{"id":10408,"date":"2015-10-19T14:09:35","date_gmt":"2015-10-19T14:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/novosite\/?p=10408"},"modified":"2015-10-19T14:09:35","modified_gmt":"2015-10-19T14:09:35","slug":"as-eleicoes-e-o-novo-tsipras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/19\/as-eleicoes-e-o-novo-tsipras\/","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es e o novo Tsipras"},"content":{"rendered":"<p><em>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es realizadas em 20 de setembro, abre-se na Gr\u00e9cia um novo panorama pol\u00edtico completamente diferente do que era em janeiro. Tsipras, que foi eleito para romper com o Memorando, agora lidera um governo cujo \u00fanico objetivo \u00e9 aplicar todas as medidas exigidas pela Troika.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Xara Argyris<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a terceira atividade eleitoral do ano, depois que a maioria do povo disse <em>OXI<\/em> (N\u00e3o) e Tsipras ignorou seu resultado. Nas elei\u00e7\u00f5es, marcadas pela desilus\u00e3o, deu resultado a campanha de Tsipras de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 outra alternativa a n\u00e3o ser pactuar com a Troika\u201d. Ent\u00e3o, trata-se agora de organizar a luta contra as medidas do novo governo Tsipras.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria do Syriza, com 35,46% dos votos, ocorre em um contexto de divis\u00e3o do partido, da sa\u00edda de milhares de membros, e do contundente N\u00c3O do referendo.<\/p>\n<p>A manobra de antecipar as elei\u00e7\u00f5es encerrou o projeto de \u201cgoverno de esquerda\u201d, com o objetivo de reassegurar sua elei\u00e7\u00e3o \u2013 antes que as medidas assinadas tivessem consequ\u00eancias para os trabalhadores \u2013, e assim recuperar a maioria no parlamento.<\/p>\n<p>O novo governo SYRIZA-ANEL deu um profundo al\u00edvio \u00e0 troika. O resultado foi de acordo com as exig\u00eancias e \u00e9 a garantia para avan\u00e7ar com o plano em dois aspectos: por um lado, a assinatura do terceiro memorando e, por outro, a \u201climpeza\u201d que houve de toda a oposi\u00e7\u00e3o, dos deputados que votaram contra a assinatura do memorando.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da nova equipe de governo mostra que \u00e9 uma continuidade do governo anterior. Mant\u00e9m a mesma equipe, com apenas oito novos cargos.<\/p>\n<p>Syriza-Tsipras sai destas elei\u00e7\u00f5es com o triunfo dado por 35,5% dos votos, superando as expectativas e as d\u00favidas. Ainda que tenha perdido 320 mil votos em rela\u00e7\u00e3o a janeiro de 2015, chegou a 42% nos bairros oper\u00e1rios de Atenas e 40% entre jovens de 18 a 24 anos.<\/p>\n<p>Nova Democracia: 1.526.205, perde 200 mil; a frente PASOK-DIMAR: 341.340; e RIO: 222.166, perde 80 mil (obtidos em janeiro de 2015); ANEL: 200.423, com 93 mil a menos, na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O inc\u00f4modo terceiro lugar que ocupa o Aurora Dourada, com 379.581, n\u00e3o \u00e9 novidade e teve 9 mil votos a menos que em janeiro de 2015. Comparado com junho de 2012, continua em descenso, ainda que mantenha a porcentagem. Os \u00edndices mais altos foram obtidos nas ilhas como Mitilini, onde h\u00e1 o problema insol\u00favel dos refugiados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 menos inc\u00f4modo o quinto lugar que o Partido Comunista Grego (KKE) continua mantendo, com 301.632 votos. Mesmo perdendo 37 mil votos, conserva sua presen\u00e7a hist\u00f3rica no governo. Seu papel de \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d e de \u201cabsten\u00e7\u00e3o\u201d no memorando deixou-o deslocalizado diante das massas no auge da mobiliza\u00e7\u00e3o pelo N\u00c3O, mas reafirmando sua fun\u00e7\u00e3o de aparelho contrarrevolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para a Unidade Popular, que obteve 155.242 votos (2,82%), sua campanha pelo \u201cN\u00e3o at\u00e9 o final\u201d n\u00e3o foi suficiente para apagar os seis meses em que foi parte do governo e dos memorandos assinados.