{"id":12725,"date":"2015-11-18T07:52:01","date_gmt":"2015-11-18T09:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/sem-categoria\/a-maioria-dos-sirios-foge-da-violencia-do-regime-de-assad\/"},"modified":"2015-11-18T07:52:01","modified_gmt":"2015-11-18T09:52:01","slug":"a-maioria-dos-sirios-foge-da-violencia-do-regime-de-assad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/18\/a-maioria-dos-sirios-foge-da-violencia-do-regime-de-assad\/","title":{"rendered":"A maioria dos s\u00edrios foge da viol\u00eancia do regime de Assad"},"content":{"rendered":"<p><em>Entre os refugiados na Alemanha, s\u00f3 32% apontam o ISIS <\/em><em>(Estado Isl\u00e2mico)<\/em> <em>como um dos motivos para se exilar, segundo estudo de tr\u00eas ONGs e do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica de Berlim.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Laura Alzola Kirschgens (<a href=\"http:\/\/ctxt.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ctxt.es\/<\/a>)<\/p>\n<p>Viktor e Sami regressar\u00e3o a Aleppo assim que pararem de cair bombas do c\u00e9u. Dizem que, para eles, n\u00e3o importa quem governe, desde que haja paz. \u201c<em>O ISIS d\u00e1 medo, mas as bombas, as bombas s\u00e3o o pior<\/em>\u201d, insistem. Ambos fugiram pela Turquia e pelos B\u00e1lc\u00e3s, por pa\u00edses de cujos nomes n\u00e3o se lembram. \u201c<em>J\u00e1 faz tempo, mas ainda tenho as pernas azuladas de tanto andar, est\u00e1 vendo?<\/em>\u201d Conheceram-se em agosto nas tendas de atendimento m\u00e9dico, em frente da esta\u00e7\u00e3o de trens de Munique. Com o celular nas m\u00e3os geladas, capturam o Wi-Fi da Apple Store do centro de Hamburgo para conversar um pouco com suas preocupadas m\u00e3es e lhes dizer que est\u00e3o bem, que faz frio, que ainda n\u00e3o receberam documentos de identidade. T\u00eam 19 e 20 anos. As bombas mataram tr\u00eas colegas de escola de Sami. Ambos querem se reunir aqui com suas fam\u00edlias, com seus irm\u00e3os pequenos que est\u00e3o a caminho. Querem estar a salvo.<\/p>\n<p>A extrema direita alem\u00e3, minorit\u00e1ria, mas ruidosa, demonstra nestes dias nas ruas e nas pra\u00e7as sua falta de empatia, humildade e senso de justi\u00e7a para com os refugiados s\u00edrios. No entanto, a maioria dos alem\u00e3es compreende as causas daqueles que t\u00eam empreendido a fuga e buscam prote\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds, entre outras coisas, porque compreendem que, para abandonar tudo e correr o risco de morrer afogado, congelado, de fome, preso ou maltratado, o desespero tem que ser maior do que \u00e9 poss\u00edvel imaginar na Europa atual. Sobreviver, viver. Esse \u00e9 o desejo que move a maioria dos refugiados, como Viktor e Sami, que trocaram tudo o que conheciam pela Alemanha.<\/p>\n<p>O \u00eaxodo s\u00edrio, flagrante e midi\u00e1tico como nenhum outro, tem posto a pol\u00edtica europeia contra a parede. Agora que metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds est\u00e1 exilada, pondo em risco a estabilidade do o\u00e1sis europeu, a complexidade do conflito j\u00e1 n\u00e3o serve como desculpa para n\u00e3o discuti-lo. O debate sobre as causas e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es desta situa\u00e7\u00e3o produz manchetes h\u00e1 meses; no entanto, as v\u00edtimas n\u00e3o tiveram voz nos \u00faltimos quatro anos, desde o come\u00e7o da guerra at\u00e9 setembro, quando, pela primeira vez, algo foi perguntado aos protagonistas, \u00e0s pr\u00f3prias v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Em 7 de outubro passado, tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e um centro de investiga\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica apresentaram no Parlamento alem\u00e3o os resultados do primeiro estudo realizado com refugiados s\u00edrios nos centros e lares de acolhimento do pa\u00eds germ\u00e2nico. Concretamente, entre 24 de setembro e 2 de outubro de 2015, dezoito pessoas de nacionalidade s\u00edria entrevistaram 889 refugiados da mesma origem em cinco cidades alem\u00e3s: Berlim, Hannover, Bremen, Leipzig e Eisenh\u00fcttenstadt. A iniciativa dos grupos <em>Adopt a Revolution<\/em>, <em>The Syria Campaign<\/em> e <em>Planet Syria<\/em> contou com a colabora\u00e7\u00e3o do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica de Berlim.