{"id":1200,"date":"2023-10-20T21:27:00","date_gmt":"2023-10-20T21:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2014\/07\/25\/sionismo-e-limpeza-etnica-do-povo-palestino\/"},"modified":"2023-10-22T23:14:48","modified_gmt":"2023-10-22T23:14:48","slug":"sionismo-e-limpeza-etnica-do-povo-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/20\/sionismo-e-limpeza-etnica-do-povo-palestino\/","title":{"rendered":"Sionismo e limpeza \u00e9tnica do povo palestino"},"content":{"rendered":"<div><em><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O sionismo pol\u00edtico moderno surgiu em fins do s\u00e9culo XIX. O pai foi Theodor Herzl, judeu nascido na Hungria, que exercia em Viena, ent\u00e3o capital do Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro (1867-1918), a fun\u00e7\u00e3o de jornalista e autor teatral.\u00a0<\/span><\/span><\/em><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Integrado \u00e0 sociedade local, n\u00e3o tinha interesse pelo juda\u00edsmo ou por quest\u00f5es correlatas (SHLAIM, 2004: 38). O ponto de virada foi, conforme relatado em sua obra <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Der Jundenstaat <\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">[<\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O estado judeu<\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">]<\/span><a style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[1]<\/span><\/a><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">, o \u201cCaso\u201d, como ficou conhecido na Fran\u00e7a o caso Dreyfus. Refere-se \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de trai\u00e7\u00e3o que sofreu naquele pa\u00eds o oficial Alfred Dreyfus, em 1894, por ser de origem judaica. A partir desse acontecimento, Herzl teria conclu\u00eddo que n\u00e3o haveria qualquer esperan\u00e7a de assimila\u00e7\u00e3o. Assim, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o seria que os judeus vivessem em seu pr\u00f3prio estado. Essa alega\u00e7\u00e3o, contudo, \u00e9 questionada por estudiosos israelenses (PAPP\u00c9, 2007: 64).<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Para assegurar a imigra\u00e7\u00e3o de judeus da Europa para a Palestina, era necess\u00e1rio convenc\u00ea-los que a transfer\u00eancia<\/span><a style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[2]<\/span><\/a><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\"> para aquelas terras seria o \u00fanico caminho para livrarem-se do \u201cantissemitismo\u201d \u2013 termo que se refere \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o contra semitas. Herzl (1998: 47) vinculou, nesse sentido, ao publicar <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O estado judeu<\/i><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">, em 1896, a chamada \u201cquest\u00e3o judaica\u201d \u2013 para ele, heran\u00e7a da Idade M\u00e9dia \u2013 n\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o ou ao aspecto social, mas a um problema nacional.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ele n\u00e3o sugeriu na publica\u00e7\u00e3o exclusivamente a Palestina para sua cria\u00e7\u00e3o. Em seu livro, coloca a quest\u00e3o: \u201cDevemos preferir a Palestina ou Argentina?.\u201d Sua resposta \u00e9 de que a \u201cSociedade (<i>dos Judeus<\/i>) aceitar\u00e1 o que lhe derem, tendo em considera\u00e7\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica a este respeito\u201d (1998: 66). Na sua an\u00e1lise, nos dois locais houve experi\u00eancias bem-sucedidas de \u201ccoloniza\u00e7\u00e3o judaica\u201d. Em 1897, ano seguinte \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, durante o I Congresso Sionista realizado na Basil\u00e9ia, Su\u00ed\u00e7a, que reuniu 200 delegados do Leste da Europa, a Palestina acabou por ser escolhida:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esse nome por si s\u00f3 seria um toque de reunir poderosamente empolgante para o nosso povo. (\u2026) Para a Europa, constituir\u00edamos a\u00ed um peda\u00e7o de fortaleza contra a \u00c1sia, ser\u00edamos a sentinela avan\u00e7ada da civiliza\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie. Ficar\u00edamos como Estado neutro, em rela\u00e7\u00f5es constantes com toda a Europa, que deveria garantir a nossa exist\u00eancia. (Ibidem: 66)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Herzl empreendeu esfor\u00e7os para obter o apoio das elites judaicas e governantes europeus ao projeto sionista. Segundo Shlaim (2004: 41), seu pressuposto \u201cn\u00e3o declarado\u201d e de seus sucessores era que o movimento alcan\u00e7aria o seu objetivo \u201cn\u00e3o atrav\u00e9s de um entendimento com os palestinos locais, mas por meio de uma alian\u00e7a com a grande pot\u00eancia dominante<br \/>\ndo momento\u201d.