{"id":100,"date":"2006-02-28T00:00:00","date_gmt":"2006-02-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2006\/02\/28\/8-de-marco-dia-internacional-da-mulher\/"},"modified":"2006-02-28T00:00:00","modified_gmt":"2006-02-28T00:00:00","slug":"8-de-marco-dia-internacional-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2006\/02\/28\/8-de-marco-dia-internacional-da-mulher\/","title":{"rendered":"8 de Mar\u00e7o &#8211; Dia Internacional da Mulher"},"content":{"rendered":"<p> 8 de Mar\u00e7o &#8211; Dia Internacional da Mulher<!--more--><\/p>\n<p class=MsoBodyText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Georgia\"><?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=texto style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-FAMILY: Georgia\"><o:p><font font-size=\"12\">No dia 8 de mar\u00e7o de 1857, as oper\u00e1rias t\u00eaxteis de Nova York sa\u00edram \u00e0s ruas em protesto contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e os sal\u00e1rios de mis\u00e9ria. Na volta, reunidas no interior da f\u00e1brica, foram surpreendidas por um ato criminoso dos patr\u00f5es, que deram a ordem de incendiar o local. O resultado foi a morte de 129 trabalhadoras, cujos corpos ficaram carbonizados.<br \/>Era o in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o, entre 1860 e 1914, quando o capitalismo come\u00e7ava a implantar a maquinaria e a concentrar trabalhadores em grande n\u00famero nas f\u00e1bricas. Para tirar o m\u00e1ximo de lucro das m\u00e1quinas, os burgueses punham para trabalhar n\u00e3o apenas os homens, mas as fam\u00edlias inteiras, mulheres e crian\u00e7as pequenas. Era uma explora\u00e7\u00e3o brutal,&nbsp; as mulheres trabalhavam 16 horas por dia, deixando seus filhos pequenos sozinhos em casa, em troca de sal\u00e1rios \u00ednfimos, a metade do que era pago aos homens. <br \/>O crime revoltou a classe trabalhadora de toda a Europa. E na Confer\u00eancia das Mulheres Socialistas da II Internacional, em Copenhagem, em 1910, o 8 de Mar\u00e7o foi escolhido como Dia Internacional da Mulher, por proposta de Clara Zetkin, militante socialista alem\u00e3. <br \/>J\u00e1 se v\u00e3o 150 anos daquele 8 de mar\u00e7o sangrento e devemos perguntar: como vivem as mulheres trabalhadoras hoje, no mundo capitalista? De l\u00e1 para c\u00e1, o capitalismo tornou-se imperialista, expandiu seus tent\u00e1culos e seu dom\u00ednio para o mundo inteiro, a explora\u00e7\u00e3o tornou-se mundial e uniu a todos os trabalhadores contra um s\u00f3 inimigo. Ningu\u00e9m mais est\u00e1 livre da explora\u00e7\u00e3o, da rapina, dos massacres e da prepot\u00eancia dos grandes aglomerados imperialistas. Uma gangue de milion\u00e1rios, donos de empresas poderos\u00edssimas, constru\u00eddas&nbsp; com negociatas de todo tipo, e protegidos por institui\u00e7\u00f5es que eles mesmos criaram, como a ONU, fez do mundo em um lugar insuport\u00e1vel para milh\u00f5es de homens e mulheres. Um punhado de grandes pot\u00eancias imperialistas, sustentadas \u00e0s custas do sangue e suor de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras despojados das condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia, disputam entre si direito de melhor se aproveitar de nossas riquezas, sem se importar com as conseq\u00fc\u00eancias e com a vida de povos inteiros.