{"id":12836,"date":"2015-11-27T09:48:25","date_gmt":"2015-11-27T11:48:25","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/a-crise-dos-refugiados-poe-os-governos-europeus-em-xeque\/"},"modified":"2015-11-27T09:48:25","modified_gmt":"2015-11-27T11:48:25","slug":"a-crise-dos-refugiados-poe-os-governos-europeus-em-xeque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/27\/a-crise-dos-refugiados-poe-os-governos-europeus-em-xeque\/","title":{"rendered":"A crise dos refugiados p\u00f5e os governos europeus em xeque"},"content":{"rendered":"<p><em>Na \u00faltima c\u00fapula europeia, os l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia pactuaram\u00a0um plano de acolhimento para 100.000 pessoas nos pr\u00f3ximos anos. A metade das vagas ser\u00e1 concedida pela Gr\u00e9cia e o restante pela ag\u00eancia de refugiados da ONU (ACNUR). A id\u00e9ia \u00e9 realocar uma parte dos refugiados que chegam \u00e0 Gr\u00e9cia, \u00e0 Hungria e \u00e0 It\u00e1lia e envi\u00e1-los para outros pa\u00edses do continente para, assim, \u201caliviar\u201d a press\u00e3o sofrida por aqueles pa\u00edses.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Gabriel Huland e May Assir<\/p>\n<p>A ACNUR calcula que 705.000 imigrantes e refugiados chegaram \u00e0 Europa pelo Mar Mediterr\u00e2neo em 2015. Cerca de 3.200 pessoas morreram no mar. \u00c0 medida que o inverno se aproxima, a situa\u00e7\u00e3o se complica por causa do frio e da chuva. Os recursos destinados \u00e0 assist\u00eancia aos refugiados s\u00e3o totalmente insuficientes para atenuar o drama dessas pessoas, que se veem obrigadas a deixar suas vidas e aventurar-se em busca de um futuro melhor.<\/p>\n<p>Se, por um lado, vemos a incapacidade dos pa\u00edses europeus para chegar a um acordo sobre como solucionar esta crise de maneira positiva, recebendo as pessoas e destinando os recursos necess\u00e1rios para isso, por outro, vemos a rapidez com que constroem muros e aumentam os controles nas fronteiras.<\/p>\n<p>Diante do fracasso da Uni\u00e3o Europeia em administrar esse tema, est\u00e3o surgindo, em v\u00e1rios pa\u00edses, movimentos espont\u00e2neos e independentes de acolhimento e solidariedade com os imigrantes. Movimentos como a Rede Solid\u00e1ria de Acolhimento de Madri, que vem se reunindo desde o in\u00edcio da crise dos refugiados com o objetivo de organizar iniciativas de solidariedade, como acolhimento nas esta\u00e7\u00f5es de \u00f4nibus, servi\u00e7os de tradu\u00e7\u00e3o e acompanhamento das pessoas que necessitam realizar tr\u00e2mites civis.<\/p>\n<p>O caso de Madri \u00e9 emblem\u00e1tico porque retrata bem o conflito gerado pela crise entre a popula\u00e7\u00e3o, disposta a acolher, e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que est\u00e3o cada vez mais afundadas em suas disputas.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos da UE enchem a boca para falar de solidariedade entre os povos, mas na pr\u00e1tica est\u00e3o fazendo o contr\u00e1rio. \u00c1ustria, Dinamarca e Alemanha, por exemplo, est\u00e3o criando mais obst\u00e1culos legais para o acolhimento de pessoas que v\u00eam de zonas em conflito.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro h\u00fangaro levanta a voz para falar contra a entrada de pessoas na Uni\u00e3o Europeia. Um prefeito franc\u00eas afirma que n\u00e3o aceitar\u00e1 imigrantes mu\u00e7ulmanos. Definitivamente, a Uni\u00e3o Europeia aumenta a repress\u00e3o e mostra sua verdadeira face.<\/p>\n<p>Em Madri, por exemplo, a prefeitura liderada por Manuela Carmena prometeu, no in\u00edcio da crise, em uma reuni\u00e3o com ativistas da Rede de Acolhimento, que destinaria recursos e alojamentos para apoiar o movimento. At\u00e9 o momento, as medidas anunciadas n\u00e3o foram concretizadas e praticamente todo o trabalho est\u00e1 sendo feito de maneira volunt\u00e1ria pelas pessoas. O argumento central utilizado para justificar a falta de a\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio esperar a iniciativa do governo estatal. Em Barcelona, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p><strong>As redes de acolhimento<\/strong><\/p>\n<p>As redes de acolhimento que est\u00e3o sendo criadas em todo o Estado Espanhol devem atuar paralelamente em dois \u00e2mbitos: a organiza\u00e7\u00e3o ativa de solidariedade e a luta social nas ruas para pressionar e denunciar as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua falta de compromisso com as pessoas imigrantes e refugiadas. Devem tamb\u00e9m politizar o debate, discutindo seriamente as causas da crise migrat\u00f3ria atual, gerando assim mais consci\u00eancia social.