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Esse parceiro seria a Gr\u00e3-Bretanha, que vislumbrava a Palestina como sua \u201cfutura aquisi\u00e7\u00e3o\u201d. Como parte de sua estrat\u00e9gia de convencimento, Herzl explanou que os brit\u00e2nicos poderiam se beneficiar da cria\u00e7\u00e3o em regi\u00e3o de Gaza de um \u201co\u00e1sis sionista\u201d, ao que seria necess\u00e1rio levar \u00e1gua do Nilo atrav\u00e9s de um canal (PAPP\u00c9, 2007: 81). Num primeiro momento, esse plano foi frustrado, dada a obje\u00e7\u00e3o do lorde ingl\u00eas Cromer, que comandava o Cairo. Herzl prop\u00f4s, como alternativa, a institui\u00e7\u00e3o do estado judeu temporariamente em Uganda, ent\u00e3o col\u00f4nia inglesa, para depois passar \u00e0 Palestina. O que foi visto como trai\u00e7\u00e3o por outras lideran\u00e7as sionistas, como Chaim Weizmann<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[3]<\/span><\/a> (1874-1952), uma vez que o pr\u00f3prio idealizador do Estado de Israel havia nacionalizado o juda\u00edsmo, sinalizando o local definido no I Congresso Sionista. O plano de Uganda, consequentemente, n\u00e3o foi levado adiante. A Palestina voltou a ser central na proposta sionista (Idem).<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ap\u00f3s o I Congresso Sionista, dois rabinos foram enviados \u00e0 Palestina para reconhecimento do local. Em telegrama, eles descreveram o cen\u00e1rio com que o movimento que visava criar um estado judeu naquelas terras teria que lidar: \u201cA noiva \u00e9 bela, mas est\u00e1 casada com outro homem.\u201d (SHLAIM, 2004: 40) Em outras palavras, os visitantes anunciavam que a Palestina n\u00e3o era um descampado, um lugar deserto e inabitado. Como conta Papp\u00e9,<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Nas v\u00e9speras da Guerra da Crim\u00e9ia (<i>1853-1856<\/i>), cerca de meio milh\u00e3o de pessoas viviam na terra da Palestina. Eram de l\u00edngua \u00e1rabe. A maioria era mu\u00e7ulmana, mas cerca de 60 mil eram crist\u00e3os de v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es e cerca de 20 mil eram judeus. Al\u00e9m disso, tinham que tolerar a presen\u00e7a de 50 mil soldados e funcion\u00e1rios otomanos, assim como de 10 mil europeus. (2007: 41)<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Segundo Shlaim (2004: 54), independentemente da linha sionista, que inclu\u00eda os denominados trabalhistas, os moderados e os revisionistas \u2013 cujo fundador foi o judeu russo Zeev Jabotinsky (1880-1940) \u2013, a ideia de que era preciso o apoio de uma grande pot\u00eancia para consolidar o projeto sionista prevalecia. Assim como a necessidade de estimular a imigra\u00e7\u00e3o judaica e transferir os palestinos nativos, usando a for\u00e7a militar para tanto. A diferen\u00e7a era que os revisionistas consideravam essa op\u00e7\u00e3o explicitamente.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em seu livro <i>Expulsions of the Palestinians \u2013 The Concept of \u201cTransfer\u201d in Zionist Political Thought, 1882-1948<\/i>, Nur Masalha apresenta uma s\u00e9rie de cita\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7as sionistas que demonstram a predomin\u00e2ncia da ideia de transfer\u00eancia volunt\u00e1ria ou compuls\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe local como base para a constitui\u00e7\u00e3o de um estado exclusivamente judeu na Palestina. Segundo ele, essa ideia foi articulada desde cedo. \u201cTheodor Herzl forneceu uma refer\u00eancia pr\u00e9via \u00e0 transfer\u00eancia mesmo antes de delinear sua teoria de renascimento sionista em seu <i>Judenstaat<\/i>.\u201d (1993: 8; <i>tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/i>). Ainda conforme Masalha, em 12 de junho de 1895, visando a transi\u00e7\u00e3o de uma \u201csociedade de judeus\u201d a Estado, Herzl escreveu em seu di\u00e1rio:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">Quando n\u00f3s ocuparmos a terra, nos traremos imediatamente benef\u00edcios ao Estado que nos receber\u00e1. N\u00f3s precisamos expropriar com cuidado a propriedade privada nos estados alinhados conosco. N\u00f3s tentaremos, quando a popula\u00e7\u00e3o paup\u00e9rrima cruzar a fronteira, procurar emprego a eles na mudan\u00e7a de pa\u00edses, enquanto vamos negar-lhes qualquer emprego em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds. Os propriet\u00e1rios de terra vir\u00e3o para o nosso lado. Ambos, o processo de expropria\u00e7\u00e3o e a remo\u00e7\u00e3o dos pobres, precisam ser feitos discreta e circunspectamente. (Ibidem: 9) <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Em um di\u00e1logo entre dois pioneiros do Hovevie Zion (Amantes de Si\u00e3o), em 1891, tamb\u00e9m foi exposta a ideia de transfer\u00eancia. Um deles afirmou que a terra \u201cna Jud\u00e9ia e Galil\u00e9ia est\u00e1 ocupada por \u00e1rabes\u201d. Seu interlocutor respondeu: \u201c\u00c9 muito simples. Vamos assedi\u00e1-los at\u00e9 que eles partam. Vamos deixa-los ir \u00e0 Transjord\u00e2nia.