<br \/>Ent\u00e3o, o sacrif\u00edcio das 129 m\u00e1rtires de Nova York foi em v\u00e3o? N\u00e3o. Elas lutavam por sua dignidade, numa \u00e9poca em que isso valia muito pouco para o capital. Em sua \u00e2nsia por lucros, o capital passava por cima de tudo e todos. As mulheres foram incorporadas em massa ao trabalho produtivo. Isso foi uma grande conquista para a mulher. Sob a influ\u00eancia do trabalho na f\u00e1brica, se ampliavam seus horizontes. Ela se transformava numa pessoa mais instru\u00edda, mais independente e se libertava das travas da fam\u00edlia patriarcal. Assim, a grande ind\u00fastria criou as bases para a plena emancipa\u00e7\u00e3o da mulher. Ela adquiria um papel na produ\u00e7\u00e3o social, antes exclusivo do homem. <br \/>Mas o capitalismo \u00e9 um sistema de rapina, e por isso, mesmo as vantagens que ele oferece, se transformam rapidamente em desvantagens. Como a varinha m\u00e1gica, que em tudo o que toca vira ouro, o capital em tudo o que toca, vira explora\u00e7\u00e3o e infelicidade.<br \/><\/font><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=texto style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-FAMILY: Georgia\"><o:p><font font-size=\"12\"><strong>Mais trabalho, menos sal\u00e1rio<\/strong><br \/>A entrada na f\u00e1brica, t\u00e3o importante para a sua emancipa\u00e7\u00e3o, transformou-se num inferno para a mulher. Ela deixava sua vida nas m\u00e1quinas, trabalhava com \u00e1gua at\u00e9 os joelhos, era obrigada a abandonar os filhos \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte. No campo, as mulheres eram exploradas pelos fazendeiros, violentadas pelos capatazes e tinham de suportar uma vida de embrutecimento e opress\u00e3o dentro da fam\u00edlia patriarcal e conservadora.&nbsp; <br \/>A for\u00e7a de trabalho feminina j\u00e1 atinge 40% da for\u00e7a de trabalho em diversos pa\u00edses. Mas para elas est\u00e3o reservados os trabalhos prec\u00e1rios, os empregos de meio per\u00edodo, sem qualquer tipo de estabilidade. Nos pa\u00edses imperialistas, como EUA e Inglaterra, 85% da m\u00e3o-de-obra feminina est\u00e1 no setor de servi\u00e7os. Na Am\u00e9rica Latina, 50% em m\u00e9dia da m\u00e3o de obra feminina est\u00e1 no setor de servi\u00e7os, cerca de 20% na agricultura outros 20% no setor p\u00fablico e apenas 10% na ind\u00fastria. <br \/>Isso demonstra que nos setores da economia onde h\u00e1 mais capital intensivo, como atividades de planejamento e concep\u00e7\u00e3o, que requerem conhecimentos t\u00e9cnicos, h\u00e1 predomin\u00e2ncia da m\u00e3o de obra masculina. Onde h\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o de trabalho intensivo, manual e repetitivo, predomina a m\u00e3o de obra feminina. E com uma carga de explora\u00e7\u00e3o elevada, como ocorre nas empresas maquiladoras do M\u00e9xico e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Central. S\u00e3o trabalhos precarizados, onde as mulheres s\u00e3o tratadas como escravas e est\u00e3o expostas \u00e0 um n\u00edvel de viol\u00eancia sexual s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 barb\u00e1rie.<br \/>Em todos os pa\u00edses do mundo, as mulheres, desempenhando as mesmas fun\u00e7\u00f5es que os homens, trabalham mais horas e ganham em m\u00e9dia 30% menos. Nos EUA e em 15 pa\u00edses da Europa, as mulheres trabalham pelo menos duas horas a mais na semana que os homens, sendo que em geral essa diferen\u00e7a \u00e9 de cinco a dez horas. <br \/>Nos EUA elas ganhavam 60% dos sal\u00e1rios dos homens nos anos 60 e passaram a ganhar 72% em 1991. No Reino Unido, essa cifra era de 69%&nbsp; em meados dos anos 80; na Alemanha, subiu de 72% em 1980 para 73% em 91. No Jap\u00e3o elas ganham 43% do sal\u00e1rio masculino, na Cor\u00e9ia 51%, em Singapura 56%, em Hong Kong&nbsp; 70% e cerca de 45% na Am\u00e9rica Latina.<br \/>No Brasil, segundo dados da CUT, uma mulher com sete anos de estudo ganha em m\u00e9dia o mesmo sal\u00e1rio que um homem analfabeto. Mesmo no setor de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, onde as mulheres s\u00e3o maioria, o rendimento \u00e9 30% inferior ao dos homens.