{"id":73958,"date":"2022-11-18T05:45:00","date_gmt":"2022-11-18T05:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/?page_id=73958"},"modified":"2022-11-19T13:18:44","modified_gmt":"2022-11-19T13:18:44","slug":"um-breve-esboco-da-historia-da-lit-qi","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/um-breve-esboco-da-historia-da-lit-qi\/","title":{"rendered":"Um breve esbo\u00e7o da nossa hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: initial;\">Desde a d\u00e9cada de 40, viemos desenvolvendo uma longa e dif\u00edcil batalha para construir partidos revolucion\u00e1rios com influ\u00eancia de massas em todos os pa\u00edses e para construir uma Internacional. Localizamos esta luta como continuidade da luta travada por Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, L\u00eanin e Trotsky para construir a I, a II, a III e a IV Internacional.<\/span><\/em><\/p>\n<div class=\"td-page-header td-pb-padding-side\">\n<p>Por: Alicia Sagra<\/p>\n<p>Reivindicamos a I e a II Internacionais como parte do nosso passado, mas nosso modelo de partido mundial \u00e9 a Terceira, conhecida como a Internacional Comunista. Ela responde \u00e0s necessidades da \u00e9poca imperialista que estamos vivendo, tanto nas propostas program\u00e1ticas de seus quatro primeiros congressos, com em seu regime interno, o centralismo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A III Internacional foi degenerada e depois dissolvida pelo estalinismo. A oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda e depois a IV Internacional, nuclearam os revolucion\u00e1rios que mais consequentemente enfrentaram essa degenera\u00e7\u00e3o. Hoje, a maioria das correntes que se reivindicavam quartistas, abandonaram seu programa. Mas existem outras correntes que se reivindicam da IV, que reivindicam seu programa, o Programa de Transi\u00e7\u00e3o, que fazem f\u00f3runs em seu nome, em oportunidades realizam a\u00e7\u00f5es conjuntas de homenagem a Trotsky. Inclusive algumas dessas correntes, se autoproclamam como IV Internacional. Mas, a tr\u00e1gica realidade \u00e9 que, ap\u00f3s mais de 8 d\u00e9cadas de sua funda\u00e7\u00e3o, a IV como organiza\u00e7\u00e3o centralizada, como Partido da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Mundial, n\u00e3o existe. Os revezes da luta de classes e os desvios de seus dirigentes, depois do assassinato de Trotsky, provocaram sua dispers\u00e3o. Sua reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 o objetivo estrat\u00e9gico que a LIT-QI se deu desde sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos perguntam: \u201cpor que reconstruir a IV, se \u00e9 apenas sin\u00f4nimo de trotskismo?\u201d. Hoje com toda justi\u00e7a o trotskismo existe como corrente diferenciada, j\u00e1 que \u00e9 sin\u00f4nimo da luta consequente contra a burocracia e pela democracia oper\u00e1ria. Isso \u00e9 assim, apesar de que muitos dos que continuam se identificando como trotskistas, traem essas bandeiras. Mas em seu momento, Trotsky sempre foi contra definir sua corrente como trotskista, porque n\u00e3o considerava ser um setor diferenciado do leninismo. Por isso, quando usava o termo trotskismo, o colocava entre aspas. Na realidade, esse termo foi imposto pelo stalinismo, como insulto, para indicar que os que apoiavam Trotsky durante a batalha contra a degenera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o eram leninistas. Nesse momento, a corrente liderada por Trotsky se autodenominava <em>\u201cbolchevique leninista\u201d. <\/em>Essa \u00e9 a corrente que deu origem \u00e0 Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda e depois \u00e0 IV Internacional.<\/p>\n<p>A Quarta nasceu para defender os princ\u00edpios do marxismo e do leninismo, que estavam sendo atacados por Stalin \u2013 o internacionalismo, a democracia oper\u00e1ria e o poder oper\u00e1rio \u2013 e para dar uma pol\u00edtica ofensiva no enfrentamento ao nazismo e \u00e0 Segunda Guerra Mundial, depois da capitula\u00e7\u00e3o de Stalin.<\/p>\n<p>A IV Internacional \u00e9 a continuidade da III dirigida por L\u00eanin e \u00e9 sin\u00f4nimo da luta consciente contra a contrarrevolu\u00e7\u00e3o estalinista. \u00c9 necess\u00e1rio reconstru\u00ed-la e n\u00e3o construir uma internacional distinta, porque seus princ\u00edpios e bases te\u00f3rico-program\u00e1ticas, expressas no \u201cPrograma de Transi\u00e7\u00e3o\u201d e na \u201cTeoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente\u201d, continuam vigentes, independentemente das \u00f3bvias atualiza\u00e7\u00f5es que devem ser feitas.<\/p>\n<p>O Programa de Transi\u00e7\u00e3o sistematiza as resolu\u00e7\u00f5es dos quatro primeiros congressos da III Internacional: a luta contra o sectarismo e o oportunismo, a posi\u00e7\u00e3o frente ao parlamento, frente \u00e0s nacionalidades oprimidas, frente \u00e0 quest\u00e3o negra e da mulher, o controle oper\u00e1rio, a frente \u00fanica oper\u00e1ria, as mil\u00edcias, soviets, governo oper\u00e1rio e campon\u00eas, ditadura do proletariado. Como elemento novo, incorpora a necessidade de fazer uma nova revolu\u00e7\u00e3o na URSS, a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra a burocracia. O Programa de Transi\u00e7\u00e3o, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do IV Congresso da III Internacional, supera a divis\u00e3o entre o programa m\u00ednimo e o m\u00e1ximo. D\u00e1 o m\u00e9todo para elevar as massas ao programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista, atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o de um sistema de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias que partem das necessidades e do n\u00edvel de consci\u00eancia atual e as leve \u00e0 luta pela conquista do poder pelo proletariado.