{"id":12169,"date":"2015-10-27T09:42:09","date_gmt":"2015-10-27T11:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/?p=12169"},"modified":"2015-10-27T09:42:09","modified_gmt":"2015-10-27T11:42:09","slug":"a-democracia-imperialista-e-seus-bombardeios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/27\/a-democracia-imperialista-e-seus-bombardeios\/","title":{"rendered":"A democracia imperialista e seus bombardeios"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 19 de setembro, um Hospital dos M\u00e9dicos Sem Fronteiras em Kunduz<sup>1<\/sup>, prov\u00edncia ao norte do Afeganist\u00e3o, foi bombardeado por for\u00e7as a\u00e9reas dos Estados Unidos. O saldo foi de 22 mortos, dos quais 12 eram m\u00e9dicos da ONG e 10 pacientes, entre eles 3 crian\u00e7as, al\u00e9m de quase 40 feridos graves.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ari Russo<\/p>\n<p>Al\u00e9m da justificada tristeza pelas v\u00edtimas e a indigna\u00e7\u00e3o diante do bombardeio &#8211; fato que n\u00e3o \u00e9 novo no pa\u00eds nem na regi\u00e3o mas, ao contr\u00e1rio, cada vez se repete com mais frequ\u00eancia &#8211; cabe perguntar quais s\u00e3o os motivos de fundo do ataque que, nas palavras do pr\u00f3prio Diretor Geral da ONG na Espanha, Joan Tubau, \u201c<em>foi preciso contra um objetivo claro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>As mil e uma vers\u00f5es&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo deste m\u00eas, os Estados Unidos mudou v\u00e1rias vezes sua explica\u00e7\u00e3o sobre os acontecimentos. Inicialmente, assegurou que se tratava de um \u201cdano colateral\u201d, no contexto do confronto contra as for\u00e7as do Talib\u00e3<sup>2<\/sup>. Mas o bombardeio gerou muita repercuss\u00e3o internacional, entre outros motivos porque todos os mortos e feridos eram civis. O argumento acabou sendo pouco \u00fatil, j\u00e1 que s\u00f3 confirmou que os Estados Unidos realizaram os ataques de forma consciente e, al\u00e9m disso, tentando legitim\u00e1-los e justific\u00e1-los, o que \u00e9 muito coerente com o cinismo do imperialismo, que \u201cenche a boca\u201d falando de democracia enquanto bombardeia hospitais matando m\u00e9dicos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Pelas leis humanit\u00e1rias, os ataques a centros de sa\u00fade est\u00e3o explicitamente proibidos pelos organismos internacionais. Os Estados Unidos viram-se, ent\u00e3o, obrigados a justificar sua resposta, sob o risco de que se veja o lobo sob o disfarce de ovelha, tentando \u00a0se eximir das responsabilidades. John Campbell, m\u00e1xima dire\u00e7\u00e3o militar norte-americana no Afeganist\u00e3o, assegurou que o bombardeio foi uma resposta a um pedido de aux\u00edlio das for\u00e7as de seguran\u00e7a do regime afeg\u00e3o, \u201catacadas pelo fogo talib\u00e3\u201d, que informava sobre a presen\u00e7a de membros do Talib\u00e3 escondidos no hospital naquele momento.<\/p>\n<p>Mas a ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) desmentiu publicamente esta vers\u00e3o, informando que n\u00e3o tinham acontecido confrontos nos arredores da institui\u00e7\u00e3o e que no hospital havia somente m\u00e9dicos e pacientes. Confirmou tamb\u00e9m que, quatro dias antes, tinha passado as coordenadas exatas do hospital para a alian\u00e7a EUA-Ghani<sup>3<\/sup>, precisamente para prevenir bombardeios acidentais.<\/p>\n<p>Se isso n\u00e3o fosse suficiente, ap\u00f3s o primeiro ataque (foram cinco ao todo, durando 70 minutos), o MSF informou o ocorrido a Kabul e a Washington, sem obter qualquer resposta. Mesmo depois disso, o bombardeio ainda continuou por mais meia hora.