{"id":1235,"date":"2010-08-22T21:53:27","date_gmt":"2010-08-22T21:53:27","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2010\/08\/22\/trotsky-e-a-italia-de-1920\/"},"modified":"2010-08-22T21:53:27","modified_gmt":"2010-08-22T21:53:27","slug":"trotsky-e-a-italia-de-1920","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/08\/22\/trotsky-e-a-italia-de-1920\/","title":{"rendered":"Trotsky e a It\u00e1lia de 1920"},"content":{"rendered":"<div>\n<em>Apresentamos abaixo a contribui\u00e7\u00e3o dos companheiros italianos para os 70 anos da morte de Leon Trotsky. Na qual nos apresentam as an\u00e1lises de Trotsky, ainda na condi\u00e7\u00e3o de dirigente da URSS e da III Internacional, sobre as lutas na It\u00e1lia e o papel das correntes do movimento oper\u00e1rio naqueles acontecimentos.<\/em><br \/>\n<!--more-->De Francesco Ricci, do PdAC\n<\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Trotsky e o setembro de 1920<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><i><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Quando os oper\u00e1rios italianos ocuparam as f\u00e1bricas e estavam por tomar o poder<\/span><\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Continuamos com estas p\u00e1ginas, depois dos textos publicados nos n\u00fameros anteriores, a recordar o septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio do assassinato de Trotsky (pelas m\u00e3os de um sic\u00e1rio stalinista). E queremos fazer-lo retomando uma atual\u00edssima reflex\u00e3o trotskista sobre a onda de lutas que, noventa anos atr\u00e1s, em setembro de 1920, levou os oper\u00e1rios italianos a ocupar as f\u00e1bricas (a partir da Fiat) e chegar muito pr\u00f3ximos da conquista do poder.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: white;\">C<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">1919-1920: o &#8220;bi\u00eanio vermelho&#8221; da classe oper\u00e1ria italiana<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">A chama oper\u00e1ria de setembro de 1920 n\u00e3o foi um fato isolado. Aquele outono concluiu o que, em seguida, seria definido como o &#8220;bi\u00eanio vermelho&#8221; porque foi marcado por uma onda sem precedentes na It\u00e1lia de lutas revolucion\u00e1rias. Aos anos 1919-1920 seguiu-se um &#8220;bi\u00eanio negro&#8221;: depois do fracasso da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a crise econ\u00f4mica empurrou a pequena burguesia (na aus\u00eancia de uma hegemonia de sinal oposto do proletariado) a uma radicaliza\u00e7\u00e3o de massa \u00e0 direita. \u00c9 o per\u00edodo que se concluir\u00e1 com o advento ao poder dos fascistas guiados por Mussolini.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Em setembro de 1920, um confronto sindical (por uma reivindica\u00e7\u00e3o de aumento salarial) ser\u00e1 o estopim que colocar\u00e1 fogo na p\u00f3lvora. No ano precedente ocorreu um movimento impetuoso contra o &#8220;custo de vida&#8221;, com motins de marinheiros, greves gerais, confrontos violent\u00edssimos com os policiais que disparavam sobre os manifestantes; em julho do mesmo ano uma greve geral contra a agress\u00e3o imperialista ao governo sovi\u00e9tico paralisou o pa\u00eds; e depois, ainda, a &#8220;greve dos ponteiros (dos rel\u00f3gios)\u201d. [O movimento ganhou esse nome quando os oper\u00e1rios atrasaram em uma hora todos os rel\u00f3gios da Fiat em Turim em protesto contra os hor\u00e1rios da jornada de trabalho]\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">A for\u00e7a da classe oper\u00e1ria se revelou nas cifras dos sindicalizados: em 1918 a CGL (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) tinha 250 mil inscritos, em 1919 um milh\u00e3o e 160 mil, em 1920 chegava a dois milh\u00f5es e 300 mil. O que faltava n\u00e3o era nem a for\u00e7a nem a combatividade. Faltava uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical consequente. No fim de agosto de 1920 os oper\u00e1rios est\u00e3o de novo em agita\u00e7\u00e3o. Nos dias seguintes ocupam as f\u00e1bricas no chamado tri\u00e2ngulo industrial: Mil\u00e3o-Turim-Genova. Na Fiat de Turim, o escrit\u00f3rio de Agnelli (dono da f\u00e1brica) torna-se a sede do comit\u00ea de ocupa\u00e7\u00e3o; e em algumas f\u00e1bricas, entre as quais a Fiat, a produ\u00e7\u00e3o continua, depois de expulsos os patr\u00f5es e os dirigentes, sob a dire\u00e7\u00e3o dos Conselhos Oper\u00e1rios, estruturas de tipo sovi\u00e9tico.