<\/p>\n<p>A Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, afirma que, na etapa imperialista, a burguesia n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de cumprir com as suas bandeiras, por isso a classe oper\u00e1ria \u00e9 quem deve tomar as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, que, no processo da revolu\u00e7\u00e3o se combinam com as tarefas socialistas; ressalta a necessidade de a classe oper\u00e1ria dirigir o processo e que este se desenvolva a n\u00edvel mundial. Esta teoria elaborada por Trotsky, se concretizou magistralmente como pol\u00edtica, com as Teses de Abril elaboradas por L\u00eanin, quando chegou \u00e0 R\u00fassia em 1917.<\/p>\n<p>A atualidade destas premissas faz com que hoje seja imposs\u00edvel elaborar um programa revolucion\u00e1rio que n\u00e3o parta do Programa de Transi\u00e7\u00e3o e da Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente. Por isso, todo revolucion\u00e1rio que queira lutar pela derrota do imperialismo, da burocracia e pelo triunfo do socialismo em n\u00edvel mundial, independentemente de qual seja sua origem, se aproxima, embora inconscientemente, das posi\u00e7\u00f5es centrais da IV Internacional.<\/p>\n<p>Frente aos processos revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina, do s\u00e9culo XXI (Equador em 2000, Argentina 2001, Venezuela 2002, Brasil 2003, Chile 2019), \u00e0s multitudin\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es das massas europeias contra a guerra em 2003, a heroica resist\u00eancia do povo iraquiano, a permanente resist\u00eancia da Palestina, as enormes mobiliza\u00e7\u00f5es pelo assassinato de George Floyd, as insurrei\u00e7\u00f5es como as de Sri Lanka e Ir\u00e3, o genoc\u00eddio provocado pela pol\u00edtica da burguesia e do imperialismo para enfrentar a pandemia; sentimos a impot\u00eancia de n\u00e3o contar com um partido revolucion\u00e1rio mundial que encaminhe essas lutas para um enfrentamento unificado contra o imperialismo e para a luta pelo poder em diferentes pa\u00edses. Algo semelhante poder\u00edamos concluir em rela\u00e7\u00e3o aos processos revolucion\u00e1rios de 1989,1990 e 1991, que destru\u00edram os regimes de partido \u00fanico da ex URSS e do Leste europeu, mas que pela falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, n\u00e3o conseguiram reverter o processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista, iniciado v\u00e1rios anos antes.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel da necessidade de reconstruir a IV Internacional para poder avan\u00e7ar para vit\u00f3rias duradouras na luta contra o imperialismo.<\/p>\n<p>Essa reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa s\u00f3 dos chamados \u201ctrotskistas\u201d, nem de todos que se reivindicam \u201ctrotskistas\u201d, mas de todos aqueles que concordem com suas bases program\u00e1ticas. Trotsky encarou a constru\u00e7\u00e3o da IV como uma tarefa n\u00e3o s\u00f3 da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda (os \u201ctrotskistas\u201d da \u00e9poca) mas de todos os que concordavam com os princ\u00edpios, o programa e a pol\u00edtica leninistas. O avan\u00e7o do nazismo e do estalinismo, na d\u00e9cada de 30, provocou a capitula\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es e de dirigentes com os quais Trotsky estava trabalhando para construir a nova Internacional. Por isso e pela necessidade urgente de materializar uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada que conservasse os princ\u00edpios marxistas revolucion\u00e1rios, a IV Internacional foi fundada apenas por aqueles que faziam parte da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional, e n\u00e3o por todos eles, j\u00e1 que v\u00e1rios deles abandonaram a tarefa. Apesar disso, Trotsky n\u00e3o abandonou seu objetivo de lutar por uma internacional de massas, onde, inclusive, os \u201ctrotskistas\u201d pudessem ser minoria.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos consideramos os \u00fanicos revolucion\u00e1rios do mundo. Tamb\u00e9m n\u00e3o acreditamos que a solu\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria passe pelo crescimento vegetativo da nossa corrente. Pelo contr\u00e1rio, sempre tivemos uma obsess\u00e3o para chegar a acordos revolucion\u00e1rios, tanto a n\u00edvel nacional, como internacional. Por isso, a nossa \u00e9 uma hist\u00f3ria de fus\u00f5es, tentativas de fus\u00e3o e tamb\u00e9m de rupturas, que os principais fatos da luta de classes provocaram.<\/p>\n<p>Nesta longa e dif\u00edcil batalha para construir a Internacional tivemos alguns acertos e muitos erros. Em janeiro de 1982, quando a LIT-QI era fundada, Nahuel Moreno dizia: \u201c<em>Os dirigentes do movimento trotskista se consideravam colossos que n\u00e3o se equivocavam nunca. Entretanto, o trotskismo dirigido por eles era lament\u00e1vel\u2026\u201d \u201c\u2026Essa experi\u00eancia de andar sempre entre \u2018g\u00eanios\u2019 nos levou a fazer, indiretamente, propaganda sobre nossa base para convenc\u00ea-la de que nos equivocamos muito, que devem pensar por sua conta, j\u00e1 que nossa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 garantia de genialidades. Queremos por todos os meios inculcar um esp\u00edrito autocr\u00edtico, marxista, e n\u00e3o uma f\u00e9 religiosa em uma modesta dire\u00e7\u00e3o, provinciana pela sua forma\u00e7\u00e3o e b\u00e1rbara pela sua cultura. Por isso, acreditamos na democracia interna e a vemos como uma necessidade imprescind\u00edvel\u2026Avan\u00e7amos atrav\u00e9s de erros e ataques e n\u00e3o temos vergonha de diz\u00ea-lo\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c\u2026O problema \u00e9 como cometer menos erros, qualitativa e quantitativamente. No