{"id":12783,"date":"2015-11-21T09:52:36","date_gmt":"2015-11-21T11:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/mobilizacoes-de-massas-no-marrocos\/"},"modified":"2015-11-21T09:52:36","modified_gmt":"2015-11-21T11:52:36","slug":"mobilizacoes-de-massas-no-marrocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/21\/mobilizacoes-de-massas-no-marrocos\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00f5es de massas no Marrocos"},"content":{"rendered":"<p><em>A pra\u00e7a central de T\u00e2nger, cidade localizada ao norte de Marrocos, foi o cen\u00e1rio nas \u00faltimas semanas de importantes mobiliza\u00e7\u00f5es populares contra os altos pre\u00e7os da \u00e1gua e da energia. As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram em meados de outubro por causa das faturas abusivas recebidas por uma grande quantidade de pessoas. Em alguns casos os valores ultrapassam os 100 euros, um valor totalmente irreal num pa\u00eds onde o sal\u00e1rio m\u00ednimo equivale \u00e0 cerca de 200 euros.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: N\u00facleo\u00a0de Imigrantes \u2013 Corriente Roja (Madri)<\/p>\n<p>A onda de insatisfa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em T\u00e2nger e se expandiu rapidamente a outras cidades como Casablanca, a regi\u00e3o mais industrializada do pa\u00eds. O movimento conhecido como \u201crevolta das velas\u201d seguiu com for\u00e7a no in\u00edcio de novembro, ocasi\u00e3o em que os organizadores chamaram os cidad\u00e3os a n\u00e3o utilizar a eletricidade entre as oito e as dez da noite, como forma de protesto coletivo para dar visibilidade \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. A respons\u00e1vel pelo servi\u00e7o \u00e9 a empresa Amendis, filial da multinacional francesa <em>Veolia Environment. <\/em>Algumas das palavras de ordem mais frequentes nos protestos foram \u201cFora Amendis!\u201d, \u201cAmendis ladr\u00f5es!\u201d e \u201cEst\u00e3o nos vendendo ao colonialismo!\u201d.<\/p>\n<p>O Marrocos, do mesmo modo que outros pa\u00edses \u00e1rabes como Egito e S\u00edria, sofreu um forte processo de privatiza\u00e7\u00f5es nos anos 1990 e 2000, implementados durante os governos de Hassan II e seu filho Mohamed VI, ambos membros da longa e poderosa dinastia alau\u00edta, no poder desde 1631. Parte das empresas p\u00fablicas que gestionavam a distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, energia e esgotos foi transferida para a iniciativa privada. Atualmente, at\u00e9 os monumentos hist\u00f3ricos do pa\u00eds do Magreb est\u00e3o inclu\u00eddos num plano de privatiza\u00e7\u00f5es, as quais t\u00eam sido mais fortes em Casablanca, T\u00e2nger, Tetu\u00e3o e Rabat.<\/p>\n<p>No Marrocos, liberdades e direitos democr\u00e1ticos s\u00e3o violados diariamente. Os protestos foram reprimidos pela pol\u00edcia e muitos manifestantes foram presos. O governo acusou os manifestantes de querer gerar o caos e prometeu negociar com a empresa para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema. In\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos denunciam casos de tortura, intimida\u00e7\u00e3o, assim como o controle de telefones, e-mails e internet por parte dos servi\u00e7os secretos, com o objetivo de impedir o ativismo social. A liberdade sindical e pol\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 limitada. A maioria dos partidos de esquerda capitulou \u00e0 monarquia. O antigo partido comunista \u00e9 parte da coliga\u00e7\u00e3o governante, liderada pelo Partido da Justi\u00e7a e do Desenvolvimento (PJD), de car\u00e1ter islamita, similar ao partido AKP da Turquia.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2011, quando ocorreram os importantes protestos no contexto da Primavera \u00c1rabe, o rei Mohamed VI prometeu realizar reformas parciais e aumentar os gastos sociais. Os protestos das \u00faltimas semanas foram os maiores desde ent\u00e3o. Em julho de 2011, o rei anunciou e levou a cabo uma t\u00edmida reforma constitucional que, pelo menos formalmente, retirou-lhe alguns poderes, transferidos ao presidente e ao Parlamento, apesar de continuar centralizando postos importantes. No reino do Marrocos, o rei \u00e9 inviol\u00e1vel, pode dissolver o Parlamento, \u00e9 \u201cquem garante a liberdade da pr\u00e1tica religiosa\u201d e \u201cComendador de todos os Crentes\u201d. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o livres, uma vez que se aplicam restri\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de grupos que defendem o fim da monarquia e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o do Saara Ocidental. Cerca de um ter\u00e7o dos marroquinos \u00e9 analfabeto, a taxa oficial de desemprego \u00e9 de 9%, o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o sustenta uma vida digna e muitos direitos democr\u00e1ticos n\u00e3o s\u00e3o respeitados.<\/p>\n<p>No dia 6 de novembro, completaram-se 40 anos de um dos epis\u00f3dios mais tristes e controversos da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds: a Marcha Verde. Em 1975, cerca de 350 mil marroquinos organizados pelo monarca Hassan II marcharam sobre a regi\u00e3o do Saara Ocidental, aproveitando-se da debilidade do regime franquista, que ocupava a regi\u00e3o e estava a ponto de entrar em colapso. A marcha, produto de um acordo entre Espanha e Marrocos, foi utilizada para ocupar a regi\u00e3o e coloniz\u00e1-la mediante um processo de mudan\u00e7a geogr\u00e1fica e migra\u00e7\u00e3o massiva de marroquinos para El Aiune, capital do Saara Ocidental. As autoridades marroquinas fizeram uso do discurso de liberta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o das for\u00e7as coloniais espanholas para convencer os marroquinos a aderir \u00e0 Marcha. A ocupa\u00e7\u00e3o do Saara completa 40 anos e \u00e9 em muitos aspectos parecida com a ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Corriente Roja, expressamos nossa solidariedade e apoio \u00e0 luta do povo marroquino contra os altos pre\u00e7os da energia e da \u00e1gua no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Fora Amendis do Marrocos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nacionaliza\u00e7\u00e3o da eletricidade e da \u00e1gua!<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Val\u00e9ria Lezziane<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pra\u00e7a central de T\u00e2nger, cidade localizada ao norte de Marrocos, foi o cen\u00e1rio nas \u00faltimas semanas de importantes mobiliza\u00e7\u00f5es populares contra os altos pre\u00e7os da \u00e1gua e da energia. As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram em meados de outubro por causa das faturas abusivas recebidas por uma grande quantidade de pessoas. Em alguns casos os valores [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12784,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3688],"tags":[8199,8200,3691],"class_list":["post-12783","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marrocos","tag-marrocos","tag-privamera-arabe","tag-saara-ocidental"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/marrocos.jpg","categories_names":["Marrocos"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12783\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}