{"id":12853,"date":"2015-11-29T13:51:08","date_gmt":"2015-11-29T15:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/nahuel-moreno-e-a-frente-unica-anotacoes-de-um-estudo\/"},"modified":"2015-11-29T13:51:08","modified_gmt":"2015-11-29T15:51:08","slug":"nahuel-moreno-e-a-frente-unica-anotacoes-de-um-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/29\/nahuel-moreno-e-a-frente-unica-anotacoes-de-um-estudo\/","title":{"rendered":"Nahuel Moreno e a Frente \u00danica \u2013 anota\u00e7\u00f5es de um estudo"},"content":{"rendered":"<p><em>A discuss\u00e3o sobre as t\u00e1ticas de unidade, e por conseguinte de enfrentamento, dentro da esquerda \u00e9 um tema apaixonante. O sentimento comum das massas, em especial nos momentos de crise, \u00e9, quase sempre, de unidade para lutar. O proletariado sabe, quase instintivamente, que necessita de unidade para vencer e que sua maior vantagem sempre foi o fator num\u00e9rico.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Jer\u00f4nimo Castro*<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 muito se sabe que dentro das organiza\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria n\u00e3o s\u00e3o poucos os que contrabandeiam a ideologia burguesa, o reformismo, mais ou menos de esquerda, conforme o calor da luta de classes, para o movimento oper\u00e1rio, o que exige, sem sombra de d\u00favida, uma clara demarca\u00e7\u00e3o entre as muitas propostas existentes.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica de frente \u00fanica foi uma formula\u00e7\u00e3o da III\u00a0Internacional que buscou responder a essa dupla necessidade do movimento de massas.<\/p>\n<p>Mas a pr\u00f3pria t\u00e1tica de frente \u00fanica tem diversas interpreta\u00e7\u00f5es. As diferen\u00e7as v\u00e3o tanto no sentido do que \u00e9 uma frente \u00fanica, e se ela \u00e9 ou n\u00e3o uma frente pol\u00edtica, passando por discutir se a frente \u00fanica deve alguma vez apresentar-se tamb\u00e9m como alternativa pol\u00edtica, al\u00e9m da pergunta se a formulamos para a base ou a dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 por si s\u00f3 vasto, e exige de todos os que queiram opinar de forma apropriada um estudo de v\u00e1rios materiais. Escrever uma s\u00edntese de toda a experi\u00eancia da frente \u00fanica, desde sua cria\u00e7\u00e3o, passando por sua aplica\u00e7\u00e3o oportunista na China e Inglaterra, pelo incans\u00e1vel chamado de Trotsky a aplic\u00e1-la na Alemanha e na Fran\u00e7a, at\u00e9 sua reformula\u00e7\u00e3o por Nahuel Moreno, sempre em base \u00e0 concep\u00e7\u00e3o original, seria uma tarefa que exigiria muito mais tempo do que dispomos atualmente.<\/p>\n<p>Resolvemos, no entanto, no texto que segue, apresentar uma primeira s\u00edntese das opini\u00f5es de Nahuel Moreno sobre a frente \u00fanica. A elei\u00e7\u00e3o desta op\u00e7\u00e3o se deve em primeiro lugar porque cremos que Moreno tem a leitura correta do que \u00e9 e como se aplica a frente \u00fanica, ademais de permitir uma certa delimita\u00e7\u00e3o do tema, que, sendo amplo como \u00e9, exigiria mais tempo que o que dispomos.<\/p>\n<p>Por fim, vale a pena tamb\u00e9m frisar que n\u00e3o se deve confundir a frente \u00fanica com os organismos de frente \u00fanica, tais como o sindicato, as Cipas, as comiss\u00f5es de f\u00e1brica etc. Tema este que n\u00e3o tocaremos neste artigo.<\/p>\n<p><strong>A origem da t\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Nahuel Moreno:<\/p>\n<p>\u201c<em>a t\u00e1tica de frente \u00fanica oper\u00e1ria surgiu entre o III e o IV Congresso da III Internacional. \u00c9, portanto, uma t\u00e1tica posterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>.