{"id":12790,"date":"2015-11-23T08:29:45","date_gmt":"2015-11-23T10:29:45","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/nahuel-moreno-e-a-classe-operaria\/"},"modified":"2015-11-23T08:29:45","modified_gmt":"2015-11-23T10:29:45","slug":"nahuel-moreno-e-a-classe-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/23\/nahuel-moreno-e-a-classe-operaria\/","title":{"rendered":"Nahuel Moreno e a classe oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Frequentemente nos referimos \u00e0 violenta campanha ideol\u00f3gica instrumentada pelo imperialismo contra o marxismo \u2013 que anunciava a suposta \u201cvit\u00f3ria final\u201d do capitalismo sobre o socialismo \u2013 depois da restaura\u00e7\u00e3o da economia de mercado nos ex-Estados oper\u00e1rios do Leste europeu, na China e em Cuba.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:\u00a0Daniel Sugasti<\/p>\n<p>Esta ofensiva continua, embora certamente seu auge tenha ocorrido na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. A ideia do \u201cfim do socialismo\u201d causou estragos. Incont\u00e1veis organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicavam &#8220;de esquerda&#8221; e milhares de militantes revolucion\u00e1rios em todo o mundo degeneraram-se program\u00e1tica e politicamente, e alguns at\u00e9 moralmente. O \u201cvendaval oportunista\u201d, lamentavelmente, tamb\u00e9m atingiu partidos revolucion\u00e1rios que se reivindicavam trotskistas<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Em poucos anos, tanto os princ\u00edpios revolucion\u00e1rios quanto d\u00e9cadas de aprendizagem hist\u00f3rica da classe oper\u00e1ria e do socialismo cient\u00edfico pareciam desmoronar-se. Tudo ficou \u201cquestionado\u201d: a exist\u00eancia da \u201cluta de classes\u201d; a possibilidade de derrotar o imperialismo; n\u00e3o somente a possibilidade, mas tamb\u00e9m a necessidade de tomar o poder e destruir o Estado burgu\u00eas pela via insurrecional; a validade da constru\u00e7\u00e3o de partidos nacionais e de uma Internacional de tipo leninista, etc.<\/p>\n<p>A maior parte da esquerda passou a assumir como \u201cprograma m\u00e1ximo\u201d a tarefa de \u201cradicalizar a democracia\u201d por meio da \u201cconquista de espa\u00e7os\u201d nos parlamentos e gabinetes capitalistas, tendo como miss\u00e3o \u201crecuperar as institui\u00e7\u00f5es para o povo\u201d.<\/p>\n<p>Em meio a toda esta confus\u00e3o ideol\u00f3gica, um dos questionamentos mais discutido nos meios marxistas \u2013 ou ex-marxistas \u2013 foi o papel do proletariado industrial como <em>sujeito social<\/em> da revolu\u00e7\u00e3o socialista, que, por sua vez, est\u00e1 ligado \u00e0 quest\u00e3o dos <em>sujeitos pol\u00edticos<\/em>.<\/p>\n<p>Durante as duas \u00faltimas d\u00e9cadas, as teorias ou, melhor dito, a vis\u00e3o reformista e &#8220;p\u00f3s-moderna&#8221; do mundo foi penetrando continuamente nas universidades e na pr\u00f3pria &#8220;esquerda&#8221;, onde atualmente predomina. Milhares de ONGs e legi\u00f5es de &#8220;intelectuais&#8221;, muitos deles ditos &#8220;progressistas&#8221; e at\u00e9 &#8220;marxistas&#8221;, assumem a tarefa de \u201cdemonstrar\u201d a suposta &#8220;desapari\u00e7\u00e3o f\u00edsica&#8221; do proletariado industrial<sup>2<\/sup>, ou ao menos se esfor\u00e7am para mostrar a centralidade de \u201cnovos sujeitos\u201d nos processos pol\u00edticos atuais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a teoria da &#8220;cidadania global&#8221; teve muito eco na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Igualmente, a palavra de ordem da dire\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial, \u201cOutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d, mesmo sem derrotar o imperialismo e criticando somente o \u201cneoliberalismo selvagem\u201d, era quase um lugar comum na esquerda<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico europeu \u00e9, possivelmente, a principal vitrine dessas teorias. Os imensos processos de protesto social contra os planos de austeridade protagonizados por jovens desempregados, precarizados e outros setores assalariados reacenderam a pol\u00eamica.<\/p>\n<p>A intelectualidade p\u00f3s-moderna respondeu a esses processos muito progressivos impulsionando a forma\u00e7\u00e3o e o fortalecimento de novos aparatos eleitorais que, ao propor programas reformistas e mover-se completamente por dentro da institucionalidade burguesa, atuam como freio dessas mobiliza\u00e7\u00f5es. Este \u00e9 o caso do Syriza na Gr\u00e9cia e do Podemos no Estado Espanhol.<\/p>\n<p>Foram poucos os partidos na esquerda que, nadando contra a corrente do senso comum, reconheceram o sinal progressivo das mobiliza\u00e7\u00f5es, mas, ao mesmo tempo, alertaram quanto ao perigo mortal de confundi-las com o car\u00e1ter reacion\u00e1rio desses novos partidos reformistas. O debate, evidentemente, continua aberto. Mas a trai\u00e7\u00e3o descarada do Syriza na Gr\u00e9cia \u00e9 um fato implac\u00e1vel na hora de dirimi-lo.<\/p>\n<p>Se o Syriza, o Podemos ou o Bloco de Esquerda portugu\u00eas eram os \u201cnovos sujeitos pol\u00edticos\u201d, autoproclamados representantes genu\u00ednos da \u201cnova pol\u00edtica\u201d, o ecl\u00e9tico dicion\u00e1rio p\u00f3s-moderno tamb\u00e9m adicionou \u201cnovos\u201d conceitos para proclamar os \u201cnovos sujeitos sociais\u201d: \u201cindignados\u201d; \u201cprecariado\u201d; \u201cas pessoas\u201d, etc.