<\/p>\n<p>Para o estudo, os entrevistados foram abordados quando entravam ou sa\u00edam dos centros e lares de acolhimento, lugares frequentados por todos aqueles que chegam \u00e0 Alemanha em busca de asilo, independentemente de suas opini\u00f5es pol\u00edticas ou caracter\u00edsticas sociais. Al\u00e9m disso, com o fim de assegurar a confian\u00e7a e o anonimato dos entrevistados, e de n\u00e3o excluir do estudo pessoas analfabetas, utilizou-se uma combina\u00e7\u00e3o de entrevistas face a face e de question\u00e1rios para autocompletar. As perguntas foram traduzidas para o \u00e1rabe.<\/p>\n<p>S\u00f3 o fato de que as raz\u00f5es para a fuga fossem perguntadas aos afetados e as respostas tenham sido tratadas com o respeito e o rigor que merecem j\u00e1 \u00e9 not\u00edcia. Mas os resultados apresentados pela pesquisa t\u00eam valor bem maior do que o meramente simb\u00f3lico, j\u00e1 que exp\u00f5em abertamente as contradi\u00e7\u00f5es entre a percep\u00e7\u00e3o da crise s\u00edria no exterior e a avalia\u00e7\u00e3o de suas v\u00edtimas diretas. A pesquisa apresenta, em \u00faltima inst\u00e2ncia, resultados surpreendentes.<\/p>\n<p>Questionados em formato de m\u00faltipla escolha a respeito de suas raz\u00f5es para abandonar o pa\u00eds, 92% dos s\u00edrios participantes afirmaram ter fugido da viol\u00eancia. Desses, mais de dois ter\u00e7os, 70%, apontam como principal amea\u00e7a a viol\u00eancia organizada do regime de Bashar al-Assad. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que somente um ter\u00e7o, 32%, indicou o ISIS como uma de suas motiva\u00e7\u00f5es para partir.<\/p>\n<p>A segunda raz\u00e3o de peso para fugir em busca de asilo \u00e9 ter-se visto em perigo de ser preso ou sequestrado. Este medo foi citado por 86% dos entrevistados. Desse grupo, 77% afirmaram ver-se em perigo de ser preso pelo regime de Assad, enquanto 42% temiam um sequestro pelo ISIS.<\/p>\n<p>Por outro lado, os resultados do estudo confirmam que praticamente a totalidade de refugiados s\u00edrios deseja voltar para casa, para o pa\u00eds que conhecem e sentem como seu. Assim, s\u00f3 8% afirmaram pretender ficar na Europa. No entanto, 52% asseguraram que regressariam somente se Bashar al-Assad abandonasse o poder.<\/p>\n<p>\u201c<em>Enquanto na opini\u00e3o p\u00fablica alem\u00e3 prevalece em primeiro plano a indiscut\u00edvel brutalidade do ISIS, de fato, \u00e9 a viol\u00eancia do regime de Assad que obriga a maioria dos s\u00edrios a fugir<\/em>\u201d, afirmou El\u00edas Peribo, cofundador da associa\u00e7\u00e3o s\u00edrio-germ\u00e2nica <em>Adopt a Revolution<\/em>, na coletiva de imprensa para apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados. Nas palavras de Peribo, <em>\u201cA batalha contra o terrorismo do ISIS n\u00e3o resolver\u00e1 o problema, segundo os resultados da pesquisa, e essa \u00e9 uma mensagem que a diplomacia alem\u00e3 deveria ter em mente\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Com um barril de petr\u00f3leo, cilindros de g\u00e1s ou uma caixa d\u2019\u00e1gua, cheios de explosivos de grande pot\u00eancia e sucata para melhorar a fragmenta\u00e7\u00e3o e causar o maior dano poss\u00edvel, consegue-se aterrorizar um povo inteiro. 73% dos s\u00edrios entrevistados afirmam que estas \u201cbombas de barril\u201d, explosivos n\u00e3o dirigidos\/guiados lan\u00e7ados a partir de helic\u00f3pteros e de fabrica\u00e7\u00e3o barata e produ\u00e7\u00e3o local, eram \u201cuma amea\u00e7a para sua seguran\u00e7a pessoal\u201d.