{"id":1012,"date":"2010-05-22T00:53:08","date_gmt":"2010-05-22T00:53:08","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2010\/05\/22\/copa-do-mundo-olhos-voltados-para-a-africa-do-sul\/"},"modified":"2010-05-22T00:53:08","modified_gmt":"2010-05-22T00:53:08","slug":"copa-do-mundo-olhos-voltados-para-a-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/05\/22\/copa-do-mundo-olhos-voltados-para-a-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"Copa do mundo: olhos voltados para a \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"\n<div \/>\n\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" height=\"99\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/futebol_opt.jpg\" vspace=\"3\" width=\"150\" \/>A Copa da \u00c1frica do Sul come\u00e7a no dia 11 de junho. Dessa vez todos torcem para ver um grande espet\u00e1culo. Todos querem algo bem diferente do que foi a aborrecida Copa de 2006.<br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t\u00a0A expectativa \u00e9 ver a arte fluir dos p\u00e9s de craques como Kak\u00e1, Eto&#8217;o, Messi, Cristiano, entre outros. <\/div>\n<div>\n\t<b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div>\n\tDessa vez, por\u00e9m, a grande novidade \u00e9 que o maior evento do futebol mundial acontecer\u00e1 o na \u00c1frica do Sul. Ser\u00e1 a primeira Copa realizada no continente negro.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tDe forma hip\u00f3crita, muitos representantes do capital, disseram que a Copa ser\u00e1 uma &ldquo;oportunidade para mudar a imagem da \u00c1frica&rdquo;.\u00a0 Contudo, bem longe de oferecer uma &ldquo;oportunidade&rdquo; para os povos do continente, particularmente para os trabalhadores da \u00c1frica do Sul, a Copa ser\u00e1 bastante oportuna para um punhado de capitalistas faturarem alto. Um prova disso, \u00e9 que dois dias antes, a Fifa pretende encabe\u00e7ar um encontro da c\u00fapula dos dirigentes e patrocinadores para debater a transforma\u00e7\u00e3o do futebol em um neg\u00f3cio globalizado e bilion\u00e1rio. <\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>Neg\u00f3cio bilion\u00e1rio<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPara al\u00e9m do talento dos craques no gramado, h\u00e1 muito tempo o futebol se tornou um neg\u00f3cio extremamente lucrativo. O que se passa com o futebol tem a ver com o que ocorre em outros setores da vida social dominados pelo capitalismo, que se apropria de toda criatividade humana para preservar a explora\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tO dinheiro movimentado pelo esporte representa, segundo a FIFA, 1% do PIB mundial.\u00a0 J\u00e1 a Comiss\u00e3o Europeia estima que o futebol movimente 2% do PIB do continente, o que o transforma em um dos maiores setores da economia. Em 2006, os n\u00edveis anuais de renda eram tr\u00eas vezes o volume registrado em 1996. Fala-se hoje at\u00e9 da exist\u00eancia de uma &ldquo;folha financeira do futebol&rdquo;. <\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tEm pa\u00edses imperialistas, como a Inglaterra, h\u00e1 clubes que tem uma renda anual superior \u00e0 de pa\u00edses inteiros, como \u00e9 o caso do Manchester United. O clube brit\u00e2nico movimenta por ano 1,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, um valor que chega bem perto ao PIB de muitos pa\u00edses africanos, como Lib\u00e9ria, Cabo Verde ou G\u00e2mbia.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<b>\u00c1frica do Sul: hist\u00f3ria de lutas e explora\u00e7\u00e3o<\/b><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tA realiza\u00e7\u00e3o da primeira Copa na \u00c1frica tem produzido uma enorme expectativa em torno do evento. Inclusive, e principalmente, por parte da maioria do sofrido povo sul-africano, os negros, que assim como grande parte dos brasileiros, \u00e9 apaixonada pelo esporte. Para 88% da popula\u00e7\u00e3o sul-africana, a realiza\u00e7\u00e3o da Copa na \u00c1frica do Sul \u00e9 motivo de orgulho. Isso tem todo um significado. Afinal, esse pa\u00eds tem uma bela hist\u00f3ria de luta contra o regime racista do Apartheid.\u00a0 <\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tSe por um lado a luta do povo sul-africano sepultou esse odioso regime, por outro, isso n\u00e3o significou uma melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o negra do pa\u00eds. Hoje n\u00e3o existe mais um regime que separava formalmente negros e brancos. Mas h\u00e1 no pa\u00eds um novo tipo de &ldquo;apartheid social&rdquo; que manteve a maioria negra do pa\u00eds na mais absoluta mis\u00e9ria, enquanto poucos enriqueceram no poder. <\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tNestes \u00faltimos 20 anos, todos os governos do CNA (Congresso Nacional Africano), inclusive o de Mandela, n\u00e3o fizeram outra coisa sen\u00e3o aplicar de forma rigorosa e obediente as pol\u00edticas neoliberais recomendadas pelo FMI. O resultado \u00e9 uma profunda crise social vivida no pa\u00eds. O desemprego atinge 40% da popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul &ndash; 28% segundo os dados oficiais. A desigualdade social tamb\u00e9m aumentou e a expectativa de vida caiu, puxada para baixo pela maior epidemia de Aids do mundo e pela explos\u00e3o da viol\u00eancia urbana.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tUma prova dessa profunda divis\u00e3o social aconteceu nos preparativos para a Copa. Milhares de trabalhadores pobres foram expulsos de seus bairros para dar lugar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios enormes e luxuosos.\u00a0 Muitos destes moradores foram transferidos para lugares extremamente prec\u00e1rios, como a &ldquo;Blikkiesdorp&rdquo;, que quer dizer cidade de lata. Neste vilarejo as casas s\u00e3o feitas de zinco e cada fam\u00edlia tem apenas 18 metros quadrados para morar.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tPor outro lado, a constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios para a Copa s\u00f3 foi poss\u00edvel devido a uma intensa superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Segundo o sindicato, os oper\u00e1rios que trabalham na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios para a Copa recebiam menos de 4,50 rands (R$ 1,10) por hora. Essa situa\u00e7\u00e3o levou os trabalhadores a realizarem diversas paralisa\u00e7\u00f5es e uma greve no ano passado. Cerca de 70 mil trabalhadores aderiram \u00e0 greve e colocaram realiza\u00e7\u00e3o da Copa em xeque.<\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\tComo aqui no Brasil, Argentina, Espanha, It\u00e1lia, entre outros pa\u00edses mundo afora,\u00a0 muitos africanos ir\u00e3o ficar vidrados em cada lance emocionante dessa Copa. No entanto, a realiza\u00e7\u00e3o do evento na \u00c1frica do Sul provoca uma &ldquo;tr\u00e9gua social&rdquo; no pa\u00eds. Passado a Copa, por\u00e9m, a dolorosa realidade continuar\u00e1 batendo \u00e0 porta de milh\u00f5es de negros e negras todos os dias. <\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n<div>\n\t<i>Fonte: Jornal Opini\u00e3o Socialista no. 404\/PSTU<\/i><\/div>\n<div>\n\t\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Copa da \u00c1frica do Sul come\u00e7a no dia 11 de junho. Dessa vez todos torcem para ver um grande espet\u00e1culo. 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