meu modo de ver, a tend\u00eancia \u00e9 cometer cada vez menos erros se estamos em uma organiza\u00e7\u00e3o internacional e sobre a base do centralismo democr\u00e1tico. Isso, para mim, \u00e9 um fato. Afirmo categoricamente que todo partido nacional que n\u00e3o esteja em uma organiza\u00e7\u00e3o internacional bolchevique, com uma dire\u00e7\u00e3o internacional, comete cada vez mais erros e um qualitativo: por ser trotskista nacional acaba, inevitavelmente, renegando a IV Internacional e adotando posi\u00e7\u00f5es oportunistas ou sect\u00e1rias para, em seguida, desaparecer\u2026\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>NOSSAS ORIGENS<\/strong><\/p>\n<p>A corrente que hoje se denomina LIT-QI existe, como corrente internacional, com diferentes nomes, desde 1953. A n\u00edvel nacional, surgiu na Argentina, em 1943, como um pequeno grupo dirigido por Nahuel Moreno, o GOM (Grupo Oper\u00e1rio Marxista). Os irm\u00e3os Boris e Rita Galub, Mauricio Czizik e Daniel Pereyra (jovens provenientes de fam\u00edlias oper\u00e1rias) e Moreno e \u201cAbrahancito\u201d que provinham da classe m\u00e9dia, foram os primeiros integrantes do grupo. Estes jovens vinham realizando reuni\u00f5es de estudo h\u00e1 um tempo, quando Moreno com a ajuda, segundo ele, decisiva, de Fidel Ortiz Saavedra (oper\u00e1rio boliviano, semianalfabeto), os captou para o trotskismo. Em 1943, se conformam como grupo, com o objetivo central de ir \u00e0 classe oper\u00e1ria, tentando superar o car\u00e1ter marginal, bo\u00eamio e intelectual do movimento trotskista argentino.<\/p>\n<p>Nossa corrente na Argentina teve diferentes nomes. Grupo Oper\u00e1rio Marxista entre 1943 e 1948. Partido Oper\u00e1rio Revolucion\u00e1rio entre 1948 e 1956 (publicamente: Federa\u00e7\u00e3o Bonaerense do Partido Socialista \u2013 Revolu\u00e7\u00e3o Nacional, entre 1954 e 1955). Movimento de Organiza\u00e7\u00f5es Oper\u00e1rias em 1956 e 1957. Entre 1957 e 1965, fomos conhecidos pelo nome de nosso jornal, Palavra Oper\u00e1ria. Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores a partir de 1965 e PRT (A verdade) depois da ruptura com Santucho em 1968. Partido Socialista dos Trabalhadores entre 1971 e 1982. Movimento ao Socialismo desde 1982 at\u00e9 1997, quando o que restava desse partido rompeu com a LIT-QI.<\/p>\n<p>Depois dessa ruptura de 1997, se forma Luta Socialista e depois o FOS (Frente Oper\u00e1ria Socialista) com os militantes do velho MAS que n\u00e3o seguiram sua dire\u00e7\u00e3o e ficaram na LIT. Em 2011 o FOS se unificou com outro setor de militantes provenientes de rupturas do MAS: COI. Dignidade de C\u00f3rdoba, FUR de Comodoro Rivad\u00e1via, para dar origem ao atual PSTU-A.<\/p>\n<p>Durante os primeiros anos tivemos um <strong>desvio oper\u00e1rio, sect\u00e1rio e propagandista<\/strong>. N\u00e3o era feito trabalho entre os estudantes e o eixo das atividades era dar cursos sobre o Manifesto Comunista e outros textos cl\u00e1ssicos. Entre 1944 e 1948 tivemos, al\u00e9m desse, outro desvio, <strong>o nacional trotskista<\/strong>. Ou seja, acreditar que havia solu\u00e7\u00e3o para os problemas do movimento trotskista e dos trabalhadores, dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. S\u00f3 em 1948, nossa corrente come\u00e7ou a intervir na vida da Internacional, participando do seu Segundo Congresso.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o nas lutas oper\u00e1rias e na Internacional tornou poss\u00edvel a supera\u00e7\u00e3o dos desvios e o fortalecimento do grupo. A participa\u00e7\u00e3o, em 1945, na greve do frigor\u00edfico Anglo- Ciabasa (os frigor\u00edficos da carne eram o principal setor oper\u00e1rio nesse momento na Argentina) foi muito importante e permitiu ganhar a quase totalidade de companheiros do Comit\u00ea de f\u00e1brica. Depois da experi\u00eancia na Greve da carne, um grupo de companheiros do GOM, inclusive Moreno, foram morar na Villa Pobladora, um bairro oper\u00e1rio de Avellaneda, nesse momento uma das maiores concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina. Ali come\u00e7aram a trabalhar no Clube Social Cora\u00e7\u00f5es Unidos. Em pouco tempo, Moreno foi eleito presidente do Clube. A partir desse Clube davam cursos e palestras, ao mesmo tempo em que realizavam atividades sociais e culturais e se ligavam estreitamente \u00e0 vida dos oper\u00e1rios da regi\u00e3o. A partir desse trabalho o pequeno grupo se tornou uma centena.<\/p>\n<p>Pouco a pouco, o grupo foi se fortalecendo em outras f\u00e1bricas. Chegaram a dirigir f\u00e1bricas de tubos de cimento, de couro. Apesar de serem s\u00f3 100 militantes muito jovens, o grupo se afirmou na classe e assim foram sendo constru\u00eddos grandes quadros oper\u00e1rios, o m\u00e1ximo exemplo foi El\u00edas Rodr\u00edguez, que hoje consideramos com orgulho como aspecto central da tradi\u00e7\u00e3o da nossa corrente.<\/p>\n<p>O partido argentino chegou a ser, junto com o SWP, constru\u00eddo com a orienta\u00e7\u00e3o pessoal de Trotsky, o partido mais oper\u00e1rio do movimento trotskista.<\/p>\n<p>Nesse processo fomos superando nosso sectarismo e propagandismo, mas ca\u00edmos em um desvio sindicalista, que depois come\u00e7ou a ser superado gra\u00e7as \u00e0 nossa participa\u00e7\u00e3o na Internacional.