{"id":12243,"date":"2015-10-30T09:22:09","date_gmt":"2015-10-30T11:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/?p=12243"},"modified":"2015-10-30T09:22:09","modified_gmt":"2015-10-30T11:22:09","slug":"solidariedade-com-a-greve-dos-trabalhadores-texteis-de-mahalla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/30\/solidariedade-com-a-greve-dos-trabalhadores-texteis-de-mahalla\/","title":{"rendered":"Solidariedade com a greve dos trabalhadores t\u00eaxteis de Mahalla"},"content":{"rendered":"<p><em>Mais de 20.000 trabalhadores e trabalhadoras de duas importantes empresas p\u00fablicas da ind\u00fastria t\u00eaxtil eg\u00edpcia est\u00e3o em greve desde o dia 21 de outubro. Uma das empresas, a Misr Spinning and Weaving Company, em Mahalla, \u00e9 a maior do setor, com mais de 17.000 trabalhadores, dos quais 14.000 est\u00e3o em greve. A outra empresa paralisada \u00e9 a Kafr al-Dawwar, que aderiu ao movimento no \u00faltimo domingo. Cerca de 8.000 trabalhadoras cruzaram os bra\u00e7os e pararam a atividade das m\u00e1quinas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Gabriel Huland<\/p>\n<p>As trabalhadoras protestam contra a negativa do presidente al-Sisi de conceder um b\u00f4nus salarial prometido em julho no valor de 10% dos sal\u00e1rios. As duas empresas est\u00e3o localizadas no Delta do Nilo, a zona mais industrializada do pa\u00eds e cen\u00e1rio de v\u00e1rios protestos, bloqueios e paralisa\u00e7\u00f5es parciais que envolveram milhares de pessoas nos \u00faltimos anos. A ind\u00fastria t\u00eaxtil eg\u00edpcia \u00e9 uma das mais importantes do pa\u00eds, junto com a do turismo, a metal\u00fargica e dos derivados de petr\u00f3leo. As trabalhadoras do setor t\u00eaxtil t\u00eam sido a vanguarda do movimento oper\u00e1rio do pa\u00eds no \u00faltimo per\u00edodo, mantendo viva a chama da primavera \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Em 2008, uma greve de trabalhadoras da ind\u00fastria t\u00eaxtil na mesma cidade de Mahalla foi apoiada por v\u00e1rios ativistas pr\u00f3-democracia que depois constitu\u00edram o Movimento 6 de Abril, um dos grupos mais ativos na revolu\u00e7\u00e3o que derrubou Mubarak em janeiro de 2011 e que agora sofre uma dura persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. V\u00e1rios integrantes do grupo est\u00e3o na cadeia. O Movimento 6 de Abril se dividiu depois da revolu\u00e7\u00e3o, com uma parte apoiando os militares e outra adotando uma posi\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana e \u00e0 junta militar.<\/p>\n<p>O governo reprime a luta de Mahalla com amea\u00e7as de descontar os dias n\u00e3o trabalhados, bem como de aplicar a lei antiprotestos contra os ativistas. At\u00e9 o dia 29 de outubro, o movimento continuava com for\u00e7a, apesar da press\u00e3o feita pela Federa\u00e7\u00e3o \u00danica de Sindicatos Eg\u00edpcios, oficialista e ligada ao governo, para que as trabalhadoras voltassem a seus postos de trabalho. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres no movimento \u00e9 grande, levando em conta que a ind\u00fastria t\u00eaxtil \u00e9 uma das que mais utiliza m\u00e3o de obra feminina. A reivindica\u00e7\u00e3o central das grevistas \u00e9 a concess\u00e3o do b\u00f4nus prometido pelo Executivo com efeito retroativo a julho de 2015. O governo afirma que elas n\u00e3o t\u00eam esse direito pois j\u00e1 receberam um aumento recentemente.<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o e crise econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>A economia eg\u00edpcia continua se deteriorando apesar das medidas anunciadas por Sisi, tais como ampliar o Canal de Suez, construir uma nova capital administrativa, privatizar empresas p\u00fablicas e realizar uma confer\u00eancia para atrair investidores estrangeiros.<\/p>\n<p>A balan\u00e7a comercial do pa\u00eds mais povoado do mundo \u00e1rabe est\u00e1 negativa, o que o torna extremamente dependente dos investimentos estrangeiros. O governo precisa importar trigo e outros produtos para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o dos mais de 80 milh\u00f5es de eg\u00edpcios, grande parte dos quais sofre de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e problemas de desenvolvimento f\u00edsico. De fato, um dos detonantes da revolu\u00e7\u00e3o de 2011 foi o aumento do pre\u00e7o do trigo, que provocou uma perda imediata do poder aquisitivo da imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, cerca de 60% das terras cultiv\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o utilizadas apropriadamente, o que se soma ao fato de que, devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, as cheias do Nilo s\u00e3o cada vez menos potentes e irrigam cada vez menos terras.