{"id":12743,"date":"2015-11-19T08:30:21","date_gmt":"2015-11-19T10:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/o-que-e-o-estado-islamico\/"},"modified":"2015-11-19T08:30:21","modified_gmt":"2015-11-19T10:30:21","slug":"o-que-e-o-estado-islamico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/19\/o-que-e-o-estado-islamico\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o Estado Isl\u00e2mico?"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 29 de junho de 2014, o Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCalifado isl\u00e2mico\u201d nos territ\u00f3rios que atualmente compreendem a S\u00edria e o Iraque, especificamente na por\u00e7\u00e3o situada \u201centre Aleppo e Diyala\u201d. Na \u00e9poca, Abu Bakr al-Baghdadi, o m\u00e1ximo l\u00edder do ISIS, se autoproclamou \u201cIbrahim, im\u00e3 e califa de todos os mu\u00e7ulmanos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>[Artigo publicado originalmente em julho de 2014 na Revista Correio Internacional\u00a0n\u00ba\u00a012]<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Daniel Sugasti<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, o ISIS retirou as refer\u00eancias ao Iraque e ao Levante (S\u00edria) de seu nome para ser chamado de \u201cEstado Isl\u00e2mico\u201d (EI), nada mais.<\/p>\n<p>O estabelecimento do Califado coincidiu com o auge de uma \u201cguerra rel\u00e2mpago\u201d que o agora Estado Isl\u00e2mico deflagrou no in\u00edcio de junho, movendo-se a partir dos territ\u00f3rios que controla na S\u00edria em dire\u00e7\u00e3o ao noroeste do Iraque e rumo a Bagd\u00e1.<\/p>\n<p>Em menos de duas semanas, o EI tomou posse de uma extens\u00e3o do territ\u00f3rio do Iraque equivalente a cinco vezes o tamanho do L\u00edbano, que abrange cinco prov\u00edncias, incluindo a segunda maior cidade do pa\u00eds, Mosul. Em 11 de junho tamb\u00e9m ocuparam Tikrit, emblem\u00e1tica por ser o local de nascimento do ex-ditador Hussein.<\/p>\n<p>As tropas do EI est\u00e3o disputando o controle da principal refinaria do pa\u00eds, em Baiji, que fornece um ter\u00e7o do combust\u00edvel refinado do Iraque. Os combates chegaram a Baquba, a 60km de Bagd\u00e1.<\/p>\n<p>No entanto, os antecedentes mais recentes dessa ofensiva do Estado Isl\u00e2mico aconteceram em janeiro, quando tomaram as cidades de Fallujah e Ramadi \u2014 a 60 e 100km de dist\u00e2ncia da capital, respectivamente \u2014 \u00a0e instalaram seu primeiro \u201cEstado Isl\u00e2mico\u201d. No final de junho, o Iraque j\u00e1 havia perdido para os \u201cjihadistas\u201d o controle dos postos de fronteira para a S\u00edria (Al Qaim) e Jord\u00e2nia (Traibil).<\/p>\n<p>Em todos esses territ\u00f3rios o EI proclamou que <em>\u201c<\/em><em>a legalidade de todos os emirados, grupos, Estados e organiza\u00e7\u00f5es torna-se nula ap\u00f3s a expans\u00e3o da autoridade do califa e a chegada de suas tropas\u201d<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>De acordo com o Observat\u00f3rio S\u00edrio dos Direitos Humanos (OSDH), depois de seus mais recentes avan\u00e7os nas prov\u00edncias de Homs e Deir al Zur, <strong>o EI controla 35% do territ\u00f3rio s\u00edrio.<\/strong> Ap\u00f3s tais conquistas, dominam quase toda a Deir al Zur, uma das zonas mais ricas em petr\u00f3leo na S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>O avan\u00e7o<\/strong><strong> militar do EI \u00e9 completamente reacion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>A ofensiva do EI n\u00e3o \u00e9 um processo de luta popular que estaria sendo comandado por uma dire\u00e7\u00e3o burguesa e contrarrevolucion\u00e1ria, mas sim o <strong>avan\u00e7o<\/strong><strong> de um \u201cpartido-ex\u00e9rcito\u201d que pretende tomar posse dos territ\u00f3rios e recursos naturais da S\u00edria e do Iraque, aplicando para isso m\u00e9todos fascistas, no marco de um programa teocr\u00e1tico e ditatorial<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, o papel atual do EI n\u00e3o pode ser comparado, por exemplo, com a resist\u00eancia iraquiana da \u00faltima d\u00e9cada, que, apesar de ter dire\u00e7\u00f5es burguesas e teocr\u00e1ticas, cumpriu um papel progressivo, de luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional, ao enfrentar as tropas de ocupa\u00e7\u00e3o imperialistas.