<\/p>\n<p>Na esquerda que se apresentou e n\u00e3o chegou a 3% esteve a Frente Antarsya\u2013EEK, que alcan\u00e7ou 46.096 votos e, em janeiro passado, tinha obtido 39.497; OKDE, com 2.370 em rela\u00e7\u00e3o aos 1.854 em janeiro; e o P.C-M.L. (Partido Comunista Grego-Mao\u00edsta), com 8.944 contra 7.999 em janeiro de 2015.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es de esquerda n\u00e3o conseguiram ser um polo alternativo nestas elei\u00e7\u00f5es, apesar de terem estado na primeira linha da campanha pelo N\u00c3O. Por fora das organiza\u00e7\u00f5es, prevaleceu o desconcerto, o desencanto e a confus\u00e3o diante da queda do \u201cgoverno de esquerda\u201d, aquele que defendiam como a alternativa que combateria o capitalismo.<\/p>\n<p><strong>A \u201cabsten\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O \u00edndice oficial de absten\u00e7\u00e3o \u00e9 de 45% e com diversas interpreta\u00e7\u00f5es: \u00e9 estranho diante dos 62% que disseram N\u00c3O \u00e0 UE e ao memorando no referendo para depois escutar um Tsipras triunfante declarar que o N\u00c3O foi um SIM.<\/p>\n<p>Foram 600 mil votantes a menos do que em julho e 780 mil a menos do que em janeiro. Da compara\u00e7\u00e3o surge uma pergunta: por que uma participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o alta no N\u00c3O e t\u00e3o baixa nestas elei\u00e7\u00f5es? A diferen\u00e7a se d\u00e1, em parte, pela forma como se viveu isto: a grande disposi\u00e7\u00e3o para lutar que o povo grego expressou ao se mobilizar pelo N\u00c3O, e a passividade a que foi levado pelo chamado a novas elei\u00e7\u00f5es, que ningu\u00e9m pediu, exceto o governo.<\/p>\n<p>Certamente, n\u00e3o foi o dia de ver\u00e3o, de muito calor, o que estimulava os eleitores a irem \u00e0s praias, mas o cansa\u00e7o ap\u00f3s tr\u00eas convoca\u00e7\u00f5es em nove meses (elei\u00e7\u00f5es gerais em janeiro, referendo em julho e novas elei\u00e7\u00f5es em 20 de setembro) e a not\u00e1vel decep\u00e7\u00e3o das pessoas, que de diferentes formas diziam: &#8220;sabemos o que nos espera\u201d.<\/p>\n<p>Isto, somado aos problemas gerados por ter de se deslocar aos lugares de origem para votar, com a despesa que isso implica, em um momento em que todos procuram gastar o menos poss\u00edvel para que o sal\u00e1rio, j\u00e1 reduzido por tantos cortes, chegue at\u00e9 o final do m\u00eas.<\/p>\n<p>Quadros comparativos entre as elei\u00e7\u00f5es de setembro e as de janeiro de 2015:<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"100%\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0ELEI\u00c7\u00d5ES JANEIRO 2015<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>PARTIDO<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\"><strong>N\u00daMERO DE ASSENTOS<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\"><strong>% DE VOTOS<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Syriza<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">149<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">36,34%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Nova Democracia<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">76<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">27,81%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Aurora Dourada<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">17<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">6,28%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">To Potami<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">17<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">6,04%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">KKE<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">15<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">5,47%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Pasok<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">13<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">4,68%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Gregos Independentes<\/td>\n<td width=\"37%\">\n<p style=\"text-align: center;\">13<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"28%\">\n<p style=\"text-align: center;\">4,75%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"100%\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0\u00a0ELEI\u00c7\u00d5ES SETEMBRO 