\u201d (Ibidem: 9; <i>tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/i>) Ainda de acordo com Masalha, Israel Zangwill \u2013 criador do lema \u201cUma terra sem povo para um povo sem terra\u201d \u2013 apresentou a remo\u00e7\u00e3o de \u00e1rabes da Palestina como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do projeto sionista (Ibidem: 10). Como indica o autor, o criador do poder militar do Yishuv<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[4]<\/span><\/a> e primeiro premi\u00ea de Israel em 1948, David Ben Gurion, indicou a import\u00e2ncia da ideia de transfer\u00eancia em v\u00e1rias cita\u00e7\u00f5es em seu di\u00e1rio (Ibidem: 13). Em uma delas, em 12 de julho de 1937, afirmou que<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">A transfer\u00eancia obrigat\u00f3ria dos \u00e1rabes desde os vales do Estado judeu proposto pode oferecer-nos algo que nunca tivemos [uma Galil\u00e9ia livre de \u00e1rabes], inclusive quando formos donos do nosso destino nos dias do Primeiro e Segundo Templo. (Apud MASALHA, 1993: 13) <\/span><i style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Tamb\u00e9m segundo Masalha, em carta a seu filho Amos, de 5 de outubro de 1937, Ben Gurion escreveu que<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Devemos expulsar os \u00e1rabes e tomar seu lugar [&#8230;] e se temos que usar a for\u00e7a, n\u00e3o para despojar de suas propriedades aos \u00e1rabes do Negev e Transjord\u00e2nia, mas para garantir nosso pr\u00f3prio direito de assentamentos em ditos lugares, a for\u00e7a estar\u00e1 a nossa disposi\u00e7\u00e3o. (Idem) <i>(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Baseando-se em documentos oficiais israelenses, o historiador Benny Morris escreveu inicialmente que a transfer\u00eancia enquanto expuls\u00e3o dos \u00e1rabes para constitui\u00e7\u00e3o do estado judeu era central no projeto sionista. Posteriormente, em vers\u00e3o revisitada de sua obra <i>The Birth of the Palestinian Refugee Problem<\/i>, afirmou que:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00c9 certo, em algum grau, que a pr\u00e1xis do sionismo, de in\u00edcio, tem sido caracterizada por uma sucess\u00e3o de microc\u00f3smicas transfer\u00eancias; a obten\u00e7\u00e3o da terra e o estabelecimento de quase todo assentamento (<i>moshava<\/i>, literalmente col\u00f4nia) tem sido acompanhada pelo (legal e usualmente compensado) deslocamento ou transfer\u00eancia de um bedu\u00edno original ou comunidade agr\u00edcola assentada. [&#8230;] Hess, Motzkin<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[5]<\/span><\/a>, Ruppin e Zangwill, certamente, n\u00e3o pensavam em minideslocamentos, mas em uma massiva, estrat\u00e9gica transfer\u00eancia. Todavia, na pr\u00e1tica, a ideia era desbalanceada, na maioria das mentes sionistas, por uma medida de moral d\u00fabia. \u00c9 verdade que pelo menos at\u00e9 os anos 1920 e 1930, os \u00e1rabes da Palestina n\u00e3o se viam e n\u00e3o foram considerados por qualquer um como um \u201cpovo\u201d distinto. Eram vistos como os \u00e1rabes ou, mais especificamente, como os \u201c\u00e1rabes s\u00edrios do sul\u201d. Al\u00e9m disso, sua transfer\u00eancia de Nablus ou Hebron para a Transjord\u00e2nia, S\u00edria e mesmo Iraque \u2013 especialmente se adequadamente compensada \u2013 n\u00e3o deveria ser uma formula\u00e7\u00e3o ao ex\u00edlio do lar; \u201c\u00c1rabes\u201d deveriam meramente ser deslocados de uma \u00e1rea \u00e1rabe para outra. (2004: 42) <i>(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Segundo o autor (Idem), na primeira metade do s\u00e9culo XX, esse tipo de transfer\u00eancia de \u201cminorias \u00e9tnicas para o cora\u00e7\u00e3o de suas \u00e1reas nacionais\u201d era \u201cmoralmente aceit\u00e1vel, talvez mesmo moralmente desej\u00e1vel\u201d e seria solu\u00e7\u00e3o para conflitos futuros. Para Morris (Ibidem: 44), se durante as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX e primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX os sionistas que advogavam a transfer\u00eancia n\u00e3o eram predominantes, no in\u00edcio dos anos 1930, o apoio \u00e0 ideia emergiu entre as lideran\u00e7as do movimento e evoluiu, como resultado das ondas de revolta \u00e1rabe. Com a oportunidade aberta em 1936, segundo ele, a c\u00fapula sionista anunciou seu apoio \u00e0 transfer\u00eancia (Ibidem: 46).<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">N\u00e3o obstante reconhe\u00e7a que declara\u00e7\u00f5es dos \u201cpais do sionismo\u201d apontem o caminho da transfer\u00eancia, Morris refuta em sua obra a ideia de que o plano de expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o palestina n\u00e3o judia integrasse a pol\u00edtica sionista. Na sua concep\u00e7\u00e3o, a transfer\u00eancia, que ganhou apoio a partir das revoltas \u00e1rabes, foi vista como caminho diante da recusa dos \u00e1rabes em aceitar a partilha de suas terras. Assim, foi resultado da guerra \u201ciniciada pelo lado \u00e1rabe\u201d em 1948. (Ibidem: 60)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">J\u00e1 Masalha aponta que foram formados comit\u00eas de transfer\u00eancia que apresentaram v\u00e1rios planos e propostas a lideran\u00e7as \u00e1rabes de pa\u00edses vizinhos com o objetivo de transferir os palestinos n\u00e3o judeus em geral para a Transjord\u00e2nia, S\u00edria e Iraque nos anos 1930 e 1940 (1993: 12).