{"id":1247,"date":"2010-08-30T00:28:42","date_gmt":"2010-08-30T00:28:42","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2010\/08\/30\/paquistao-terriveis-inundacoes-agravam-crise-politica\/"},"modified":"2010-08-30T00:28:42","modified_gmt":"2010-08-30T00:28:42","slug":"paquistao-terriveis-inundacoes-agravam-crise-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/08\/30\/paquistao-terriveis-inundacoes-agravam-crise-politica\/","title":{"rendered":"Paquist\u00e3o: terr\u00edveis inunda\u00e7\u00f5es agravam crise pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"101\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Paquist\u00e3o inunda\u00e7\u00e3o.jpg\" vspace=\"3\" width=\"150\" \/>Durante o m&ecirc;s de agosto, as regi&otilde;es noroeste e sul do Paquist&atilde;o se viram castigadas por gigantescas inunda&ccedil;&otilde;es, provocadas por fortes e prolongadas chuvas.<br \/>\n\tAs fotos mostram imagens terr&iacute;veis e as consequ&ecirc;ncias chocam: o Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha (CICV) estima em 15 milh&otilde;es o n&uacute;mero de pessoas afetadas, das quais 2,5 milh&otilde;es ficaram sem moradia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Segundo o CICV, &ldquo;nas zonas mais afetadas, povoados inteiros foram destru&iacute;dos sem aviso pela &aacute;gua e milh&otilde;es de pessoas perderam tudo&rdquo;. Povoados e aldeias foram abandonados, as estradas foram cortadas, e milhares de pessoas sem lar se viram obrigadas a dormir em barracas de lona &agrave; beira das estradas. Muitos se deslocaram at&eacute; Peshawar, a principal cidade da regi&atilde;o, e a Muzafarabad, capital da Caxemira paquistanesa.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>A situa&ccedil;&atilde;o piora<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A situa&ccedil;&atilde;o piora cada vez mais: os meteorologistas preveem novas chuvas fortes e a ajuda necess&aacute;ria para os afetados chega com extrema lentid&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A falta de &aacute;gua pot&aacute;vel faz com que j&aacute; haja epidemias de gastroenterite e c&oacute;lera. O ministro da Sa&uacute;de da prov&iacute;ncia de Jiber Pajtunjua declarou: &ldquo;estimamos que aproximadamente 100.000 pessoas, na sua maioria crian&ccedil;as, viram-se afetados pelo c&oacute;lera ou por doen&ccedil;as g&aacute;stricas&rdquo;. A ONU (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas) alertou que at&eacute; 3,5 milh&otilde;es de crian&ccedil;as poderiam estar em risco de contrair doen&ccedil;as mortais por meio da &aacute;gua contaminada e dos insetos.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Apresenta-se um risco ainda maior: a falta de alimentos para os milhares de refugiados e deslocados come&ccedil;a a provocar fome e desespero. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; se deteriorando a uma rapidez aterrorizadora&rdquo;, disse Neva Khan, diretor da ONG Oxfam no Paquist&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>As &ldquo;cat&aacute;strofes naturais&rdquo; s&atilde;o mais terr&iacute;veis sob o capitalismo<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Cada vez que se produz uma cat&aacute;strofe natural de grande magnitude em pa&iacute;ses pobres, como sucedeu com o terremoto do Haiti, no ano passado, constatamos rapidamente dois fatos.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O primeiro &eacute; a absoluta incapacidade dos governos para ajudar s&eacute;ria e rapidamente as v&iacute;timas. Esses mesmos governos, que exibem uma efici&ecirc;ncia muito maior na hora de garantir melhores condi&ccedil;&otilde;es para os lucros das empresas capitalistas ou reprimir manifesta&ccedil;&otilde;es populares, mostram-se totalmente ineficazes quando &eacute; preciso aliviar o sofrimento de seus povos.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&quot;A popula&ccedil;&atilde;o necessita desesperadamente &aacute;gua pot&aacute;vel, latrinas e artigos de higiene, mas os recursos dispon&iacute;veis na atualidade s&oacute; cobrem uma fra&ccedil;&atilde;o do que se requer&quot;, declarou o diretor da Oxfam. Um comerciante da zona vizinha a Peshawar disse: &ldquo;minha fam&iacute;lia encontrou ref&uacute;gio em uma escola, mas n&atilde;o recebemos nem &aacute;gua pot&aacute;vel, nem comida, nem medicamentos (&hellip;) Meu filho est&aacute; doente de c&oacute;lera, mas n&atilde;o h&aacute; m&eacute;dicos&rdquo;, acrescentou.