<\/p>\n<p>Nesse sentido, estamos totalmente de acordo e apoiamos o manifesto elaborado pela Rede Solid\u00e1ria de Acolhimento de Madri lido na concentra\u00e7\u00e3o do dia 25 de outubro:<\/p>\n<p>\u201c<em>A denominada crise dos refugiados gerou em nossas sociedades uma tomada de consci\u00eancia n\u00e3o apenas pelas terr\u00edveis consequ\u00eancias que milh\u00f5es de pessoas sofrem pelo conflito armado na S\u00edria e por tantos outros conflitos esquecidos; mas tamb\u00e9m pelas nefastas consequ\u00eancias das pol\u00edticas migrat\u00f3rias de controle da Uni\u00e3o Europeia e de alguns de seus Estados membros, que entregam \u00e0s m\u00e1fias, quando n\u00e3o \u00e0 morte, centenas de milhares de pessoas que fogem de seus pa\u00edses em busca de prote\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a na Europa. Gerou-se um sentimento de acolhimento que inundou toda a Europa.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio organizar uma grande campanha de solidariedade que denuncie a Uni\u00e3o Europeia e os governos estatais, mobilize os trabalhadores e acolha os refugiados. Os sindicatos devem entrar com for\u00e7a nessa campanha, retomando a tradi\u00e7\u00e3o internacionalista e a solidariedade de classe, t\u00e3o forte no passado e t\u00e3o esquecida atualmente.<\/p>\n<p><strong>Do que os refugiados fogem?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas que se veem obrigadas a fugir de seus pa\u00edses e buscar a vida em outros lugares n\u00e3o fazem isso por vontade pr\u00f3pria, mas porque s\u00e3o obrigadas pelas circunst\u00e2ncias em que se encontram.<\/p>\n<p>Na S\u00edria, a abomin\u00e1vel ditadura de Bashar Al-Assad, respons\u00e1vel pela morte de mais de 400.000 pessoas, continua matando seu povo com a cumplicidade t\u00e1cita da UE e dos Estados Unidos. O Estado Isl\u00e2mico, no fim das contas, s\u00f3 p\u00f4de se desenvolver por causa da ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana do Iraque e da omiss\u00e3o do Ocidente em ajudar os grupos independentes que lutam contra o regime de Assad.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica Subsaariana, a extrema pobreza gerada pelas pol\u00edticas de espolia\u00e7\u00e3o aplicadas por governos aliados da China e dos pa\u00edses imperialistas leva milhares de pessoas a terem que recorrer \u00e0s m\u00e1fias para tentar chegar \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>No Saara Ocidental, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. O Estado Espanhol \u00e9 c\u00famplice do Marrocos em sua pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o e apartheid nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os eritreus, por sua vez, fogem de uma ditadura assassina. Na Am\u00e9rica Latina, a pobreza ocasionada pelos governos submissos \u00e0s pol\u00edticas neoliberais promovidas pelos Estados Unidos gerou um aumento da emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses centrais (Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Jap\u00e3o etc.) aproveitam o drama dessas pessoas para aumentar suas taxas de lucro e pressionar os sal\u00e1rios para baixo. As empresas alem\u00e3s, por exemplo, est\u00e3o muito satisfeitas por ter \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o uma massa de trabalhadores bem qualificados que est\u00e3o dispostos a reconstruir suas vidas e trabalhar por sal\u00e1rios muito abaixo da m\u00e9dia.<\/p>\n<p><strong>Somos todos(as) refugiados(as)<\/strong><\/p>\n<p>No dia 25 de outubro, cerca de cem pessoas participaram da concentra\u00e7\u00e3o convocada pela Rede Solid\u00e1ria de Acolhimento de Madri em frente da sede da Secretaria de Imigra\u00e7\u00e3o e Emigra\u00e7\u00e3o. O objetivo era denunciar a total falta de pol\u00edticas por parte do governo do Estado Espanhol para acolher os refugiados.<\/p>\n<p>Na concentra\u00e7\u00e3o, diferentes coletivos e refugiados de v\u00e1rios pa\u00edses, como S\u00edria, Senegal, Palestina e Marrocos, fizeram uso da palavra. Tamb\u00e9m falaram representantes de sindicatos, assim como os membros da Rede. A Rede se re\u00fane \u00e0s quartas-feiras em Lavapi\u00e9s para organizar os turnos de acolhimento na esta\u00e7\u00e3o de M\u00e9ndez \u00c1lvaro, o acompanhamento psicossocial aos refugiados e para preparar outras atividades. Tamb\u00e9m organiza debates, convoca concentra\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de receber roupas e alimentos que s\u00e3o distribu\u00eddos em Madri ou enviados a outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Artigo publicado em\u00a0<em>P\u00e1gina Roja\u00a0<\/em>n.\u00b0 34, novembro de 2015.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Ot\u00e1vio Calegari<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima c\u00fapula europeia, os l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia pactuaram\u00a0um plano de acolhimento para 100.000 pessoas nos pr\u00f3ximos anos. A metade das vagas ser\u00e1 concedida pela Gr\u00e9cia e o restante pela ag\u00eancia de refugiados da ONU (ACNUR). 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