{"id":12341,"date":"2015-11-03T23:44:00","date_gmt":"2015-11-04T01:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/?p=12341"},"modified":"2015-11-03T23:44:00","modified_gmt":"2015-11-04T01:44:00","slug":"repudiamos-o-amplo-pacto-contrarrevolucionario-que-tenta-manter-assad-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/11\/03\/repudiamos-o-amplo-pacto-contrarrevolucionario-que-tenta-manter-assad-no-poder\/","title":{"rendered":"Repudiamos o amplo pacto contrarrevolucion\u00e1rio que tenta manter Assad no poder"},"content":{"rendered":"<p><em>A guerra civil na S\u00edria se aproxima do seu quinto ano. Durante esse tempo, a sanha com que o ditador Al Assad se aferra ao poder simplesmente destruiu o pa\u00eds. Mais de 250 mil pessoas morreram. Dois milh\u00f5es ficaram feridas, entre elas milhares est\u00e3o incapacitadas de forma irrevers\u00edvel.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Secretariado Internacional da LIT-QI<\/p>\n<p>Segundo um informe da ONU, seis milh\u00f5es de pessoas foram obrigadas a fugir de seus lares, o que representa um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. O Observat\u00f3rio S\u00edrio para os Direitos Humanos eleva esse n\u00famero a 11 milh\u00f5es. Entre eles, mais de dois milh\u00f5es cruzaram as fronteiras, metade deles menores de idade, e se transformaram em &#8220;refugiados&#8221; na Jord\u00e2nia, L\u00edbano, Iraque e Turquia. Agora batem nas portas da Europa e disparam os alarmes dos governos. Em torno de 280 mil s\u00edrios chegaram \u00e0s costas europeias pelo Mediterr\u00e2neo, 40% do total de refugiados no decorrer deste ano.<\/p>\n<p>A S\u00edria se esvai em sangue diante dos olhos do mundo. A destrui\u00e7\u00e3o da infraestrutura do pa\u00eds, cujas cidades mostram um panorama fantasmag\u00f3rico, e a terr\u00edvel perda populacional sem d\u00favida marcar\u00e3o a ferro e fogo esta sociedade nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><strong>Os ataques da R\u00fassia a favor de Assad<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, depois de meses em que parecia prevalecer um \u201cimpasse\u201d militar, a apari\u00e7\u00e3o da R\u00fassia em cena come\u00e7a a mostrar mudan\u00e7as no curso da guerra civil s\u00edria.<\/p>\n<p>O regime de Damasco, sob a cobertura do bombardeio lan\u00e7ado pela avia\u00e7\u00e3o e pela marinha de Putin, iniciou uma ofensiva terrestre sobre as posi\u00e7\u00f5es rebeldes.<\/p>\n<p>Em cidades como Idlib e Hama (oeste), Alepo (norte) e Latakia (costa mediterr\u00e2nea), feudo da fam\u00edlia Assad e regi\u00e3o onde Moscou defende sua base naval de Tartus, as tropas da ditadura avan\u00e7am junto com milhares de combatentes da mil\u00edcia libanesa Hezbollah e centenas de \u201cguardas revolucion\u00e1rios\u201d iranianos.<\/p>\n<p>Apesar das declara\u00e7\u00f5es do Kremlin, a esta altura est\u00e1 bem claro que os ataques russos n\u00e3o s\u00e3o dirigidos contra o Estado Isl\u00e2mico (EI), que inclusive os aproveitou para conquistar terreno em Alepo, mas principalmente contra posi\u00e7\u00f5es das mil\u00edcias antiditatoriais. Basta olhar o mapa da S\u00edria para perceber que as bombas russas caem muito longe do chamado \u201ccalifado\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_12344\" style=\"width: 268px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/i0.wp.com\/litci.org\/es\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mapa-de-bombardeos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12344\" class=\"size-medium wp-image-12344\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bombardeios-258x300.png\" alt=\"Bombardeios russos na S\u00edria\" width=\"258\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bombardeios-258x300.png 258w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bombardeios-150x174.png 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bombardeios-300x349.