<\/p>\n<p><strong>O<\/strong><strong> Estado Isl\u00e2mico \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o burguesa com um programa ultra-reacion\u00e1rio, ditatorial e teocr\u00e1tico<\/strong>. A ofensiva militar atual tomou a forma de uma frente que re\u00fane v\u00e1rios setores, incluindo ex-militares do Baas como os Homens do Ex\u00e9rcito da Ordem Naqshbandi, o bra\u00e7o armado do partido Baas (recentemente proibido)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, chefes tribais sunitas<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e outras for\u00e7as \u201cjihadistas\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, mas <strong>o n\u00facleo duro do<\/strong><strong> EI vem de uma ruptura dissidente da Al Qaeda.<\/strong><\/p>\n<p>Essas for\u00e7as surgiram no Iraque no contexto da ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana. Em 2004, eram conhecidos como a \u201cAl Qaeda do Iraque\u201d, e dois anos mais tarde passaram a se chamar \u201cEstado Isl\u00e2mico do Iraque\u201d. Em 2010, a organiza\u00e7\u00e3o recebeu um duro golpe, quando as tropas dos EUA eliminaram o chefe da Al Qaeda no Iraque, Ayyub Al Masri, e o l\u00edder do Estado Isl\u00e2mico do Iraque, al-Rashid al-Baghdadi. Neste contexto, no mesmo ano, Abu Bakr al-Baghdadi assumiu a lideran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em abril de 2013, come\u00e7aram a operar na guerra civil s\u00edria e acrescentaram ao seu nome a express\u00e3o \u201ce do Levante\u201d (S\u00edria), dando in\u00edcio a um conflito com a c\u00fapula da Al Qaeda, que exigia do ent\u00e3o ISIS que se limitasse ao Iraque, reconhecendo como sua \u00fanica extens\u00e3o na S\u00edria a Frente Al-Nusra. Esta \u201cdesobedi\u00eancia\u201d terminou na ruptura e a crise derivou em confrontos armados entre a Al-Nusra e o ISIS dentro da S\u00edria, que recrudesceram desde janeiro de 2014 e nos quais j\u00e1 morreram mais de 7.000 soldados de ambos os lados.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o da disc\u00f3rdia entre as duas fac\u00e7\u00f5es est\u00e1 na <strong>disputa pelo controle<\/strong><strong> de cidades<\/strong> como Raqqa e Deir al Zur, <strong>ricas em petr\u00f3leo<\/strong> e de enorme import\u00e2ncia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o militar do EI corresponde \u00e0 sua <strong>estrat\u00e9gia pol\u00edtica<\/strong><strong> de estender o dom\u00ednio do novo \u201cCalifado\u201d a territ\u00f3rios que incluem tamb\u00e9m a Jord\u00e2nia, a Palestina hist\u00f3rica, L\u00edbano, Kuwait, Turquia e Chipre<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/strong>, sendo sua capital declarada a cidade s\u00edria de Raqqa<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de todo o inv\u00f3lucro religioso e da simbologia do \u201cCalifado\u201d, \u00e9 claro que o objetivo do EI \u00e9 o <strong>controle direto<\/strong><strong>, atrav\u00e9s de meios militares, das ricas reservas de petr\u00f3leo de toda a regi\u00e3o, impondo ditaduras ferozes baseadas em uma interpreta\u00e7\u00e3o literal da lei isl\u00e2mica (<em>Sharia<\/em>), ainda mais brutal que as ditaduras de seus progenitores da Al Qaeda.<\/strong><\/p>\n<p>Isto inclui execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e m\u00faltiplas, al\u00e9m de v\u00e1rios tipos de atrocidades como decapita\u00e7\u00f5es e crucifica\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, destrui\u00e7\u00e3o de mesquitas xiitas e igrejas crist\u00e3s, tudo com o objetivo de impor o terror mais completo sobre a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Em Mosul e outras cidades da prov\u00edncia de N\u00ednive, por exemplo, o EI deixou sem \u00e1gua, eletricidade ou gasolina todos os cidad\u00e3os \u201cinfi\u00e9is\u201d que n\u00e3o juraram fidelidade ao \u201cCalifa Ibrahim\u201d, especialmente os crist\u00e3os e xiitas dos distritos de al Hamdaniya, Bashika e Bartala, localizados ao sul de Mosul. O caso mais dram\u00e1tico \u00e9 o do distrito de Talkif, norte de Mosul, onde as tropas do EI cortaram definitivamente o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel a mais de 30 mil crist\u00e3os<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Nesse mesmo sentido, cresce a persegui\u00e7\u00e3o geral aos crist\u00e3os em Mosul. Todas as casas dos crist\u00e3os naquela cidade est\u00e3o sendo marcadas com um \u201cN\u201d, inicial da palavra <em>Nazarat<\/em>, crist\u00e3o em \u00e1rabe. As casas vazias foram confiscadas. As fam\u00edlias crist\u00e3s que permaneceram est\u00e3o sendo convocadas a se retirar, ou a converterem-se ao islamismo ou a pagar a prote\u00e7\u00e3o fiscal, a <em>jizia<\/em>, um \u201cimposto\u201d especial para os n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, algo em torno de 100 d\u00f3lares mensais<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. O EI tamb\u00e9m