{"id":11047,"date":"2015-10-20T13:27:56","date_gmt":"2015-10-20T13:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/novosite\/?p=11047"},"modified":"2015-10-20T13:27:56","modified_gmt":"2015-10-20T13:27:56","slug":"conflito-colombia-venezuela-nem-guerra-entre-os-povos-nem-paz-entre-as-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/20\/conflito-colombia-venezuela-nem-guerra-entre-os-povos-nem-paz-entre-as-classes\/","title":{"rendered":"Conflito Col\u00f4mbia-Venezuela: \u201cNem guerra entre os povos, nem paz entre as classes\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>A deporta\u00e7\u00e3o de mais de 1.000 colombianos pelo governo de Nicol\u00e1s Maduro, o deslocamento for\u00e7ado de outros 12.000 e o fechamento da fronteira geraram crise entre os governos da Venezuela e da Col\u00f4mbia, polarizando com posi\u00e7\u00f5es nacionalistas reacion\u00e1rias em ambos os pa\u00edses. Em meio a campanhas eleitorais e disputas internas interburguesas, a burguesia desses pa\u00edses quer utilizar a crise em benef\u00edcio pr\u00f3prio, \u00e0 custa do aprofundamento da crise social da popula\u00e7\u00e3o venezuelana e dos imigrantes colombianos. A vota\u00e7\u00e3o na OEA, na qual o governo colombiano foi derrotado, sinaliza o isolamento de um pa\u00eds cujos governos t\u00eam sido os principais lacaios do imperialismo norte-americano no continente, e que n\u00e3o est\u00e1 ausente nesta crise.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PST \u2013 Col\u00f4mbia<\/p>\n<p><strong>Contrabando e paramilitarismo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nem discuss\u00e3o de que existem poderosas m\u00e1fias que saqueiam a economia venezuelana majoritariamente subsidiada pelo Estado, tampouco h\u00e1 d\u00favidas quanto \u00e0 presen\u00e7a do paramilitarismo colombiano que lidera parte dessas m\u00e1fias e as do narcotr\u00e1fico. Calcula-se que 40% dos produtos b\u00e1sicos subsidiados entram como contrabando na Col\u00f4mbia e s\u00e3o vendidos a um pre\u00e7o 20 vezes maior. Tamb\u00e9m ingressa diariamente gasolina equivalente a 100 mil barris de petr\u00f3leo, cujo litro custa 2 centavos de d\u00f3lar na Venezuela e na Col\u00f4mbia \u00e9 vendido a 1 d\u00f3lar. Algo parecido acontece com o d\u00f3lar. Na Venezuela, um d\u00f3lar custa 6,30 bol\u00edvares, enquanto em C\u00facuta (Col\u00f4mbia) \u00e9 vendido a 190 bol\u00edvares.<\/p>\n<p>O problema do contrabando e do paramilitarismo \u2013 ao que o presidente Maduro se refere como as principais causas para o fechamento da fronteira e a deporta\u00e7\u00e3o de colombianos \u2013 \u00e9 real. Mas o que ele n\u00e3o reconhece \u00e9 que as poderosas fac\u00e7\u00f5es de contrabandistas e narcotraficantes existem e funcionam porque nelas h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de altos funcion\u00e1rios da Guarda Nacional, militares e agentes de Intelig\u00eancia e da pol\u00edcia de ambos os pa\u00edses. \u00c9 preciso diferenciar entre as pessoas que buscam sobreviver, algumas participando do contrabando a p\u00e9 por trilhas, e os que transportam toneladas de alimentos e gasolina em grandes caminh\u00f5es e carros-tanques que passam pelos postos de controle fronteiri\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar os chefes das grandes m\u00e1fias de contrabandistas e narcotraficantes sendo deportados e submetidos aos deslocamentos for\u00e7ados de colombianos e alguns venezuelanos. Essas fac\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o sendo desmanteladas, entre outras coisas porque v\u00e1rios de seus integrantes s\u00e3o ricos e poderosos burgueses e seus agentes no Estado. O problema n\u00e3o tem a ver com nacionalidade, tem a ver com as classes sociais. \u00a0Os pobres s\u00e3o os perseguidos, n\u00e3o importa se s\u00e3o colombianos ou venezuelanos. As fam\u00edlias pobres s\u00e3o divididas, decretando-se que os filhos de fam\u00edlias colombianas nascidos na Venezuela s\u00e3o propriedade do Estado. Mas nos ricos e poderosos ningu\u00e9m toca. Nessas condi\u00e7\u00f5es, os problemas do contrabando e do narcotr\u00e1fico n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Crise econ\u00f4mica e social, elei\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es de paz<\/strong><\/p>\n<p>O presidente Maduro afirma que os motivos para fechar as fronteiras e deportar os colombianos s\u00e3o o contrabando e o paramilitarismo, que, como j\u00e1 foi dito, s\u00e3o fen\u00f4menos que existem e est\u00e3o relacionados, mas h\u00e1 outras raz\u00f5es que s\u00e3o as fundamentais. O governo venezuelano enfrenta uma profunda crise econ\u00f4mica e social que gera descontentamento por causa do desabastecimento, da infla\u00e7\u00e3o e do aumento da inseguran\u00e7a. Ao mesmo tempo, o governo de Maduro est\u00e1 com os \u00edndices mais baixos de aceita\u00e7\u00e3o e pode perder nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para governos locais. Em meio a essa situa\u00e7\u00e3o, ele pretende unir os venezuelanos em torno do seu governo e ganhar votos, com uma forte dose de nacionalismo reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com o governo de Juan Manuel Santos para as elei\u00e7\u00f5es locais de outubro na Col\u00f4mbia. O outro elemento que entra em cena na disputa entre os dois governos est\u00e1 relacionado com as negocia\u00e7\u00f5es de paz. O governo venezuelano \u00e9 o fiador do processo de paz entre as Farc e o governo colombiano, raz\u00e3o pela qual Santos tem que se mover entre as press\u00f5es de ultradireita do setor do ex-presidente \u00c1lvaro Uribe e as press\u00f5es do governo de Maduro, que trata de chantage\u00e1-lo com as negocia\u00e7\u00f5es de paz.