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/bombardeios.png 560w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12344\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bombardeios russos na S\u00edria<\/em><\/p><\/div>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o mais direta e decidida da R\u00fassia tem a ver, fundamentalmente, com a deteriorada situa\u00e7\u00e3o do regime s\u00edrio, muito golpeado depois de quase cinco anos enfrentando a revolu\u00e7\u00e3o. Na realidade, o \u201cimpasse\u201d militar nunca significou uma pausa da sangria de recursos do regime. O ditador Assad n\u00e3o controla mais do que 25% do territ\u00f3rio. A rigor, ele conseguiu se manter no poder at\u00e9 agora exatamente devido ao apoio que recebe de pa\u00edses como R\u00fassia, Ir\u00e3, China, da mil\u00edcia libanesa Hezbollah, e at\u00e9 de governos que se dizem \u201cprogressistas\u201d, como o da Venezuela e o de Cuba.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o poder militar russo \u00e9 superior ao de qualquer um dos aliados do regime s\u00edrio, mas seria equivocado concluir que, por causa da interven\u00e7\u00e3o de Putin, a revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 necessariamente &#8220;condenada&#8221;.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar porque n\u00e3o existem, at\u00e9 agora, \u201ctropas em terra\u201d. No plano militar, os bombardeios podem ajudar muito, mas o combate direto com os rebeldes continua recaindo sobre as for\u00e7as golpeadas do regime e sobre os milicianos do Hezbollah e do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, as mil\u00edcias rebeldes est\u00e3o resistindo \u00e0 ofensiva de maneira tenaz. \u00a0Fazem isso a duras penas, pois n\u00e3o possuem as armas pesadas e a tecnologia militar necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Mesmo encurralada, a revolu\u00e7\u00e3o continua.<\/strong> Este \u00e9 um elemento central e indiscut\u00edvel que, como expusemos, explica a interven\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e todas as a\u00e7\u00f5es atuais do imperialismo.<\/p>\n<p>Idlib continua controlada por for\u00e7as rebeldes, principalmente por grupos islamitas como Al Nusra e Ahrar al-Sham, que comp\u00f5em a chamada Frente da Conquista. Combate-se palmo a palmo em Alepo. E permanecem bols\u00f5es de opositores armados em Daraa\u00a0(sul) e na pr\u00f3pria periferia de Damasco (Guta Oriental). No Curdist\u00e3o s\u00edrio, as mil\u00edcias\u00a0curdas continuam mantendo as hordas do Estado Isl\u00e2mico (EI) fora do seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Um amplo acordo contrarrevolucion\u00e1rio e suas dificuldades<\/strong><\/p>\n<p>Dessa forma, enquanto as mil\u00edcias rebeldes devem enfrentar em terra o eixo Assad-R\u00fassia-Ir\u00e3-Hezbollah-Estado Isl\u00e2mico, no terreno diplom\u00e1tico \u00e9 evidente que h\u00e1 um amplo pacto entre EUA, Europa, R\u00fassia e Ir\u00e3 para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o e \u201cestabilizar\u201d o pa\u00eds. Podem divergir quanto aos ritmos e \u00e0s formas, mas esse \u00e9 seu objetivo fundamental. Faz mais de um ano que Washington n\u00e3o prop\u00f5e a ren\u00fancia de Assad, ainda que continue criticando retoricamente a ditadura s\u00edria e a responsabilize por crimes \u201chumanit\u00e1rios\u201d. Pelo contr\u00e1rio, desde que come\u00e7aram os bombardeios dos EUA em solo s\u00edrio, Obama e seus generais insistem que o \u201cobjetivo imediato\u201d \u00e9 derrotar o Estado Isl\u00e2mico e n\u00e3o promover a sa\u00edda de Assad do poder.