\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Mais adiante, Moreno dir\u00e1:<\/p>\n<p>\u201c <em>\u00e9 uma t\u00e1tica e como tal se aplica em determinados momentos. Essa t\u00e1tica surgiu quando a III Internacional descobriu que, devido ao fato de a revolu\u00e7\u00e3o europeia n\u00e3o haver triunfado, os partidos socialdemocratas continuavam sendo amplamente majorit\u00e1rios. Isto obrigou a mudar as t\u00e1ticas elaboradas pelo primeiro e segundo congressos da III Internacional<\/em>.\u201d<sup>2<\/sup><\/p>\n<p><strong>A aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>No &#8220;<em>Morena\u00e7o<\/em>&#8220;, Nahuel Moreno explica que:<\/p>\n<p>\u201c<em>Em primeiro lugar, a frente \u00fanica n\u00e3o \u00e9 um princ\u00edpio, n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia do nosso partido, mas uma t\u00e1tica pol\u00edtica para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da luta de classes. <\/em><\/p>\n<p>(\u2026) <em>Em segundo lugar, como qualquer outra de nossas pol\u00edticas, deve responder \u00e0s necessidades profundas de uma etapa do movimento de massas, e n\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internas entre os diferentes setores do movimento<\/em>.\u201d<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, Moreno reafirma que a frente \u00fanica \u00e9 uma t\u00e1tica. E agrega: para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da luta de classes. Mais ainda: \u00e9 uma necessidade. Quais s\u00e3o essas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas? Por que surge tal necessidade?<\/p>\n<p>Moreno dir\u00e1:<\/p>\n<p>\u201c<em>justamente por responder a uma necessidade objetiva do movimento de massas numa etapa precisa da luta de classes, a frente \u00fanica oper\u00e1ria geralmente \u00e9 uma t\u00e1tica defensiva.<\/em>\u201d<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Nas <em>Teses para Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>, ele d\u00e1 uma primeira explica\u00e7\u00e3o de por que \u00e9 defensiva ao dizer que:<\/p>\n<p>\u201c<em>Somente quando existe uma necessidade premente e imperiosa para que o movimento oper\u00e1rio se una, e tamb\u00e9m a consci\u00eancia dessa necessidade no movimento oper\u00e1rio, fundamentalmente em seu setor majorit\u00e1rio e mais atrasado, \u00e9 que podemos aplicar essa t\u00e1tica. Caso contr\u00e1rio, ela se torna a declara\u00e7\u00e3o de um aparente princ\u00edpio. Isso quer dizer que, em geral, somente quando h\u00e1 uma feroz ofensiva da classe burguesa \u00e9 que surgem as condi\u00e7\u00f5es para propor a frente \u00fanica. Porque a classe trabalhadora sente essa ofensiva brutal contra ela e quer dar uma resposta unit\u00e1ria. Por isso, os momentos da frente \u00fanica s\u00e3o os de brutal ofensiva contra o n\u00edvel de vida e trabalho da classe oper\u00e1ria ou quando h\u00e1 perigo de\u00a0golpes bonapartistas ou fascistas<\/em>.\u201d<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Abramos um par\u00eantesis.\u00a0 A frente \u00fanica enfrenta uma amea\u00e7a eminente, seja pol\u00edtica, seja sindical, portanto ela pr\u00f3pria \u00e9 pol\u00edtica e sindical. Que queremos dizer com isso? Que a frente \u00fanica pode ser tanto entre partidos oper\u00e1rios como entre organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias sindicais.<\/p>\n<p>Mas em que consiste exatamente o chamado \u00e0 frente \u00fanica? Para que se prop\u00f5e a frente \u00fanica?<\/p>\n<p>Em\u00a0 <em>A trai\u00e7\u00e3o da OCI<\/em>, Moreno diz:<\/p>\n<p>\u201c<em>a frente \u00fanica \u00e9 uma t\u00e1tica que consiste em convidar os partidos oper\u00e1rios majorit\u00e1rios e suas bases para lutar contra a burguesia e seu governo em torno de pontos comuns, que s\u00e3o as reivindica\u00e7\u00f5es mais urgentes das massas. \u00c9 o chamado a uma luta imediata, j\u00e1, agora.