ordenou a funcion\u00e1rios p\u00fablicos de Mosul suspender toda e qualquer ajuda em g\u00e1s ou alimentos para os crist\u00e3os, xiitas e curdos, sob pena de serem \u201cpunidos de acordo com a Sharia\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Na cidade s\u00edria de Raqqa, onde geralmente h\u00e1 \u00e1gua e eletricidade apenas por algumas horas do dia, o EI estabeleceu um \u201cimposto\u201d de 10 d\u00f3lares para cada um desses servi\u00e7os, argumentando que \u201ca \u00e1gua e a eletricidade s\u00e3o prazeres deste mundo\u201d e que o que realmente importa \u00e9 \u201ca obedi\u00eancia e a lealdade para com o califa Abu Bakr al-Baghdadi\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Em Homs, milicianos do EI executaram 11 empregados civis no campo de g\u00e1s de Al Shaer, em 18 de julho. O OSDH divulgou um v\u00eddeo em que um dos soldados do EI aparece batendo na cabe\u00e7a de um cad\u00e1ver com o sapato, como mostra de desprezo.<\/p>\n<p>No final de junho, o EI havia crucificado nove pessoas, oito delas por serem rebeldes \u201cmoderados\u201d do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria (ELS) ou da Frente Isl\u00e2mica (FI). Os condenados \u00e0 cruz levaram tr\u00eas dias para morrer, na pra\u00e7a principal de Deir Hafer, em Aleppo, de acordo com o OSDH<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo relat\u00f3rios da ONU, morreram no Iraque 5.576 civis devido a atentados e m\u00faltiplos casos de viol\u00eancia sect\u00e1ria desde o in\u00edcio de 2014, dos quais 2.400 foram mortos em junho, durante a ofensiva do Estado Isl\u00e2mico. A estes n\u00fameros somam-se mais de 1,2 milh\u00e3o de pessoas que fugiram de suas casas em 2014, a metade delas depois das a\u00e7\u00f5es do EI<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Essas medidas tir\u00e2nicas minam qualquer possibilidade de apoio popular mais s\u00f3lido. \u00c9 prov\u00e1vel que, num primeiro momento, algumas \u00e1reas sunitas tenham simpatizado com o EI, como parte de sua rejei\u00e7\u00e3o ao governo sect\u00e1rio de Maliki, mas com o terror implementado pelos fundamentalistas \u00e9 muito dif\u00edcil que este apoio se mantenha.<\/p>\n<p>As mil\u00edcias do EI, por exemplo, n\u00e3o t\u00eam nada a ver com organiza\u00e7\u00f5es como o Hamas em Gaza ou o Hezbollah no L\u00edbano, que, apesar das diferen\u00e7as program\u00e1ticas que temos com elas, temos de reconhecer que surgiram a partir de suas comunidades e no contexto de lutas progressivas. O Estado Isl\u00e2mico n\u00e3o tem esse enraizamento popular, e o controle da popula\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas que ocupa se d\u00e1 necessariamente atrav\u00e9s da viol\u00eancia, de m\u00e9todos brutais.<\/p>\n<p><strong>Como<\/strong><strong> o Estado Isl\u00e2mico \u00e9 financiado?<\/strong><\/p>\n<p>O EI \u00e9 a express\u00e3o de setores burgueses que em meio ao caos da guerra e da instabilidade no Iraque buscam sua pr\u00f3pria fonte de neg\u00f3cios. De acordo com seus pr\u00f3prios relat\u00f3rios, financiam suas campanhas militares a partir de extors\u00f5es, roubos e sequestros<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Tais recursos somam-se ao financiamento que recebem \u2014 embora aparentemente n\u00e3o de fontes diretamente governamentais \u2014 de outros importantes setores burgueses sunitas dos pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, como a Ar\u00e1bia Saudita, Qatar e Kuwait. Trata-se de milion\u00e1rios desse pa\u00edses que est\u00e3o dispostos a \u201cinvestir\u201d no projeto do \u201cCalifado\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, oficialmente, o financiamento n\u00e3o \u00e9 declarado em pa\u00edses como a Ar\u00e1bia Saudita, que em mar\u00e7o incluiu o EI em sua lista de grupos terroristas e anunciou penas de at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o para os indiv\u00edduos que \u201cperten\u00e7am, apoiem e financiem grupos terroristas\u201d. Mas esse tipo de resolu\u00e7\u00e3o tem agora pouco impacto na estrutura do EI, pois sem deixar de receber doa\u00e7\u00f5es de particulares aparentemente conseguiu atingir o autofinanciamento a partir do controle direto de territ\u00f3rios e reservas de petr\u00f3leo na S\u00edria e no Iraque.