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o <em>Human Rights Watch<\/em> destaca que, apesar das press\u00f5es internacionais, o regime de Assad \u201c<em>persiste no lan\u00e7amento de um grande n\u00famero de bombas de barril altamente explosivas sobre a popula\u00e7\u00e3o civil, contrariando a resolu\u00e7\u00e3o 2139 aprovada em 22 de fevereiro de 2014 pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio de 2014\/15, a Anistia Internacional denuncia que tanto as for\u00e7as governamentais como os grupos armados n\u00e3o estatais cometem com impunidade grande n\u00famero de crimes de guerra e abusos flagrantes contra os direitos humanos. As for\u00e7as do governo lan\u00e7am ataques deliberados contra civis, \u201c<em>bombardeando indiscriminadamente zonas residenciais e instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas civis com artilharia, morteiros, bombas de barril, agentes qu\u00edmicos, e cometendo homic\u00eddios ileg\u00edtimos contra civis<\/em>\u201d. Acrescentam que o regime leva a cabo ataques com bombas de barril ou outras muni\u00e7\u00f5es com cloro, apesar de estarem proibidas pelo direito internacional.<\/p>\n<p>E quais poderiam ser as solu\u00e7\u00f5es de um conflito que vai entrar em seu quinto ano, exacerbado pela viol\u00eancia do ISIS e de um ditador aferrado ao poder, bem como por uma das piores crises de refugiados do s\u00e9culo? Interrogados acerca das poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para o conflito e o fim do \u00eaxodo, 58% dos s\u00edrios entrevistados na Alemanha afirmaram que uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea ajudaria ou incentivaria os s\u00edrios a n\u00e3o abandonar seu pa\u00eds, enquanto s\u00f3 24% dos pesquisados elegeram o aumento da ajuda humanit\u00e1ria como uma medida efetiva.<\/p>\n<p>A maioria acha que Bashar al-Assad \u00e9 o respons\u00e1vel pela situa\u00e7\u00e3o atual. Para 79% dos entrevistados, a decis\u00e3o de Assad de usar a for\u00e7a militar contra os manifestantes pac\u00edficos que pediam liberdade e dignidade em 2011 \u00e9 o que desencadeou e a principal causa da viol\u00eancia atual.<\/p>\n<p>Heiko Giebler, mentor cient\u00edfico da pesquisa e membro do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica de Berlim, considera os resultados como v\u00e1lidos e enfatiza que \u201c<em>o que chama a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o tanto as porcentagens, mas as tend\u00eancias claras que elas mostram<\/em>\u201d. Foi confirmada a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que a maioria dos refugiados que chegam \u00e0 Alemanha s\u00e3o jovens entre 16 e 25 anos. Confirmou-se tamb\u00e9m a necessidade de perguntar com mais frequ\u00eancia aos pr\u00f3prios afetados.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/ctxt.es\/es\/20151028\/Politica\/2704\/Siria-refugiados-encuesta-Alemania-Bashar-al-Assad-Europa-Oriente-Medio-Europa-contra-s%C3%AD-misma.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ctxt.es\/es\/20151028\/Politica\/2704\/Siria-refugiados-encuesta-Alemania-Bashar-al-Assad-Europa-Oriente-Medio-Europa-contra-s%C3%AD-misma.htm<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Suely Corvacho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os refugiados na Alemanha, s\u00f3 32% apontam o ISIS (Estado Isl\u00e2mico) como um dos motivos para se exilar, segundo estudo de tr\u00eas ONGs e do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica de Berlim.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12726,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8080,3677,3970,569],"tags":[3838,342,331,570],"class_list":["post-12725","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-refugiados","category-europa-mundo","category-imigrantes","category-siria","tag-bashar-al-assad","tag-europa-2","tag-refugiados","tag-siria-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/refugiados.jpg","categories_names":["Especial Refugiados","Europa","Imigrantes","S\u00edria"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12725\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}