<\/em>\u201d<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, a frente \u00fanica \u00e9 sempre um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para fazer uma palestra, ou uma atividade de propaganda, mas para p\u00f4r as massas em movimento. No mesmo texto, Nahuel Moreno dir\u00e1:<\/p>\n<p>\u201c<em>Em qualquer caso, a frente \u00fanica \u00e9 uma t\u00e1tica para mobilizar as massas, e s\u00f3 ent\u00e3o deve surgir.<\/em>\u201d<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Moreno considera ainda que a t\u00e1tica de frente \u00fanica se aplica entre grandes organiza\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201c<em>Deve ser defendida quando existe uma determinada correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre o partido revolucion\u00e1rio e o reformista, sendo aquele mais fraco que este, mas sem constituir uma minoria insignificante do movimento oper\u00e1rio.<\/em>\u201d<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>Ou seja, quando o partido revolucion\u00e1rio \u00e9 uma minoria insignificante, n\u00e3o faz sentido, nem poderia fazer, ele propor uma frente \u00fanica com um grande partido.<\/p>\n<p>Mais \u00e0 frente, ainda na <em>Trai\u00e7\u00e3o da OCI<\/em>, dir\u00e1 que quando<\/p>\n<p>\u201c (\u2026) <em>os trotskistas rompem com a Comintern, passam a existir como grupos independentes e praticamente abandonam a t\u00e1tica de frente \u00fanica. Quer dizer, n\u00e3o totalmente: continuam a desenvolv\u00ea-la apenas localmente, em torno de lutas reivindicat\u00f3rias dos trabalhadores, mas na esfera nacional s\u00f3 a defendem propagandisticamente no sentido de &#8216;isso \u00e9 o que deveriam fazer os partidos oper\u00e1rios de massas&#8217;, abandonando-a como t\u00e1tica para a\u00e7\u00e3o imediata do pr\u00f3prio partido. A simples men\u00e7\u00e3o \u00e0 frente \u00fanica desaparece da literatura trotskista a partir da ascen\u00e7\u00e3o das Frentes Populares na Espanha e na Fran\u00e7a.<\/em>\u201d<sup>9<\/sup><\/p>\n<p>E justifica a raz\u00e3o do desaparecimento desta t\u00e1tica de nossa corrente hist\u00f3rica dizendo que a frente \u00fanica:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) <em>\u00e9 uma t\u00e1tica para a a\u00e7\u00e3o imediata. O trotskismo, corrente muito fraca e extremamente minorit\u00e1ria no movimento oper\u00e1rio, n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de defend\u00ea-la.<\/em>\u201d<sup>10<\/sup><\/p>\n<p>E remata sobre a possibilidade de o trotskismo propor frentes \u00fanicas locais ou setoriais:<\/p>\n<p>\u201c<em>Pode haver uma circunst\u00e2ncia em que a frente ainda possa ser proposta: \u00e9 no plano local, sindical ou de uma nacionalidade oprimida. Por exemplo, diante de uma greve em uma f\u00e1brica, ou de uma mobiliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores imigrantes pode se propor a frente \u00fanica\u00a0 com a burocracia sindical, ou a dire\u00e7\u00e3o local do partido socialista ou\u00a0 stalinista, visando a vit\u00f3ria da mobiliza\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 inteiramente diferente da frente \u00fanica na esfera nacional, como foi defendida originalmente pela III\u00a0Internacional<\/em>.