<\/p>\n<p>A d\u00edvida externa recentemente chegou a 47 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, a infla\u00e7\u00e3o continua em alta (9,2% em setembro) e os sal\u00e1rios se mant\u00eam nos mesmos n\u00edveis de antes da revolu\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds gastou mais de 5,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com os juros da d\u00edvida em 2014\/2015, 3,2 bilh\u00f5es em 2013\/2014 e 2,6 bilh\u00f5es em 2009\/2010, segundo o site <em>Madamasr.<\/em> Por outro lado, as arrecada\u00e7\u00f5es provenientes do Canal de Suez tendem a diminuir por causa da redu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial de petr\u00f3leo, apesar das obras de expans\u00e3o rec\u00e9m terminadas. O FMI exige medidas &#8220;estruturais&#8221; para emprestar dinheiro para o pa\u00eds e Sisi tenta estreitar rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do Golfo, assim como com\u00a0 Israel e Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es legislativas nada transparentes<\/strong><\/p>\n<p>A ditadura militar tenta de todas as formas melhorar sua imagem em n\u00edvel internacional mediante a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es parlamentares nas quais a participa\u00e7\u00e3o dos grupos de oposi\u00e7\u00e3o foi fortemente limitada ou diretamente impedida. Em outubro, aconteceram o primeiro e o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas, que tiveram uma participa\u00e7\u00e3o baix\u00edssima. Menos de 27% do censo eleitoral foi \u00e0s urnas votar, apesar da campanha realizada pelo governo incentivando a participa\u00e7\u00e3o. A maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acredita na transpar\u00eancia nem na efic\u00e1cia do processo.<\/p>\n<p>O governo concedeu meio dia de feriado aos funcion\u00e1rios para que votassem e aplicou a lei que estipula uma multa de 500 libras eg\u00edpcias (62 d\u00f3lares) para os que n\u00e3o o fizessem. Mesmo assim, a participa\u00e7\u00e3o foi a mais baixa desde a revolu\u00e7\u00e3o de janeiro de 2011. A previs\u00e3o \u00e9 que a coaliz\u00e3o governista Para o Amor do Egito fique em primeiro lugar. O partido vinculado \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana (Partido da Justi\u00e7a e Liberdade), que \u00e9 o principal grupo de oposi\u00e7\u00e3o a Sisi, n\u00e3o p\u00f4de participar do processo eleitoral. Um partido formado por pol\u00edticos leais a Mubarak p\u00f4de participar livremente, ainda que n\u00e3o tenha conseguido ir para o segundo turno. O partido islamita Nour tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu. O movimento independente, formado pelos ativistas que estiveram na linha de frente da revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguiu se apresentar de forma independente e organizada. Eles v\u00eam sofrendo uma repress\u00e3o brutal nos \u00faltimos anos, com milhares de ativistas presos, assassinados e desaparecidos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio expressar o apoio mais amplo a esta luta. A LIT-QI e a Corriente Roja (Estado Espanhol) chamam todos os sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e movimentos sociais a cercar de solidariedade a greve de Mahalla e exigir do governo Sisi que atenda as justas reivindica\u00e7\u00f5es das grevistas!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Raquel Polla<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 20.000 trabalhadores e trabalhadoras de duas importantes empresas p\u00fablicas da ind\u00fastria t\u00eaxtil eg\u00edpcia est\u00e3o em greve desde o dia 21 de outubro. Uma das empresas, a Misr Spinning and Weaving Company, em Mahalla, \u00e9 a maior do setor, com mais de 17.000 trabalhadores, dos quais 14.000 est\u00e3o em greve. 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