<\/p>\n<p>Diante desta situa\u00e7\u00e3o, sem nenhuma possibilidade de se eximir da responsabilidade, os EUA mudaram uma terceira vez seu argumento, e Campbell reconheceu os ataques, explicando que \u201c<em>foi um erro, e responde a uma decis\u00e3o tomada exclusivamente dentro do comando militar norte-americano<\/em>\u201d, responsabilizando somente a c\u00fapula militar e eximindo o governo dos EUA. Enquanto isso, Obama telefonou para Joanne Liu, presidente do MSF, para se desculpar pelo ocorrido e garantir que levar\u00e1 a cabo uma \u201cinvestiga\u00e7\u00e3o transparente, exaustiva e objetiva\u201d.<\/p>\n<p>Isto \u00e9: o lobo j\u00e1 foi visto; agora tentam nos convencer de que \u00e9 um lobo bom.<\/p>\n<p><strong>&#8230; e as verdadeiras raz\u00f5es de fundo <\/strong><\/p>\n<p>As raz\u00f5es de fundo s\u00f3 podem ser entendidas analisando a pol\u00edtica geral do imperialismo para a regi\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o atual do Oriente M\u00e9dio em seu conjunto.<\/p>\n<p>Os EUA invadem o Afeganist\u00e3o e o Iraque, em 2001 e 2003 respectivamente, com o objetivo de colonizar essa regi\u00e3o estrat\u00e9gica (tanto por sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica como por suas reservas de petr\u00f3leo). Utilizam o discurso de \u201ccombate ao terrorismo\u201d, valendo-se do ataque de 11\/9 [ataque \u00e0s Torres G\u00eameas, Nova York].<\/p>\n<p>Mas, diferente do que esperavam e do que venderam ao povo norte-americano, de que seria &#8220;uma guerra f\u00e1cil e r\u00e1pida&#8221;, enfrentaram uma impressionante resist\u00eancia de massas que acabou por estender as guerras por mais de uma d\u00e9cada e, finalmente, por impor ao dono do mundo uma derrota militar fort\u00edssima, conhecida como \u201cS\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>O or\u00e7amento destinado para a guerra n\u00e3o se justificou com resultados positivos vis\u00edveis. Muito pelo contr\u00e1rio, as baixas de soldados norte-americanos em servi\u00e7o crescem consideravelmente, de forma progressiva.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Isso foi provocando o desgaste das massas norte-americanas, que n\u00e3o s\u00f3 retiraram seu apoio \u00e0s guerras como tamb\u00e9m come\u00e7aram a se manifestar contra elas. Este \u00e9 um dos motivos principais pelos quais os Estados Unidos se viram obrigados a mudar de pol\u00edtica e, junto disso, o governo que a conduziria. A figura de Bush, um presidente branco, com uma clara linha de direita e belicista, foi substitu\u00edda por Obama, um presidente negro, mais popular, com um discurso bem mais democr\u00e1tico, e cuja campanha eleitoral incluiu como um dos pontos fundamentais o fim das guerras.<\/p>\n<p>Sem entrar no debate sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica atual da pol\u00edtica dos EUA, h\u00e1 algo sobre o qual n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida: o plano inicial dos Estados Unidos, levado a cabo pelo governo de Bush, n\u00e3o p\u00f4de ser implementado gra\u00e7as \u00e0 resist\u00eancia das massas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que Obama interv\u00e9m militarmente em diferentes pa\u00edses (L\u00edbia, S\u00edria, Iraque etc.). Isso porque o imperialismo continua sendo imperialismo e seus objetivos estrat\u00e9gicos continuam os mesmos. Mas, diferentemente de Bush, que tinha uma pol\u00edtica ofensiva de guerra, Obama vai correndo atr\u00e1s das como\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas nos diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o, tentando sufocar os processos revolucion\u00e1rios que se abriram com a chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d. Utiliza diferentes t\u00e1ticas para isso: interven\u00e7\u00e3o militar em alguns lugares e momentos (aliado aos regimes ou contra eles, conforme lhe convenha), ou tentativa de negocia\u00e7\u00e3o, convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es ou coopta\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es dos processos, em outros.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos adorariam retirar-se do Afeganist\u00e3o, pois h\u00e1 anos lhes d\u00e1 mais dores de cabe\u00e7a que qualquer outra coisa.