2015<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>PARTIDO<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\"><strong>N\u00daMERO DE ASSENTOS<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\"><strong>% DE VOTOS<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Syriza<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">145<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">35,5%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Nova Democracia<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">75<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">28,1%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Aurora Dourada<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">18<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">7,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Pasok<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">17<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">6,3%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">KKE<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">15<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">5,5%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">To Potami<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">11<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">4,1%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Gregos Independentes<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">10<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">3,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"33%\">Uni\u00e3o de Centristas<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"37%\">9<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"28%\">3,4%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Os dois partidos mais votados, Syriza e Nova Democracia, e um mapa para o novo bipartidarismo grego.<\/em><\/p>\n<p><strong>A \u201clegaliza\u00e7\u00e3o\u201d do plano Tsipras<\/strong><\/p>\n<p>O plano nasce, assim, pela segunda vez, reeditando sua alian\u00e7a com a direita nacionalista dos Gregos Independentes &#8211; ANEL- e se prepara para \u201cquatro anos completos, porque este \u00e9 o mandato\u201d, ainda que o ambiente de euforia s\u00f3 tenha sido vivido no bunker do Syriza.<\/p>\n<p>O povo grego n\u00e3o espera nada novo, conhece bem as condi\u00e7\u00f5es do \u00faltimo resgate assinado, causa da \u201cterr\u00edvel\u201d indecis\u00e3o at\u00e9 o \u00faltimo momento, como algumas pessoas expressaram: \u201c<em>essa noite nos olh\u00e1vamos nos olhos e n\u00e3o sab\u00edamos o que fazer<\/em>\u201d. Uma coisa eles t\u00eam muito clara: n\u00e3o querem a direita.<\/p>\n<p>O que vem, e o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, \u00e9 o in\u00edcio do plano de reformas, ajuste que exige o empr\u00e9stimo de 86 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre a primeira campanha e esta \u00e9 que Tsipras agora n\u00e3o disse uma palavra sobre \u201crenegocia\u00e7\u00e3o\u201d, nem fez promessas sobre nenhum tipo de ruptura com o memorando, nem sobre a recupera\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, ou sobre a conven\u00e7\u00e3o coletiva, ou a recupera\u00e7\u00e3o do 13\u00b0 sal\u00e1rio completo (um sal\u00e1rio extra).<\/p>\n<p>O \u201cnovo\u201d governo vem com o pacote embaixo do bra\u00e7o, e junto com isso vir\u00e3o cortes nas aposentadorias, novo plano de carreira no Estado, mais aumentos no sistema de impostos, suspens\u00e3o dos subs\u00eddios, aumento de sete anos na idade m\u00ednima para aposentadoria, e as privatiza\u00e7\u00f5es \u2013 que tinham ficado em suspenso \u2013 de tudo o que falta privatizar.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe se isso vai avan\u00e7ar ou n\u00e3o. Depender\u00e1 de como ser\u00e1 a resposta dos trabalhadores e do povo grego, de como ser\u00e1 a resist\u00eancia \u00e0 espolia\u00e7\u00e3o capitalista, agora com seu indiscut\u00edvel s\u00f3cio Tsipras, a burguesia e as patronais gregas. Depender\u00e1, tamb\u00e9m, das possibilidades de coordenar e organizar essas lutas.