<\/p>\n<p><strong>A PARTICIPA\u00c7\u00c3O NA IV INTERNACIONAL<\/strong><\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional depois da II Guerra, integrada pelo SWP (EUA), Pablo (Gr\u00e9cia), Mandel (B\u00e9lgica) e Frank (Fran\u00e7a), era muito jovem e inexperiente e n\u00e3o conseguiu superar o enfraquecimento qualitativo provocado pelo assassinato de Trotsky em 1940. A caracter\u00edstica central da IV Internacional naquela \u00e9poca era seu sectarismo. Um exemplo disso foi seu II Congresso. Foi realizado em 1948 em meio a grandes mudan\u00e7as: na China se desenvolvia a revolu\u00e7\u00e3o que triunfaria em menos de um ano, na Checoslov\u00e1quia, os ministros burgueses eram afastados do governo e se iniciava a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, processo que vinha ocorrendo na Iugosl\u00e1via desde 1947. O Congresso ignorou esses fatos e o centro da discuss\u00e3o foi o car\u00e1ter de classe da URSS e se devia ou n\u00e3o a defender dos ataques imperialistas. Pol\u00eamica que j\u00e1 havia sido resolvida no partido ianque quando Trotsky estava vivo, em 1939-40.<\/p>\n<p>Apesar do car\u00e1ter sect\u00e1rio e propagand\u00edstico desse congresso, a participa\u00e7\u00e3o nele foi qualitativa para o GOM. A partir desse momento come\u00e7ou a trabalhar com um marco internacional. Come\u00e7ou a dar muito peso, nas an\u00e1lises e caracteriza\u00e7\u00f5es, ao imperialismo e \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com as burguesias nacionais. Tamb\u00e9m se deu muita import\u00e2ncia \u00e0s defini\u00e7\u00f5es internacionais, como foi o caso da posi\u00e7\u00e3o assumida pelo GOM, como parte da IV Internacional, a favor da Coreia do Norte em seu confronto com a Coreia do Sul. Moreno sempre reivindicou como um fato qualitativo a entrada do GOM na IV Internacional, apesar do nosso grupo nunca ter sido reconhecido como se\u00e7\u00e3o oficial. Nesse momento, a se\u00e7\u00e3o oficial era o grupo dirigido por Posadas.<\/p>\n<p><strong>A DISCUSS\u00c3O SOBRE OS NOVOS ESTADOS DO LESTE EUROPEU<\/strong><\/p>\n<p>Em 1949 come\u00e7a na IV Internacional a discuss\u00e3o sobre o car\u00e1ter de classe desses estados. Moreno reivindica a forma como se deu essa discuss\u00e3o, como um grande exemplo do centralismo democr\u00e1tico. Existiam duas posi\u00e7\u00f5es: para Mandel (B\u00e9lgica) e Cannon (EUA), esses estados eram capitalistas. A posi\u00e7\u00e3o de Pablo (Gr\u00e9cia), apoiada com algumas obje\u00e7\u00f5es por Hansen (EUA) e Moreno (Argentina), sustentava que haviam surgido novos estados oper\u00e1rios. A pol\u00eamica foi resolvida relativamente r\u00e1pido. Mandel e Cannon reconheceram a exist\u00eancia de um verdadeiro processo revolucion\u00e1rio no leste europeu e que novos estados oper\u00e1rios deformados haviam surgido. Essa vit\u00f3ria pol\u00edtica aumentou o prest\u00edgio de Pablo nas fileiras da Internacional. Assim se chegou ao III Congresso em 1951.<\/p>\n<p><strong>A LUTA CONTRA O PABLISMO<\/strong><\/p>\n<p>Em 1951, em plena guerra fria, todos os comentaristas internacionais afirmavam que era inevit\u00e1vel o choque armado entre os EUA e a URSS. Pablo e Mandel, impressionados pelas an\u00e1lises da imprensa burguesa, chegaram a uma conclus\u00e3o funesta para a Internacional: para eles, a terceira guerra mundial era inevit\u00e1vel. E sustentavam que, frente ao ataque imperialista, os partidos comunistas, em seu af\u00e3 de defender a URSS, adotariam m\u00e9todos violentos para enfrentar os EUA e que isso os levaria a lutar pelo poder em diferentes partes o mundo. O mesmo ocorreria com os movimentos nacionalistas burgueses nos pa\u00edses dependentes.<\/p>\n<p>Baseados nesta an\u00e1lise, Pablo e Mandel, a partir da considera\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o havia tempo para construir partidos trotskistas antes que estourasse essa terceira guerra, propuseram o \u201centrismo sui generis\u201d nos partidos comunistas e nacionalistas burgueses, aos quais devia acompanhar sem cr\u00edticas, at\u00e9 depois da tomada de poder. O objetivo desse \u201centrismo sui generis\u201d era orientar suas dire\u00e7\u00f5es (consideradas por eles como centristas) para posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. A maioria do trotskismo internacional, liderados pela se\u00e7\u00e3o francesa, se negou a implementar essa pol\u00edtica. Nosso grupo, o POR argentino (novo nome adquirido pelo GOM) denunciou que essa posi\u00e7\u00e3o, que abandonava a defini\u00e7\u00e3o da burocracia estalinista como contrarrevolucion\u00e1ria e abdicava da luta contra ela, era uma revis\u00e3o completa de pontos essenciais do programa trotskista. Afirm\u00e1vamos que essas posi\u00e7\u00f5es surgiam pelo car\u00e1ter pequeno burgu\u00eas, impressionista e intelectual dos dirigentes europeus.<\/p>\n<p><strong>A REVOLU\u00c7\u00c3O BOLIVIANA. A DIVIS\u00c3O DA IV INTERNACIONAL<\/strong><\/p>\n<p>Essas defini\u00e7\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o da IV tiveram importantes manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Com essa caracteriza\u00e7\u00e3o, Pablo se op\u00f4s a exigir a retirada dos tanques russos que enfrentaram o levante dos trabalhadores de Berlim em 1953, apoiando de fato a burocracia sovi\u00e9tica. Mas, a consequ\u00eancia mais tr\u00e1gica dessa pol\u00edtica foi a trai\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o boliviana.<\/p>\n<p>Em 1952, na Bol\u00edvia ocorre uma t\u00edpica revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria; os trabalhadores organizam mil\u00edcias, derrotam militarmente a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito e surge a COB (Central Oper\u00e1ria Boliviana) como organismo de poder dual. As minas s\u00e3o nacionalizadas e explode a revolu\u00e7\u00e3o camponesa, que invade os latif\u00fandios e ocupa as terras. At\u00e9 1954, a principal for\u00e7a armada da Bol\u00edvia eram as mil\u00edcias oper\u00e1rias dirigidas pela COB.