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O segundo fato &eacute; a absoluta mesquinhez da ajuda dos organismos internacionais e dos governos dos pa&iacute;ses imperialistas. O secret&aacute;rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, viajou ao Paquist&atilde;o e descreveu a situa&ccedil;&atilde;o como &ldquo;desesperante&rdquo;. Estimou que s&atilde;o necess&aacute;rios 459 milh&otilde;es de d&oacute;lares para fazer frente &agrave; emerg&ecirc;ncia. Mas at&eacute; o momento, s&oacute; foi poss&iacute;vel conseguir uma quinta parte do total.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">N&atilde;o &eacute; de estranhar, frente &agrave; mesquinhez mostrada pela sua pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o e pelos<br \/>\n\tgovernos imperialistas: a ONU se comprometeu a ajudar com &ldquo;at&eacute; dez milh&otilde;es de d&oacute;lares&rdquo;. Comparemos com os 700 milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais, custo m&eacute;dio da manuten&ccedil;&atilde;o de suas tropas no Haiti.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Enquanto isso, a Comiss&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia liberou uma parcela de 30 milh&otilde;es de euros de ajuda humanit&aacute;ria para o Paquist&atilde;o. Uma quantidade irris&oacute;ria frente aos bilh&otilde;es de euros que os governos dos seus pa&iacute;ses membros deram para salvar os lucros de bancos e empresas. E &iacute;nfima, tamb&eacute;m, comparada com suas despesas militares que, no caso da Gr&atilde;-Bretanha e It&aacute;lia, incluem o custo de sua participa&ccedil;&atilde;o na guerra do Afeganist&atilde;o, pa&iacute;s vizinho do Paquist&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Resulta dolorosamente claro que, sob o capitalismo, as cat&aacute;strofes naturais acabam sendo muito mais terr&iacute;veis porque, para ele, &eacute; muito mais importante salvar lucros ou assegur&aacute;-los com guerras do que salvar os povos afetados por cat&aacute;strofes.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>Aumenta a crise do governo<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A incapacidade de garantir ajuda &agrave;s v&iacute;timas come&ccedil;a a se voltar contra o governo do presidente Asif Ali Zardari, cuja impopularidade aumenta constantemente. <br \/>\n\tCentenas de homens armados com paus trataram de bloquear uma estrada em Sukkur, prov&iacute;ncia de Sindh, exigindo aos gritos a ajuda do governo. Enquanto na prov&iacute;ncia de Punjab os manifestantes queimaram pneus e gritavam &quot;abaixo o governo&quot;. &quot;N&oacute;s estamos morrendo de fome aqui. Ningu&eacute;m se preocupou conosco&quot;, disse Hafiz Shabbir.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Este maior enfraquecimento do governo de Zardari agrava sua j&aacute; pr&eacute;via fragilidade e a instabilidade pol&iacute;tica do pa&iacute;s, consequ&ecirc;ncia da extens&atilde;o de fato da guerra do Afeganist&atilde;o ao territ&oacute;rio paquistan&ecirc;s (de fato, os analistas do imperialismo j&aacute; falam da guerra Af-Pak).<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta extens&atilde;o do conflito aconteceu porque v&aacute;rios milh&otilde;es de afeg&atilde;os, membros da etnia Pasht&uacute;n, cruzaram a fronteira entre ambos os pa&iacute;ses, radicando-se no Paquist&atilde;o, em uma regi&atilde;o onde os pashtunes j&aacute; tinham forte presen&ccedil;a. Ali, as for&ccedil;as do talib&atilde; encontram ref&uacute;gio e retaguarda para combater &agrave;s tropas dos EUA e da OTAN, que bombardearam a regi&atilde;o e, inclusive, cruzaram v&aacute;rias vezes a fronteira.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Pode-se dizer que a mesquinhez da ajuda imperialista n&atilde;o faz mais do que agravar o panorama, j&aacute; por si complicado, de uma regi&atilde;o convulsionada pela guerra, e impele mais um pouco a uma explos&atilde;o social no Paquist&atilde;o. Mas, como diz a hist&oacute;ria do escorpi&atilde;o e da r&atilde;, &ldquo;est&aacute; na sua natureza&rdquo;. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\n\t<em><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">(*) Alejandro Iturbe &eacute; editor da revista da LIT-QI Correio Internacional<\/p>\n<p>\tTradu&ccedil;&atilde;o: Helton Ribeiro<\/span><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o m&ecirc;s de agosto, as regi&otilde;es noroeste e sul do Paquist&atilde;o se viram castigadas por gigantescas inunda&ccedil;&otilde;es, provocadas por fortes e prolongadas chuvas. 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