<br \/>Nas ind\u00fastrias da Grande S\u00e3o Paulo, apenas 13% das mulheres ocupam cargo de chefia e apenas 1,9% dos empregados s\u00e3o mulheres.<br \/>Quanto ao trabalho dom\u00e9stico, dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas mostram que na maior parte dos pa\u00edses do mundo o tempo consagrado pelas mulheres \u00e0s tarefas n\u00e3o-remuneradas duplica aquele consagrado pelos homens a essas tarefas, apresentando \u00e0s vezes diferen\u00e7as muito superiores, como no Jap\u00e3o, onde as mulheres dedicam nove vezes mais tempo que os homens ao trabalho n\u00e3o-remunerado. Nos pa\u00edses imperialistas, as mulheres realizam entre dois ter\u00e7os e tr\u00eas quartos das tarefas dom\u00e9sticas, dedicando em m\u00e9dia 30 horas por semana ou mais contra as 10 ou 15 dedicadas pelos homens.<br \/><\/font><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=texto style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-FAMILY: Georgia\"><o:p><font font-size=\"12\"><strong>Trabalho dom\u00e9stico, viol\u00eancia e falta de perspectivas<\/strong><br \/>Apesar de trabalharem mais e ganharem menos, as mulheres, em todos os pa\u00edses do mundo, sem exce\u00e7\u00e3o alguma, s\u00e3o v\u00edtimas de uma viol\u00eancia que se agrava a cada dia. Seja ela viol\u00eancia dom\u00e9stica, viol\u00eancia sexual, viol\u00eancia cultural e religiosa e viol\u00eancia contra a sua sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica. <br \/>Dessas, a viol\u00eancia dom\u00e9stica j\u00e1 se tornou o principal problema das mulheres latino-americanas. 25% delas j\u00e1 sofreram algum tipo de viol\u00eancia em casa. No Brasil, por exemplo, a cada 4 minutos um mulher \u00e9 agredida em seu pr\u00f3prio lar pelo pai, marido, irm\u00e3o ou companheiro. Os n\u00fameros mostram que 70% das agress\u00f5es ocorrem dentro de casa, e que o agressor \u00e9 o pr\u00f3prio marido ou companheiro. Mais de 40% das agress\u00f5es resultam em les\u00f5es corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos. Um em cada 5 dias de trabalho perdidos pelas mulheres decorre de algum problema de sa\u00fade causado por viol\u00eancia.<br \/>Relat\u00f3rio do Unicef mostra uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da mulher e a viol\u00eancia. As que ganham menos, apanham mais. As que n\u00e3o t\u00eam renda pr\u00f3pria s\u00e3o as maiores v\u00edtimas.<br \/>No Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, a prostitui\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 pr\u00e1tica comum, com o turismo sexual generalizado, que exp\u00f5e mulheres e crian\u00e7as a todo tipo de agress\u00e3o e doen\u00e7as ven\u00e9reas. <br \/>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o colaboram para o incremento dos \u00edndices de viol\u00eancia porque banalizam o sexo, cultuam a id\u00e9ia de que a mulher \u00e9 um objeto sexual que est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos. <br \/>Na \u00c1frica, a pr\u00e1tica da mutila\u00e7\u00e3o genital vem causando a morte de milhares de mulheres jovens, que ficam expostas a doen\u00e7as, al\u00e9m de carregarem um trauma psicol\u00f3gico pelo resto da vida. Nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, o assassinato ou espancamento de mulheres \u00e9 comum, e pelos motivos mais torpes, como recusar-se a cobrir o rosto ou conversar com um homem na rua. Os &#8220;crimes em defesa da honra&#8221; v\u00eam crescendo em todo o mundo. Na \u00cdndia, 5 mil mulheres morrem assassinadas anualmente, quando seu dotes de casamento arranjados s\u00e3o considerados insuficientes pelos sogros. <br \/>Em muitos lugares do mundo, as posturas nefastas de algumas igrejas, entre elas a cat\u00f3lica, contribuem para agravar o preconceito, o machismo e a opress\u00e3o sobre a mulher, com suas campanhas contra o uso de preservativos, deixando a mulher exposta a doen\u00e7as ven\u00e9reas, como a Aids e \u00e0 gravidez indesejada.