leva a conclus\u00f5es equivocadas em sua interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e dos processos pol\u00edticos que est\u00e3o ocorrendo na consci\u00eancia e na percep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas.<\/strong><\/p>\n<p>Achamos que \u00e9 superficial porque s\u00f3 considera um aspecto superestrutural (os resultados eleitorais), sem levar em conta os processos mais profundos da luta de classes. E mesmo no terreno eleitoral simplifica ao extremo as complexas contradi\u00e7\u00f5es que ocorrem na consci\u00eancia das massas.<\/p>\n<p><strong>O fracasso do neoliberalismo e as revolu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Para explicar nosso ponto de vista, vamos fazer uma breve recapitula\u00e7\u00e3o do que ocorreu nos \u00faltimos 20 anos no continente.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, dominavam os governos latino-americanos chamados neoliberais (como Carlos Menem, na Argentina, e Fernando Henrique Cardoso, no Brasil). Aplicaram uma pol\u00edtica de entrega e privatiza\u00e7\u00f5es da economia de seus pa\u00edses e atacaram duramente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a resposta de luta dos trabalhadores e do povo contra essa pol\u00edtica (que j\u00e1 vinha dos anos anteriores) se transformou em processos revolucion\u00e1rios em v\u00e1rios pa\u00edses que, em muitos casos, derrubaram esses governos: em 2000, no Equador (contra Jamil Mahuad); em 2001, na Argentina (contra Fernando de la R\u00faa); em 2003, na Bol\u00edvia (contra Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada). Na Venezuela, este tipo de processo que j\u00e1 tinha ocorrido em 1989, quando o \u201cCaraca\u00e7o\u201d deixou mortalmente ferido o governo de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez e o chamado regime do Ponto Fixo. A situa\u00e7\u00e3o se aprofundou em 2002-2003, quando a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo derrotou o golpe e o lockout patronal contra o governo de Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p><strong>A d\u00e9cada das frentes populares e do populismo<\/strong><\/p>\n<p>As burguesias nacionais e o imperialismo estavam na defensiva e, em resposta a esses processos revolucion\u00e1rios em escala continental, aceitaram (e em muitos casos impulsionaram) governos de frente popular (de alian\u00e7a de classes) ou populistas: Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela; Rafael Correa no Equador; N\u00e9stor Kirchner na Argentina e Evo Morales na Bol\u00edvia. No Brasil, n\u00e3o chegou a estourar um processo revolucion\u00e1rio, mas, de modo preventivo, Lula e o PT chegaram ao governo.<\/p>\n<p>Esses governos refletiam uma profunda contradi\u00e7\u00e3o. Por um lado, eram express\u00e3o distorcida do ascenso revolucion\u00e1rio e, por isso, v\u00e1rios deles \u201cvestiram de vermelho\u201d e de anti-imperialista o seu discurso, tomavam algumas medidas nacionalistas mornas e parciais e davam algumas concess\u00f5es \u00e0s massas. Por outro lado, eram burgueses at\u00e9 a medula e seu objetivo central era frear as revolu\u00e7\u00f5es e salvar o capitalismo e o regime burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Por isso, jamais ultrapassaram os limites do sistema econ\u00f4mico capitalista nem do seu Estado. Aqui se aplica, com todo o rigor, uma premissa cada vez mais atual: quem n\u00e3o rompe com o imperialismo e com o capital financeiro acaba, cedo ou tarde, sendo seu instrumento.<\/p>\n<p><strong>A crise desses governos<\/strong><\/p>\n<p>Durante v\u00e1rios anos, contaram com o contexto favor\u00e1vel da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial (a fase expansiva de 2002-2007) pelos altos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e dos alimentos exportados, situa\u00e7\u00e3o que se estendeu por alguns anos gra\u00e7as \u00e0 demanda da China.