\u201d<sup>11<\/sup><\/p>\n<p>Moreno inova nesse sentido, de que, havendo uma tarefa nas propor\u00e7\u00f5es do partido revolucion\u00e1rio, ainda que pequeno, min\u00fasculo, ele pode sim colocar o tema da frente \u00fanica com os outros partidos oper\u00e1rios para aquela tarefa limitada. No entanto, destaca, isso \u00e9 totalmente diferente da frente \u00fanica em n\u00edvel nacional, como originalmente levantado pela III\u00a0Internacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um caso no qual \u00e9 inadmiss\u00edvel a frente \u00fanica, que \u00e9 quando o partido majorit\u00e1rio da classe oper\u00e1ria, reformista, governa junto com a burguesia. Neste caso, sentencia Moreno:<\/p>\n<p>\u201c<em>Em primeiro lugar, a chegada dos partidos oper\u00e1rios traidores ao governo exige uma mudan\u00e7a radical na caracteriza\u00e7\u00e3o dos mesmos e, consequentemente, uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica do partido revolucion\u00e1rio<\/em>.\u201d <sup>12<\/sup><\/p>\n<p>E conclui:<\/p>\n<p>\u201c<em>nenhum acordo, ruptura total, isolamento, dirigir as massas contra eles, quando participam de um governo burgu\u00eas.<\/em>\u201d<sup>13<\/sup><\/p>\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para ter uma frente \u00fanica com um partido oper\u00e1rio traidor que governa junto com a burguesia \u00e9 a possibilidade do golpe fascista ou bonapartista. Neste \u00fanico caso e circunstancialmente, para impedir a vit\u00f3ria de um golpe bonapartista ou fascista que leve as massas a uma profunda derrota, pode-se unir a um partido frente populista para defender os interesses da classe oper\u00e1ria. Esta frente \u00fanica no entanto n\u00e3o prev\u00ea, como nenhuma outra, nenhum tipo de apoio pol\u00edtico ao governo vigente.<\/p>\n<p><strong>A frente \u00fanica como constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Moreno tamb\u00e9m se enfrenta com outra confus\u00e3o comum, a de que a frente \u00fanica seria para construir alternativas pol\u00edticas para a classe trabalhadora.\u00a0Tal confus\u00e3o se deve, em especial, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o desta t\u00e1tica na Fran\u00e7a, j\u00e1 depois da ruptura dos trotskistas com a III Internacional.<\/p>\n<p>Eis a passagem do livro <em>Aonde Vai a Fran\u00e7a<\/em> que gera esta confus\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>J\u00e1 dissemos que a frente \u00fanica dos partidos socialistas e comunistas encarna imensas possibilidades. Se quiser seriamente isso amanh\u00e3 ser\u00e1 a senhora da Fran\u00e7a. Mas deve possuir a vontade de faz\u00ea-lo. (\u2026.) A chave da situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na frente \u00fanica. Se [o proletariado] n\u00e3o utilizar esta chave, a frente \u00fanica cumprir\u00e1 o papel lament\u00e1vel que teria cumprido a frente \u00fanica dos mencheviques e socialistas-revolucion\u00e1rios na R\u00fassia em 1917\u2026 se os bolcheviques tivessem permitido<\/em>.&#8221; (Na Fran\u00e7a, p 58)<sup>14<\/sup><\/p>\n<p>Moreno comenta sobre esta passagem:<\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c9 este um convite de Trotsky para formar uma frente \u00fanica? N\u00e3o, \u00e9 reconhecer que esta frente dos partidos oper\u00e1rios existe na realidade e chama a adquirir uma pol\u00edtica para ela. Essa pol\u00edtica foi o entrismo no Partido Socialista e foi criado precisamente quando a frente \u00fanica foi formada pelo PS-PC.<\/em>\u201d<sup>15<\/sup><\/p>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Como anunciado no in\u00edcio, o texto apresentando n\u00e3o \u00e9 mais que uma s\u00edntese da opini\u00e3o de Moreno sobre a frente \u00fanica. Permitam-nos agora sistematiz\u00e1-la em alguns pontos curtos e r\u00e1pidos.<\/p>\n<p>Primeiro, a frente \u00fanica \u00e9 uma t\u00e1tica, pode ou n\u00e3o ser usada e para s\u00ea-lo depende de v\u00e1rios fatores, inclusive o tamanho do partido.<\/p>\n<p>Segundo, \u00e9 uma necessidade das massas. A frente \u00fanica n\u00e3o pode ser concebida como um desejo superestrutural, mas em base a uma necessidade sentida pelas massas.