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 40, a organiza\u00e7\u00e3o trotskista boliviana (POR) vinha ganhando enorme influ\u00eancia no movimento oper\u00e1rio. Tinha em suas fileiras importantes dirigentes mineiros, fabris e camponeses. Seu principal dirigente, Guillermo Lora, foi o redator das teses de Pulacayo, uma adapta\u00e7\u00e3o do programa de transi\u00e7\u00e3o para a realidade boliviana, adotadas pela Federa\u00e7\u00e3o de Mineiros. Lora foi eleito senador por uma frente dirigida pela Federa\u00e7\u00e3o dos Mineiros nas elei\u00e7\u00f5es de 1946. Na revolu\u00e7\u00e3o de 52, o POR co-dirigiu as mil\u00edcias e foi co-fundador da COB. Tinha peso de massas na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Infelizmente, o POR, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do Secretariado Internacional da IV, liderado por Pablo, n\u00e3o levantou a pol\u00edtica de que a COB tomasse o poder. Pelo contr\u00e1rio, deu seu apoio cr\u00edtico ao governo burgu\u00eas do MNR (movimento nacionalista burgu\u00eas). Sem uma orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, o movimento de massas foi sendo desarmado e desmobilizado e a revolu\u00e7\u00e3o foi desmontada em poucos anos. Como consequ\u00eancia desta trai\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, se deu uma grande deteriora\u00e7\u00e3o do trotskismo boliviano, que entrou em um processo de sucessivas rupturas.<\/p>\n<p>Junto a essa pol\u00edtica, a dire\u00e7\u00e3o internacional dirigida por Pablo, aplicou um m\u00e9todo nefasto. Interveio no partido franc\u00eas, destituiu sua dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o concordava com sua pol\u00edtica e tentou formar uma fra\u00e7\u00e3o secreta no SWP norte-americano.<\/p>\n<p>Repudiando a linha de \u201centrismo sui generis\u201d e os m\u00e9todos burocr\u00e1ticos e desleais de Pablo, a maioria dos trotskistas franceses (dirigidos por Lambert) e ingleses (dirigidos por Healy), o SWP (EUA) e os trotskistas sul-americanos (com exce\u00e7\u00e3o do POR boliviano e do grupo de Posadas na Argentina), romperam com o Secretariado Internacional (SI) dirigido por Pablo e criaram, em 1953, o Comit\u00ea Internacional (CI).<\/p>\n<p><strong>O SLATO: A REVOLU\u00c7\u00c3O PERUANA<\/strong><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, a partir do POR argentino, junto com trotskistas do Chile e Peru, vinha se dando a pol\u00eamica contra a pol\u00edtica para a Bol\u00edvia. Em abril de 1953, Nahuel Moreno escreveu o texto \u201cDuas linhas\u201d afirmando que o apoio cr\u00edtico ao MNR era uma trai\u00e7\u00e3o e que se devia exigir \u00e0 COB que tomasse o poder.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, exig\u00edamos que o Comit\u00ea Internacional atuasse como uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada, \u00fanica forma de derrotar o revisionismo pablista.&nbsp; A negativa das for\u00e7as majorit\u00e1rias do Comit\u00ea Internacional, em especial do SWP dos EUA, a atuar de forma centralizada e com uma pol\u00edtica ofensiva, provocou o avan\u00e7o das posi\u00e7\u00f5es pablistas, apesar da maioria dos trotskistas estarem contra elas. Ao fracassar as tentativas de que o Comit\u00ea Internacional atuasse centralizadamente e \u00e0 ofensiva, come\u00e7amos a atuar como tend\u00eancia a n\u00edvel latino-americano e em 1957 formamos, junto com dirigentes peruanos e chilenos o SLATO (Secretariado Latino Americano do Trotskismo Ortodoxo). O SLATO, foi a tentativa de agrupar os trotskistas latino-americanos que se opunham \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o pablista frente ao stalinismo. Luis Vitales, que havia sido enviado pelo partido argentino para apoiar o grupo chileno, foi um dos fundadores. O documento aprovado pela Confer\u00eancia que deu origem a SLATO, permitiu especificar o car\u00e1ter dominante do imperialismo ianque na Am\u00e9rica Latina e preparar os documentos que Nahuel Moreno e Luis Vitales levaram \u00e0 Confer\u00eancia de Leeds convocada pelo Comit\u00ea Internacional.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia do SLATO permitiu que particip\u00e1ssemos de maneira centralizada no processo de revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria no Peru em 1962. Hugo Blanco, estudante peruano e militante do POR argentino, foi enviado para participar do processo de Cuzco. Hugo Blanco, orientado pelo SLATO, liderou o processo de ocupa\u00e7\u00e3o de terras e de organiza\u00e7\u00e3o sindical do campo. O SLATO enviou v\u00e1rios quadros para apoiar esse trabalho. Nesse processo se construiu a FIR (Frente de Esquerda Revolucion\u00e1ria), orientada pelos trotskistas e que deu origem \u00e0 nossa atual se\u00e7\u00e3o peruana. Em 1963, Hugo Blanco foi capturado pelo ex\u00e9rcito. De 1963 a 1967 ficou incomunic\u00e1vel. Em 1967 foi processado pela justi\u00e7a militar. Frente ao perigo de que fosse condenado \u00e0 morte, foi realizada uma campanha internacional com ades\u00f5es como a de Sartre, Simone de Beauvoir, Isaac Deustcher, sindicatos da Fran\u00e7a, Inglaterra, \u00cdndia, parlamentares franceses, ingleses e outros. Essa campanha impediu que fosse condenado \u00e0 morte. Foi condenado a 25 anos de pris\u00e3o. Outra campanha internacional conseguiu sua liberdade em 1970. Durante todo esse per\u00edodo, os camponeses peruanos continuaram elegendo Hugo Blanco como seu principal dirigente em todos seus congressos.