&nbsp; <br \/>O risco de morte na gravidez e no parto \u00e9 33 vezes mais alto nos pa\u00edses semicolonais do que nos pa\u00edses imperialistas. No mundo todo, 515 mil mulheres morrem a cada ano na gravidez ou no parto &#8211; quase uma morte por minuto. Nos pa\u00edses imperialistas, a propor\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 de 1 morte em 2 mil mulheres, enquanto que nos pa\u00edses semicolonais, 1 em 65 mulheres.&nbsp; <br \/>Se na It\u00e1lia ocorre 1 morte em cada 6.261 mulheres gr\u00e1vidas, na Eti\u00f3pia ocorre 1 morte em cada 7 mulheres. No Brasil, 1 morte em cada 128 mulheres. Na Am\u00e9rica Latina, 30% das gravidezes terminam em aborto. Assim, a cada ano 4 mil mulheres se submetem a um aborto induzido. Em m\u00e9dia, uma mulher faz entre 2 e 3 abortos durante o per\u00edodo reprodutivo. No Brasil, 1,5 milh\u00f5es, sendo que 10% delas morrem ou ficam com seq\u00fcelas graves. Mais de um milh\u00e3o de mulheres s\u00e3o hospitalizadas a cada ano por complica\u00e7\u00f5es decorrentes do aborto. Em toda a Am\u00e9rica Latina, o aborto s\u00f3 \u00e9 legal em casos de estupro ou risco de vida para a m\u00e3e. Em todo o Brasil, apenas 12 hospitais p\u00fablicos praticam o aborto legal. <br \/>No Brasil,&nbsp; a proibi\u00e7\u00e3o ao aborto est\u00e1 prevista no C\u00f3digo Penal Brasileiro, que data de 1940. O aborto provocado pela gestante ou com o seu consentimento \u00e9 pass\u00edvel de pena de deten\u00e7\u00e3o de 1 a 3 anos. <br \/>A viol\u00eancia contra a mulher est\u00e1 profundamente ligada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida degradantes de homens e mulheres. Relat\u00f3rio da ONU mostra que as mulheres representam 70% do total das pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria absoluta no mundo. O desemprego em massa faz com que o homem se torne mais agressivo e inferiorizado em seu machismo. <br \/>Casas abrigo, que as protejam contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, melhorias urbanas, como ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e transportes de qualidade, legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, atendimento \u00e0 sa\u00fade da mulher, orienta\u00e7\u00e3o sexual e distribui\u00e7\u00e3o gratuita de preservativos, s\u00e3o bandeiras urgentes para todas as mulheres. <br \/>A combina\u00e7\u00e3o entre machismo e racismo vitima cotidianamente a mulher negra. Por isso defendemos tamb\u00e9m uma pol\u00edtica espec\u00edfica para as mulheres negras que vise combater o desemprego, a viol\u00eancia e baixa forma\u00e7\u00e3o escolar que atingem particularmente a popula\u00e7\u00e3o feminina negra. <br \/>Condenamos a utiliza\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo da mulher negra como &#8220;produto de consumo e exporta\u00e7\u00e3o&#8221;, amplamente divulgado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, incentiva os freq\u00fcentes ataques sexuais sofridos pelas mulheres negras, bem como (devido \u00e0s press\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas) s\u00e3o respons\u00e1veis de um enorme n\u00famero de mulheres prostitu\u00eddas em nossa comunidade.<br \/>Condenamos a esteriliza\u00e7\u00e3o generalizada, que alimentada pela pol\u00edtica do embranquecimento, atinge particularmente as mulheres negras.