<\/p>\n<p>Nenhuma defini\u00e7\u00e3o \u00e9 casual na pol\u00edtica. Toda esta terminologia est\u00e1 a servi\u00e7o de uma miss\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica muito concreta: <strong>negar a exist\u00eancia de classes sociais e da luta entre elas<\/strong>. Em ess\u00eancia, a contradi\u00e7\u00e3o principal da sociedade capitalista n\u00e3o seria mais a luta mortal entre a burguesia e o proletariado, mas entre \u201ca casta\u201d e \u201cas pessoas\u201d; entre os \u201cmercados\u201d e os \u201ccidad\u00e3os decentes\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 indispens\u00e1vel apelar \u00e0 teoria marxista em tempos de confus\u00e3o ideol\u00f3gica. Para entender o presente, \u00e9 fundamental retomar o estudo s\u00e9rio da vasta experi\u00eancia hist\u00f3rica de nossa classe. Tamb\u00e9m \u00e9 indispens\u00e1vel o estudo do pensamento e das li\u00e7\u00f5es que os mestres do marxismo extra\u00edram dos distintos processos pol\u00edticos que presenciaram ou nos quais atuaram diretamente.<\/p>\n<p>Nestas linhas n\u00e3o falaremos particularmente de Marx, Engels, Lenin ou Trotsky. Falaremos de Nahuel Moreno, a quem consideramos o mais l\u00facido e consequente dirigente trotskista do segundo p\u00f3s-guerra<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>Referimo-nos, especificamente, \u00e0 vis\u00e3o do fundador da LIT-QI sobre o tema que apresentamos acima: <strong>o papel da classe oper\u00e1ria na revolu\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio com o proletariado.<\/strong><\/p>\n<p>Consideramos importante abordar o assunto deste \u00e2ngulo. Nahuel Moreno teve o m\u00e9rito e a &#8220;ousadia&#8221; necess\u00e1ria de assinalar que o progn\u00f3stico realizado por Trotsky nas <em>Teses<\/em> da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente \u2013 n\u00e3o na <em>Teoria<\/em> \u2013, de que a revolu\u00e7\u00e3o socialista nos pa\u00edses atrasados s\u00f3 poderia ocorrer se fosse encabe\u00e7ada pelo proletariado industrial e dirigida por um partido revolucion\u00e1rio, n\u00e3o se verificou na realidade:<\/p>\n<p>&#8220;<em>As Teses afirmam categoricamente que apenas a classe oper\u00e1ria, acaudilhada por um partido comunista revolucion\u00e1rio, pode levar a cabo a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia por meio da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Isso se revelou um equ\u00edvoco. \u00c9 necess\u00e1rio reconhec\u00ea-lo. O pr\u00f3prio Programa de Transi\u00e7\u00e3o modifica levemente, com sua improv\u00e1vel variante te\u00f3rica, as categ\u00f3ricas afirma\u00e7\u00f5es das Teses. Deve-se reconhecer que partidos pequeno-burgueses (entre eles os stalinistas), obrigados pelas circunst\u00e2ncias, viram-se obrigados a romper com a burguesia e com o imperialismo para levar a cabo a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e o come\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o socialista, expropriando a burguesia e inaugurando assim novos Estados oper\u00e1rios burocratizados [\u2026] A teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 muito mais ampla que as Teses escritas por Trotsky no final da d\u00e9cada de vinte; \u00e9 a teoria da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional que combina distintas tarefas, etapas e tipos de revolu\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/em>&#8220;<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>De fato, as revolu\u00e7\u00f5es que expropriaram a burguesia na segunda metade do s\u00e9culo XX n\u00e3o confirmaram o progn\u00f3stico das Teses escritas por Trotsky. O papel de \u201csujeito social\u201d coube ao campesinato e \u00e0s massas populares; o de \u201csujeito pol\u00edtico\u201d correspondeu a partidos stalinistas ou mesmo a \u201cpartidos-ex\u00e9rcitos\u201d com dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas e burocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Uma <strong>combina\u00e7\u00e3o excepcional de fatores objetivos<\/strong> ocorrida na ex-Iugosl\u00e1via, China, Cuba ou Vietnam obrigou e \u201cempurrou\u201d essas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o oper\u00e1rias a ultrapassarem seus pr\u00f3prios limites de classe e a expropriarem a burguesia em seus pr\u00f3prios Estados nacionais, originando assim Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos desde seu nascimento.<\/p>\n<p>Esses fatos negavam a <strong>ess\u00eancia<\/strong> da Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente? Nahuel Moreno opinava que n\u00e3o. Sua conclus\u00e3o foi oposta: as revolu\u00e7\u00f5es do segundo p\u00f3s-guerra haviam mostrado n\u00e3o s\u00f3 o acerto, mas toda a for\u00e7a desta teoria: <em>\u201cA realidade foi mais trotskista e mais permanente que a previs\u00e3o do pr\u00f3prio Trotsky e dos trotskistas\u201d<\/em><sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>A corre\u00e7\u00e3o que Moreno fez das Teses, a partir da simples constata\u00e7\u00e3o de como essas revolu\u00e7\u00f5es aconteceram, resultou e resulta fundamental. Evitou que os trotskistas ortodoxos, ao confundirem mecanicamente o car\u00e1ter \u201cobjetivo\u201d com o \u201csubjetivo\u201d, o \u201cconte\u00fado\u201d com a \u201cforma\u201d do processo, cometessem dois erros sim\u00e9tricos:<\/p>\n<p>1. Concluir que a expropria\u00e7\u00e3o do capitalismo levadas adiante por Josip Tito, Mao Ts\u00e9-Tung, Fidel Castro ou Ho Chi Minh tinham transformado esses dirigentes em \u201crevolucion\u00e1rios\u201d. A partir desta caracteriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 seria obrigat\u00f3rio apoi\u00e1-los, mas tamb\u00e9m concluir ser desnecess\u00e1ria a pr\u00f3pria tarefa de construir partidos trotskistas nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Este erro impressionista foi constante na maioria da dire\u00e7\u00e3o do conhecido Secretariado Internacional da Quarta