<\/p>\n<p>Em Mosul, al\u00e9m disso, tomaram posse num s\u00f3 golpe de mais de 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares que estavam depositados na ag\u00eancia do Banco Central naquela cidade<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Segundo o general Gharaui Mahdi, ex-chefe de pol\u00edcia de Mosul, o EI recebe pelo menos oito milh\u00f5es de d\u00f3lares em \u201cimpostos revolucion\u00e1rios\u201d, contando entre eles as taxas cobradas dos crist\u00e3os e xiitas pelo \u201ctransporte seguro\u201d atrav\u00e9s das estradas que controlam no Iraque e na S\u00edria<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>A ditadura do<\/strong><strong> Estado Isl\u00e2mico e os direitos das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>O regime de barb\u00e1rie instaurado pelo EI pode ser compreendido em toda a sua magnitude no que diz respeito aos direitos das mulheres. Em Raqqa, ap\u00f3s a ora\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana da tarde do dia 17 de julho, o EI ordenou o apedrejamento p\u00fablico de uma mulher no mercado popular do distrito de Al Tabaqa, acusando-a de \u201cadult\u00e9rio\u201d, na primeira condena\u00e7\u00e3o deste tipo emitida pelos fundamentalistas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Al Bab, na zona leste de Aleppo (S\u00edria), o EI abriu uma \u201cag\u00eancia matrimonial\u201d para mulheres solteiras e vi\u00favas, para que encontrem maridos combatentes do grupo fundamentalista, de acordo com o Observat\u00f3rio S\u00edrio para os Direitos Humanos<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>Depois de tomar Mosul, Al Baghdadi ordenou a abla\u00e7\u00e3o (mutila\u00e7\u00e3o genital feminina) de todas as mulheres \u2014 entre o in\u00edcio da adolesc\u00eancia at\u00e9 os 49 anos \u2014 residentes no novo \u201cCalifado\u201d, a fim de \u201c<em>evitar \u2018a expans\u00e3o da libertinagem e imoralidade\u2019 entre as mulheres<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Segundo a ONU, esta medida poderia afetar quatro milh\u00f5es de crian\u00e7as e mulheres adultas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m imp\u00f4s o uso obrigat\u00f3rio do v\u00e9u integral para as mulheres, amea\u00e7ando-as de receber uma \u201cpuni\u00e7\u00e3o severa\u201d caso n\u00e3o cumprissem esta ordem. Tampouco \u00e9 permitido usar perfumes ou roupas justas \u201cque permitam intuir a forma do corpo\u201d. A justificativa: <em>\u201cAs condi\u00e7\u00f5es<\/em><em> impostas sobre as roupas e a arruma\u00e7\u00e3o destinam-se simplesmente a acabar com o pretexto da libertinagem resultante do fato de que as mulheres se enfeitam demais\u201d<\/em><a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Nem os manequins das lojas de Mosul escaparam dessa medida medieval, uma vez que o EI insistiu para que todos fossem cobertos com um v\u00e9u negro.<\/p>\n<p>De acordo com a Federa\u00e7\u00e3o dos Conselhos e Sindicatos de Trabalhadores do Iraque, em Mosul muitas mulheres cometeram suic\u00eddio diante da cruel situa\u00e7\u00e3o que se abriu com a ditadura teocr\u00e1tica imposta pelo EI. A ONU tamb\u00e9m apresentou dados nesse sentido, relatando que quatro mulheres tiraram suas pr\u00f3prias vidas depois de serem estupradas ou for\u00e7adas a se casar com soldados do EI. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m descreve casos de homens que cometeram suic\u00eddio depois de serem for\u00e7ados a testemunhar o estupro de suas esposas e filhas<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Al Qaeda em crise<\/strong><\/p>\n<p>Segundo seus pr\u00f3prios informes, o EI afirma possuir 15 mil combatentes ativos, a maioria recrutada nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Apesar de ter sua origem no Iraque, a organiza\u00e7\u00e3o conta com milhares de estrangeiros: marroquinos, argelinos, afeg\u00e3os, tunisianos, eg\u00edpcios e inclusive cerca de tr\u00eas mil europeus, que s\u00e3o recrutados em centros especiais na Fran\u00e7a, Reino Unido, Holanda, B\u00e9lgica e Espanha.<\/p>\n<p>Aparentemente, \u00e9 um n\u00famero pequeno, mas s\u00e3o soldados muito disciplinados, com muita experi\u00eancia em combate e, acima de tudo, com um programa pol\u00edtico claro.<\/p>\n<p>O impacto causado pela tomada de Mosul e o estabelecimento unilateral do Califado pelo <em>mujahideen<\/em> (combatentes) do EI e sua aproxima\u00e7\u00e3o de Bagd\u00e1 criaram uma for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o que impacta uma ampla gama de grupos \u201cjihadistas\u201d que operam no Magreb.<\/p>\n<p>Autoridades da Europa, por exemplo, n\u00e3o escondem sua preocupa\u00e7\u00e3o com os milhares de combatentes do continente nas fileiras do EI e com os ind\u00edcios de preparativos dessa organiza\u00e7\u00e3o para entrar na L\u00edbia, pa\u00eds em que atuam v\u00e1rios grupos fundamentalistas e que est\u00e1 a menos de 300km da ilha italiana de Lampedusa.