<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Para Walid Khalidi, a ideia de transfer\u00eancia dos \u00e1rabes seria um eufemismo para limpeza \u00e9tnica (1988: 5). O conceito foi discutido em Comiss\u00e3o de Especialistas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 1992. Com base nas informa\u00e7\u00f5es fornecidas por essa comiss\u00e3o, o secret\u00e1rio-geral apresentou ao presidente do Conselho de Seguran\u00e7a documento relativo \u00e0 Guerra Civil Iugoslava (1991-2001), datado de 24 de maio de 1994<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[6]<\/span><\/a>. Nesse, consta a seguinte defini\u00e7\u00e3o para limpeza \u00e9tnica, oriunda de um \u201cnacionalismo equivocado\u201d: \u201ctornar uma \u00e1rea etnicamente homog\u00eanea pelo uso da for\u00e7a ou intimida\u00e7\u00e3o para remover pessoas de determinados grupos\u201d. Ainda de acordo com o informe, tais atos abrangem a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o civil local, em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 lei internacional, mediante o uso de m\u00e9todos de coer\u00e7\u00e3o como\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">assassinato em massa, tortura, estupro e outras formas de agress\u00e3o sexual; les\u00f5es corporais graves a civis; maus tratos a prisioneiros civis e prisioneiros de guerra, utiliza\u00e7\u00e3o de civis como escudos humanos; destrui\u00e7\u00e3o de propriedade pessoal, p\u00fablica e cultural; saques e roubos; expropria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de propriedades; forte deslocamento da popula\u00e7\u00e3o civil (\u2026).<\/span><a style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[7]<\/span><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ainda no informe consta que \u201crepres\u00e1lias, retalia\u00e7\u00e3o ou vingan\u00e7a\u201d n\u00e3o servem como justificativa \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de leis internacionais e Conven\u00e7\u00f5es de Genebra. Na concep\u00e7\u00e3o de Papp\u00e9 (2008: 19), a defini\u00e7\u00e3o se enquadra no que aconteceu na Palestina em 1948, ano da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Segundo ele, foram tra\u00e7ados planos com o objetivo de preparar as for\u00e7as paramilitares sionistas para as ofensivas nas \u00e1reas rurais e urbanas ap\u00f3s a sa\u00edda dos brit\u00e2nicos da Palestina, que ficaram com o mandato sobre aquelas terras como esp\u00f3lio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) (Ibidem: 53). Os planos foram: A (esbo\u00e7ado por Elimelech Avnir, comandante da Haganah em Tel Aviv, a pedido de Ben Gurion em 1937); B (concebido em 1946); C (uma fus\u00e3o de ambos); e, por fim, D (Dalet). Sobre os tr\u00eas primeiros, Papp\u00e9 afirma que o prop\u00f3sito foi \u201cdissuadir\u201d a popula\u00e7\u00e3o palestina de atacar os assentamentos judeus e reprimir ofensivas (2008: 53).<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Plano Dalet<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O plano que selou o destino dos palestinos foi o Dalet. O nome foi dado pelo Alto Comando Sionista (KHALIDI, 1988: 8) Conforme Papp\u00e9 (2008: 54), \u201cindependentemente de se esses palestinos decidiam colaborar ou opor-se a esse estado judeu, o Plano Dalet propunha sua expuls\u00e3o de forma sistem\u00e1tica e total de sua p\u00e1tria\u201d. Derradeiro, e o mais agressivo, este foi finalizado em reuni\u00e3o das lideran\u00e7as sionistas no local que se convertera no quartel-general da Haganah, a Casa Roxa em Tel Aviv \u2013 atual capital de Israel -, em 10 de mar\u00e7o de 1948 (PAPP\u00c9, 2008: 11). Esse plano continha mapas indicando por onde os grupos paramilitares atacariam cada aldeia, como seriam essas incurs\u00f5es, a partir das informa\u00e7\u00f5es de cada vila, mapeadas nos anos 1940:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Para elaborar o Plano Dalet, al\u00e9m de contarem com a hospitalidade dos seus habitantes, os sionistas criaram uma rede de colaboradores. N\u00e3o obstante o desprezo que nutriam por essas pessoas, a ponto de um dos acad\u00eamicos envolvidos na montagem desse plano \u2013 Moshe Pasternak \u2013 chegar a afirmar que seria dif\u00edcil conseguir informantes entre elas, por seus modos primitivos, ao final, obtiveram algum resultado favor\u00e1vel aos seus intentos. (PAPP\u00c9, 2008: 43) <i>(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">O Plano Dalet foi colocado em opera\u00e7\u00e3o pelas organiza\u00e7\u00f5es paramilitares Stern Gang, Irgun e Haganah. A tropa de elite dessa \u00faltima, o Palmach, passou de 700 membros em 1941 para 7 mil em 1948. Mais tarde, as tr\u00eas se fundiram para constituir as For\u00e7as de Defesa de Israel (PAPP\u00c9, 2007: 143).