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m dos n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Na sexta-feira 18 de setembro, antes das elei\u00e7\u00f5es, o Syriza fez seu ato de encerramento de campanha na pra\u00e7a Syntagma, com a participa\u00e7\u00e3o de 4.000 a 5.000 pessoas. Foi um ato com muitas luzes e muitos espa\u00e7os vazios. Sof\u00eda e Georgia s\u00e3o professoras; elas tentavam me explicar que n\u00e3o tinha sido assim nos atos anteriores, referindo-se \u00e0 pra\u00e7a do N\u00c3O.<\/p>\n<p>\u201c<em>\u2026 foi a primeira vez que chorei em uma mobiliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s sempre fomos de esquerda, este \u00e9 um governo de esquerda e vamos apoi\u00e1-lo. Antes das elei\u00e7\u00f5es de janeiro, est\u00e1vamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel nas escolas. Quiseram impor as &#8216;Avalia\u00e7\u00f5es&#8217; para come\u00e7ar a despedir. Sent\u00edamos persegui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as, havia muito medo de perder o trabalho. Foi uma das \u00faltimas lutas antes das elei\u00e7\u00f5es: barrar as avalia\u00e7\u00f5es, e conseguimos. O voto no Syriza foi pela democracia e pelos direitos humanos. Nada pode mudar uma hora para outra, a assinatura do memorando era algo que todos sab\u00edamos que ia acontecer, \u00e9 preciso lhe dar tempo. N\u00e3o podia fazer outra coisa, e o pior j\u00e1 passamos: desde 2011 at\u00e9 agora perdemos 45% do sal\u00e1rio.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Na noite do s\u00e1bado anterior \u00e0 vota\u00e7\u00e3o, em uma reuni\u00e3o de ativistas sindicais e de direitos humanos, pela primeira vez estavam discutindo as diferentes posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao Syriza. Foi uma discuss\u00e3o visceral, mas a unanimidade foi rompida e os votos se dividiram entre Tsipras, UP, Antarsya e a absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia tem a maior esquerda anticapitalista do mundo e h\u00e1 muit\u00edssimas organiza\u00e7\u00f5es, grupos e partidos pol\u00edticos que reivindicam a revolu\u00e7\u00e3o. In\u00fameras tamb\u00e9m foram as reuni\u00f5es realizadas durante a primeira semana posterior \u00e0 vota\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es como Antarsya e OKDE, que participaram defendendo a sa\u00edda da UE e do Euro com um programa anticapitalista, puderam fazer balan\u00e7os mais objetivos em rela\u00e7\u00e3o a seus resultados e a como se preparar para as lutas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o que j\u00e1 tinha acontecido no interior do Syriza se estendeu ao resto do amplo espa\u00e7o da esquerda. A situa\u00e7\u00e3o fica mais definida: por um lado, os setores que v\u00e3o continuar dando apoio ao governo; por outro, separando-se, os que falam de &#8220;trai\u00e7\u00e3o do Tsipras\u201d e prop\u00f5em a \u201cnecessidade de reorganiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um processo aberto e o mais rico que est\u00e1 ocorrendo em busca de uma alternativa, sobretudo por muitos jovens ativistas que acreditaram no \u201cprograma revolucion\u00e1rio do Syriza\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, os setores que estavam em luta entraram em um \u201cimpasse\u201d, que se iniciou ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de janeiro de 2015. Em reuni\u00f5es com ativistas de sindicatos de hospitais, grupos sindicais docentes, da f\u00e1brica INTRACOM (que pertencem \u00e0 Confedera\u00e7\u00e3o de trabalhadores metal\u00fargicos), h\u00e1 um ponto em comum na descri\u00e7\u00e3o que fazem de seus locais de trabalho: sente-se a decep\u00e7\u00e3o nas pessoas, as lutas que aconteceram no per\u00edodo anterior \u2013 durante os golpes mais duros dos cortes \u2013 tiveram uma pausa, e agora depender\u00e3o do ritmo em que as medidas avancem.<\/p>\n<p>Todos concordam, tamb\u00e9m, que se abre uma nova etapa, que a assinatura do memorando exige mais ajuste, e que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta a que tipo de respostas sejam dadas a partir de cada lugar de trabalho.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Suely Corvacho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es realizadas em 20 de setembro, abre-se na Gr\u00e9cia um novo panorama pol\u00edtico completamente diferente do que era em janeiro. 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