<\/p>\n<p>Estima-se que, desde o in\u00edcio da guerra na S\u00edria, 15 mil europeus foram se unir \u00e0 \u201cfrente jihadista\u201d, sendo o EI o principal receptor de combatentes europeus<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Em outros pa\u00edses do norte da \u00c1frica, como o Marrocos, origem de muitos membros do alto comando do EI e de cerca de 1.500 soldados dessa organiza\u00e7\u00e3o, foi declarado alerta m\u00e1ximo em todo o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na L\u00edbia e na Tun\u00edsia, grupos como o Ansar Sharia (Partid\u00e1rios da Lei Isl\u00e2mica) j\u00e1 expressaram sua admira\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares espetaculares dos seguidores de Al Baghdadi na S\u00edria e no Iraque, e pediram a reconcilia\u00e7\u00e3o entre o EI e a Frente Al Nusra. Tamb\u00e9m receberam o apoio do Ansar Bayt al Maqdis no Egito ou do Abu Sayyaf nas Filipinas.<\/p>\n<p>Os \u00eaxitos militares do Estado Isl\u00e2mico est\u00e3o provocando at\u00e9 mesmo fraturas internas em outras organiza\u00e7\u00f5es de jihadistas ainda associadas \u00e0 \u201crede\u201d da Al Qaeda<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, incluindo uma s\u00e9rie de batalh\u00f5es da Frente Al Nusra na S\u00edria.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Al Qaeda nas terras do Magreb Isl\u00e2mico (AQMI), que atua na Tun\u00edsia, na L\u00edbia e at\u00e9 mesmo no Mali, emitiu declara\u00e7\u00f5es elogiando o EI, dizendo que este \u201c<em>avan\u00e7ava por um caminho justo que n\u00e3o \u00e9 o do compromisso<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 elementos s\u00e9rios que indicam que existe uma crise no seio da Al Qaeda, refor\u00e7ada ap\u00f3s a morte de Bin Laden, na qual o novo Estado Isl\u00e2mico estaria substituindo-a como uma refer\u00eancia internacional para esse tipo de fundamentalismo.<\/strong><\/p>\n<p>No marco dessa disputa, a resson\u00e2ncia da \u201cvit\u00f3ria\u201d do EI ao estabelecer o Califado exerce muita influ\u00eancia, especialmente quando \u00e9 apresentada em contraste com a \u201cin\u00e9rcia\u201d e \u201cestagna\u00e7\u00e3o\u201d da Al Qaeda nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>E essa crise atingiu seu \u00e1pice ao se traduzir em confrontos armados entre as duas fac\u00e7\u00f5es na S\u00edria, onde est\u00e1 em curso, como dissemos, uma luta feroz entre o EI e a Frente Al Nusra pelo controle das cidades que haviam sido tomadas anteriormente pelas for\u00e7as rebeldes.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando os seguidores de Al Baghdadi come\u00e7aram a disputar a dire\u00e7\u00e3o da Al Nusra, a filial reconhecida da Al Qaeda na S\u00edria. Em resposta, o l\u00edder da Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, ordenou ao ent\u00e3o ISIS que retornasse ao Iraque, reafirmando a autoridade da Al Nusra. O ISIS respondeu anunciando a ruptura: \u201c<em>sobre vossa s\u00faplica para que nos retiremos da S\u00edria, isso n\u00e3o vai acontecer e repetimos que \u00e9 imposs\u00edvel<\/em>\u201d, esclarecendo ainda que \u201cn\u00e3o deviam obedi\u00eancia\u201d ao l\u00edder da Al Qaeda<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed ocorreram sucessivos confrontos armados, com um saldo de milhares de mortos. A maior parte dessas batalhas ocorreu em Deir al Zur, a regi\u00e3o mais rica em petr\u00f3leo e centro das principais empresas do ramo. O motivo \u00e9 claro: controlar esse neg\u00f3cio como meio de financiamento para suas atividades. O outro centro de combates \u00e9 Raqqa, que \u00e9 de grande import\u00e2ncia por ser a capital da prov\u00edncia. Antes de cair nas m\u00e3os do EI, Raqqa estava dominada pela Al Nusra, que j\u00e1 havia expulsado os rebeldes laicos.<\/p>\n<p>No contexto dessa disputa, a Frente Al Nusra tamb\u00e9m chegou a declarar outro \u201cCalifado\u201d na S\u00edria, o que s\u00f3 intensificou a luta entre este ramo da Al Qaeda e os rebeldes s\u00edrios<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo informes do OSDH, os combates entre os dois setores ocorrem tamb\u00e9m em Aleppo, Idlib e no norte de Homs<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Mais de 60 mil civis foram obrigados a abandonar suas casas nessas regi\u00f5es orientais da S\u00edria<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que est\u00e1 aberta a disputa para definir a nova refer\u00eancia mundial do chamado \u201cjihadismo\u201d, o que indica um decl\u00ednio da Al Qaeda, que foi agravado ap\u00f3s a morte de seu fundador e l\u00edder, Osama Bin Laden. O desenlace n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel, pois pode ocorrer a partir de confrontos militares ou de uma s\u00e9rie de muta\u00e7\u00f5es entre a Al Qaeda e o setor de Al Baghdadi, mas \u00e9 evidente que, no teatro de opera\u00e7\u00f5es, o novo EI leva vantagem em fun\u00e7\u00e3o da concretiza\u00e7\u00e3o do acalentado projeto de um \u201cCalifado isl\u00e2mico\u201d.