{"id":12829,"date":"2015-11-25T09:35:29","date_gmt":"2015-11-25T11:35:29","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/a-ocupacao-continuara\/"},"modified":"2015-11-25T09:35:29","modified_gmt":"2015-11-25T11:35:29","slug":"a-ocupacao-continuara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/25\/a-ocupacao-continuara\/","title":{"rendered":"A\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o continuar\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 15 de outubro, o Presidente Barack Obama anunciou que n\u00e3o cumprir\u00e1 sua promessa de retirar as tropas norte-americanas do Afeganist\u00e3o at\u00e9 o fim de seu mandato. Agora o processo ser\u00e1 mais lento. Ser\u00e1 mantida a quantidade atual de 9.800 efetivos durante quase todo o ano de 2016 e se prev\u00ea a perman\u00eancia de at\u00e9 5.500 homens ap\u00f3s a sa\u00edda de Obama da Casa Branca, no dia 20 de janeiro de 2017.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Francisco Vergara G.<\/p>\n<p>Independentemente da quantidade de tropas (que vem diminuindo; em 2011 eram mais de 100.000), o importante \u00e9 que a ocupa\u00e7\u00e3o continuar\u00e1. Essa \u00e9 a garantia de defesa dos interesses imperialistas na regi\u00e3o e de estabilidade de um governo \u201cfantoche\u201d que, com certeza, n\u00e3o sobreviver\u00e1 sem o respaldo militar ativo das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Vital para os Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o &#8211; com a presen\u00e7a do Secret\u00e1rio de Defesa, Ashton Carter, do Vice-Presidente, Joe Biden, e do Chefe do Estado Maior, Joseph Dunford \u2013, Obama descreveu a miss\u00e3o no Afeganist\u00e3o como \u201c<em>vital para os interesses de seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Apenas a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Afeganist\u00e3o, na \u00c1sia Central, j\u00e1 o torna um territ\u00f3rio cujo controle \u00e9 chave para o imperialismo norte-americano. Faz fronteira no ocidente com o Ir\u00e3 (936 km), que o separa do Iraque &#8211; e este faz fronteira no ocidente com a convulsionada S\u00edria. No sudeste e no sul, conta com uma extensa e perme\u00e1vel fronteira com o Paquist\u00e3o (2.640 km). Ao norte, faz fronteira com v\u00e1rios pa\u00edses da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (Turcomenist\u00e3o, Uzbequist\u00e3o e Tajiquist\u00e3o, totalizando 2.087 km). No oriente, tem fronteira com a China de 76 km de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Na convulsionada regi\u00e3o, confrontam-se os interesses russos, das burguesias nacionais \u00e1rabes, do imperialismo norte-americano e seus aliados europeus e da China.<\/p>\n<p><strong>Melhor prevenir do que remediar<\/strong><\/p>\n<p>Como produto da feroz guerra de ocupa\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pelos Estados Unidos ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro de 2001, ap\u00f3s tomar o controle das principais cidades e pontos-chave do territ\u00f3rio, os ocupantes desenvolveram uma estrat\u00e9gia de tentar estabilizar o governo \u201cfantoche\u201d, revestido de um manto de legitimidade por meio dos processos eleitorais, nos quais o pr\u00f3prio governo norte-americano foi o \u00e1rbitro decisivo entre as fac\u00e7\u00f5es em disputa.<\/p>\n<p>O governo atual, presidido por Ashraf Gahni, formou-se gra\u00e7as a um pacto imposto pelo governo de Obama nas elei\u00e7\u00f5es de julho de 2014 \u2013 em um processo no qual dois candidatos se acusavam de fraude e cada um deles reivindicava para si a vit\u00f3ria e o direito de governar. Esse governo \u00e9 a maior demonstra\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do processo pol\u00edtico determinado pela ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/p>\n<p>Sem a presen\u00e7a das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o e sem o apoio militar direto que as for\u00e7as leais brindam ao governo afeg\u00e3o, n\u00e3o existe garantia de que um governo que seja formado e se apoie unicamente nas for\u00e7as afeg\u00e3s (reconstru\u00eddas pelo ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o) se mantenha e tenha o controle necess\u00e1rio do terrorismo. Por isso, os Estados Unidos preferem prevenir, mantendo a ocupa\u00e7\u00e3o, do que correr o risco de instabilidade e perda de controle que uma retirada de suas tropas poderia gerar.