<\/p>\n<p><strong>O drama do deslocamento e da migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada<\/strong><\/p>\n<p>Afirma-se que h\u00e1 5.600.000 colombianos na Venezuela, o que equivale a mais de 10% de sua popula\u00e7\u00e3o. Mas nem todos chegaram como produto da migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Calcula-se que por essa motivo h\u00e1 1.000.000 aproximadamente. A maioria migrou por causa da viol\u00eancia exercida pelo Estado colombiano, pelos latifundi\u00e1rios e empres\u00e1rios, todos agentes\u00a0 que utilizam o paramilitarismo para expropriar as terras dos camponeses. Calcula-se que, somente entre 1995 e 2010, 3.624.426 pessoas foram expulsas violentamente e for\u00e7adas a abandonar os seus bens, deixando para tr\u00e1s 8 milh\u00f5es de hectares de terra.<sup>1<\/sup>. O conflito armado tamb\u00e9m est\u00e1 ligado a este problema. A guerrilha tamb\u00e9m deslocou e expropriou terra dos camponeses pobres.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 existe sa\u00edda com um programa verdadeiramente socialista e um governo oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>A crise e a encruzilhada em que a Venezuela se encontra \u00e9 o pre\u00e7o de que o processo revolucion\u00e1rio tenha ficado nas m\u00e3os de uma dire\u00e7\u00e3o nacionalista que nunca se prop\u00f4s a levar a revolu\u00e7\u00e3o socialista a fundo, mas que a freou com sua inven\u00e7\u00e3o do Socialismo do S\u00e9culo XXI. O chavismo se acomodou no poder burgu\u00eas, enriqueceu formando a chamada boliburguesia e agora enfrenta a direita reacion\u00e1ria que tenta recuperar o poder do Estado e a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora que, descontente e desiludida, n\u00e3o v\u00ea sa\u00edda para a crise. \u00c9 o pre\u00e7o por n\u00e3o ter coletivizado os meios de produ\u00e7\u00e3o e de troca, por n\u00e3o ter uma economia planificada e um plano de industrializa\u00e7\u00e3o para n\u00e3o depender somente do petr\u00f3leo. O chavismo nem sequer foi capaz de fazer uma reforma agr\u00e1ria, apesar das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es camponesas com ocupa\u00e7\u00e3o de terras. Os camponeses se chocaram com uma Lei de Reforma Agr\u00e1ria que s\u00f3 permitia a expropria\u00e7\u00e3o de latifundi\u00e1rios que tivessem mais de 5 mil hectares de terra sem cultivar.<\/p>\n<p>Esse, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno somente da Venezuela, onde houve processos revolucion\u00e1rios que impuseram governos chamados alternativos, como no Brasil, Argentina, Bol\u00edvia e Equador. Nesses pa\u00edses aconteceu a mesma coisa. Esses governos alternativos frearam o processo revolucion\u00e1rio, fazendo assistencialismo \u00e0 custa do <em>boom<\/em> das mat\u00e9rias primas da d\u00e9cada passada e assim mantendo os votos de seus eleitores. Mas agora entraram em uma segunda fase em que precisam governar com crise econ\u00f4mica e aplicam planos neoliberais sem compaix\u00e3o contra os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o pobre.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que as revolu\u00e7\u00f5es devem ser levadas at\u00e9 a expropria\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, como ocorreu na R\u00fassia em 1917, que estabele\u00e7am um governo oper\u00e1rio e que se estendam internacionalmente para que n\u00e3o sejam afogadas dentro das fronteiras nacionais. Caso contr\u00e1rio, as revolu\u00e7\u00f5es retrocedem e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o termina se impondo, como aconteceu em todos os Estados onde triunfou a revolu\u00e7\u00e3o socialista no s\u00e9culo passado. Diante da guerra entre os povos desatada na Primeira Guerra Mundial, os bolcheviques russos levantaram a palavra de ordem: \u201cNem guerra entre os povos, nem paz entre as classes!\u201d. Essa consigna deve ser resgatada contra a agita\u00e7\u00e3o nacionalista que busca provocar o enfrentamento entre os irm\u00e3os de classe da Col\u00f4mbia e da Venezuela. Unidade dos trabalhadores de ambos os pa\u00edses, contra os governos e seus setores burgueses de ultradireita.<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p>1. Fonte: Documento Unidades Agr\u00edcolas Familiares, posse e abandono for\u00e7ado de terras na Col\u00f4mbia, da ag\u00eancia presidencial A\u00e7\u00e3o Social, dezembro de 2010.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Pedro Nascimento<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A deporta\u00e7\u00e3o de mais de 1.000 colombianos pelo governo de Nicol\u00e1s Maduro, o deslocamento for\u00e7ado de outros 12.000 e o fechamento da fronteira geraram crise entre os governos da Venezuela e da Col\u00f4mbia, polarizando com posi\u00e7\u00f5es nacionalistas reacion\u00e1rias em ambos os pa\u00edses. 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