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Os bombeiros reformistas e o nascimento dos comunistas organizados<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Em 1919 e na primeira parte de 1920 a burguesia p\u00f4de contar, mais do que com as tropas do seu Estado (muitas vezes passadas aos insurgentes ou incapazes de afrontar uma mobiliza\u00e7\u00e3o daquelas propor\u00e7\u00f5es), acima de tudo com os dirigentes reformistas do PSI (Partido Socialista Italiano) e da CGL. Ser\u00e1 em seguida o pr\u00f3prio D&#8217;Aragona <\/span><span style=\"line-height: 115%;\">(O Epifani da \u00e9poca) [<\/span><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Epifani \u00e9 dirigente pelego atual da CGL] a dizer: <i>\u00abtalvez tenhamos a culpa de ter concedido muito ao entusiasmo bolchevique das massas, mas certamente n\u00e3o nos pode ser negada a honra de ter impedido uma explos\u00e3o revolucion\u00e1ria.\u00bb <\/i><b>(1)<\/b><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">No entanto, apesar do seu zelo em frear as lutas, nem mesmo os bombeiros reformistas puderam impedir o inc\u00eandio maior: aquele de setembro. A fa\u00edsca foi provocada pelos metal\u00fargicos, como explica Gramsci, falando da experi\u00eancia de Turim: <i>\u00abos metal\u00fargicos formavam a vanguarda do proletariado de Turim. Dadas as particularidades desta ind\u00fastria, cada movimento dos seus oper\u00e1rios torna-se um movimento geral de massas e assume um car\u00e1ter pol\u00edtico e revolucion\u00e1rio, mesmo se em princ\u00edpio este perseguisse apenas objetvos sindicais.\u00bb <\/i><b>(2)<\/b><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">O grupo do <i>Ordine Nuovo<\/i> (jornal Nova Ordem) de Gramsci participa na primeira fila das lutas em Turim. Formam-se as &#8220;guardas vermelhas&#8221; nas f\u00e1bricas, as metralhadoras s\u00e3o montadas sobre os tetos, se contam as muni\u00e7\u00f5es. S\u00e3o mais de seiscentas as empresas ocupadas sobre as quais se v\u00ea i\u00e7ada a bandeira vermelha. Grandes manifesta\u00e7\u00f5es paralisam o pa\u00eds: al\u00e9m das principais cidades industriais do Norte, tamb\u00e9m nas ruas de Bolonha, Floren\u00e7a, Roma ressoa o slogan &#8220;fazer como na R\u00fassia de Lenin e Trotsky&#8221;.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Para Gramsci o instrumento social das lutas s\u00e3o os &#8220;Conselhos de f\u00e1brica&#8221; que tomam o local das &#8220;comiss\u00f5es internas&#8221;, constitu\u00eddas por elementos oportunistas escolhidos pela burocracia sindical. Os Conselhos <i>\u00abconcretizam a for\u00e7a do proletariado e as lutas contra a ordem capitalista e exercitam o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o, educando toda a massa oper\u00e1ria para as lutas revolucion\u00e1rias e para a cria\u00e7\u00e3o do Estado Oper\u00e1rio\u00bb <\/i><b>(3)<\/b>. N\u00e3o se tratava somente de uma promessa. Em Turim os Conselhos de f\u00e1brica tiveram um poder real. Em 3 de dezembro de 1919, como conta Gramsci, &#8220;a se\u00e7\u00e3o socialista, concentrava em suas m\u00e3os todo o mecanismo do movimento de massas, os Conselhos mobilizavam sem prepara\u00e7\u00e3o alguma, no curso de uma hora, cento e vinte mil oper\u00e1rios (\u2026) que chegavam at\u00e9 ao centro da cidade e varriam das ruas toda esc\u00f3ria nacionalista e militarista.