<\/p>\n<p>Com essa pol\u00edtica, os EUA n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o &#8220;deixando correr&#8221; os ataques russos contra os rebeldes como tamb\u00e9m mant\u00eam contatos com Moscou sobre &#8220;a necessidade de coordenar a luta contra o Estado Isl\u00e2mico e outras organiza\u00e7\u00f5es terroristas\u201d. O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores russo informou que &#8220;tem discutido [com os EUA] como resolver a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria&#8221;, apontando juntos uma \u201csa\u00edda negociada\u201d<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Nesse sentido, concretizou-se h\u00e1 alguns dias um acordo entre ambos os pa\u00edses para &#8220;coordenar &#8221; o uso do espa\u00e7o a\u00e9reo na S\u00edria<sup>2<\/sup>, uma divis\u00e3o de tarefas em que \u201c<em>voc\u00ea bombardeia aqui e n\u00e3o ali<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Diante do prolongamento de uma guerra aparentemente &#8220;sem sa\u00edda &#8220;; da apari\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico nos territ\u00f3rios da S\u00edria e do Iraque, que comp\u00f5em seu &#8220;califado&#8221;; e, mais ainda, diante da enorme press\u00e3o exercida pela incessante chegada de refugiados s\u00edrios \u00e0 Europa, o imperialismo norte-americano e europeu aceleram os esfor\u00e7os para \u201cestabilizar\u201d o pa\u00eds mediante uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d sem necessariamente exigir a sa\u00edda pr\u00e9via de Assad, mas contemplando sua participa\u00e7\u00e3o no \u201cprocesso de negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 em mar\u00e7o, o chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, admitiu que \u201cao final vamos ter que negociar\u201d. Por outro lado, est\u00e1 claro que os bombardeios russos, al\u00e9m de abrir o caminho para as tropas ditatoriais s\u00edrias, pretendem \u201cfor\u00e7ar\u201d uma negocia\u00e7\u00e3o que mantenha Assad no poder. Este \u00e9, de fato, o objetivo que o pr\u00f3prio Assad vem perseguindo desde a apari\u00e7\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico, ao tentar mostrar-se como &#8220;um mal necess\u00e1rio&#8221; para &#8220;combater o terrorismo&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, Kerry deixou mais evidente a pol\u00edtica norte-americana: \u201c<em>Temos que estabelecer uma negocia\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o que estamos buscando e esperamos que a R\u00fassia e o Ir\u00e3, e outros pa\u00edses com influ\u00eancia, ajudem a conseguir, j\u00e1 que \u00e9 isso que est\u00e1 impedindo que esta crise termine [&#8230;] Estamos preparados para negociar. Assad est\u00e1 preparado para negociar, realmente negociar? E a R\u00fassia est\u00e1 preparada para traz\u00ea-lo \u00e0 mesa?<\/em>&#8220;, questionou. Ao mesmo tempo, enfatizou que uma poss\u00edvel sa\u00edda de Assad &#8220;<em>n\u00e3o tem que ser no primeiro dia ou no primeiro m\u00eas (&#8230;) h\u00e1 um processo pelo qual todas as partes t\u00eam que se juntar para chegar a um acordo sobre como isto pode ser alcan\u00e7ado da melhor forma<\/em>&#8220;<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Angela Merkel, que lidera o principal imperialismo europeu, opinou no mesmo sentido: &#8220;<em>Devemos conversar com todos os participantes, incluindo Assad e outros<\/em>&#8220;<sup>4<\/sup>. O chanceler alem\u00e3o, Frank Walter Steinmeier, agora admite: &#8220;<em>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que com a presen\u00e7a da R\u00fassia algo mudou<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Philip Hammond, ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brit\u00e2nico, relaxou suas &#8220;condi\u00e7\u00f5es&#8221; para a perman\u00eancia de Assad no poder, dizendo: &#8220;<em>Podemos ser flex\u00edveis no que diz respeito \u00e0 forma de sua sa\u00edda