<br \/>Em muitos pa\u00edses do mundo, a mulher negra \u00e9 base da pir\u00e2mide social, recebendo sal\u00e1rios baix\u00edssimos e formando um grande ex\u00e9rcito de reserva de for\u00e7a de trabalho do capitalismo, sendo as primeiras a serem demitidas e alvo n\u00famero um de viol\u00eancia social.<br \/><\/font><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=texto style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-FAMILY: Georgia\"><o:p><font font-size=\"12\"><strong>Combater a causa de fundo: a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora<\/strong><br \/>A maior prova de que a explora\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a causa fundamental da situa\u00e7\u00e3o degradante em que se encontra a mulher no mundo inteiro foi dada pela revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, em outubro de 1917. S\u00f3 ela conseguiu emancipar a mulher, s\u00f3 ela significou uma revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na situa\u00e7\u00e3o da mulher no mundo inteiro. Pela primeira vez um pa\u00eds tomava medidas concretas para alcan\u00e7ar a igualdade entre homens e mulheres.&nbsp; <br \/>A revolu\u00e7\u00e3o de 1917 encontrou milhares de mulheres russas nas f\u00e1bricas. A guerra as havia empurrado para o mercado de trabalho, e em 1917 a ter\u00e7a parte dos oper\u00e1rios industriais de Petrogrado eram mulheres. Nas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil da regi\u00e3o industrial do centro, 50% ou mais da for\u00e7a de trabalho estava composta por mulheres.<br \/>Elas participaram ativamente da revolu\u00e7\u00e3o e com a revolu\u00e7\u00e3o socialista, conquistaram muito mais que direitos democr\u00e1ticos. Conquistaram leis que garantiram que o sal\u00e1rio feminino seria igual ao masculino pelo mesmo trabalho. Tanto que, ao finalizar a Segunda Guerra, contrariamente ao que ocorreu nos pa\u00edses capitalistas, na URSS se conservou a m\u00e3o-de-obra feminina e se buscaram os meios para que estas tivessem maior qualifica\u00e7\u00e3o. <br \/>Foram abolidas todas as leis que colocavam a mulher em situa\u00e7\u00e3o de desigualdade em rela\u00e7\u00e3o ao homem e institu\u00eddas uma ampla rede de servi\u00e7os p\u00fablicos, incluindo lavanderias, creches e restaurantes, que possibilitaram a liberta\u00e7\u00e3o da mulher das tarefas dom\u00e9sticas. <br \/>Foram abolidos tamb\u00e9m todos os privil\u00e9gios ligados \u00e0 propriedade que se mantinham em proveito do homem no direito familiar. Foram introduzidos decretos estabelecendo a prote\u00e7\u00e3o legal para as mulheres e as crian\u00e7as que trabalhavam, o seguro social, igualdade de direitos para as mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f4nio. <br \/>As mulheres conquistaram o direito ao aborto legal e gratuito nos hospitais do estado. Mas n\u00e3o se incentivava a pr\u00e1tica do aborto e quem cobrava para pratic\u00e1-lo era punido. Foram atacadas as causas da prostitui\u00e7\u00e3o melhorando as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho das mulheres. <br \/>Dessa forma, a R\u00fassia Sovi\u00e9tica, apenas nos primeiros meses de sua exist\u00eancia, fez mais pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher do que o mais avan\u00e7ado dos pa\u00edses capitalistas em todos os tempos.