Internacional (sendo Michel Pablo e Ernest Mandel seus principais dirigentes), no posterior Secretariado Unificado (Ernest Mandel e L\u00edvio Maitan) e na dire\u00e7\u00e3o do SWP norte-americano, a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1970, encabe\u00e7ada por Jack Barnes. Moreno explicava assim a posi\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Segundo Barnes, as revolu\u00e7\u00f5es [do p\u00f3s-guerra, que ele define como] de outubro s\u00e3o atualmente mil vezes superiores [\u00e0 de 1917], e seus dirigentes s\u00e3o mil vezes superiores a Lenin e Trotsky, que eram escritores, masturbadores te\u00f3ricos, literatos, imbecis, etc., que acertaram uma revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia. Em troca, [dirigentes como Castro] s\u00e3o os maiores internacionalistas do mundo, porque fazem a revolu\u00e7\u00e3o em todos os lugares e, al\u00e9m disso, t\u00eam a teoria justa [\u2026]. Essa \u00e9 a ess\u00eancia da posi\u00e7\u00e3o de Barnes.<\/em>&#8220;<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Em 1965, o reconhecido intelectual George Novack, um dos te\u00f3ricos do SWP, chegou ao ponto de comparar Lenin e Trotsky a Fidel Castro<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>2. Concluir que, como essas revolu\u00e7\u00f5es que expropriaram o capitalismo n\u00e3o tiveram como vanguarda nem a classe oper\u00e1ria nem um partido revolucion\u00e1rio, esses processos n\u00e3o haviam sido \u201crevolu\u00e7\u00f5es\u201d nem haviam nascido novos &#8220;Estados oper\u00e1rios&#8221;, ainda que burocr\u00e1ticos. Assim pensaram, no caso de Cuba, Gerry Healy, Pierre Lambert e todo um setor ultraesquerdista que posteriormente tamb\u00e9m se degenerou pol\u00edtica e moralmente.<\/p>\n<p>Moreno, ao contr\u00e1rio dessas vis\u00f5es mec\u00e2nicas, ofereceu uma vis\u00e3o materialista e dial\u00e9tica dos fen\u00f4menos pol\u00edticos do segundo p\u00f3s-guerra, que n\u00e3o confundiu o car\u00e1ter das revolu\u00e7\u00f5es (tremendamente progressivas) com o car\u00e1ter de suas dire\u00e7\u00f5es (contrarrevolucion\u00e1rias).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que reconhecia nesses processos grandes revolu\u00e7\u00f5es e novos Estados oper\u00e1rios que deviam ser defendidos, n\u00e3o incorreu no erro de \u201cembelezar\u201d as dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas ou apresent\u00e1-las como \u201crevolucion\u00e1rias\u201d, nem sequer \u201cprogressivas\u201d: <em>\u201cAs dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas <\/em>[que fizeram essas revolu\u00e7\u00f5es]<em> s\u00e3o completamente contrarrevolucion\u00e1rias e sem qualquer \u2018dupla natureza\u2019\u201d<\/em><sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Segundo Moreno, devido a seu <strong>car\u00e1ter de classe<\/strong>, esses dirigentes seriam inexoravelmente incapazes de enfrentar consequentemente o imperialismo e, muito menos, de implantar um regime de democracia oper\u00e1ria. Como haviam aderido \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d e assumido todos os m\u00e9todos stalinistas, desde o primeiro dia essas dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas abalaram os alicerces desses Estados oper\u00e1rios at\u00e9 tornarem-se conscientemente restauracionistas e transformarem aquelas enormes conquistas em seu contr\u00e1rio, isto \u00e9, conduzir esses Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo<sup>10<\/sup>, como terminou ocorrendo.<\/p>\n<p>Apesar da clareza de seus escritos, o fato de haver constatado e extra\u00eddo essas li\u00e7\u00f5es sobre a din\u00e2mica entre o sujeito social e o sujeito pol\u00edtico nas revolu\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-guerra fez com que algumas correntes que se reivindicam do \u201ctrotskismo ortodoxo\u201d, como o PTS e o Novo MAS argentinos, acusassem Moreno e sua corrente \u2013 n\u00e3o sem uma boa dose de m\u00e1-f\u00e9 \u2013 de um suposto \u201cabandono\u201d da confian\u00e7a no potencial revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, partidos que mant\u00eam um curso oportunista e t\u00eam uma clara estrat\u00e9gia eleitoral, como o MST argentino ou o MES brasileiro, agora ligados ao Secretariado Unificado (SU), capitulam aos \u201cnovos sujeitos\u201d tanto sociais quanto pol\u00edticos (Syriza, Podemos, etc.), sem por isso deixarem de reivindicar-se \u201cmorenistas\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 importante, ent\u00e3o, assinalar alguns aspectos, mesmo que ligeiramente, da hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o que a corrente morenista manteve com a classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Os primeiros anos: o GOM e a Villa Pobladora<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940, o trotskismo argentino era composto por uma s\u00e9rie de pequenos grupos dispersos. Sua atividade pol\u00edtica limitava-se a intermin\u00e1veis reuni\u00f5es carregadas de discuss\u00f5es acad\u00eamicas sobre os mais diversos temas.<\/p>\n<p>O \u201ccentro\u201d daquele trotskismo pequeno-burgu\u00eas, muito bo\u00eamio e contemplativo, eram os tradicionais caf\u00e9s de Buenos Aires. Nahuel Moreno caracterizou esse ambiente est\u00e9ril dizendo: <em>\u201centre os anos de 1940 e 1943, o trotskismo era uma festa<\/em>&#8220;<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Moreno e outros jovens fundaram o Grupo Oper\u00e1rio Marxista (GOM) em 1943. O n\u00facleo fundador nasceu na Villa Crespo, um bairro de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, Nahuel Moreno havia escrito um documento intitulado \u201cO Partido\u201d, que seria o precursor da nova organiza\u00e7\u00e3o e no qual se configurou uma decis\u00e3o que seria determinante para nossa corrente: os membros do GOM abandonariam \u201ca festa\u201d dos c\u00edrculos intelectuais t\u00edpicos do \u201ctrotskismo de caf\u00e9\u201d para ligar-se estreitamente \u00e0 classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesse texto est\u00e1 escrito: <em>\u201cMas o urgente, o imediato, tanto hoje quanto ontem, \u00e9: <strong>nos aproximarmos da vanguarda prolet\u00e1ria e recha\u00e7ar como oportunista toda tentativa de nos desviar desta linha. Mesmo que se apresente como uma tarefa imposs\u00edvel.