<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Cada brigada \u201crecebeu uma lista das aldeias que deveria ocupar. A maioria das aldeias estava destinada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, e somente em casos excepcionais os soldados receberam ordens para deix\u00e1-las intactas\u201d (Ibidem: 164 e 166). A primeira opera\u00e7\u00e3o, denominada Najs\u00f3n, contou com a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas de todos os grupos paramilitares, mas incorporou veteranos judeus de guerra oriundos da Europa Oriental e outros rec\u00e9m-chegados. O objetivo foi a expuls\u00e3o massiva da popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais a oeste das montanhas de Jerusal\u00e9m. A primeira aldeia a sucumbir nessa opera\u00e7\u00e3o chamava-se Qastal (El Castillo) (PAPP\u00c9, 2008: 129).<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Assim como Papp\u00e9, Walid Khalidi (1988: 8) afirma que o Plano Dalet foi executado com o objetivo deliberado de expulsar a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe da Palestina e destruir essa comunidade para colocar em pr\u00e1tica o projeto sionista de constitui\u00e7\u00e3o do estado judeu naquelas terras.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">J\u00e1 Meron Benvenisti (2002: 126) afirma que, embora os objetivos do Plano Dalet fossem militares, h\u00e1 controv\u00e9rsias que visasse a limpeza \u00e9tnica at\u00e9 maio de 1948:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os comandantes das for\u00e7as judaicas certamente realizaram alguns ataques cujos objetivos foram aterrorizar os \u00e1rabes para que sa\u00edssem de suas casas, mas em outra m\u00e3o h\u00e1 abundante evid\u00eancia de que a lideran\u00e7a judaica foi surpreendida pelo escopo do \u00eaxodo e mesmo promoveu esfor\u00e7os para persuadir os \u00e1rabes a permanecerem em suas casas (Ibidem: 126). <i>(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">De acordo com Benvenisti, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, a transfer\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe se deu <i>ex-post facto<\/i> [como resposta aos acontecimentos no terreno]. A \u201ctransfer\u00eancia premeditada\u201d foi levada a cabo a partir do come\u00e7o de junho de 1948 (Ibidem: 146)<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Segundo Rashid Khalidi (2006: 4), o argumento de sa\u00edda dos \u00e1rabes antes de maio daquele ano como simples subproduto de uma guerra que esses perderam \u00e9 \u201cbase para a nega\u00e7\u00e3o da responsabilidade pelos refugiados\u201d. Para ele, essa vis\u00e3o ignora o fato de que, em muitos casos, os palestinos n\u00e3o estavam em luta. Ignora tamb\u00e9m a desigualdade de for\u00e7as \u2013 com o <i>Yishuv<\/i> melhor armado e organizado (Idem). Quando as lideran\u00e7as \u00e1rabes decidiram enviar suas for\u00e7as \u00e0 Palestina, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, em 15 de maio de 1948, o contingente de pessoal era equivalente: no in\u00edcio, os governos \u00e1rabes enviaram 25 mil soldados, mas esse n\u00famero foi ampliado em quatro vezes ao longo da guerra \u2013 equiparando-se aos efetivos mobilizados pelos sionistas (PAPP\u00c9, 2007: 169). Naquele m\u00eas, contudo, os grupos paramilitares tiveram aux\u00edlios importantes para melhor se equiparem:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Durante a tr\u00e9gua nos combates, os ex\u00e9rcitos \u00e1rabes n\u00e3o se reabasteceram de armamentos porque a Gr\u00e3-Bretanha estava decidida a observar o embargo de armas imposto pela ONU \u00e0s fac\u00e7\u00f5es em guerra. As for\u00e7as judaicas, por seu lado, continuaram a eludir a proibi\u00e7\u00e3o, importando quantidades consider\u00e1veis de armamento pesado dos pa\u00edses do bloco do Leste, que desobedeceram \u00e0 medida da ONU. A paridade da primeira semana foi substitu\u00edda por uma superioridade dos judeus quando os combates foram retomados em meados de junho de 1948. \u00a0(PAPP\u00c9, 2007: 171).<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">O embargo brit\u00e2nico a que os \u00e1rabes se armassem destinou-se aos ex\u00e9rcitos da Jord\u00e2nia, Iraque e Egito, que utilizavam muni\u00e7\u00f5es inglesas. (Ibidem: 168). Segundo Papp\u00e9,<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">\u00c9 de se admirar que os estados \u00e1rabes tenham conseguido p\u00f4r quaisquer soldados no campo de batalha. Somente no final de abril de 1948, os pol\u00edticos do mundo \u00e1rabe prepararam um plano para salvar a Palestina, que na pr\u00e1tica era um esquema para anexar a maior \u00e1rea poss\u00edvel do seu territ\u00f3rio aos pa\u00edses \u00e1rabes intervenientes na guerra. A maior parte desses ex\u00e9rcitos possu\u00eda uma experi\u00eancia de guerra muito limitada e um treinamento muito sum\u00e1rio quando o mandato chegou ao fim. A coordena\u00e7\u00e3o entre eles era deficiente, bem como a moral e a motiva\u00e7\u00e3o dos soldados, com