do poder e podemos ser flex\u00edveis sobre o calend\u00e1rio<\/em>&#8220;<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a, Laurent Fabius, expressou o mesmo quando anunciou que seu governo n\u00e3o exigir\u00e1 mais a ren\u00fancia de Assad como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para iniciar as &#8220;negocia\u00e7\u00f5es de paz&#8221;: &#8220;<em>Se pedirmos que Al Assad saia inclusive antes que as negocia\u00e7\u00f5es comecem, n\u00e3o chegaremos muito longe<\/em>&#8220;<sup>6<\/sup>. Jos\u00e9 Garc\u00eda-Margallo, chanceler espanhol, h\u00e1 muito tempo tem a mesma opini\u00e3o: &#8220;<em>chegou o momento de estabelecer negocia\u00e7\u00f5es com o regime de Bashar Al Assad<\/em>&#8220;<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Assim, no dia 23 de outubro, John Kerry e Sergei Lavrov, ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores russo, reuniram-se em Viena com os chanceleres da Ar\u00e1bia Saudita e da Turquia para convocar uma c\u00fapula internacional &#8220;mais ampla&#8221; sobre a S\u00edria. O governo do Ir\u00e3, que desde o \u201cpacto nuclear\u201d passou a colaborar mais abertamente com o imperialismo para &#8220;pacificar&#8221; a regi\u00e3o, foi convidado para esta reuni\u00e3o. Cabe destacar que tanto o governo do Ir\u00e3 como o da R\u00fassia est\u00e3o interessados em \u201csolucionar\u201d o conflito s\u00edrio, obviamente de uma forma favor\u00e1vel a seus interesses, j\u00e1 que a guerra representa gastos imensos e crescentes para seus cofres.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia de Viena reuniu chanceleres de 17 pa\u00edses, entre eles Estados Unidos, R\u00fassia, Ar\u00e1bia Saudita e, pela primeira vez, o Ir\u00e3. Entretanto, nem o regime s\u00edrio nem representantes da oposi\u00e7\u00e3o participaram. A reuni\u00e3o, apesar de ter sido qualificada como um &#8220;primeiro passo&#8221; importante pelos EUA e pela R\u00fassia, terminou com uma declara\u00e7\u00e3o vaga: &#8220;acelerar os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos para acabar com a guerra&#8221;. No entanto, fica claro o &#8220;roteiro&#8221; que a casa Branca e o Kremlin est\u00e3o elaborando: &#8220;instar a ONU para reunir o governo s\u00edrio e a oposi\u00e7\u00e3o em um processo que leve a elei\u00e7\u00f5es&#8221;; e, sobretudo, &#8220;manter as institui\u00e7\u00f5es&#8221; depois de finalizada a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta nova investida diplom\u00e1tica certamente pode ter efeitos pol\u00edticos concretos. No entanto, \u00e9 importante considerar as contradi\u00e7\u00f5es e as dificuldades que o imperialismo, Putin e os aiatol\u00e1s iranianos ter\u00e3o para alcan\u00e7ar um acordo efetivo. Assad continua com sua ofensiva: no mesmo dia da confer\u00eancia em Viena, o regime s\u00edrio bombardeou um mercado ao leste de Damasco, matando mais de 50 civis. A chamada &#8220;oposi\u00e7\u00e3o moderada&#8221;, ou seja, a Coaliz\u00e3o Nacional para as For\u00e7as da Oposi\u00e7\u00e3o e da Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria (CNFORS) nem sequer foi convidada para a confer\u00eancia. Por outro lado, ser\u00e1 muito dif\u00edcil conciliar os interesses regionais entre Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3. O mesmo acontece com a Turquia e os curdos s\u00edrios. Estes \u00faltimos tiveram avan\u00e7os militares em Rojava e respondem ao PKK turco, considerado &#8220;organiza\u00e7\u00e3o terrorista&#8221; por Ancara. Em s\u00edntese: depois de quase cinco anos de uma matan\u00e7a atroz, ser\u00e1 dif\u00edcil que uma e inclusive v\u00e1rias reuni\u00f5es de c\u00fapula dos chanceleres terminem com os combates a curto prazo. A perspectiva de que o conflito s\u00edrio continue como uma &#8220;guerra prolongada&#8221; ainda \u00e9 