&#8221; (ibidem). Os comunistas n\u00e3o tinham ainda um partido seu. Assim, as dire\u00e7\u00f5es reformistas (Turati) e centristas (os maximalistas de Serrati) frearam as lutas, obtendo em troca consistentes aumentos salariais (at\u00e9 20%) e at\u00e9 o pagamento dos dias de ocupa\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos. Os patr\u00f5es estavam dispostos a amplas concess\u00f5es (o que se manteve por alguns meses) para verem restitu\u00eddas as f\u00e1bricas que haviam perdido.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Ser\u00e1 a experi\u00eancia daquele bi\u00eanio que empurra Bordiga, Gramsci e outros a organizar, poucos meses depois, a cis\u00e3o de Livorno do PSI <b>(4)<\/b>. Na convic\u00e7\u00e3o que sem um partido que buscasse a conquista do poder, nenhum movimento, nenhuma luta (por mais radical e revolucion\u00e1ria como aquela destes meses) podia vencer.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">A an\u00e1lise da Internacional de Lenin e Trotsky<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">A Internacional Comunista acompanha e analisa a experi\u00eancia revolucion\u00e1ria na Europa (a revolu\u00e7\u00e3o spartaquista na Alemanha, de novembro de 1918 a janeiro de 1919; a onda revolucion\u00e1ria na It\u00e1lia): a perspectiva da Internacional (ainda livre das m\u00e3os do stalinismo, que ir\u00e1 impor o isolamento e, portanto, a trai\u00e7\u00e3o das outras revolu\u00e7\u00f5es como forma de prote\u00e7\u00e3o da burocracia) \u00e9 aquela de romper o cerco \u00e0 R\u00fassia sovi\u00e9tica gra\u00e7as \u00e0 vit\u00f3ria de novas revolu\u00e7\u00f5es. A certeza de todo o grupo dirigente comunista internacional era de fato que n\u00e3o era poss\u00edvel construir o socialismo s\u00f3 na R\u00fassia isolada. O caso italiano \u00e9 acompanhado em particular, por conta da Internacional, por Trotsky. O leitor encontra nas p\u00e1ginas seguintes trechos de dois textos &#8211; daquele que era ainda (junto com Lenin) um dos dois principais dirigentes bolcheviques &#8211; onde analisa os motivos da derrota da revolu\u00e7\u00e3o italiana. Trata-se de &#8220;Setembro de 1920: a revolu\u00e7\u00e3o que faltou&#8221; (relat\u00f3rio de outubro de 1922, para o 5\u00b0 anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa) e de &#8220;A an\u00e1lise das correntes no movimento oper\u00e1rio italiano&#8221; (discurso, em julho de 1921, na conclus\u00e3o do III Congresso da Internacional Comunista) <b>(5)<\/b>.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Oferecer aos nossos leitores estes textos nos parece um bom modo para relacionar os anivers\u00e1rios de dois acontecimentos de d\u00e9cadas atr\u00e1s (os setenta anos da morte de Trotsky e os noventa anos do movimento de setembro de 1920): fatos antigos que, no entanto, lembram muito do nosso presente e, por assim dizer, esperam ainda um futuro. Quais outras solu\u00e7\u00f5es t\u00eam hoje os oper\u00e1rios italianos, diante dos ataques de Marchionne, se n\u00e3o ocuparem as f\u00e1bricas e fazer crescer uma nova onda revolucion\u00e1ria? A hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio nos oferece exemplos e preciosos ensinamentos, o primeiro entre todos: desconfiar das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais reformistas e burocr\u00e1ticas e construir o partido revolucion\u00e1rio que faltou em setembro de 1920, um partido sem o qual n\u00e3o existir\u00e1 nunca nenhuma vit\u00f3ria efetiva para os trabalhadores. Um partido comunista, internacionalista, isto \u00e9 trotskista. <\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Note<\/span><\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">(1) <\/span><\/b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">Ver <i>Batalha sindical<\/i>, 25\/9\/29, citado em Del Carria, <i>Prolet\u00e1rios sem revolu\u00e7\u00e3o<\/i>, vol. 3, p. 83.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">(2) <\/span><\/b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">No &#8220;Relat\u00f3rio&#8221; de julho de 1920 para o Executivo da Internacional Comunista, em Gramsci, <i>A Nova Ordem, 19-20.