exce\u00e7\u00e3o de um grande grupo de volunt\u00e1rios, cujo entusiasmo n\u00e3o bastava para compensar a sua falta de per\u00edcia militar. (\u2026) O mundo \u00e1rabe, os seus l\u00edderes e sociedades juraram salvar a Palestina. Os pol\u00edticos n\u00e3o estavam propriamente a ser sinceros; \u00e9 prov\u00e1vel que os soldados e seus comandantes tivessem um empenho mais genu\u00edno no salvamento da Palestina. (2007: 168)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: georgia, serif; font-size: 14px;\">No caso da Jord\u00e2nia, houve inclusive um acordo t\u00e1cito com Israel \u00e0s v\u00e9speras da guerra, de parti\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio (Ibidem: 178). Os l\u00edderes hachemitas de fato controlariam uma parte da Palestina (atual Cisjord\u00e2nia) at\u00e9 1967, quando essa passou a ser ocupada militarmente por Israel (TAMARI, 2002: 71). Juntamente com o futuro estado judeu, dividiriam ainda o dom\u00ednio de Jerusal\u00e9m. Outra parte do territ\u00f3rio (Faixa de Gaza) ficaria sob administra\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia at\u00e9 aquele ano (HOURANI, 2007: 471).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Impulsionado pela recomenda\u00e7\u00e3o feita pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 29 de novembro de 1947 de partilha da Palestina em um estado \u00e1rabe e um judeu, o deslocamento de palestinos se expandiu significativamente. Na narrativa oficial israelense, a sa\u00edda dos palestinos se deu em consequ\u00eancia da guerra. Para Rashid Khalidi (2006: 4), essa argumenta\u00e7\u00e3o ignora, sobretudo, a necessidade de \u201ctransfer\u00eancia\u201d dos \u00e1rabes, que constitu\u00edam a maioria da popula\u00e7\u00e3o, para garantir a institui\u00e7\u00e3o de um estado judeu. Ele refuta a ideia difundida pela historiografia israelense tradicional de que os palestinos deixaram suas casas sob ordens de sua pr\u00f3pria lideran\u00e7a. Isso foi realidade em alguns poucos casos isolados, como medida de seguran\u00e7a aos habitantes; no geral, entretanto, esses l\u00edderes fizeram esfor\u00e7os \u2013 \u201cinfrut\u00edferos\u201d \u2013 a que a popula\u00e7\u00e3o permanecesse. (Idem)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Relatos e documentos d\u00e3o conta das t\u00e1ticas utilizadas pelos grupos paramilitares sionistas. De posse das informa\u00e7\u00f5es de cada local, enquanto em boa parte das aldeias h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que a estrat\u00e9gia era atacar deixando-se uma \u00fanica sa\u00edda para os habitantes sa\u00edrem rumo a pa\u00edses \u00e1rabes vizinhos, em outras, cercava-se dos quatro lados, n\u00e3o havendo como escapar. Nessas, os massacres e atrocidades s\u00e3o descritos por historiadores como Ilan Papp\u00e9. Serviram de propaganda para expulsar os palestinos que viviam em aldeias vizinhas.<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">As opera\u00e7\u00f5es dos grupos paramilitares privilegiaram no come\u00e7o centros urbanos, como Haifa, ent\u00e3o o principal porto do pa\u00eds, designada na partilha ao que viria a ser o estado judeu. A elite j\u00e1 havia abandonado a cidade, quando dos primeiros ataques em dezembro de 1947. Em abril do ano seguinte, os sionistas tomaram a cidade, o que culminou no \u00eaxodo dos habitantes palestinos \u2013 que somavam mais de 50 mil. Outras grandes cidades, como Acre e Safed, tiveram o mesmo destino. Jerusal\u00e9m tamb\u00e9m n\u00e3o ficou impune. \u00c0 sua captura, as for\u00e7as sionistas conduziram 30 opera\u00e7\u00f5es, sendo sete delas entre dezembro de 1947 e 15 de maio de 1948 \u2013 todas em \u00e1reas destinadas na partilha ao estado \u00e1rabe (TAMARI, 2007: 75). Os bairros do lado oeste foram atacados e ocupados no per\u00edodo (Ibidem: 134-140). Segundo Tamari,<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os objetivos dessas opera\u00e7\u00f5es eram dois: (1) limpar o caminho entre Tel Aviv, Jaffa e Jerusal\u00e9m para livre movimenta\u00e7\u00e3o das for\u00e7as judaicas; (2) limpar as vilas \u00e1rabes do flanco oeste de Jerusal\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o palestina para prover d\u00e9ficit demogr\u00e1fico e um v\u00ednculo entre a proposta do estado judeu e a cidade de Jerusal\u00e9m, conforme o Plano Dalet. (Ibidem: 75) <i>(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Os brit\u00e2nicos permaneceram na Palestina at\u00e9 15 de maio de 1948 \u2013 um dia depois da Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia de Israel \u2013, com o argumento de que as for\u00e7as judaicas empreenderam uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra o mandato e a hostilidade \u00e1rabe (PAPP\u00c9, 2007: 178):<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A perda de 1% de sua popula\u00e7\u00e3o [judaica] toldaria o jubilo da obten\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, mas n\u00e3o a vontade e determina\u00e7\u00e3o de judaizar a Palestina e de transform\u00e1-la num futuro porto de abrigo para os judeus do mundo todo na sequ\u00eancia do Holocausto.