<\/p>\n<p><strong>O papel do Estado Isl\u00e2mico na S\u00edria<\/strong><\/p>\n<p>Na S\u00edria, como explicamos em outras ocasi\u00f5es, o EI cumpre um papel contrarrevolucion\u00e1rio, concretamente de \u201cquinta coluna\u201d de Al Assad. Isso acontece porque, desde o seu aparecimento no seio da guerra civil em 2013, em vez de lutar contra a ditadura, entrou em conflito com os rebeldes s\u00edrios, tanto do ELS quanto os da Frente Isl\u00e2mica, a fim de parasitar as conquistas que essas for\u00e7as haviam arrancado do regime de Damasco.<\/p>\n<p>Esse papel foi ficando claro com o passar dos meses, a tal ponto que hoje as principais for\u00e7as antiditatoriais na S\u00edria afirmam que o Estado Isl\u00e2mico mant\u00e9m acordos com Al Assad, que n\u00e3o bombardeia suas posi\u00e7\u00f5es, e que chega a comprar combust\u00edvel das refinarias que este setor controla em Raqqa e Deir al Zur<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o obrigou os revolucion\u00e1rios s\u00edrios, que travam uma luta desigual contra a ditadura s\u00edria, a abrir uma \u201csegunda frente\u201d para combater o EI e a Frente Al Nusra. Em janeiro deste ano, teve in\u00edcio uma s\u00e9rie de violentos confrontos entre uma coaliz\u00e3o composta pela Frente Isl\u00e2mica, o Ex\u00e9rcito dos Mujahideen (guerreiros santos) e o ELS, de um lado, e, de outro, o atual Estado Isl\u00e2mico e as for\u00e7as da Al Qaeda. Os choques armados ocorreram em Homs, Hama, Aleppo, Raqqa, Idlib e Deir al Zur, deixando apenas no primeiro m\u00eas de combates mais de 1.700 mortos<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n<p>Em 19 de maio de 2014, houve uma greve geral em Manbej (Aleppo) contra o controle da cidade pelo ent\u00e3o ISIS. De acordo com ativistas da cidade, a greve teve ades\u00e3o de 80% entre os trabalhadores e comerciantes locais e resistiu bravamente, apesar da dura repress\u00e3o do EI, segundo o Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o Local de Manbej<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es ocorreram no \u00e2mbito de uma ofensiva chamada \u201cTerremoto do Norte\u201d, que rebeldes de Aleppo lan\u00e7aram para expulsar o ISIS das zonas do norte da prov\u00edncia<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>.<\/p>\n<p>Em outra iniciativa contra o atual EI, rebeldes de cinco grupos isl\u00e2micos \u2014 Frente Isl\u00e2mica, Brigada al Furqan, o Ex\u00e9rcito dos Mujahideen, a Legi\u00e3o do Levante e a Uni\u00e3o Isl\u00e2mica dos Soldados do Levante \u2014 declararam, em 17 de maio, o ISIS como sendo \u201calvo militar da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, junto com o regime s\u00edrio e seus aliados em outros pa\u00edses. Em um documento denominado \u201cContrato diante de Al\u00e1\u201d, esses grupos justificaram sua postura a partir da necessidade de \u201c<em>unificar esfor\u00e7os e fileiras em um marco comum que sirva \u00e0s necessidades do povo s\u00edrio<\/em>\u201d, pois o ISIS \u201c<em>cometeu agress\u00f5es contra o povo [s\u00edrio]<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>.<\/p>\n<p>Tais organiza\u00e7\u00f5es, embora sejam isl\u00e2micas, destacaram que devem permanecer \u201clonge do fundamentalismo e do radicalismo\u201d: \u201c<em>A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria \u00e9 baseada em valores que visam alcan\u00e7ar a liberdade, a justi\u00e7a e a seguran\u00e7a de toda a sociedade s\u00edria e de seu diversificado tecido social, multi\u00e9tnico, multirreligioso e social\u201d<\/em>, acrescenta o comunicado<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, o pre\u00e7o de lutar contra o regime e contra o EI \u00e9 muito alto para os rebeldes antiditatoriais. Alguns grupos rebeldes que lutam contra o EI estimam que at\u00e9 metade das suas for\u00e7as foram desviadas para esta segunda frente<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>.<\/p>\n<p>Por se tratar de inimigos da revolu\u00e7\u00e3o, o confronto contra o atual EI e setores do EI e Al Nusra \u00e9 progressivo, e os revolucion\u00e1rios devem lutar para expuls\u00e1-los das zonas libertadas da S\u00edria e em defesa dos Comit\u00eas Locais e Conselhos Populares que foram criados em diferentes cidades arrancadas do controle do regime.