{"id":11231,"date":"2015-10-20T01:01:57","date_gmt":"2015-10-20T03:01:57","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/novosite\/?p=11231"},"modified":"2015-10-20T01:01:57","modified_gmt":"2015-10-20T03:01:57","slug":"o-grande-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/20\/o-grande-sonho\/","title":{"rendered":"O grande sonho"},"content":{"rendered":"<p>Por: Leon Trotsky<\/p>\n<p><strong>Fevereiro de 1917<\/strong>. Come\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o mais violenta de todos os tempos. Em uma semana, a sociedade se desfaz de todos os seus mandat\u00e1rios: o monarca e seus homens da lei, a pol\u00edcia e os sacerdotes; os propriet\u00e1rios e os gerentes, os oficiais e os amos. N\u00e3o h\u00e1 cidad\u00e3o que n\u00e3o se sinta livre para decidir em cada momento sua conduta e seu porvir. Surge, ent\u00e3o, das profundezas da R\u00fassia, um imenso grito de esperan\u00e7a. Nessa voz se mescla a voz de todos os desesperados, humilhados e desamparados. Em Moscou, os trabalhadores obrigam os seus donos a aprender as bases do novo direito oper\u00e1rio. Em Odessa, os estudantes ditam ao seu professor um novo programa de hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es; no ex\u00e9rcito, os soldados deixam de obedecer aos seus superiores. Ningu\u00e9m jamais havia sonhado com uma revolu\u00e7\u00e3o assim. Agora esse sonho circula pelas veias de todas as almas desesperadas e desamparadas deste planeta.<\/p>\n<p><strong>O grande sonho<\/strong>. A grande debilidade de muitos \u201crevolucion\u00e1rios\u201d consiste em sua absoluta incapacidade de entusiasmar-se, de elevar-se sobre o n\u00edvel rotineiro das trivialidades, de fazer surgir um v\u00ednculo vital entre eles e os que o rodeiam. Aquele que n\u00e3o pode incendiar-se, n\u00e3o pode incendiar sua vida e nem a dos demais. A fria malevol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o bastante para apoderar-se da alma das massas. Muitos revolucion\u00e1rios contemplaram a revolu\u00e7\u00e3o com um invejoso espanto. \u00c9 que a vida pessoal dos revolucion\u00e1rios dificulta sua percep\u00e7\u00e3o dos grandes acontecimentos dos quais participam. Mas as trag\u00e9dias das paix\u00f5es individuais exclusivas s\u00e3o demasiado ins\u00edpidas para o nosso tempo. Porque vivemos em uma \u00e9poca de paix\u00f5es sociais.<\/p>\n<p><strong>A grande trag\u00e9dia<\/strong> de nossa \u00e9poca consiste no choque da personalidade individual com a comunidade. Para alcan\u00e7ar o n\u00edvel de hero\u00edsmo e percorrer o terreno dos grandes sentimentos que a vida nos d\u00e1 \u00e9 necess\u00e1rio que a consci\u00eancia se sinta ganha por grandes objetivos. Toda cat\u00e1strofe individual ou coletiva \u00e9 sempre uma pedra de toque, pois desnuda as verdadeiras rela\u00e7\u00f5es pessoais e sociais. Hoje em dia \u00e9 necess\u00e1rio provar este mundo. O poeta, por exemplo, sentiu-se independente do burgu\u00eas e at\u00e9 enfrentou-se com ele. Mas quando o assunto foi a revolu\u00e7\u00e3o, mostrou-se um parasita at\u00e9 a medula dos ossos. A psicologia do indiv\u00edduo assim mantido e dedicado a ser um sanguessuga humano n\u00e3o tem rastros de bondade de car\u00e1ter, respeito ou devo\u00e7\u00e3o. Hoje em dia os \u201cmocinhos\u201d estudam ainda em livros \u00e0s custas do sacrif\u00edcio dos explorados, se exercitam em jornais e criam \u201cnovas tend\u00eancias\u201d. Mas quando uma revolta ocorre seriamente, em seguida descobrem que a arte se encontra nas cabanas, nos buracos mais rec\u00f4nditos, onde fazem ninho os cupins.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso derrubar a burguesia<\/strong>, porque \u00e9 ela quem fecha o caminho \u00e0 cultura. A nova arte n\u00e3o s\u00f3 mudar\u00e1 a vida, mas lhe arrancar\u00e1 a pele. Amar a vida com o afeto superficial do diletante n\u00e3o \u00e9 um grande m\u00e9rito. Amar a vida com os olhos abertos, com um sentido cr\u00edtico cabal, sem ilus\u00f5es, tal como ela nos aparece, com o que nos oferece, essa \u00e9 a proeza. Nossa proeza \u00e9 realizar um esfor\u00e7o apaixonado para sacudir aqueles que est\u00e3o entorpecidos pela rotina; fazer com que abram os olhos e vejam aquilo que se aproxima.<\/p>\n<p><em>Artigo escrito por Leon Trotsky sobre a Revolu\u00e7\u00e3o em 1917 e dedicado pelo Coletivo de Artistas Socialistas (CAS), da CSP-Conlutas, a Cec\u00edlia Toledo, j\u00e1 que este foi um dos \u00faltimos textos que ela enviou para ser publicado no site do CAS. <\/em><\/p>\n<p><em>Leia este e outros artigos no site do CAS: <\/em>\u00a0<a href=\"http:\/\/artistassocialistas.blog.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/artistassocialistas.blog.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Leon Trotsky Fevereiro de 1917. Come\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o mais violenta de todos os tempos. 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