a mais prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental repudiar qualquer tipo de \u201csa\u00edda negociada\u201d, pois nenhum acordo alcan\u00e7ado entre o imperialismo e os governos da R\u00fassia, do Ir\u00e3 ou da Turquia pode ser ben\u00e9fico para o povo s\u00edrio. Qualquer tipo de \u201ctransi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, independentemente de manter Al Assad por mais ou menos tempo no poder, n\u00e3o tem e nem ter\u00e1 o objetivo de atender as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e econ\u00f4micas do povo s\u00edrio.<\/p>\n<p>Inclusive no caso de serem realizadas algumas concess\u00f5es, uma sa\u00edda \u201cpor cima\u201d sempre estar\u00e1 a servi\u00e7o de perpetuar a ess\u00eancia do regime antidemocr\u00e1tico (\u201cmanter as institui\u00e7\u00f5es\u201d) e entreguista s\u00edrio. Isso sem falar da estrutura capitalista semicolonial do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Somente a revolu\u00e7\u00e3o pode derrotar Al Assad e, com ele, destruir as bases desse regime repressor, corrupto e servil ao imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Redobrar a solidariedade com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria atravessa um momento dif\u00edcil. A frente contrarrevolucion\u00e1ria se \u00a0amplia e come\u00e7a a ter avan\u00e7os no campo de batalha.<\/p>\n<p>A maioria da esquerda mundial, que lamentavelmente continua apoiando o ditador Assad, deve rever essa posi\u00e7\u00e3o que trai a heroica luta do povo s\u00edrio.<\/p>\n<p>A ladainha sobre o suposto \u201canti-imperialismo\u201d do ditador s\u00edrio \u00e9 cada vez mais rid\u00edcula. A esta altura, est\u00e1 evidente que a pol\u00edtica do imperialismo norte-americano e europeu n\u00e3o \u00e9 &#8220;derrotar&#8221; Bashar Al Assad. Se o ditador pode garantir certa \u201cestabilidade\u201d ou, ao menos, um cen\u00e1rio \u201cmenos ca\u00f3tico\u201d que o atual, o imperialismo n\u00e3o duvidar\u00e1 em apoi\u00e1-lo. Ao mesmo tempo, o pr\u00f3prio Assad n\u00e3o mede esfor\u00e7os para se mostrar &#8220;confi\u00e1vel&#8221; e &#8220;necess\u00e1rio&#8221; para os planos imperialistas na regi\u00e3o. Continuamos afirmando que a \u00fanica sa\u00edda progressiva para o povo s\u00edrio e de todo o Oriente M\u00e9dio e do Magreb \u00e9 a derrota da ditadura s\u00edria e de seus aliados. Este seria um &#8220;ponto de partida&#8221; fundamental. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio opor-se tanto aos bombardeios russos como aos dos EUA. Tamb\u00e9m devemos nos opor ao recente envio de &#8220;unidades especiais&#8221; norte-americanas \u00e0 S\u00edria, que, segundo Obama anunciou, serviriam de \u201cassessores\u201d contra o Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 crucial se opor ao pacto contrarrevolucion\u00e1rio em gesta\u00e7\u00e3o, que busca uma &#8220;sa\u00edda negociada&#8221; para desmontar a revolu\u00e7\u00e3o, preservar a ess\u00eancia do regime e manter no poder, por um per\u00edodo mais ou menos longo, o sanguin\u00e1rio ditador s\u00edrio.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe negocia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel com quem tem massacrado o povo s\u00edrio e destru\u00eddo o pa\u00eds! N\u00e3o se pode confiar nas pot\u00eancias que agora bombardeiam a S\u00edria!<\/p>\n<p>Mais do que nunca, a unidade entre rebeldes \u00e1rabes e destes com os curdos para derrotar a ditadura, o Estado Isl\u00e2mico e o imperialismo \u00e9 decisiva e uma condi\u00e7\u00e3o para a vit\u00f3ria. A unidade de a\u00e7\u00e3o entre as YPG curdas e o ELS que ocorreu em Kobane e em Tal Abyad \u00a0continua mostrando qual \u00e9 o caminho a seguir!