<\/strong><\/em>&#8220;<sup>12<\/sup><\/p>\n<p>Boris Galub, um dos fundadores do grupo, referiu-se \u00e0 import\u00e2ncia desse documento: <em>\u201c[\u2026]Quando capt\u00e1vamos algu\u00e9m ou quando fal\u00e1vamos, ou quando t\u00ednhamos reuni\u00f5es, sempre nos base\u00e1vamos nesse documento. \u00c9 claro que tamb\u00e9m l\u00edamos Lenin e Trotsky. Mas para mim esse documento foi a base, o in\u00edcio de tudo.\u201d<\/em><sup>13<\/sup><\/p>\n<p>Munidos desta orienta\u00e7\u00e3o, os membros do GOM foram \u00e0 Villa Crespo para tentar ligar-se \u00e0 classe oper\u00e1ria, integrar-se \u00e0s suas lutas e at\u00e9 mesmo ao seu modo de vida.<\/p>\n<p>Ainda em 1943, o grupo participou do principal ato do 1\u00ba de maio. N\u00e3o eram mais de cinco militantes trotskistas marchando ao grito de <em>\u201cQuarta\u2026Quarta!\u201d<\/em>. A juventude do Partido Socialista atacou-os a golpes. Moreno lembraria esse epis\u00f3dio com simpatia: contava a hist\u00f3ria do companheiro Faraldo, que relatava como um oper\u00e1rio, ao ver aquela coluna que gritava <em>\u201cQuarta\u2026Quarta!\u201d<\/em> passar, exclamou: <em>\u201c\u00c9 verdade&#8230; sim, s\u00e3o quatro&#8221;<\/em><sup>14<\/sup>.<\/p>\n<p>Entre 1943 e 1944, o grupo percorria f\u00e1bricas, participava de lutas sindicais, visitava as casas dos oper\u00e1rios, realizava colagem de cartazes, pintava paredes com palavras de ordem pol\u00edticas, editava folhetos com textos cl\u00e1ssicos \u2013<em>Cadernos Marxistas, Edi\u00e7\u00f5es Outubro <\/em>\u2013, al\u00e9m de elaborar os interessantes \u201cBoletins de discuss\u00e3o do GOM\u201d.<\/p>\n<p>Mas foi em abril de 1945, quando a greve do frigor\u00edfico Anglo-Ciabasa irrompeu, que a primeira oportunidade de dar um salto importante se apresentou. Os jovens trotskistas meteram-se de cheio na luta daquela que, com 12.000 oper\u00e1rios, era uma das f\u00e1bricas mais importantes do pa\u00eds. A participa\u00e7\u00e3o decidida do grupo permitiu-lhes ganhar quase a totalidade do Comit\u00ea de F\u00e1brica<sup>15<\/sup>. Moreno contava que, a partir dessa greve, <em>\u201cfizemos uma esp\u00e9cie de comuna em Avellaneda: desviamos o tr\u00e2nsito e ningu\u00e9m podia circular sem uma carteirinha do sindicato\u201d<\/em><sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>\u00c9 ilustrativo o relato de um ativista sindical da \u00e9poca, Ram\u00f3n \u201cEl Chueco\u201d Britos, para entender o processo de inser\u00e7\u00e3o desse pequeno grupo trotskista na classe oper\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Eu era um ativista ligado ao comit\u00ea de greve que os anarquistas dirigiam [\u2026] Ent\u00e3o, um grupo de garotos aproximou-se dizendo que eram estudantes e que queriam ajudar. Assim conheci o GOM e companheiros como Moreno, Boris, Mauricio, Abrahamcito, Rita, Daniel, Rosita e outros\u2026 Voc\u00eas sabem que o oper\u00e1rio \u00e9 meio desconfiado. E n\u00f3s os olh\u00e1vamos com desconfian\u00e7a. Mas eu os vi se moverem, empurrar, ajudar, fazer panfletos, falar e convencer. Sobretudo, eu os vi fazer uma coisa muito rara: consultar, pedir conselho e opini\u00e3o. Escutei eles dizerem, como dizia Moreno, \u2018o que voc\u00ea acha, Chuequito\u2026? \u2019 N\u00e3o vinham no papel de professores. E ent\u00e3o ganharam nossa confian\u00e7a. Nos deixaram muito mais que a solidariedade com a greve. Nos ensinaram o que devia ser um partido revolucion\u00e1rio, e mudaram a vida de muitos de n\u00f3s. Eles, o grupo de garotos do GOM, tamb\u00e9m mudaram. Ter conhecido a classe oper\u00e1ria os levou a se ligarem ainda mais. Foi assim que, logo depois, eu aluguei a casa de Villa Pobladora, onde Moreno e outros companheiros iriam viver.<\/em>&#8220;<sup>17<\/sup><\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, a Villa Pobladora era o principal centro oper\u00e1rio e industrial da Argentina e um dos maiores da Am\u00e9rica Latina. O GOM, al\u00e9m de sua interven\u00e7\u00e3o na greve e nos sindicatos dos frigor\u00edficos, passou a dirigir metade da comiss\u00e3o de f\u00e1brica da SIAM, a maior metal\u00fargica do pa\u00eds naquele momento. Tamb\u00e9m havia orientado a funda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sindicatos importantes, como a Federa\u00e7\u00e3o da Carne e a Associa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria T\u00eaxtil. Dirigiam, al\u00e9m disso, f\u00e1bricas de tubula\u00e7\u00f5es de cimento, do couro, etc.<\/p>\n<p>Sempre com o objetivo de criar la\u00e7os com as f\u00e1bricas, o GOM avan\u00e7ou tamb\u00e9m em sua inser\u00e7\u00e3o naquele bairro populoso, a tal ponto que Nahuel Moreno chegou a ser presidente do clube local \u201cCora\u00e7\u00f5es Unidos\u201d, onde se organizavam desde bailes at\u00e9 cursos e palestras sobre as revolu\u00e7\u00f5es francesa e russa.<\/p>\n<p>A partir deste trabalho, o pequeno grupo de quatro ou cinco companheiros passou a uma centena. Em Villa Pobladora, fazendo cursos para os oper\u00e1rios, relacionando-se com as fam\u00edlias dos trabalhadores e destacando seus membros nos sindicatos oper\u00e1rios, constru\u00edram um singular \u201cbasti\u00e3o trotskista\u201d, erigido em meio \u00e0 onda peronista que inundou o pa\u00eds desde 1945.