<\/p>\n<p><strong>A REVOLU\u00c7\u00c3O CUBANA E A REUNIFICA\u00c7\u00c3O DE 1963<\/strong><\/p>\n<p>O reconhecimento e apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cubana foi a base da reunifica\u00e7\u00e3o da IV Internacional em 1963. Assim nasce o SU (Secretariado Unificado da Quarta Internacional), liderado por Mandel e pelo SWP (Pablo acabou fora da IV como assessor do governo burgu\u00eas de Ben Bela na Arg\u00e9lia). No SU entraram todas as for\u00e7as trotskistas que caracterizavam Cuba como um novo estado oper\u00e1rio. Ficaram de fora, os ingleses e franceses que n\u00e3o reconheceram esse significado da revolu\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>N\u00f3s demoramos um ano para entrar, porque ped\u00edamos um balan\u00e7o do processo anterior, onde se marcasse a fogo o m\u00e9todo impressionista que levou \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o boliviana, para evitar que voltassem a ocorrer desvios parecidos no futuro. Embora esse balan\u00e7o autocr\u00edtico n\u00e3o tenha sido realizado, em 1964, decidimos entrar para n\u00e3o ficarmos isolados, convencidos de que, apesar das diverg\u00eancias, uma reunifica\u00e7\u00e3o em torno ao apoio a uma revolu\u00e7\u00e3o era positiva e que isso permitiria participar com mais for\u00e7a no futuro ascenso que prev\u00edamos.<\/p>\n<p><strong>A LUTA CONTRA OS DESVIOS GUERRILHEIRISTAS. O DESENVOLVIMENTO DO PARTIDO ARGENTINO. A REVOLU\u00c7\u00c3O PORTUGUESA<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o cubana teve um forte impacto na vanguarda mundial, em especial na latino-americana. Na Argentina, na d\u00e9cada de 60, isso se combinou com um pronunciado retrocesso do movimento oper\u00e1rio. A influ\u00eancia castrista teve consequ\u00eancias muito negativas sobre nosso grupo.<\/p>\n<p>De 1957 a 1964, nossa organiza\u00e7\u00e3o (conhecida como Palavra Oper\u00e1ria, nome do jornal) aplicou a t\u00e1tica do entrismo nas 62 Organiza\u00e7\u00f5es Peronistas, como meio de nos construir em contato com o melhor da vanguarda oper\u00e1ria que estava enfrentando a ditadura militar. Nesse per\u00edodo, nosso grupo constr\u00f3i la\u00e7os muito estreitos com o movimento oper\u00e1rio, como nenhuma outra agrupa\u00e7\u00e3o de esquerda jamais conseguiu na Argentina, e que marcaram uma caracter\u00edstica singular de nossa corrente. Nossa organiza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a muito a n\u00edvel sindical, n\u00e3o tanto a n\u00edvel pol\u00edtico pelo forte desvio sindicalista que tivemos.<\/p>\n<p>Contraditoriamente com esse desvio sindicalista, \u201cnosso partido, nesses momentos cruciais da luta na Argentina, n\u00e3o descuidou dos problemas te\u00f3ricos e pol\u00edticos que colocava a situa\u00e7\u00e3o mundial, n\u00e3o s\u00f3 aos trotskistas, mas a todos os envolvidos na luta de classes nacional e internacional. Como parte dessa tarefa, devemos destacar tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Estrat\u00e9gia da emancipa\u00e7\u00e3o nacional, <\/em>surgida a partir da necessidade de contar com uma publica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica marxista. Milc\u00edades Pe\u00f1a, \u201cHermes Radio\u201d, se considerava ent\u00e3o um simpatizante de nosso partido. Com ele e Luis Franco, destacado poeta e intelectual marxista, pudemos publicar tr\u00eas n\u00fameros entre 1957 e 1958. A derrota do movimento oper\u00e1rio, com a greve de janeiro de 1959, nos atingiu tamb\u00e9m neste aspecto e tivemos que suspender sua edi\u00e7\u00e3o\u201d . <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o te\u00f3rico, estava intimamente ligado \u00e0 compreens\u00e3o da necessidade da Internacional \u201cNeste sentido, o choque frontal de Moreno com as concep\u00e7\u00f5es \u2018federalistas\u2019 do Comit\u00ea Internacional que os dirigentes do SWP norte-americano sustentavam, a exig\u00eancia de que o CI se tornasse uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria centralizada, apontavam para um aspecto muito ligado ao anterior: desenvolver o partido mundial para promover melhor o crescimento das se\u00e7\u00f5es nacionais, evitando os desvios e erros; e aproveitar ao m\u00e1ximo a experi\u00eancia das se\u00e7\u00f5es mais din\u00e2micas para fortalecer o partido mundial (\u2026) foi uma luta necess\u00e1ria, que por outro lado permitiu avan\u00e7ar na compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a organiza\u00e7\u00e3o mundial e seus partidos nacionais\u201d. <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Mas essa batalha necess\u00e1ria foi derrotada e as se\u00e7\u00f5es continuaram submetidas \u00e0s press\u00f5es nacionais sem ter uma forte refer\u00eancia internacional. No partido argentino abre-se uma forte crise quando em 1964, ganho pela dire\u00e7\u00e3o cubana, rompe \u00c1ngel Bengochea (el Vasco), que foi junto com Moreno, principal dirigente de nossa organiza\u00e7\u00e3o. Alguns anos depois (em 1968), provoca-se uma ruptura que levou os principais quadros do partido para as posi\u00e7\u00f5es foquistas. O principal dirigente da ruptura foi Roberto Santucho, com o qual hav\u00edamos unificado em 1965, e quem depois foi o principal dirigente do ERP.<\/p>\n<p>Mas a press\u00e3o do foquismo n\u00e3o se deu s\u00f3 no \u00e2mbito do grupo argentino, foi tamb\u00e9m absorvida pela dire\u00e7\u00e3o da IV. O m\u00e9todo impressionista de Mandel n\u00e3o estava superado e veio uma nova capitula\u00e7\u00e3o para o final da d\u00e9cada de 60. Desta vez para o castrismo, ao aceitar a concep\u00e7\u00e3o guerrilheirista do foquismo. No IX Congresso da IV (1969) se votou a ado\u00e7\u00e3o da guerra de guerrilha na Am\u00e9rica Latina e consequente com isso, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de Santucho (PRT- O Combatente) que \u00e9 reconhecida como se\u00e7\u00e3o oficial da IV. Nossa organiza\u00e7\u00e3o, (PRT-A Verdade) fica como se\u00e7\u00e3o simpatizante.