<\/p>\n<p>Terceiro, por isso \u00e9 uma t\u00e1tica defensiva, ou normalmente defensiva, pois exige um tal desejo das massas, mesmo das mais atrasadas, para lutar, o que normalmente s\u00f3 acontece quando h\u00e1 um profundo ataque, econ\u00f4mico ou pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Quarto, como consequ\u00eancia do anterior, \u00e9 para a a\u00e7\u00e3o. A frente \u00fanica busca obrigar os reformistas a lutar, coisa que eles normalmente n\u00e3o querem. N\u00e3o \u00e9 um convite a fazer propaganda sobre o socialismo, nem uma proposta abstrata de apresentar uma sa\u00edda qualquer a um problema ou crise. \u00c9 uma proposta para agir, r\u00e1pido e imediatamente.<\/p>\n<p>Quinto, tal como foi concebida pela III\u00a0Internacional, \u00e9 entre grandes partidos, e faz sentido. Imaginemos que dois pequenos partidos organizem uma frente \u00fanica para construir a greve geral no pa\u00eds. Ainda que concordem, por seu peso na realidade tal a\u00e7\u00e3o jamais acontecer\u00e1. Moreno introduz uma inova\u00e7\u00e3o e diz que pode haver frentes \u00fanicas locais ou parciais para satisfazer demandas espec\u00edficas, mas esclarece que isso \u00e9 distinto da proposta de frente \u00fanica da III Internacional.<\/p>\n<p>Sexto, s\u00f3 \u00e9 admiss\u00edvel uma frente \u00fanica com um partido oper\u00e1rio que se encontre no governo, ou que o apoie, na luta para impedir um golpe de Estado real e eminente do fascismo ou de setores bonapartistas da burguesia.<\/p>\n<p>S\u00e9timo, em decorr\u00eancia do j\u00e1 escrito, a frente \u00fanica n\u00e3o \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o de uma alternativa pol\u00edtica, seja eleitoral, seja para capitalizar a crise existente. A t\u00e1tica pol\u00edtica de formar frentes ou aproveitar oportunidades pol\u00edticas \u00e9 o bloco eleitoral ou pol\u00edtico, e em alguns casos o entrismo e a exig\u00eancia do governo oper\u00e1rio e campon\u00eas, todos eles distintos da frente \u00fanica.<\/p>\n<p>*\u00a0Colabora\u00e7\u00e3o de Diana Curado<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<ol>\n<li>Moreno, N. Frente Obrero: El oringen de una t\u00e1ctica. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.archivoleontrotsky.org\/download.php?mfn=9313\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.archivoleontrotsky.org\/download.php?mfn=9313<\/a>. Acesso em 13 de Agosto de 2015.<\/li>\n<li>Idem.<\/li>\n<li>Moreno, N. O partido e a revolu\u00e7\u00e3o. Traduzido por Cec\u00edlia Toledo. 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Editora Sundermann, 2008, p. 321.<\/li>\n<li>Moreno, N. O partido e a revolu\u00e7\u00e3o. Traduzido por Cec\u00edlia Toledo. 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Editora Sundermann, 2008, p. 322.<\/li>\n<li>Moreno, N. Teses para Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o Arnaldo Schreiner, Silvana Fo\u00e1. S\u00e3o Paulo, CS Editora, 1992, p. 141.<\/li>\n<li>Moreno, N. Os governos de frente popular na hist\u00f3ria. Tradu\u00e7\u00e3o Helena Alegre, Amauri Mapa. S\u00e3o Paulo, Editora Sundermann, 2003, p. 166.<\/li>\n<li>Idem, p. 176.<\/li>\n<li>Idem, p. 174.<\/li>\n<li>Idem, p. 177.<\/li>\n<li>Idem, p. 177.<\/li>\n<li>Idem, p. 178.<\/li>\n<li>Idem, p. 170.<\/li>\n<li>Idem, p. 171.<\/li>\n<li>Idem, p. 178-179.<\/li>\n<li>Idem, p. 178-179.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o sobre as t\u00e1ticas de unidade, e por conseguinte de enfrentamento, dentro da esquerda \u00e9 um tema apaixonante. O sentimento comum das massas, em especial nos momentos de crise, \u00e9, quase sempre, de unidade para lutar. 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