<\/p>\n<p>Moreno relata:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Fomos n\u00f3s que dissemos que os sindicatos peronistas deveriam ser o lugar preferencial do trabalho dos trotskistas. Soubemos entender esse fen\u00f4meno decisivo. E o fizemos sem capitular, porque denunci\u00e1vamos o car\u00e1ter totalit\u00e1rio e reacion\u00e1rio da burocracia sindical e o controle estatal exercido sobre os sindicatos. Este acerto, na minha opini\u00e3o, \u00e9 a p\u00e1gina fundamental escrita por nosso grupo e a raz\u00e3o principal de sua exist\u00eancia at\u00e9 hoje: ter se ligado ao movimento oper\u00e1rio.<\/em>&#8220;<sup>18<\/sup><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia deste acerto \u00e9 hist\u00f3rica. Em um meio onde o \u201cnormal\u201d era o diletantismo nos caf\u00e9s de Buenos Aires, deixar tudo para ir trabalhar e militar nos frigor\u00edficos e nos bairros oper\u00e1rios n\u00e3o era nem f\u00e1cil nem comum. Os poucos membros do GOM, muitos com menos de vinte anos de idade, poderiam muito bem ter tomado outro rumo, como estudar em uma universidade, algo que na Argentina daqueles anos era muito mais f\u00e1cil de conseguir que em nossos dias.<\/p>\n<p>Mas escolheram outro caminho, o mais dif\u00edcil. Entenderam o mais importante: entenderam que sem se ligar \u00e0 classe oper\u00e1ria n\u00e3o existe trotskismo. Deram o primeiro e fundamental passo que se pode exigir de um revolucion\u00e1rio: ser parte da classe oper\u00e1ria. Isso \u00e9 assim porque o programa do trotskismo \u00e9 o programa da classe oper\u00e1ria mobilizada. Moreno sempre insistiu que a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente da classe oper\u00e1ria, democraticamente auto-organizada, \u00e9 a raz\u00e3o de ser do verdadeiro trotskismo.<\/p>\n<p>Evidentemente, nossa corrente cometeu erros entre 1944 e 1948. O pr\u00f3prio Moreno diria depois que sua corrente sofreu um desvio \u201cnacional-trotskista\u201d nesses anos: o POR (Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio), sucessor do GOM, participou do movimento trotskista internacional pela primeira vez por ocasi\u00e3o do II Congresso da Quarta Internacional, realizado em 1948. Tamb\u00e9m existiu um desvio \u201c<em>obreirista<\/em>\u201d, pois o partido n\u00e3o considerava a atua\u00e7\u00e3o em outros setores, como no movimento estudantil. Este problema foi um exagero que depois foi corrigido, apesar de ter se originado no contexto de uma orienta\u00e7\u00e3o geral correta: ligar-se ao &#8220;mundo&#8221; oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>O concreto \u00e9 que, depois da ida \u00e0 Villa Pobladora, a corrente morenista jamais se separou da nossa classe. O morenismo ficaria associado para sempre \u00e0 classe oper\u00e1ria, ao trotskismo oper\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>As diferen\u00e7as com a dire\u00e7\u00e3o pablista e mandelista<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, a batalha em todos os terrenos para que a Quarta Internacional se ligasse \u00e0 classe oper\u00e1ria foi uma constante no chamado \u201cmovimento trotskista\u201d.<\/p>\n<p>Esta foi uma pol\u00eamica permanente com a dire\u00e7\u00e3o de Pablo e Mandel que, devido a seu car\u00e1ter pequeno-burgu\u00eas e \u00e0s press\u00f5es dos meios intelectuais europeus, n\u00e3o confiavam na for\u00e7a revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria. Desse modo, terminavam capitulando aos principais \u201cfen\u00f4menos\u201d, a toda \u201cnova vanguarda\u201d e, coerentemente, a toda dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burocr\u00e1tica, pequeno-burguesa e inclusive nacionalista burguesa que dirigisse algum processo de luta importante ou uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeiro capitularam ao stalinismo, impressionados com o enorme prest\u00edgio que este adquiriu a partir da derrota do nazi-fascismo e da expropria\u00e7\u00e3o da burguesia no Leste europeu.<\/p>\n<p>A justificativa te\u00f3rica foi elaborada por Pablo e apoiada por Mandel. Basicamente, come\u00e7avam anunciando a suposta imin\u00eancia de uma \u201cterceira guerra mundial\u201d entre o imperialismo norte-americano e a URSS. Em meio a esse processo inevit\u00e1vel, Pablo sustentava que os partidos stalinistas fariam a revolu\u00e7\u00e3o internacional para defender os Estados oper\u00e1rios burocratizados, fonte de seus privil\u00e9gios. A revis\u00e3o era completa: os principais dirigentes da Quarta Internacional outorgavam um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio nada menos que ao aparato contrarrevolucion\u00e1rio mais poderoso da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Coerentemente, propuseram a linha organizativa de que os partidos trotskistas da Quarta Internacional deviam &#8220;entrar&#8221; e se dissolver nos partidos stalinistas (pois estes iriam dirigir a revolu\u00e7\u00e3o mundial), n\u00e3o para critic\u00e1-los, mas para \u201caconselh\u00e1-los\u201d durante esse processo. O resultado foi desastroso. A Quarta dividiu-se pela primeira vez em 1953, quando um setor n\u00e3o admitiu essa revis\u00e3o. O outro setor, que aplicou a linha do chamado \u201centrismo sui generis\u201d durante 17 anos, desapareceu.