<\/p>\n<p>O SWP dos Estados Unidos, o PST argentino (nome adquirido pelo nosso grupo depois da fus\u00e3o com o setor de Juan Carlos Coral, ruptura do Partido Socialista) e todos os grupos sul-americanos, lideramos uma corrente que travou uma grande batalha contra essas posi\u00e7\u00f5es. Diz\u00edamos que a teoria do \u201cfoco\u201d era uma pol\u00edtica elitista, isolada do movimento de massas e que provocaria grandes desastres. Infelizmente, os fatos nos deram raz\u00e3o. O trotskismo perdeu inumer\u00e1veis valiosos militantes que seguiram essa linha equivocada, principalmente na Argentina, mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses. O SU que nunca chegou a ser uma organiza\u00e7\u00e3o democraticamente centralizada, passou a ser uma federa\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias. Cada uma aplicava sua pr\u00f3pria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O ascenso que se iniciou em 1968 havia aberto novas oportunidades, a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o mundial unificada (o SU) permite aproveit\u00e1-las. Na Fran\u00e7a, por exemplo, onde o trotskismo havia praticamente desaparecido devido ao \u201centrismo sui generis\u201d, surge a LSR, que chega a organizar 5.000 militantes e chega a ter uma publica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Na Am\u00e9rica Latina se d\u00e1 o grande crescimento do PST argentino e nos EUA o fortalecimento do SWP pela sua participa\u00e7\u00e3o contra a guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Mas, sem ter acabado de superar o desvio guerrilheirista, foi preciso enfrentar uma nova capitula\u00e7\u00e3o de Mandel na d\u00e9cada de 70. Agora \u00e0 numerosa vanguarda surgida no Maio franc\u00eas, influenciada pelo mao\u00edsmo. Nossa pol\u00eamica com Mandel est\u00e1 desenvolvida em \u201cO partido e a revolu\u00e7\u00e3o\u201d de Nahuel Moreno.<\/p>\n<p>No transcurso dessa luta contra o guerrilheirismo e o vanguardismo, nosso partido argentino, o PST (surgido de uma fus\u00e3o com um setor que rompeu com a social democracia) se desenvolveu como um forte partido de vanguarda. Esse fortalecimento se d\u00e1 com uma pol\u00edtica oposta \u00e0 de Mandel: intervindo no ascenso que teve seu ponto mais alto na semi-insurrei\u00e7\u00e3o conhecida como \u201cCordobazo\u201d e participando do processo eleitoral. Neste per\u00edodo organizamos o partido no Uruguai e na Venezuela.<\/p>\n<p>Quando explode a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa em 1974, o PST envia quadros para participar do processo. Levantamos uma pol\u00edtica que impulsionava a luta pelo poder centrada no chamado ao desenvolvimento e centraliza\u00e7\u00e3o dos organismos de duplo poder que estavam surgindo. Ganhamos um setor de estudantes secund\u00e1rios e organizamos o partido portugu\u00eas, que forjou importantes quadros para a Internacional.<\/p>\n<p>Essa revolu\u00e7\u00e3o mostrou mais uma capitula\u00e7\u00e3o de Mandel que, seguindo o mao\u00edsmo, deu apoio ao MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas) que co-governava o imp\u00e9rio portugu\u00eas. Esse processo provocou tamb\u00e9m a ruptura em 1975 da FLT (fra\u00e7\u00e3o que formamos com o SWP dos EUA para enfrentar o mandelismo), frente \u00e0 impossibilidade de compartilhar uma mesma pol\u00edtica para a revolu\u00e7\u00e3o, porque para o SWP, a tarefa central era levantar consignas democr\u00e1ticas e editar obras de Trotsky.<\/p>\n<p>A maioria das organiza\u00e7\u00f5es e militantes da Col\u00f4mbia, Brasil, M\u00e9xico, Uruguai, Portugal, Espanha, It\u00e1lia e Peru se retiram da FLT e junto com o PST argentino constroem uma tend\u00eancia que em seguida se declara fra\u00e7\u00e3o do SU, a FB (Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique), que mais tarde daria origem \u00e0 LIT-QI.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o portuguesa e a pol\u00eamica com o mandelismo e o SWP, nos permitiu avan\u00e7ar na elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sobre a constru\u00e7\u00e3o de partidos em processos revolucion\u00e1rios, expressada em <em>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>O PARTIDO NO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p>Um grupo de jovens brasileiros exilados no Chile entra em contato com nossa corrente. Depois do golpe de Pinochet se dirigem \u00e0 Argentina e come\u00e7am a militar no PST. Em 1974, voltam ao Brasil para construir o partido. Surge a Liga Oper\u00e1ria e depois a Converg\u00eancia Socialista, o grupo come\u00e7a a se desenvolver e, em contato com a dire\u00e7\u00e3o da FB, elabora a pol\u00edtica do chamado a um PT.<\/p>\n<p>A jovem organiza\u00e7\u00e3o brasileira se desenvolveu durante 12 anos, fazendo entrismo no PT, sem dissolver-se nem capitular \u00e0 dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica. Isso foi poss\u00edvel porque pertencia a uma corrente internacional que orientou esse entrismo, centralizando o trabalho nas oposi\u00e7\u00f5es sindicais na CUT e que deu clareza sobre o car\u00e1ter burocr\u00e1tico da dire\u00e7\u00e3o lulista.<\/p>\n<p>Com isso, a CS pode sair do PT, 12 anos depois, qualitativamente mais forte do que como entrou e com uma pol\u00edtica de Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria dirigida aos setores de vanguarda que rompiam com o partido de Lula.<\/p>\n<p><strong>O PARTIDO COLOMBIANO<\/strong><\/p>\n<p>Em 1976 ocorre o golpe militar na Argentina, que d\u00e1 origem \u00e0 ditadura semi fascista de Videla. O PST teve que tirar importantes dirigentes do pa\u00eds, quest\u00e3o que foi aproveitada para refor\u00e7ar o trabalho internacional. Neste per\u00edodo, constru\u00edmos nossas organiza\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia, Chile, Equador, Costa Rica, Panam\u00e1, e refor\u00e7amos o trabalho em Portugal e na Espanha. Mas o processo mais importante foi o da Col\u00f4mbia, onde entramos em contato com um Bloco Socialista, uma organiza\u00e7\u00e3o que vinha se aproximando das posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, com quadros provenientes do castrismo e da Igreja. Dali surge o PST colombiano, que rapidamente se consolida como uma organiza\u00e7\u00e3o de vanguarda e passa a ser um dos dois pilares do nosso trabalho internacional.