<\/p>\n<p>Mas, a partir de 2011-2012, a \u201cbonan\u00e7a\u201d chegou ao fim e esses governos tiveram que come\u00e7ar a aplicar planos de ajuste cada vez mais duros atacando as concess\u00f5es dadas, a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e contratuais e o emprego. Isto \u00e9, come\u00e7aram a aplicar o programa pleno da direita neoliberal e, em muitos casos, a levar seus representantes para o governo (como \u00e9 o caso dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Agricultura, K\u00e1tia Abreu, no Brasil). Neste momento, come\u00e7ou tamb\u00e9m o profundo desgaste de sua for\u00e7a junto aos trabalhadores e \u00e0s massas.<\/p>\n<p>De um ponto de vista central, esses projetos tiveram \u201c\u00eaxito\u201d: conseguiram salvar o Estado burgu\u00eas e o capitalismo. No entanto, ao mesmo tempo, semearam as bases de sua pr\u00f3pria crise e sua decad\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o houve derrota na luta<\/strong><\/p>\n<p>Esses governos conseguiram desviar e frear os processos revolucion\u00e1rios, mas n\u00e3o os derrotaram na luta. Inclusive o per\u00edodo de ascenso econ\u00f4mico expressou-se num crescimento num\u00e9rico da classe trabalhadora em seu conjunto e, em especial, do proletariado industrial (\u00e9 verdade que agora come\u00e7ou um processo de demiss\u00f5es e lay-off, mas isso acontece partindo de uma base mais alta do que nos anos 1990).<\/p>\n<p>E esses trabalhadores v\u00e3o \u00e0 luta (com greves e mobiliza\u00e7\u00f5es) para enfrentar as medidas do ajuste aplicadas por esses governos, abrindo assim a possibilidade de um novo ascenso generalizado.<\/p>\n<p>Um artigo muito interessante publicado recentemente na edi\u00e7\u00e3o argentina do <em>Le Monde Diplomatique<\/em> analisa as diferen\u00e7as sociais e geogr\u00e1ficas entre as lutas que originaram o \u201cargentina\u00e7o\u201d de dezembro de 2001 e as atuais. O autor assinala que, enquanto as de 2001 tinham como base os desempregados de uma das regi\u00f5es mais pobres da Grande Buenos Aires (La Matanza), as atuais t\u00eam como epicentro os trabalhadores das zonas mais industriais do pa\u00eds (a Rota Pan-americana na zona norte da Grande Buenos Aires e os trabalhadores das ind\u00fastrias produtoras de azeite de Rosario)<sup>2<\/sup>. Em outras palavras, nada a ver com uma \u201cdireitiza\u00e7\u00e3o estrutural\u201d (isto \u00e9, uma mudan\u00e7a desfavor\u00e1vel na \u201ccorrela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d). Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 uma \u201cproletariza\u00e7\u00e3o\u201d das lutas.<\/p>\n<p><strong>Por que a direita ganha?<\/strong><\/p>\n<p>Durante v\u00e1rios anos, os trabalhadores e as massas viram esses governos como seus. Mas, \u00e0 medida que aplicavam os planos de ajuste, os trabalhadores come\u00e7avam a romper com eles (e, o que \u00e9 muito importante, a lutar contra eles). Uma ruptura que se acentua porque, ao se tratar de setores burgueses menores ou em forma\u00e7\u00e3o, os n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o estatal s\u00e3o geralmente mais vis\u00edveis do que nos governos burgueses \u201cnormais\u201d (onde as coisas se d\u00e3o frequentemente \u201cnos bastidores\u201d).<\/p>\n<p>Isso permite \u00e0 direita camuflar seu discurso: ningu\u00e9m diz \u201cvou fazer um ajuste feroz\u201d, mas \u201csomos a mudan\u00e7a\u201d porque \u201cprecisamos de gente honesta, eficiente e capaz\u201d.<\/p>\n<p>Dessa forma, ao eleitorado mais tradicional e pr\u00f3prio desta direita somam-se muitos trabalhadores que expressam (por meio do \u201cvoto castigo\u201d a que leva a armadilha das elei\u00e7\u00f5es burguesas) sua raiva e sua frustra\u00e7\u00e3o com as promessas n\u00e3o cumpridas de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade feitas pelos populistas. Num racioc\u00ednio equivocado, o descontentamento levou \u00e0 conclus\u00e3o de que \u201cqualquer um \u00e9 melhor do que esta gente\u201d.