<sup>5<\/sup> No entanto, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil, pois a realidade est\u00e1 cheia de elementos contradit\u00f3rios. Na atual situa\u00e7\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, retirar-se de uma guerra \u201cf\u00e1cil\u201d, ap\u00f3s 14 anos, sem ter conseguido controlar\/estabilizar politicamente a regi\u00e3o, seria reconhecer uma derrota pol\u00edtica que traria grandes consequ\u00eancias, tanto para o governo de Obama dentro dos Estados Unidos como para o plano mais estrat\u00e9gico do imperialismo no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Por isso, apesar das contradi\u00e7\u00f5es e do desgaste, no dia 15 de outubro, quase um m\u00eas ap\u00f3s o ataque, Obama confirmou publicamente que n\u00e3o reduzir\u00e1 a quantidade de soldados no Afeganist\u00e3o (houve um momento em que se cogitou reduzir o efetivo para 5.500, com a perspectiva de uma retirada total em 2017), mas que manter\u00e1 os 9.800 efetivos que atualmente ocupam o pa\u00eds<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>Uma vez mais, a justificativa \u00e9 a \u201ccoopera\u00e7\u00e3o\u201d com o regime afeg\u00e3o contra o terrorismo. A realidade, no entanto, \u00e9 que o imperialismo n\u00e3o tem limites nem escr\u00fapulos quando se trata de defender com unhas e dentes (ou bombas) seus interesses. \u00a0Isso abre milhares de discuss\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o o objetivo deste artigo, mas que n\u00e3o podemos perder de vista como elementos para a discuss\u00e3o de fundo, em sua din\u00e2mica. Como a ruptura da promessa de campanha de Obama com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra do Afeganist\u00e3o afeta as massas norte-americanas? Como isso se expressar\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es de 2016? Como a pol\u00edtica para este pa\u00eds se relaciona com a pol\u00edtica mais geral e estrat\u00e9gica dos EUA na regi\u00e3o? At\u00e9 que ponto se sustenta a discuss\u00e3o de <em>democracia contra terrorismo<\/em>, com uma situa\u00e7\u00e3o mundial que, cada vez mais, deixa em evid\u00eancia os crimes de guerra dos EUA, inclusive diante dos organismos internacionais do pr\u00f3prio imperialismo \u2013 ONU, OTAN, C\u00fapula de Genebra, etc.<\/p>\n<p>Aprofundar todos esses elementos nos ajudar\u00e1 a compreender a din\u00e2mica da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial e dar resposta a ela.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o das massas afeg\u00e3s <\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todas essas discuss\u00f5es important\u00edssimas, que requerem uma an\u00e1lise s\u00e9ria e profunda, a realidade pede hoje uma resposta urgente. Porque, enquanto o imperialismo ataca impunemente por todas as frentes, os trabalhadores e povos do mundo t\u00eam cada vez menos sa\u00edda. Para os povos invadidos pelo imperialismo n\u00e3o se trata de uma discuss\u00e3o, mas de uma batalha concreta de vida ou morte.<\/p>\n<p>Apesar da for\u00e7a de resist\u00eancia das massas, o grau de pobreza e viol\u00eancia num pa\u00eds ocupado militarmente h\u00e1 quase 15 anos atinge n\u00fameros realmente assustadores. As condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o insuport\u00e1veis (e isso, claro, se se sobrevive).<\/p>\n<p>Este hospital, por exemplo, era o \u00fanico centro especializado em traumatologia em toda a regi\u00e3o nordeste do pa\u00eds. Estamos falando de milh\u00f5es de pessoas que acabam de ficar sem seu principal centro de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Falando de educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de ir \u00e0 escola. E esses n\u00fameros, que mostram a magnitude da situa\u00e7\u00e3o sobre a qual estamos falando, n\u00e3o deixam de ser vistas no contexto de nossos par\u00e2metros \u201cnormais\u201d de vida: trabalho, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o. O par\u00e2metro das massas afeg\u00e3s, em sua ampla maioria, reduz-se \u00e0 sobreviv\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 casual que o Afeganist\u00e3o seja o segundo pa\u00eds com mais refugiados do mundo, somente atr\u00e1s da S\u00edria, uma situa\u00e7\u00e3o que supera os n\u00fameros da Segunda Guerra Mundial.