<\/i><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">(3) <\/span><\/b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">ibidem.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">(4) <\/span><\/b><span style=\"line-height: 115%; color: black;\">No Congresso de Livorno do PSI a maioria estava com os centristas (&#8220;comunistas unit\u00e1rios&#8221;) de Serrati: 98 mil e tantos votos; aos comunistas de Bordiga foram 58 mil votos aproximadamente; outros 15 mil \u00e0 direita de Turati. No dia 21 de janeiro de 1921, Bordiga levou os comunistas ao vizinho Teatro S\u00e3o Marco, onde nasceria o novo partido. Um partido que, embora esteja &#8220;adoentado com todas as doen\u00e7as infantis&#8221; (a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de Trotsky e se refere ao extremismo de Bordiga), n\u00e3o tem nada a ver com o PCI dos anos trinta, conduzido por Togliatti (depois de expulsar a esquerda e abandonar Gramsci na cadeia) \u00e0s posi\u00e7\u00f5es do stalinismo, isto \u00e9 \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classe com a burguesia e seus governos.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b><span style=\"color: black;\">(5) <\/span><\/b><span style=\"color: black;\">Ambos os textos est\u00e3o publicados nos Escritos sobre a It\u00e1lia.<\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Setembr0 de 1920: faltou a revolu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><i>(&#8230;) a classe oper\u00e1ria havia tomado o poder, mas n\u00e3o existia nenhuma organiza\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de consolidar definitivamente a vit\u00f3ria (&#8230;)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Leon Trotsky, 1922.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">(&#8230;) Recordam-se de 1919? Foi o ano no qual toda a estrutura do imperialismo europeu cambaleou sob o impacto da maior luta de massas do proletariado verificada na hist\u00f3ria, e no qual quotidianamente esper\u00e1vamos a not\u00edcia da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica dos Sovietes na Alemanha, na Fran\u00e7a, na Inglaterra, na It\u00e1lia. O termo &#8220;soviete&#8221; tornou-se popular\u00edssimo, os sovietes foram organizados por todos os lados. A burguesia era atacada. 1919 foi o ano mais cr\u00edtico na hist\u00f3ria da burguesia europeia. Em 1920, os levantes (podemos afirmar hoje retrospectivamente) diminu\u00edram consideravelmente, embora se mantivessem extremamente perigosos, mantendo a esperan\u00e7a de poder conseguir uma r\u00e1pida liquida\u00e7\u00e3o da burguesia, em poucas semanas ou meses. Quais eram as premissas da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria? As for\u00e7as produtivas estavam plenamente maduras, como as rela\u00e7\u00f5es de classe; o papel social objetivo do proletariado tornava este \u00faltimo plenamente capaz de conquistar o poder e de assumir o necess\u00e1rio papel dirigente. O que faltava? Faltava a premissa pol\u00edtica, a premissa subjetiva, vale dizer a plena consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o por parte do proletariado. Faltava uma organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 frente do proletariado, capaz de explorar a situa\u00e7\u00e3o para a prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e organizativa direta da insurrei\u00e7\u00e3o, da tomada do poder, etc. Isto \u00e9 o que faltou.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Tudo se tornou tragicamente claro em setembro de 1920 na It\u00e1lia. Entre os trabalhadores italianos, trabalhadores de um pa\u00eds que tinha sofrido mais duramente durante a guerra, um proletariado jovem sem a capacidade de um velho proletariado, mas tamb\u00e9m sem as caracter\u00edsticas negativas deste \u00faltimo (conservadorismo, tradicionalismo etc.), entre este proletariado as id\u00e9ias e os m\u00e9todos da revolu\u00e7\u00e3o russa encontraram uma enorme simpatia. O PSI [Partido Socialista Italiano], todavia, n\u00e3o tinha tomado em conta suficientemente estas