<br \/><\/font><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=texto style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"FONT-FAMILY: Georgia\"><o:p><font font-size=\"12\"><strong>Resgatar a for\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o socialista<\/strong><br \/>As mulheres russas deixaram uma li\u00e7\u00e3o para as mulheres do mundo inteiro. Elas apontaram o caminho para nossa libera\u00e7\u00e3o. Devemos retom\u00e1-lo. <br \/>In\u00fameras ONGs e outros grupos que participam dos movimentos de mulheres, entre eles a Marcha Mundial de Mulheres, tentam nos desviar desse caminho. Querem nos convencer de que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio lutar pelo socialismo, porque entendem que \u00e9 poss\u00edvel emancipar a mulher dentro do capitalismo. Por isso, apoiam os governos de turno e todas as suas pol\u00edticas, que no fundo s\u00f3 significam maior explora\u00e7\u00e3o para a mulher e a classe trabalhadora de conjunto.<br \/>Querem nos convencer de que agora a mulher tem &#8220;mais espa\u00e7o&#8221; e ocupa postos de dire\u00e7\u00e3o nas empresas e nos governos. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Conta-se nos dedos as mulheres com cargos de dire\u00e7\u00e3o nas empresas e nos governos. E em geral, elas est\u00e3o l\u00e1 para nos explorar ainda mais e para oprimir os povos do mundo. Um exemplo \u00e9 Condolezza Rice, a assessora de Bush, que \u00e9 negra e mulher, mas \u00e9 uma das maiores representantes da pol\u00edtica assassina, racista e patriarcal do imperialismo americano hoje. Ela \u00e9 o maior exemplo de que ser mulher n\u00e3o garante que governe de modo distinto que um homem. Porque o problema n\u00e3o \u00e9 de g\u00eanero, mas de classe social e de regime pol\u00edtico e econ\u00f4mico no qual ela atua. No Chile e outros pa\u00edses, por exemplo, temos mulheres ditas &#8220;progressistas&#8221;, atuando como ministras e outros cargos importantes. Mas n\u00e3o muda em nada o fato de elas serem mulheres, porque se elas atuam como executivas de um Estado burgu\u00eas e opressor, elas n\u00e3o podem fugir da l\u00f3gica desse Estado e desse regime, e governam para o capital, mantendo as bases da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o.<br \/>N\u00f3s, mulheres trabalhadoras e pobres, das cidades e do campo, de todos os pa\u00edses do mundo, s\u00f3 podemos confiar em n\u00f3s mesmas e em nossa classe, para lutar contra a explora\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria, que s\u00e3o as verdadeiras causas de nossa opress\u00e3o. Temos de lutar contra o desemprego, por melhores sal\u00e1rios, por igualdade salarial, por creches para deixar os filhos, pela licen\u00e7a-maternidade e outros direitos inalien\u00e1veis. Temos de enfrentar todas as formas de machismo, denunciando os governos como c\u00famplices e reprodutores desse preconceito nefasto.<br \/>Neste 8 de mar\u00e7o de 2006, temos mais uma vez de transformar o Dia Internacional da Mulher num dia de luta para o conjunto da classe trabalhadora mundial contra o capitalismo e o imperialismo. Temos de levantar nossa voz para repetir que o capitalismo e a democracia burguesa n\u00e3o s\u00e3o as sa\u00eddas para a situa\u00e7\u00e3o humilhante em que se encontra a mulher em pleno s\u00e9culo XXI. A \u00fanica sa\u00edda para a mulher trabalhadora e pobre, da cidade e do campo, em todos os pa\u00edses do mundo, \u00e9 participar do movimento revolucion\u00e1rio. S\u00f3 a vit\u00f3ria da classe oper\u00e1ria e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo poder\u00e3o colocar a mulher no caminho de sua emancipa\u00e7\u00e3o definitiva e estabelecer a plena igualdade de direitos entre o homem e a mulher.&nbsp;<\/font><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>8 de Mar\u00e7o &#8211; Dia Internacional da Mulher<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8069],"tags":[],"class_list":["post-100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nepal"],"fimg_url":false,"categories_names":["Nepal"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}