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Ang\u00fastia ou indigna\u00e7\u00e3o s\u00e3o termos suaves para esta realidade. O que estamos dizendo \u00e9 que aqueles refugiados que conseguem sobreviver \u00e0 travessia de escapar, e conseguem um teto sob o qual dormir e trabalhos escravos sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es humanas, s\u00e3o os &#8220;sortudos&#8221; que conseguiram sair.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a realidade do capitalismo imperialista e sua &#8220;democracia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o podemos hesitar ao dizer que estamos categoricamente contra a invas\u00e3o militar dos Estados Unidos no Afeganist\u00e3o e no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Condenamos o ataque ao Hospital de Kunduz e repudiamos a pol\u00edtica de Obama de manter suas efetivos militares no pa\u00eds. Basta de bases militares do imperialismo! Exigimos a imediata retirada das tropas imperialistas do Afeganist\u00e3o e de todos os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio!<\/p>\n<p>Aderimos ao pedido de uma investiga\u00e7\u00e3o independente do governo dos Estados Unidos e do Pent\u00e1gono, bem como do governo afeg\u00e3o, diante do ataque. Mas s\u00f3 isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Porque n\u00e3o s\u00e3o os organismos internacionais, dirigidos pelo pr\u00f3prio imperialismo, que chegar\u00e3o ao fundo da quest\u00e3o, muito menos os que resolver\u00e3o os verdadeiros problemas dos povos explorados e oprimidos, porque esse sistema do qual fazem parte \u00e9 o problema de fundo. E s\u00f3 as pr\u00f3prias massas trabalhadoras organizadas poder\u00e3o liderar a verdadeira batalha, a luta contra o imperialismo, para que ele n\u00e3o saia impune deste tipo de ataques e para acabar com a destrui\u00e7\u00e3o que est\u00e1 levando a cabo em todo o mundo.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<ol>\n<li>A cidade de Kunduz encontra-se no corredor comercial que conecta Kabul, capital do Afeganist\u00e3o, com o Tajiquist\u00e3o.<\/li>\n<li>Na segunda-feira anterior ao ataque, os talib\u00e3s ocuparam Kunduz. Desde ent\u00e3o, os Estados Unidos realizaram doze ataques a\u00e9reos, sendo este o segundo na regi\u00e3o central da prov\u00edncia, onde se encontrava o hospital.<\/li>\n<li>Ashraf Ghani Ahmadzai, presidente do Afeganist\u00e3o.<\/li>\n<li>De 2003 at\u00e9 hoje, o n\u00famero de soldados norte-americanos mortos somente no Afeganist\u00e3o ultrapassa os 2.000, isto \u00e9, pouco mais de 20% da quantidade de efetivos atuais. Fonte:\u00a0http:\/\/www.statista.com<\/li>\n<li>A guerra no Afeganist\u00e3o \u00e9 a mais longa da hist\u00f3ria dos EUA e seu or\u00e7amento ultrapassa 65 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Ver nota: <em>Afganist\u00e1n, la guerra inc\u00f3moda,<\/em>\u00a0em http:\/\/internacional.elpais.com, 7\/10\/2015.<\/li>\n<li>&#8220;Obama anuncia adiamento da retirada de tropas americanas no Afeganist\u00e3o&#8221;, <em>Folha Online, <\/em>15\/10\/2015.<\/li>\n<li>&#8220;O n\u00famero de refugiados no mundo alcan\u00e7a uma cifra recorde desde a II Guerra Mundial&#8221;, em www.20minutos.es &#8211; Fonte: ACNUR.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Suely Corvacho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 19 de setembro, um Hospital dos M\u00e9dicos Sem Fronteiras em Kunduz1, prov\u00edncia ao norte do Afeganist\u00e3o, foi bombardeado por for\u00e7as a\u00e9reas dos Estados Unidos. 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