<\/p>\n<p>No campo pol\u00edtico, essa teoria de Pablo e Mandel levou-os a opor-se \u00e0s impressionantes mobiliza\u00e7\u00f5es antiburocr\u00e1ticas que eram parte da revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra as ditaduras dos partidos comunistas, realizadas pelos oper\u00e1rios alem\u00e3es em 1953. No entanto, a principal trai\u00e7\u00e3o foi o apoio que a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da Quarta Internacional deu ao Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR) de V\u00edctor Paz Estenssoro, um partido nacionalista burgu\u00eas, durante a revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 1952.<\/p>\n<p>Enquanto o trotskismo revisionista claudicava ora ao stalinismo, ora ao nacionalismo burgu\u00eas; a Tito; a Mao; \u00e0 dire\u00e7\u00e3o castro-guevarista e sua orienta\u00e7\u00e3o foquista para a Am\u00e9rica Latina; \u00e0 vanguarda estudantil radicalizada surgida durante o Maio franc\u00eas; ao eurocomunismo e ao sandinismo; a corrente orientada por Moreno, embora minorit\u00e1ria, orientou-se no sentido oposto e n\u00e3o economizou esfor\u00e7os para se inserir no movimento oper\u00e1rio, em seus locais de trabalho, postulando-se sempre como uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para suas lutas.<\/p>\n<p>Em 1984, Moreno explicava a uma nova camada de dirigentes partid\u00e1rios a for\u00e7a das press\u00f5es causadas pelas \u201cmodas\u201d dos anos de 1960 e 1970, mil vezes mais poderosas que as atuais:<\/p>\n<p>&#8220;<em>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, todo mundo lia Che Guevara e Frantz Fanon. N\u00f3s parec\u00edamos loucos: \u00e9ramos os \u00fanicos que diz\u00edamos que a classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 olig\u00e1rquica e aristocr\u00e1tica. Eles diziam que \u00e9 preciso fazer revolu\u00e7\u00f5es contra ela: &#8216;\u00c9 necess\u00e1rio apoiar-se nos povos atrasados. A revolu\u00e7\u00e3o vai do campo \u00e0 cidade; dos pa\u00edses atrasados aos pa\u00edses adiantados. Deve-se varrer a classe oper\u00e1ria: no in\u00edcio do s\u00e9culo foi revolucion\u00e1ria, mas agora n\u00e3o, \u00e9 aristocr\u00e1tica, \u00e9 comprada com geladeiras, pelo conforto&#8217;. E n\u00f3s diz\u00edamos: &#8216;N\u00e3o senhor&#8217; [\u2026].<\/em><\/p>\n<p><em>Dissemos, ent\u00e3o, &#8216;a classe oper\u00e1ria vai se mobilizar&#8217;. E mobilizou-se. Em 1968, sete ou oito anos depois das pol\u00eamicas com Che Guevara. [\u2026] Em sete ou oito anos ficou demonstrado que t\u00ednhamos raz\u00e3o. Hoje ningu\u00e9m mais fala disso. J\u00e1 se esqueceram at\u00e9 do pr\u00f3prio Che Guevara: n\u00e3o \u00e9 o \u00eddolo de voc\u00eas. Nos anos 60, Che Guevara era um deus. Desfilava-se com seu retrato. Agora nem se fala dele. Toda sua teoria demonstrou-se falsa. Hoje em dia, ningu\u00e9m l\u00ea Frantz Fanon tampouco, mas h\u00e1 vinte anos eu tinha que polemizar a fundo contra Frantz Fanon e Guevara em qualquer curso: a classe oper\u00e1ria vai lutar, vai lutar. Nossa verdadeira raz\u00e3o de ser \u00e9 a luta pela democracia oper\u00e1ria.<\/em>&#8220;<sup>19<\/sup><\/p>\n<p>Esta confian\u00e7a e esta op\u00e7\u00e3o pelo movimento oper\u00e1rio expressavam-se coerentemente no interior do partido. Moreno, ao discutir com a maioria do SU, explicava o peso dos oper\u00e1rios na dire\u00e7\u00e3o do Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) argentino, em detrimento dos intelectuais e profissionais liberais:<\/p>\n<p>&#8220;<em>[\u2026] tomando os cem dirigentes mais importantes da se\u00e7\u00e3o francesa e da dire\u00e7\u00e3o do PST, para cada 20 ou 30 doutores e professores na se\u00e7\u00e3o francesa, h\u00e1 um em nosso partido argentino. Concretamente, em nosso Comit\u00ea Central de 120 membros h\u00e1 apenas 3 membros com profiss\u00f5es liberais, havendo quase 100 profissionais do partido, dos quais 80% foram dirigentes do movimento oper\u00e1rio. O Comit\u00ea Executivo, a m\u00e1xima dire\u00e7\u00e3o de nosso partido, com exce\u00e7\u00e3o de quatro companheiros, \u00e9 em sua totalidade formado por militantes profissionais que foram importantes dirigentes do movimento oper\u00e1rio. Finalmente, h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o em nosso partido, que o vertiginoso crescimento atual nos impede de aplicar ao p\u00e9 da letra, que estipula que ningu\u00e9m pode chegar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o sem ter cumprido dois anos de atividade destacada como militante profissional no seio do movimento oper\u00e1rio.<\/em>&#8220;<sup>20<\/sup><\/p>\n<p>Moreno explicava o porqu\u00ea dessa obsess\u00e3o: <em>\u201cO trotskismo empalma com o proletariado e s\u00f3 com ele. (\u2026) <strong>Seu programa \u00e9 essencialmente oper\u00e1rio.<\/strong> \u00c9 o programa que a classe oper\u00e1ria deve aplicar para conduzir todos os explorados do mundo. Por isso, o trotskismo acompanha ao proletariado como a sombra ao corpo.\u201d<\/em><sup>21<\/sup><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a compreens\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica que sempre orientou os militantes morenistas. Sua educa\u00e7\u00e3o estava baseada na compreens\u00e3o de que deviam estar sempre ao lado de nossa classe e forjar, a partir das lutas mais importantes, uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em seu interior.<\/p>\n<p>O partido ligou seu destino ao da classe oper\u00e1ria desde o in\u00edcio. Moreno educou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de militantes na convic\u00e7\u00e3o de que, sem a participa\u00e7\u00e3o protagonista da classe oper\u00e1ria, toda revolu\u00e7\u00e3o, inclusive as que conseguem expropriar a burguesia e romper com o imperialismo, est\u00e1 condenada ao isolamento e ao retrocesso.