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Assim que a Inglaterra partiu, os Estados Unidos reconheceram o Estado de Israel. Dois dias depois, foi a vez de a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica faz\u00ea-lo. Na sequ\u00eancia, mais pa\u00edses deram o mesmo passo. As consequ\u00eancias para os palestinos n\u00e3o foram levadas em conta (PAPP\u00c9, 2007: 169). Naquele momento, dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe local foram deslocados. Embora houvesse dezenas de observadores da ONU, conforme Papp\u00e9 (2007: 214), eles nada fizeram a respeito. Exce\u00e7\u00e3o ao emiss\u00e1rio Conde Folke Bernadotte, que prop\u00f4s a revis\u00e3o da divis\u00e3o do pa\u00eds em duas partes e o retorno incondicional dos refugiados palestinos. Tendo chegado \u00e0 Palestina em 20 de maio de 1948, foi assassinado por \u201cterroristas judeus\u201d em setembro do mesmo ano, \u201cquando repetiu sua recomenda\u00e7\u00e3o no informe final que apresentou \u00e0 ONU\u201d. (PAPP\u00c9, 2007: 214)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">Ao final, foram tr\u00eas fases da limpeza \u00e9tnica. A primeira foi inaugurada em dezembro de 1947, dias ap\u00f3s a partilha recomendada pela ONU, e se prolongou at\u00e9 maio de 1948. A segunda, entre esse m\u00eas e janeiro de 1949, incluiu bombardeios a\u00e9reos indiscriminados e disparo de canh\u00f5es em bairros com popula\u00e7\u00f5es mistas. Durante essa etapa, foram assinadas duas tr\u00e9guas e, ao final, um armist\u00edcio entre os ex\u00e9rcitos \u00e1rabes e Israel (PAPP\u00c9, 2007: 168). A terceira fase do Plano Dalet se prolongou at\u00e9 1954. Antes, contudo, j\u00e1 haviam sido destru\u00eddas centenas de aldeias. Historiadores apresentam n\u00fameros que variam entre 290 e 472 no total (Apud W. KHALIDI, 2006: XVI). Papp\u00e9 (2008: 11) apresenta um n\u00famero superior: 531 aldeias, al\u00e9m do esvaziamento de 11 bairros urbanos, culminando com a expuls\u00e3o de 800 mil palestinos, de um total aproximado de 1,2 milh\u00e3o. Na parte designada pela ONU ao rec\u00e9m-criado Estado de Israel, de 818 mil palestinos, restaram apenas 160 mil. A despeito das diferen\u00e7as, conforme a metodologia adotada, fato \u00e9 que a paisagem foi totalmente transformada:<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">A Palestina tornara-se agora uma nova entidade geopol\u00edtica, ou antes, tr\u00eas entidades. Duas delas, a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza, encontravam-se mal definidas, a primeira totalmente anexada \u00e0 Jord\u00e2nia, mas sem o consentimento ou entusiasmo da popula\u00e7\u00e3o; a segunda num limbo, sob um regime militar, com os seus habitantes impedidos de entrar em territ\u00f3rio eg\u00edpcio propriamente dito. A terceira entidade era Israel, decidida a judaizar todas as partes da Palestina e a construir um novo organismo vivo, a comunidade judaica de Israel. (PAPP\u00c9, 2007: 178)<\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><i>Artigo baseado em disserta\u00e7\u00e3o de mestrado intitulada \u201cQaqun: hist\u00f3ria e ex\u00edlio de um vilarejo palestino destru\u00eddo em 1948\u201d, defendida em dezembro de 2013 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), junto ao Departamento de Letras Orientais, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora-doutora Arlene Elizabeth Clemesha<\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">BENVENISTI, Meron.<i>Sacred Landscape \u2013 The Buried History of the Holy Land since 1948<\/i>. Translator: Maxine\u00a0Kaufman-Lacusta. California: University of California Press, 2002.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">HERZL, Theodor.\u00a0<i>O estado judeu.<\/i> Trad. David Jos\u00e9 Perez. Rio de Janeiro: Garamond, 1998.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">HOURANI, Albert.\u00a0<i>Uma hist\u00f3ria dos povos \u00e1rabes.<\/i> Trad. Marcos Santarrita. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2006.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">KHALIDI, Rashid.\u00a0<i>The Iron Cage: The Story of the Palestinian Struggle for Statehood.<\/i> New York: Columbia University Press.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">KHALIDI, Walid.\u00a0<i>All that Remains: The Palestinian Villages Occupied and Depopulated by Israel in 1948.<\/i> Washington: Institute for Palestine Studies, 1998.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">KHALIDI, Walid.\u00a0<i>Plan Dalet: master plan for the conquest of Palestine.<\/i>Journal of Palestine Studies. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/23122101\/Walid-Khalidi-Plan-Dalet-Master-Plan-for-the-Conquest-of-Palestine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/23122101\/Walid-Khalidi-Plan-Dalet-Master-Plan-for-the-Conquest-of-Palestine<\/span><\/a>.\u00a0Acesso em: 26 mai. 2012.