<\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, <strong>o avan\u00e7o do Estado Isl\u00e2mico no Iraque s\u00f3 pode favorecer a contrarrevolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria<\/strong>. De fato, na segunda quinzena de julho, o EI lan\u00e7ou uma nova ofensiva na S\u00edria, na qual ostentou o novo arsenal capturado no Iraque, a maior parte armas provenientes dos EUA, incluindo cerca de 1.500 Humvees (ve\u00edculos militares), alguns armados com m\u00edsseis TOW, v\u00e1rios obuses e armas de precis\u00e3o. Com essa artilharia pesada, atacou \u00e1reas curdas na S\u00edria, onde agora milhares de combatentes das Unidades de Prote\u00e7\u00e3o do Povo (UPP) lutam contra o EI<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do EI na S\u00edria, al\u00e9m de ser uma for\u00e7a militar a mais contra os rebeldes no terreno, tem servido enormemente ao ditador s\u00edrio para fortalecer seu discurso em que se apresenta como o \u00fanico \u201csalvador\u201d do pa\u00eds diante do \u201cavan\u00e7o do terrorismo\u201d. Al Assad usa esta carta diante do imperialismo, mostrando-se como imprescind\u00edvel para derrotar o EI, procurando ser visto ao menos como um \u201cmal menor\u201d pelo Ocidente.<\/p>\n<p>Seu objetivo \u00e9 mostrar-se como um \u201caliado confi\u00e1vel\u201d para o imperialismo, j\u00e1 que depois do avan\u00e7o do EI no Iraque Al Assad chegou inclusive a bombardear algumas cidades dominadas pelo EI, embora cuidando para n\u00e3o destruir suas sedes ou alcan\u00e7ar objetivos militares importantes. Em 14 de julho, o vice-ministro s\u00edrio de Neg\u00f3cios Estrangeiros e Expatriados, Faisal al-Mekdad, assegurou que Al Assad est\u00e1 determinado a \u201celiminar\u201d o Estado Isl\u00e2mico e conclamou os pa\u00edses ocidentais a se juntarem \u00e0 \u201cluta contra o terrorismo\u201d. A este respeito, o vice-ministro argumentou que a \u00fanica maneira de resolver a amea\u00e7a de grupos extremistas isl\u00e2micos \u00e9 trabalhar em conjunto com o governo s\u00edrio<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>.<\/p>\n<p>Em outras palavras, todas as a\u00e7\u00f5es do EI na S\u00edria e no Iraque s\u00e3o contrarrevolucion\u00e1rias: na S\u00edria, porque lutam diretamente contra os rebeldes antiditatoriais e, no Iraque, porque desviam o foco da guerra civil s\u00edria e servem de justificativa para que a ditadura s\u00edria possa aparecer como um fator de \u201cestabilidade\u201d. <strong>\u00c9 por isso que o Estado Isl\u00e2mico \u00e9 parte integrante da ampla frente contrarrevolucion\u00e1ria que se abate sobre todo o Oriente M\u00e9dio.<\/strong><\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> http:\/\/www.foxnews.com\/world\/2014\/06\/30\/sunni-militants-declare-islamic-state-in-iraq-and-syria\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> http:\/\/www.abc.es\/internacional\/20140625\/abci-leales-saddam-toman-armas-201406241847.html?utm_source=abc&amp;utm_medium=rss&amp;utm_content=uh-rss&amp;utm_campaign=traffic-rss&amp;rel=rosEP<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Entre os grupos sunitas que apoiam o EI, encontram-se o isl\u00e2mico curdo <em>Ansar Al Islam<\/em>, o grupo tribal <em>Yaish Al Islam<\/em> e outros cl\u00e3s de uma regi\u00e3o que inclui partes de Bagd\u00e1 e as cidades de Ramadi, Tikrit, Fallujah e Samarra (RTVE).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> http:\/\/www.lemonde.fr\/proche-orient\/article\/2014\/06\/20\/ces-alliances-heteroclites-qui-renforcent-l-eiil-en-irak_4441067_3218.html.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> http:\/\/piensachile.com\/2014\/06\/hacia-donde-va-el-estado-islamico-de-irak-y-siria-isis\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> http:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-2676347\/ISIS-leader-calls-Muslim-territory-group-seized-build-Islamic-state.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> http:\/\/www.lavanguardia.com\/internacional\/20140720\/54412057263\/los-yihadistas-dejan-sin-agua-a-los-infieles-de-mosul.html#ixzz3835z9Gs4<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2014\/07\/19\/actualidad\/1405780949_754142.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> http:\/\/www.clarin.com\/mundo\/prospero-califato-siglo-XXI_0_1182481781.