<\/p>\n<p><strong>Morenismo \u00e9 sin\u00f4nimo de obsess\u00e3o por se ligar \u00e0 classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Aferrando-se a esta concep\u00e7\u00e3o, os partidos nacionais foram sempre orientados a concentrar esfor\u00e7os e recursos para intervir no movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria debilidade ou uma determinada situa\u00e7\u00e3o da luta de classes e\/ou do movimento sindical certamente fizeram com que, \u00e0s vezes, fossem aplicadas outras t\u00e1ticas, como a constru\u00e7\u00e3o, por certo per\u00edodo, no movimento estudantil, ou mesmo no campesinato. Mas isso sempre foi considerado \u201ct\u00e1tico\u201d, um movimento necess\u00e1rio para reduzir a dist\u00e2ncia entre o partido e o movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria do morenismo, al\u00e9m do caso argentino e sua experi\u00eancia na \u00e9poca do PST e do velho MAS, pode-se citar o exemplo dos jovens militantes colombianos que foram intervir nas concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de seu pa\u00eds. Ou o caso do partido espanhol, quando concentrou suas for\u00e7as em Getafe, um dos mais importantes centros industriais de Madri. Tamb\u00e9m fica a experi\u00eancia do grupo de jovens, muitos deles oriundos do movimento estudantil, que, no fim da d\u00e9cada de 1970 e alguns anos antes do surgimento do fen\u00f4meno Lula e do PT brasileiro, lan\u00e7ou-se com aud\u00e1cia para intervir no processo de lutas oper\u00e1rias do ABC paulista, o imenso complexo industrial de S\u00e3o Paulo. Ali participaram de sindicatos e dirigiram oposi\u00e7\u00f5es contra a burocracia sindical, antes e durante o processo de funda\u00e7\u00e3o do PT e da CUT, central oper\u00e1ria onde as teses defendidas pelos trotskistas da Converg\u00eancia Socialista nunca tiveram uma influ\u00eancia menor que 10% dos delegados.<\/p>\n<p><strong>Uma li\u00e7\u00e3o de ferro: n\u00e3o existem atalhos<\/strong><\/p>\n<p>Em nossos dias, existe uma fort\u00edssima press\u00e3o para afastar os partidos revolucion\u00e1rios da classe oper\u00e1ria e aproxim\u00e1-los dos \u201cnovos\u201d fen\u00f4menos sociais e pol\u00edticos, enfim, das \u201cmodas\u201d atuais. H\u00e1 alguns anos existiu uma enorme press\u00e3o para tornar-se \u201cchavista\u201d e, agora, para apoiar politicamente o Syriza ou o Podemos.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o tem nada de &#8220;novo&#8221;. Essencialmente, \u00e9 a mesma press\u00e3o que sentiram \u2013 e \u00e0 qual se curvaram \u2013 os antigos dirigentes do SU e do SWP, quando se &#8220;impressionavam&#8221; com Castro, Guevara ou com o sandinismo.<\/p>\n<p>\u00c9 a conhecida press\u00e3o para n\u00e3o \u201cse isolar\u201d, n\u00e3o \u201cperder o trem da hist\u00f3ria\u201d e, atuando assim, poder \u201cromper com a marginalidade\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Moreno deixou um imenso legado. Ningu\u00e9m que conhe\u00e7a sua obra e sua trajet\u00f3ria pode dizer que ele n\u00e3o queria encontrar o \u201ccaminho das massas\u201d. Mas essa batalha para se ligar aos processos vivos da luta de classes e para construir o partido e a Internacional nunca significou um afastamento dos princ\u00edpios, do programa revolucion\u00e1rio ou da classe oper\u00e1ria. Para \u201cchegar \u00e0s massas\u201d, Moreno n\u00e3o se tornou peronista, castrista, guevarista, eurocomunista ou sandinista.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que Moreno fosse imune \u00e0s press\u00f5es do movimento de massas e dos aparatos que o controlavam. Ele mesmo, tentando educar metodologicamente o partido, n\u00e3o se cansava de reconhecer publicamente seus erros e desvios, pois estava convencido de que essa era a \u00fanica forma de encarar seriamente uma retifica\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria de nossa corrente \u00e9 a hist\u00f3ria de seus erros, dizia. Para citar apenas um exemplo: nos primeiros anos da revolu\u00e7\u00e3o cubana, Moreno chegou a expressar simpatia pelo fen\u00f4meno castrista e teve expectativas na evolu\u00e7\u00e3o e na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o cubana. Depois corrigiu suas posi\u00e7\u00f5es equivocadas e p\u00f4de extrair li\u00e7\u00f5es deste processo e caracterizar definitivamente seus dirigentes.<\/p>\n<p>O \u201cpeculiar\u201d em Nahuel Moreno, como nos grandes mestres do marxismo, n\u00e3o era algum tipo de garantia de \u201cinfalibilidade\u201d, mas sua capacidade de autocriticar-se e corrigir suas opini\u00f5es, sempre tendo em mente aquilo que seria melhor para o movimento oper\u00e1rio e o partido. Nesse sentido, o fato de ter podido superar essas press\u00f5es fez com que a confian\u00e7a de Moreno na for\u00e7a criadora de nossa classe se refor\u00e7asse ainda mais \u00e0 luz da experi\u00eancia. Compreendeu que n\u00e3o existem \u201catalhos\u201d at\u00e9 o poder, que sem a classe oper\u00e1ria a ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, nem a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Esta li\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel para nossos dias, ficou imortalizada pouco antes de sua morte em janeiro de 1987.<\/p>\n<p>&#8220;<em>N\u00e3o h\u00e1 forma de enganar o processo hist\u00f3rico e de classe [\u2026]<\/em><\/p>\n<p><em>Me refiro ao car\u00e1ter de classe. N\u00f3s tentamos dirigir o proletariado, jamais nos afastamos dele. Isto n\u00e3o \u00e9 declamat\u00f3rio, \u00e9 uma pol\u00edtica internacional de classe que decorre de uma an\u00e1lise te\u00f3rica profunda. Nenhuma artimanha pol\u00edtica resolve. De nada serve mentir, dizer ao campesinato que somos camponeses, com o objetivo de fazer uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Se a classe oper\u00e1ria n\u00e3o nos segue, n\u00e3o chegamos a lugar algum. Nos burocratizamos, capitulamos ao campesinato. \u00c9 inconceb\u00edvel fazer a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria sem o proletariado [\u2026].