concep\u00e7\u00f5es e estes slogans. Em setembro de 1920 a classe oper\u00e1ria italiana, de fato, havia tomado o controle do Estado, da sociedade, das f\u00e1bricas, das empresas, da imprensa. Que coisa faltava? Faltava uma migalha, faltava um partido que, apoiando-se no proletariado revolucion\u00e1rio, engajasse uma luta aberta com a burguesia para destruir os restos das for\u00e7as materiais ainda nas m\u00e3os desta \u00faltima, tomar o poder e chegar \u00e0 vit\u00f3ria da classe oper\u00e1ria. Na realidade, a classe oper\u00e1ria havia conquistado o poder, mas n\u00e3o existia nenhuma organiza\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de consolidar definitivamente a vit\u00f3ria, e assim a classe oper\u00e1ria foi jogada para tr\u00e1s. O partido dividiu-se em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, o proletariado foi derrotado; e daquele momento, por todos os anos de 1921-22, assistimos a um terr\u00edvel recuo pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria italiana sob os golpes da burguesia j\u00e1 consolidada e dos esquadr\u00f5es pequeno-burgueses, melhor conhecidos sob o nome de fascistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O fascismo \u00e9 a desforra, a vingan\u00e7a realizada pela burguesia para compensar o p\u00e2nico sofrido em setembro de 1920 e, ao mesmo tempo, \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica para o proletariado italiano, uma li\u00e7\u00e3o sobre como deve ser um partido pol\u00edtico, centralizado, unido e com as id\u00e9ias claras. Um partido que deve ser prudente na escolha das condi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m resolutamente decisivo na aplica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos necess\u00e1rios na hora decisiva. Comparar eventos como aqueles da jornada do dia 20 de setembro na It\u00e1lia com aqueles do nosso pa\u00eds [URSS] deve e deveria servir-nos para refletir sobre o nosso partido, que deve funcionar em condi\u00e7\u00f5es incomparavelmente mais dif\u00edceis, isto \u00e9 em condi\u00e7\u00f5es de baixo e atrasado n\u00edvel cultural, em um ambiente no qual predominam os camponeses (&#8230;)<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Na It\u00e1lia a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mais grave. Depois dos fatos de setembro de 1920, a ala comunista, aproximadamente um ter\u00e7o do velho PSI, saiu da organiza\u00e7\u00e3o, enquanto o velho partido socialista, formado de uma ala da direita e de uma de centro, continuou a sua exist\u00eancia. Sob o ataque da burguesia, que confiou o poder executivo \u00e0s m\u00e3os dos fascistas, os reformistas s\u00e3o levados sempre mais \u00e0 direita, tentando entrar no governo, no qual o \u00f3rg\u00e3o executivo era e \u00e9 constitu\u00eddo pelas esquadras fascistas. Isto levou a uma ruptura no partido socialista entre a ala direita e o chamado grupo de Serrati, que anunciou na confer\u00eancia do partido a sua ades\u00e3o ao Comintern [Internacional Comunista \u2013 IC]. No nosso congresso tivemos dois partidos: o nosso partido comunista italiano e o partido de Serrati, o qual (depois de executar um longo giro) hoje deseja ingressar nas fileiras da IC. A maioria deste partido est\u00e1 sem d\u00favida procurando praticar uma verdadeira atividade revolucion\u00e1ria. Neste sentido, existe certa analogia com o caso franc\u00eas. Na Fran\u00e7a a perspectiva \u00e9 de se chegar a uma unifica\u00e7\u00e3o entre a ala esquerda e o centro, embora ambos perten\u00e7am ao mesmo partido. Os dois grupos s\u00e3o, sobretudo, duas tend\u00eancias, mais do que duas fra\u00e7\u00f5es, enquanto na It\u00e1lia se trata de dois partidos diferentes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Naturalmente n\u00e3o ser\u00e1 simples a unifica\u00e7\u00e3o entre eles, dado que a tarefa consiste na fus\u00e3o da grande massa prolet\u00e1ria destes dois partidos e ao mesmo tempo assegurar uma dire\u00e7\u00e3o comunista revolucion\u00e1ria