<\/p>\n<p>Se analisarmos a evolu\u00e7\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o de Mauricio Macri, vemos que nas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias de agosto passado sua coaliz\u00e3o obteve 30% (24 em seu partido e 6 nos aliados). Inclusive se considerarmos que na vota\u00e7\u00e3o de outro candidato (Sergio Massa que obteve 20%) h\u00e1 uma parte de votos de direita, o resultado \u00e9 que o eleitorado \u201cpuro\u201d de direita \u00e9 1\/3 ou um pouco mais dos votantes. O resto da vota\u00e7\u00e3o que Macri obteve no segundo turno (52%) \u00e9 claramente \u201cvoto castigo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Os complexos processos da consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, os pr\u00f3prios governos de frente popular e populistas s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo ascenso eleitoral da direita (e, conforme o caso, de sua vit\u00f3ria). Em primeiro lugar, como j\u00e1 vimos, por ter frustrado as expectativas populares de mudan\u00e7a que diziam representar. Em segundo, porque agora s\u00e3o governos \u201cde ajuste puros\u201d. E, em terceiro lugar, porque, ao se apresentar como a \u201cesquerda\u201d e \u201co popular\u201d contra \u201ca direita\u201d, contribu\u00edram para criar a falsa polariza\u00e7\u00e3o eleitoral na qual s\u00f3 h\u00e1 duas alternativas (burguesas).<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de que \u201ch\u00e1 um giro da situa\u00e7\u00e3o \u00e0 direita\u201d tem o objetivo de evitar ou retardar a ruptura com esses governos. Por um lado, para dizer \u00e0s massas que n\u00e3o lutem contra os ajustes que eles aplicam porque isso \u00e9 \u201cfazer o jogo da direita\u201d. Por outro, em processos eleitorais, para ganhar o voto j\u00e1 que \u201c\u00e9 preciso defender o conquistado\u201d e \u201cos que podem vir s\u00e3o muito piores que n\u00f3s\u201d. E, se h\u00e1 derrota eleitoral, serve para \u201clavar as m\u00e3os\u201d e imputar a responsabilidade \u00e0s massas que n\u00e3o souberam distinguir o bom do mau.<\/p>\n<p>As correntes de esquerda que apoiam e defendem esses governos (inclusive com cr\u00edticas, mas com argumentos de que \u201cn\u00e3o d\u00e1 no mesmo\u201d) n\u00e3o fazem mais que \u201cmaqui\u00e1-los\u201d e barrar a luta contra eles. Tornam-se tamb\u00e9m seus c\u00famplices no terreno eleitoral. Num plano mais profundo, s\u00e3o respons\u00e1veis por n\u00e3o ter ajudado a construir nesses anos uma alternativa de esquerda e de classe para a crise desses governos (e a do capitalismo em geral) que ganhasse ao menos uma parte daqueles que rompem com eles.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia das massas passaram por processos muito contradit\u00f3rios durante esses anos. Primeiro, lutaram contra os governos e as pol\u00edticas neoliberais e, em v\u00e1rios pa\u00edses, derrotaram-nos. Depois, acreditaram equivocadamente que os governos de frente popular e populista poderiam ser as ferramentas da mudan\u00e7a que desejam. Mais recentemente, come\u00e7aram a lutar contra os ajustes desses governos e a romper com eles.<\/p>\n<p>Esta ruptura \u00e9 um grande avan\u00e7o em sua consci\u00eancia. Mas n\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o linear, e sim altamente contradit\u00f3rio porque, diante da falsa polariza\u00e7\u00e3o, um setor se det\u00e9m em \u201cdefender o conquistado\u201d e outro se confunde com o \u201cqualquer um \u00e9 melhor\u201d e apoia eleitoralmente a direita.<\/p>\n<p>Mas essa ruptura dos trabalhadores e das massas com o kirchnerismo, o chavismo, o PT ou Evo \u00e9 o processo mais importante que est\u00e1 ocorrendo na consci\u00eancia das massas porque, sem ele, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de construir uma forte alternativa oper\u00e1ria, revolucion\u00e1ria e socialista para a crise do capitalismo. Esta ruptura pol\u00edtica \u00e9 o processo que esperamos durante anos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que cabe \u00e0 esquerda ir construindo esta alternativa, essencialmente nas lutas e na organiza\u00e7\u00e3o das massas, e tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, n\u00e3o \u201cmaquiando\u201d\u00a0 esses governos (fazendo parte ou apoiando) em seu momento de ascenso, mas, ao contr\u00e1rio, dizendo a verdade \u00e0s massas do que realmente s\u00e3o: governos burgueses que querem salvar ao capitalismo. Em segundo lugar, lutando sem \u201crodeios\u201d contra eles quando aplicam suas medidas de ajuste ou de controle bonapartista da sociedade. Finalmente, nas elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o lhes dando cobertura com o discurso do \u201cmal menor\u201d e apresentando alternativas pr\u00f3prias (ou chamando o voto em branco no segundo turno). E se a direita ganhar, n\u00e3o chorar uma derrota que n\u00e3o \u00e9 dos trabalhadores, mas sim de um setor burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Queremos terminar referindo-nos novamente \u00e0 mudan\u00e7a desfavor\u00e1vel da \u201ccorrela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d que significaria a vit\u00f3ria de Macri a que a declara\u00e7\u00e3o se refere. \u00c0 primeira vista, o fato de que um representante da mais alta burguesia argentina chegue ao governo representaria um \u201cfortalecimento da direita\u201d (e da burguesia e do imperialismo) e uma perspectiva de retrocesso para os trabalhadores e as massas.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 s\u00f3 a apar\u00eancia e n\u00e3o o conte\u00fado profundo da realidade. O governo de Macri muito provavelmente vai ser bem mais d\u00e9bil do que o kirchnerismo. O contexto econ\u00f4mico internacional e nacional lhe \u00e9 muito desfavor\u00e1vel (basta ver o in\u00edcio da crise da China e a situa\u00e7\u00e3o do Brasil, os principais s\u00f3cios comerciais da Argentina) e isso ir\u00e1 obrig\u00e1-lo a aprofundar o ajuste j\u00e1 iniciado pelo kirchnerismo, sem mecanismos atenuantes nem compensadores. Ao mesmo tempo, reflete uma ex\u00edgua e fr\u00e1gil vit\u00f3ria eleitoral (quase a metade votou contra ele e uma parte dos que votaram o fizeram para tirar o kirchnerismo do poder). Isto \u00e9, os trabalhadores e as massas n\u00e3o o reconhecer\u00e3o como \u201cseu governo\u201d. Institucionalmente, est\u00e1 em minoria parlamentar e sem uma burocracia sindical pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o imperialismo e grande parte da burguesia (incluindo setores do peronismo como o pr\u00f3prio Daniel Scioli) v\u00e3o apoi\u00e1-lo em sua pol\u00edtica contra as massas para \u201clevar o pa\u00eds para frente\u201d. Mas este apoio vai ocorrer no contexto de um brutal ajuste.<\/p>\n<p>O central, para n\u00f3s, \u00e9 que os trabalhadores e as massas n\u00e3o foram derrotados na luta e est\u00e3o com suas for\u00e7as intactas para responder aos ataques sem que, possivelmente, deem o \u201cper\u00edodo de tr\u00e9gua\u201d que os novos governos costumam ter. Temos confian\u00e7a nos trabalhadores e em sua resposta. Cabe \u00e0 esquerda (na Argentina, na Venezuela, na Bol\u00edvia, no Brasil\u2026) impulsionar essas lutas e nelas se construir como alternativa com um programa real de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.\u00a0http:\/\/elcomunista.net\/2015\/11\/17\/intelectuales-alertan-sobre-derechizacion-de-argentina\/<\/p>\n<p>2. Fernando Rosso, \u201cEl nuevo poder de los trabajadores\u201d, Le Monde Diplomatique n\u00b0 196, Buenos Aires, outubro de 2015.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Suely Corvacho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vit\u00f3ria de Mauricio Macri nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais argentinas parece dar raz\u00e3o a setores muito numerosos da esquerda latino-americana que afirmam que h\u00e1 uma \u201cdireitiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das sociedades\u201d em nosso continente.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12919,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[5620,94],"tags":[1170,8220,3813,2018,5093,8221],"class_list":["post-12918","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-argentina","tag-america-latina","tag-direitizacao","tag-eleicoes","tag-frente-popular","tag-luta-de-classes","tag-revolucoes"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/direitizacao.jpeg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Argentina"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12918\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}