<\/p>\n<p>Dessa forma, no calor do combate contra o regime s\u00edrio e seus aliados, o Estado Isl\u00e2mico e o imperialismo, \u00e9 necess\u00e1rio ir forjando uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria capaz de orientar esta luta em dire\u00e7\u00e3o a um programa oper\u00e1rio, socialista e internacionalista.<\/p>\n<p>Fora da S\u00edria, a grande tarefa \u00e9 organizar a solidariedade ativa e exigir de cada um de nossos governos n\u00e3o s\u00f3 a ruptura das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com a ditadura de Assad como tamb\u00e9m o envio incondicional de armas pesadas, rem\u00e9dios e todo tipo de equipamentos para as tropas rebeldes. Na R\u00fassia, \u00e9 necess\u00e1rio chamar o povo para repudiar a interven\u00e7\u00e3o de Putin em solo s\u00edrio.<\/p>\n<p>A solidariedade internacional com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria \u00e9 urgente. Um apoio decidido das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, sociais, democr\u00e1ticas e, obviamente, dos partidos de esquerda certamente pode inclinar a balan\u00e7a a favor do povo s\u00edrio. Essa deve ser nossa tarefa imediata.<\/p>\n<p><strong>Pela derrota de Al Assad, da R\u00fassia, do Estado Isl\u00e2mico e do imperialismo!<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o aos bombardeios dos EUA e da R\u00fassia!<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e0s \u201cunidades especiais\u201d dos EUA na S\u00edria!<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o ao pacto contrarrevolucion\u00e1rio de uma &#8220;sa\u00edda negociada&#8221; na S\u00edria!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela vit\u00f3ria das for\u00e7as rebeldes!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>S\u00e3o Paulo, 29 de outubro de 2015.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1. http:\/\/noticias.lainformacion.com\/politica\/cumbre\/kerry-llama-a-lavrov-para-coordinar-las-acciones-militares-en-siria_CCZMfF0Nw9NyymMCT1kY7\/ ; http:\/\/www.voanoticias.com\/media\/video\/estadosunidos-rusia-siria-bombardeos-\/2987836.html<\/p>\n<p>2. http:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2015\/10\/17\/5621d2e946163fd80a8b45e6.html<\/p>\n<p>3. http:\/\/www.europapress.es\/internacional\/noticia-siria-kerry-dice-ahora-salida-assad-no-tiene-ser-inmediata-negociada-20150919144006.html<\/p>\n<p>4. http:\/\/br.sputniknews.com\/mundo\/20150923\/2215074\/Merkel-Assad-negociacao-Siria.html#ixzz3pu5k08Bc<\/p>\n<p>5. http:\/\/www.diariobae.com\/notas\/100770-el-ei-llamo-a-los-musulmanes-del-mundo-entero-a-la-guerra-santa-contra-rusia-y-ee-uu.html?print=print<\/p>\n<p>6.\u00a0http:\/\/www.europapress.es\/internacional\/noticia-francia-renuncia-exigir-salida-assad-requisito-dialogo-paz-20150921232849.html<\/p>\n<p>7. http:\/\/www.abc.es\/internacional\/20150907\/abci-margallo-assad-siria-iran-201509072025.html<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Tha\u00eds Rossi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra civil na S\u00edria se aproxima do seu quinto ano. Durante esse tempo, a sanha com que o ditador Al Assad se aferra ao poder simplesmente destruiu o pa\u00eds. Mais de 250 mil pessoas morreram. Dois milh\u00f5es ficaram feridas, entre elas milhares est\u00e3o incapacitadas de forma irrevers\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":12342,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610,569],"tags":[3838,8095,6879,343,4696,7226,4523,570],"class_list":["post-12341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","category-siria","tag-bashar-al-assad","tag-estado-islamico","tag-estados-unidos","tag-imperialismo-2","tag-ira","tag-revolucao-siria","tag-russia","tag-siria-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/pacto-siria.jpg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es","S\u00edria"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}