<\/em><\/p>\n<p><em>Ao longo de minha vida pol\u00edtica, depois, por exemplo, de olhar com simpatia o regime que surgiu da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio continuar com a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de classe, mesmo que postergue nossa chegada ao poder em vinte ou trinta anos, ou o que for. Nossa aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 que seja a classe oper\u00e1ria que chegue verdadeiramente ao poder, por isso queremos dirigi-la.<\/em>&#8220;<sup>22<\/sup><\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<ol>\n<li>HERN\u00c1NDEZ, Mart\u00edn. Un aluvi\u00f3n oportunista recorre el mundo: acerca de los caminos de la izquierda. <em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, n\u00b0 9, 2004, pp. 51-55; HERN\u00c1NDEZ, Mart\u00edn. Un aluvi\u00f3n oportunista II. <em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, n\u00b0 10, 2004, pp. 119-128.<\/li>\n<li>GORZ, Andr\u00e9. <em>Adeus ao Proletariado<\/em>: Para Al\u00e9m do Socialismo. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1982.<\/li>\n<li>Para a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o conceito de &#8220;cidadania&#8221; e a independ\u00eancia de classe, ver: WELMOWICKI, Jos\u00e9. El discurso de la ciudadan\u00eda y la independencia de clase. <em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, n\u00b01, 2000, pp. 66-77; WELMOWICKI, Jos\u00e9. Ciudadan\u00eda, democracia y sociedad civil: el retorno de Eduard Bernstein. <em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, n\u00b04, 2001, pp. 111-123.<\/li>\n<li>Nahuel Moreno (1924-1987): dirigente trotskista argentino, fundador da atual Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (LIT-QI).<\/li>\n<li>5. MORENO, Nahuel. <em>Actualizaci\u00f3n del Programa de Transici\u00f3n<\/em>, 1980. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/actual\/apt_4.htm#t39\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/actual\/apt_4.htm#t39<\/a>, consultado em 17\/10\/2015.<\/li>\n<li>6. Idem.<\/li>\n<li>MORENO, Nahuel. <em>Escuela de cuadros<\/em>: Argentina, 1984. Buenos Aires: Crux Ediciones, 1992, p. 90.<\/li>\n<li>NOVACK, George. <em>Para comprender la historia<\/em>: una aplicaci\u00f3n del m\u00e9todo marxista al an\u00e1lisis de algunos de los problemas m\u00e1s intrincados del proceso hist\u00f3rico. Buenos Aires: Ediciones Ant\u00eddoto, 1988, p. 65.<\/li>\n<li>LIT-CI: <em>Tesis de fundaci\u00f3n<\/em>, 1982. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.archivoleontrotsky.org\/download.php?mfn=8511\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.archivoleontrotsky.org\/download.php?mfn=8511<\/a>, consultado em 17\/10\/2015.<\/li>\n<li>10.<\/li>\n<li>CARRASCO, Carmen; CUELLO, Hern\u00e1n. Esbozo biogr\u00e1fico de Nahuel Moreno. <em>Revista Correo Internacional<\/em>. Buenos Aires, Edi\u00e7\u00e3o especial, 1988, p. 7.<\/li>\n<li>MORENO, Nahuel. El Partido. <em>Revista Marxismo Vivo<\/em> Nueva \u00c9poca. S\u00e3o Paulo, n\u00b01, 2010, p. 211.<\/li>\n<li>13. GONZ\u00c1LEZ, Ernesto (Org.). <em>El trotskismo obrero e internacionalista en la Argentina<\/em>. Tomo I: del GOM a la Federaci\u00f3n Bonaerense del PSRN (1943-1955). Buenos Aires: Editorial Ant\u00eddoto, 1995, p. 102<\/li>\n<li>Idem, p. 84.<\/li>\n<li>SAGRA, Alicia. <em>Historia de la LIT-CI<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/litci.org\/es\/historia\/\">http:\/\/litci.org\/es\/historia\/<\/a>, consultado em 28\/10\/2015.<\/li>\n<li>CARRASCO, Carmen; CUELLO, Hern\u00e1n. Esbozo biogr\u00e1fico de Nahuel Moreno\u2026, op. cit., p. 9.<\/li>\n<li>GONZ\u00c1LEZ, Ernesto (Org.). <em>El trotskismo obrero e internacionalista en la Argentina<\/em> \u2026, op. cit., p.109<\/li>\n<li>CARRASCO, Carmen; CUELLO, Hern\u00e1n. Esbozo biogr\u00e1fico de Nahuel Moreno\u2026, op. cit., pp. 10-11.<\/li>\n<li>MORENO, Nahuel. <em>Escuela de cuadros\u2026<\/em>op. cit., pp. 52-53.<\/li>\n<li>MORENO, Nahuel. <em>El partido y la revoluci\u00f3n<\/em>: teor\u00eda, programa y pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Ediciones Marxismo Vivo, 2010, pp. 364-365.<\/li>\n<li>MORENO, Nahuel<em>. Conversando com Moreno<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2005. p. 63.<\/li>\n<li>Idem, pp. 64-65.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frequentemente nos referimos \u00e0 violenta campanha ideol\u00f3gica instrumentada pelo imperialismo contra o marxismo \u2013 que anunciava a suposta \u201cvit\u00f3ria final\u201d do capitalismo sobre o socialismo \u2013 depois da restaura\u00e7\u00e3o da economia de mercado nos ex-Estados oper\u00e1rios do Leste europeu, na China e em Cuba.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12807,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4568,3523,10],"tags":[3963,3536,8201,9,903,918,8202,459,6915,6328,6949,4087,8203],"class_list":["post-12790","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-nahuel-moreno","category-opiniao","category-teoria","tag-classe-operaria","tag-classes-sociais","tag-mandel","tag-marxismo","tag-morenismo","tag-nahuel-moreno","tag-pablo","tag-partido-revolucionario","tag-quarta-internacional","tag-revolucao-permanente","tag-revolucao-socialista","tag-stalinismo","tag-sujeito-social-e-sujeito-politico"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/classes.jpg","categories_names":["Especial Nahuel Moreno","Opini\u00e3o","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12790\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}