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> http:\/\/www.lavanguardia.com\/internacional\/20140720\/54412057263\/los-yihadistas-dejan-sin-agua-a-los-infieles-de-mosul.html#ixzz3835z9Gs4<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> http:\/\/www.lavanguardia.com\/internacional\/20140720\/54412057263\/los-yihadistas-dejan-sin-agua-a-los-infieles-de-mosul.html#ixzz3835z9Gs4<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> http:\/\/www.lavanguardia.com\/internacional\/20140718\/54411249312\/estado-islamico-controla-tercio-siria.html#ixzz383X8Qjz2<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> http:\/\/www.dw.de\/m%C3%A1s-de-5500-civiles-han-muerto-este-a%C3%B1o-en-irak-dice-la-onu\/a-17795264<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2014\/06\/19\/actualidad\/1403210110_042938.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2014\/06\/16\/actualidad\/1402946776_690141.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> http:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2014\/06\/24\/53a99799e2704e13298b4584.html?cid=MNOT23801&amp;s_kw=los_bolsillos_que_financian_el_terror_del_isis<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> http:\/\/www.abc.es\/internacional\/20140728\/abci-yihadistas-agencia-matrimonial-201407281726.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> http:\/\/www.lavanguardia.com\/vida\/20140723\/54412397830\/el-lider-del-estado-islamico-ordena-practicar-la-ablacion-a-las-mujeres.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2014\/07\/25\/actualidad\/1406283699_085249.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> http:\/\/www.infobae.com\/2014\/07\/02\/1577566-la-onu-esta-escandalizada-los-abusos-los-terroristas-contra-mujeres-iraquies<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> http:\/\/www.abc.es\/espana\/20140714\/abci-magreb-convierte-cantera-yihadistas-201407140540.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> http:\/\/elpais.com\/elpais\/2014\/07\/06\/opinion\/1404661521_458839.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> http:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2014\/07\/13\/53c2a181ca4741147c8b4584.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> http:\/\/www.eluniversal.com\/internacional\/140513\/lucha-entre-grupos-yihadistas-en-siria-deja-mas-de-4700-muertos<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> http:\/\/octavodia.mx\/articulo\/53035\/insurgentes-anuncian-un-segundo-quotestado-islamicoquot-en-siria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> http:\/\/www.abc.es\/internacional\/20140514\/abci-siria-qaida-201405131803.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2014\/05\/05\/actualidad\/1399294660_557507.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> https:\/\/tahriricn.wordpress.com\/2014\/06\/26\/iraq-and-syria-the-struggle-against-the-multi-sided-counterrevolution\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> http:\/\/www.rpp.com.pe\/2014-02-03-siria-suben-a-mas-de-1-700-los-muertos-en-choques-entre-rebeldes-noticia_666654.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> http:\/\/www.dailystar.com.lb\/News\/Middle-East\/2014\/May-19\/256939-general-strike-challenges-isis-in-aleppo-town.ashx#ixzz32COGn43G<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> http:\/\/www.dailystar.com.lb\/News\/Middle-East\/2014\/May-19\/256939-general-strike-challenges-isis-in-aleppo-town.ashx#ixzz32COGn43G<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> http:\/\/noticias.terra.com\/internacional\/asia\/rebeldes-islamistas-sirios-declaran-a-grupo-yihadista-como-objetivo-militar,8c37d96a02106410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> http:\/\/noticias.terra.com\/internacional\/asia\/rebeldes-islamistas-sirios-declaran-a-grupo-yihadista-como-objetivo-militar,8c37d96a02106410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> http:\/\/www.economist.com\/news\/middle-east-and-africa\/21603470-rivalry-between-insurgents-helping-him-nowbut-may-eventually-undermine-him#<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> http:\/\/www.latercera.com\/noticia\/mundo\/2014\/07\/678-587708-9-bbc-mientras-irak-arde-isis-ataca-en-siria.shtml<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> http:\/\/www.prensalatina.cu\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;idioma=1&amp;id=2881151&amp;Itemid=1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 29 de junho de 2014, o Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cCalifado isl\u00e2mico\u201d nos territ\u00f3rios que atualmente compreendem a S\u00edria e o Iraque, especificamente na por\u00e7\u00e3o situada \u201centre Aleppo e Diyala\u201d. 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