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">MASALHA, Nur.\u00a0<i>Expulsion of the Palestinians: The Concept of \u201cTransfer\u201d in Zionist Political Thought, 1882-1948<\/i>. Washington:\u00a0Institute for Palestine Studies, 1992.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">MORRIS, Benny.\u00a0<i>The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited, 1947-1949<\/i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">PAPPE, Ilan.\u00a0<i>Hist\u00f3ria da Palestina moderna \u2013 uma terra, dois povos<\/i>. Trad. Ana Saldanha, Lisboa: Ed. Caminho, 2007.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">_______.\u00a0<i>La limpieza \u00e9tnica de Palestina<\/i>. Trad. Luis Noriega, Barcelona: Mem\u00f3ria Cr\u00edtica, 2008.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">_______.\u00a0<i>The Forgotten Palestinians \u2013 A History of the Palestinians in Israel.<\/i> London: Yale UniversityPress, 2011.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">SHLAIM, Avi.\u00a0<i>A muralha de ferro \u2013 Israel e o mundo \u00e1rabe<\/i>. Trad. Maria Beatriz Penna Vogel. Rio de Janeiro: Fissus Ed., 2004.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\">TAMARI, Salim (ed.),\u00a0<i>Jerusalem 1948 \u2013 The Arab Neighbourhoods and their Fate in the War.<\/i> The Institute of Jerusalem Studies &amp; Badil Resource Center, Second Revised Edition, 2002.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\" align=\"center\">\n<hr align=\"center\" size=\"1\" width=\"100%\" \/>\n<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[1]<\/span><\/a> O escritor Moacyr Scliar (1937-2011), que participou do movimento juvenil sionista, aborda o assunto em seus coment\u00e1rios \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de <i>O Estado judeu<\/i> traduzida para o portugu\u00eas. HERZL, T. <i>O Estado judeu<\/i>. Trad. David Jos\u00e9 P\u00e9rez. Rio de Janeiro: Garamond, 1998, p. 21.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[2]<\/span><\/a> O termo seria usado como um eufemismo pelos sionistas, segundo MASALHA, N..<i>Expulsion of the Palestinians: The Concept of \u201cTransfer\u201d in Zionist Political Thought, 1882-1948<\/i>. Washington:\u00a0Institute for Palestine Studies, 1993.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[3]<\/span><\/a>Chaim Weizmann viria a se tornar o primeiro presidente de Israel, em 1948. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt; <a href=\"http:\/\/www.jewishvirtuallibrary.org\/jsource\/biography\/weizmann.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">http:\/\/www.jewishvirtuallibrary.org\/jsource\/biography\/weizmann.html<\/span><\/a>&gt;. Acesso em: 13 de agosto de 2013.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[4]<\/span><\/a> Comunidade judaica, em hebraico. PAPP\u00c9, I. <i>Hist\u00f3ria da Palestina moderna \u2013 uma terra, dois povos<\/i>. Trad. Ana Saldanha, Lisboa: Ed. Caminho, 2007, p. 358.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[5]<\/span><\/a> Leo Motzkin, presidente do Conselho Geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial Sionista. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.jta.org\/1932\/05\/23\/archive\/zionist-movement-and-french-report-mr-motzkin-president-of-zionist-general-council-leaves-for-pale\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">http:\/\/www.jta.org\/1932\/05\/23\/archive\/zionist-movement-and-french-report-mr-motzkin-president-of-zionist-general-council-leaves-for-pale<\/span><\/a>&gt;. Acesso em: 12 de agosto de 2013.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[6]<\/span><\/a> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.icty.org\/x\/file\/About\/OTP\/un_commission_of_experts_report1994_en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">http:\/\/www.icty.org\/x\/file\/About\/OTP\/un_commission_of_experts_report1994_en.pdf<\/span><\/a>&gt;. Acesso em: 12 de agosto de 2013.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia, serif;\"><a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/Sionismo%20e%20limpeza%20%C3%83%C2%A9tnica%20do%20povo%20palestino.docx\"><span style=\"color: blue;\">[7]<\/span><\/a> Idem.<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sionismo pol\u00edtico moderno surgiu em fins do s\u00e9culo XIX. O pai foi Theodor Herzl, judeu nascido na Hungria, que exercia em Viena, ent\u00e3o capital do Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro (1867-1918), a fun\u00e7\u00e3o de jornalista e autor teatral.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11921,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[228,8068,203],"tags":[],"class_list":["post-1200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-especial-palestina","category-israel"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/soldados-israelitas.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77698,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions\/77698"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}