decidida. Da\u00ed resulta que, seja no caso da It\u00e1lia, seja no da Fran\u00e7a, o trabalho a fazer hoje \u00e9, sobretudo, interno, organizativo, de prepara\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o, enquanto o partido comunista alem\u00e3o pode e deve superar j\u00e1 esta fase, como est\u00e1 fazendo, no sentido de uma atividade agitativa ofensiva, aproveitando-se do fato que os Independentes e os Socialdemocratas est\u00e3o unidos e que esse \u00e9 hoje o \u00fanico partido de oposi\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>An\u00e1lise das correntes do movimento oper\u00e1rio italiano<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Leon Trotsky, 1921.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A necessidade da luta contra os elementos centristas ou semicentristas surge de modo evidente na quest\u00e3o do Partido Socialista Italiano. A hist\u00f3ria desta quest\u00e3o \u00e9 conhecida. O Partido Socialista Italiano sofreu, j\u00e1 antes da guerra imperialista de uma significativa luta interna e sofreu uma cis\u00e3o. Em virtude deste acontecimento foi depurado dos piores chauvinistas [nacionalistas radicais]. Enquanto a It\u00e1lia entrou na guerra nove meses mais tarde do que os outros pa\u00edses, e isto facilitou a pol\u00edtica contra a guerra feita pelo Partido Socialista Italiano. O Partido n\u00e3o afundou no patriotismo e manteve a sua posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica contra a guerra e o governo. Aderiu, portanto \u00e0 confer\u00eancia antimilitarista de Zimmerwald, se bem que o seu internacionalismo fosse de natureza mais informe. Em seguida, a vanguarda do partido oper\u00e1rio italiano empurrou ainda mais \u00e0 esquerda os c\u00edrculos dirigentes, e o partido entrou na III Internacional junto com Turati, que nos seus artigos e nos seus discursos procurava demonstrar que a III Internacional n\u00e3o era outra coisa que uma arma diplom\u00e1tica nas m\u00e3os da pot\u00eancia sovi\u00e9tica, e que sob a cobertura do internacionalismo lutava pelos interesses nacionais do povo russo. N\u00e3o \u00e9 monstruoso escutar ju\u00edzos do g\u00eanero da parte de um &#8220;companheiro&#8221; \u2013 se me \u00e9 consentido cham\u00e1-lo assim \u2013 da Terceira internacional? O car\u00e1ter antinatural do ingresso do PSI, na sua velha forma, na Internacional Comunista se demonstrou de modo mais clamoroso, durante a a\u00e7\u00e3o de massa em setembro do ano passado [1920]. O menos que se pode dizer \u00e9 que o partido durante este movimento traiu a classe oper\u00e1ria. Se nos perguntam como e porque o partido no outono do ano passado bateu em retirada e capitulou, enquanto ocorria a greve de massa, enquanto os trabalhadores ocupavam as f\u00e1bricas, as terras etc., se nos perguntam que coisa contribuiu mais para esta trai\u00e7\u00e3o (reformismo c\u00ednico, indecis\u00e3o, estupidez pol\u00edtica ou outro) seria dif\u00edcil dar uma resposta. O PSI sofreu depois da guerra a influ\u00eancia da IC, permitindo que sua ala esquerda (correspondente \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o das massas oper\u00e1rias) avan\u00e7asse de modo mais aberto que a ala direita, mas o aparato organizativo permaneceu essencialmente nas m\u00e3os do centro e da ala direita. A agita\u00e7\u00e3o era conduzida em nome da ditadura do proletariado, do poder dos sovietes, pela foice e martelo, pela R\u00fassia sovi\u00e9tica etc. A classe italiana tomou a s\u00e9rio estas palavras de ordem e tomou o caminho da luta revolucion\u00e1ria aberta. Em setembro do ano passado o movimento chegou at\u00e9 as ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, minas, latif\u00fandios etc. Mas exatamente no momento no qual o partido deveria ter tirado todas as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas, pol\u00edticas e organizativas, que surgiam da sua agita\u00e7\u00e3o, recuou assustado diante da sua responsabilidade, enfraquecendo a posi\u00e7\u00e3o do proletariado e