<\/p>\n<p><strong>A resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, a resist\u00eancia armada dos talib\u00e3s \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, que nunca foi completamente derrotada \u2013 apesar das diferentes tentativas de negocia\u00e7\u00e3o para conseguir sua integra\u00e7\u00e3o ao regime \u201cfantoche\u201d \u2013, intensificou-se no \u00faltimo per\u00edodo, combinando-se com as a\u00e7\u00f5es das for\u00e7as do Estado Isl\u00e2mico. O gr\u00e1fico elaborado pela BBC \u00e9 indicativo desse processo. A ocupa\u00e7\u00e3o da cidade de Kunduz (300.000 habitantes, capital da prov\u00edncia com o mesmo nome) pelos talib\u00e3s no final de setembro \u2013 apesar de ter sido recuperada depois de poucos dias pelas for\u00e7as afeg\u00e3s com o apoio a\u00e9reo direto dos ocupantes \u2013 transformou-se em um verdadeiro sinal de alerta sobre a capacidade real das for\u00e7as locais para controlar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/afe-bbc.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12831 alignleft\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/afe-bbc-300x259.png\" alt=\"afe bbc\" width=\"428\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/afe-bbc-300x259.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/afe-bbc-150x129.png 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/afe-bbc.png 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como parte dos bombardeios para recuperar Kunduz, as for\u00e7as imperialistas atacaram sem clem\u00eancia o hospital dos M\u00e9dicos sem Fronteiras na cidade, causando 22 mortes, apesar de sua localiza\u00e7\u00e3o ter sido informada tanto \u00e0s for\u00e7as afeg\u00e3s como \u00e0s dos Estados Unidos. Apesar de Obama reconhecer que esse bombardeio foi um erro, o que o incidente demonstra \u00e9 que as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e3o ali para garantir seu dom\u00ednio custe o que custar.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Obama reconheceu em sua interven\u00e7\u00e3o que \u201c<em>em \u00e1reas chaves do pa\u00eds a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e9 ainda muito fr\u00e1gil. Em alguns lugares existe risco de danos<\/em>\u201d, e que as for\u00e7as armadas afeg\u00e3s \u201c<em>n\u00e3o eram t\u00e3o fortes<\/em>\u201d como precisavam. O governo afeg\u00e3o, por interm\u00e9dio do presidente Ashraf Gahni, saudou a decis\u00e3o dos EUA pois coincide com solicita\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para que o plano de retirada fosse modificado.<\/p>\n<p><strong>Fora as tropas imperialistas!<\/strong><\/p>\n<p>Em todo o mundo \u2013 e de maneira muito especial nos pa\u00edses imperialistas que conformam as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o com os Estados Unidos \u2013, com plena independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica, ideologia e m\u00e9todos da maioria das for\u00e7as que lutam contra a ocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio levantar bem forte a palavra de ordem Fora as Tropas imperialistas do Afeganist\u00e3o! Essa palavra de ordem, e as que derivam dela, torna-se a primeira e fundamental do programa oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio em qualquer pa\u00eds que esteja submetido \u00e0 vassalagem imperialista mediante a presen\u00e7a direta de um ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Luma F\u00e9boli<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de outubro, o Presidente Barack Obama anunciou que n\u00e3o cumprir\u00e1 sua promessa de retirar as tropas norte-americanas do Afeganist\u00e3o at\u00e9 o fim de seu mandato. Agora o processo ser\u00e1 mais lento. 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