as massas oper\u00e1rias foram deixadas \u00e0 merc\u00ea dos bandos fascistas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A classe oper\u00e1ria esperava que o partido, que a tinha chamado para a luta, assegurasse o sucesso do seu assalto. E este sucesso podia realmente ser assegurado, a esperan\u00e7a de uma vit\u00f3ria era plenamente fundada, porque o governo burgu\u00eas estava ent\u00e3o desmoralizado e paralisado e n\u00e3o podia depender nem do ex\u00e9rcito, nem do aparato da pol\u00edcia. Naturalmente, como j\u00e1 dissemos, a classe oper\u00e1ria acreditava que o partido, permanecendo \u00e0 sua frente, conduziria a luta at\u00e9 o fim. Mas, ao contr\u00e1rio, no momento decisivo o partido se retirou, privou de dire\u00e7\u00e3o e desarmou as massas. Ent\u00e3o se tornou definitivamente e completamente claro que as filas da Internacional n\u00e3o podiam ter lugar para pol\u00edticos deste tipo. O Executivo da Internacional agiu de modo absolutamente correto quando, em seguida \u00e0 cis\u00e3o que se verificou pouco depois no partido italiano, declarou que somente a ala da esquerda comunista pertencia \u00e0 IC. Assim, o partido de Serrati, isto \u00e9, a maioria do velho PSI, foi expulsa da IC. Infelizmente (e isto encontra uma explica\u00e7\u00e3o nas circunst\u00e2ncias particularmente desfavor\u00e1veis, mas talvez tamb\u00e9m nos erros de nossa parte) o Partido Comunista da It\u00e1lia p\u00f4de contar no momento de sua funda\u00e7\u00e3o com menos de 50.000 inscritos, enquanto o Partido de Serrati conservou, pelo menos, 100.000, entre os quais 14.000 reformistas declarados (que anteriormente realizaram sua pr\u00f3pria confer\u00eancia em Reggio Emilia). Verdade que os 100.000 trabalhadores do PSI n\u00e3o s\u00e3o de modo algum nossos advers\u00e1rios. Se at\u00e9 agora n\u00e3o nos foi poss\u00edvel atra\u00ed-los todos \u00e0s nossas fileiras, n\u00e3o \u00e9 por culpa nossa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A justeza desta avalia\u00e7\u00e3o foi demonstrada pelo fato de que o PSI, expulso da Internacional, mandou tr\u00eas representantes ao nosso Congresso. Que coisa significa isto? Os c\u00edrculos dirigentes se colocaram com sua pol\u00edtica fora da Internacional, mas a massa oper\u00e1ria lhes obriga ainda a bater \u00e0 nossa porta. Deste modo os oper\u00e1rios socialistas manifestaram a sua orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e a sua vontade de estar conosco. Mas s\u00e3o dirigidos por homens que demonstraram n\u00e3o terem assimilado o modo de pensar e os m\u00e9todos comunistas. Assim, os oper\u00e1rios italianos que pertencem ao partido de Serrati mostraram ser, na maioria, de orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas de n\u00e3o ter ainda a necess\u00e1ria clareza pol\u00edtica. No nosso Congresso estava o velho Lazzari. Pessoalmente \u00e9 uma figura muito simp\u00e1tica, um velho combatente absolutamente sincero, um homem irrepreens\u00edvel, mas de nenhum modo um comunista. Ele est\u00e1 completamente \u00e0 merc\u00ea de concep\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, humanit\u00e1rias e pacifistas, e no congresso se expressou assim: <i>\u00abVoc\u00eas superestimam o significado de Turati. Voc\u00eas superestimam o significado dos nossos reformistas em geral. Voc\u00eas exigem que n\u00f3s os expulsemos. Mas como poderemos expuls\u00e1-los se obedecem \u00e0 disciplina do partido? Se nos houvessem dado motivo para fazer isso com um s\u00f3 caso de rebeli\u00e3o no partido, se tivessem entrado no governo contra as nossas delibera\u00e7\u00f5es, se houvessem aprovado o or\u00e7amento militar contra as nossas decis\u00f5es, ent\u00e3o poder\u00edamos expuls\u00e1-los. Mas, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o\u00bb<\/i>.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">J\u00e1 citamos os artigos de Turati, que v\u00e3o completamente contra o abc do socialismo revolucion\u00e1rio. Mas Lazzari sustentava que estes artigos n\u00e3o s\u00e3o fatos, que no seu partido existe o direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o etc. etc. Ent\u00e3o lhe respondemos: <i>\u00abdesculpe, se para a expuls\u00e3o de Turati necessitam que ele cometa um \u201cfato\u201d, isto \u00e1, que obtenha um minist\u00e9rio de Giolitti, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que Turati, que \u00e9 um pol\u00edtico inteligente, n\u00e3o dar\u00e1 nunca tal passo, porque Turati n\u00e3o \u00e9 um vulgar carreirista que aspira uma cadeira ministerial. Turati \u00e9 um oportunista provado, um inimigo irreconcili\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o, mas, ao seu modo, \u00e9 um pol\u00edtico idealista que deseja, custe o que custar, salvar a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d democr\u00e1tico-burguesa, e que por isso deseja derrotar as correntes revolucion\u00e1rias da classe oper\u00e1ria\u00bb<\/i>. Se Giolitti lhe oferecesse um minist\u00e9rio (e isto no pr\u00f3ximo per\u00edodo ocorrer\u00e1 provavelmente mais de uma vez) Turati lhe responderia mais ou menos assim: <i>\u00abSe eu aceitasse o minist\u00e9rio cometeria um daqueles \u201cfatos\u201d de que fala Lazzari. Assim que o tivesse aceitado eu seria imediatamente pego no \u201cfato\u201d e expulso do partido. E assim que fosse expulso do partido, tamb\u00e9m voc\u00ea, caro amigo Giolitti, poderia fazer o mesmo comigo, porque voc\u00ea necessita de mim apenas enquanto sou ligado a um grande partido oper\u00e1rio; depois de cassado do partido tamb\u00e9m voc\u00ea me cassaria do minist\u00e9rio. Por isso n\u00e3o aceito o minist\u00e9rio; n\u00e3o presentearei Lazzari com o \u201cfato\u201d e permanecerei 0 l\u00edder \u201cde fato\u201d do partido socialista\u00bb<\/i>. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esta \u00e9, mais ou menos, a argumenta\u00e7\u00e3o de Turati. E tem raz\u00e3o, \u00e9 muito mais previdente do que o idealista e pacifista Lazzari. <i>\u00abVoc\u00eas superestimam o grupo de Turati\u00bb <\/i>replica Lazzari, <i>\u00abse trata de um pequeno grupo, como se diria em franc\u00eas: uma quantidade negligenci\u00e1vel\u00bb<\/i>. Ent\u00e3o lhe opuseram: <i>\u00abMas se tomar em conta que enquanto voc\u00ea se apresenta aqui na Internacional em Moscou para pedir para lhe aceitar, Giolitti est\u00e1 j\u00e1 telefonando: &#8220;Sabe, caro amigo, que Lazzari foi a Moscou e talvez fa\u00e7a qualquer promessa perigosa aos bolcheviques em nome do teu partido?&#8221;. E sabe que coisa responde Turati? Diz-lhe seguramente: &#8220;Esteja tranquilo, caro Giolitti, \u00e9 uma quantidade negligenc\u00edavel&#8221;.<\/i> E tem incomparavelmente mais raz\u00e3o do que Lazzari.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Este foi nosso di\u00e1logo com os oscilantes representantes de uma grande parte dos oper\u00e1rios italianos. Ao final se decidiu por um ultimato aos socialistas italianos: convocar um congresso em at\u00e9 tr\u00eas meses, expulsar neste congresso todos os reformistas (todos aqueles que se autodefiniram assim na confer\u00eancia de Reggio Emilia), e unir-se aos comunistas sobre a base das delibera\u00e7\u00f5es do III Congresso. Quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias diretas destas resolu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode dizer com precis\u00e3o. Que todos os seguidores de Serrati venham para n\u00f3s? Eu duvido. E de resto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel. Entre eles existe gente das quais n\u00e3o sabemos o que fazer. Mas o passo tomado pelo congresso foi justo. Foi projetado para reconquistar os oper\u00e1rios provocando uma cis\u00e3o entre os l\u00edderes oscilantes.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Rodrigo Ricupero<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresentamos abaixo a contribui\u00e7\u00e3o dos companheiros italianos para os 70 anos da morte de Leon Trotsky. 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