<\/p>\n<p><strong>A LUTA CONTRA A DITADURA ARGENTINA<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, na Argentina, o PST desempenha um papel heroico na resist\u00eancia \u00e0 ditadura genocida. Houve aproximadamente 250 militantes presos e mais de 100 mortos e desaparecidos. Atuando na mais absoluta clandestinidade, manteve sua publica\u00e7\u00e3o e desenvolveu trabalhos no movimento oper\u00e1rio, na juventude e na intelectualidade. No come\u00e7o da guerra nas Malvinas, o \u00f3dio \u00e0 ditadura n\u00e3o impediu que se tivesse uma pol\u00edtica principista de identificar e atacar o imperialismo invasor como o principal inimigo. Desde o primeiro momento e sem deixar de denunciar a ditadura, o PST se colocou no campo militar argentino e militou pela derrota do imperialismo. O PST saiu da ditadura com um grande prest\u00edgio na vanguarda e com 800 quadros s\u00f3lidos, que se voltaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do MAS, incorporando a tarefa a um grupo de quadros que vinham de outra corrente socialista.<\/p>\n<p><strong>A REVOLU\u00c7\u00c3O NICARAGUENSE. A BRIGADA SIM\u00d3N BOLIVAR<\/strong><\/p>\n<p>Em 1979, quando explode a revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense, nossa corrente, apesar das diferen\u00e7as com o sandinismo, resolve participar fisicamente da luta contra Somoza. Atrav\u00e9s do PST colombiano realiza uma grande campanha para construir a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar. \u00c9 formada com militantes da nossa corrente e revolucion\u00e1rios independentes, da Col\u00f4mbia, Panam\u00e1, Costa Rica, EUA e Argentina. Mantendo sua total independ\u00eancia pol\u00edtica, a Brigada entra no ex\u00e9rcito sandinista e cumpre um papel heroico na liberta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Sul da Nicar\u00e1gua, que lhe custa mortos e feridos. Com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, os brigadistas s\u00e3o recebidos como her\u00f3is em Man\u00e1gua. V\u00ednhamos exigindo que o sandinismo rompesse com a burguesia e tomasse o poder conjuntamente com os sindicatos oper\u00e1rios. O sandinismo, seguindo a pol\u00edtica de Castro, estava em um governo de coaliz\u00e3o com Violeta Chamorro. A Brigada promove a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos e em uma semana organiza mais de 70. Isso provoca a rea\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o sandinista, que a expulsa da Nicar\u00e1gua. V\u00e1rios brigadistas s\u00e3o presos e torturados pela pol\u00edcia panamenha, aliada do governo sandinista.<\/p>\n<p>O SU envia uma delega\u00e7\u00e3o a Man\u00e1gua para dizer que \u00e9ramos um grupo ultraesquerdista, com o qual n\u00e3o tinham nada a ver e vota uma resolu\u00e7\u00e3o proibindo a constru\u00e7\u00e3o de partidos por fora do sandinismo. A negativa de defender os militantes revolucion\u00e1rios torturados pela burguesia \u00e9 a consequ\u00eancia de ter votado essa resolu\u00e7\u00e3o interna que, na pr\u00e1tica, era um decreto de expuls\u00e3o da nossa corrente, obrigando-nos a romper definitivamente com o SU.<\/p>\n<p>Esses fatos revelam a verdadeira pol\u00eamica dentro do SU. Defend\u00edamos a necessidade de construir um partido revolucion\u00e1rio na Nicar\u00e1gua e eles n\u00e3o. A mesma discuss\u00e3o que se deu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cuba, tanto sobre a constru\u00e7\u00e3o do partido como quanto \u00e0 necessidade da revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tudo demonstrava a crescente capitula\u00e7\u00e3o do SU ao castrismo e ao sandinismo. E mostrava tamb\u00e9m o abandono da moral revolucion\u00e1ria ao ter-se negado a defender militantes trotskistas presos e torturados pela burguesia.<\/p>\n<p><strong>NOSSA RELA\u00c7\u00c3O COM O LAMBERTISMO<\/strong><\/p>\n<p>Quem deu sua solidariedade \u00e0 Brigada foi a corrente dirigida por Pierre Lambert. Assim come\u00e7ou nossa rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o lambertismo, com quem n\u00e3o t\u00ednhamos contato desde 1963. Se inicia um processo de discuss\u00e3o, com acordos principistas e program\u00e1ticos expressados em \u201cTeses para a atualiza\u00e7\u00e3o do programa de transi\u00e7\u00e3o\u201d, de Nahuel Moreno. Nesse trabalho o estalinismo e o castrismo s\u00e3o definidos como agentes contrarrevolucion\u00e1rios; s\u00e3o reconhecidas como revolu\u00e7\u00f5es, parte da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial, os processos do p\u00f3s-guerra (Leste europeu, China, Cuba) apesar de n\u00e3o terem sido liderados pela classe oper\u00e1ria e seu partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, se coloca a necessidade de impulsionar a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos estados oper\u00e1rios degenerados, surgidos nesses processos; se analisa a guerra de guerrilhas e a pol\u00edtica oportunista de suas dire\u00e7\u00f5es; se d\u00e1 especial import\u00e2ncia \u00e0 defesa do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades oprimidas e \u00e0s tarefas democr\u00e1ticas; se identifica o in\u00edcio do processo de crise dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios, em especial o estalinismo, que abre possibilidades de lutar por partidos trotskistas e uma IV Internacional com influ\u00eancia de massas.<\/p>\n<p>Constitui-se um Comit\u00ea Parit\u00e1rio que culmina em 1980 com a forma\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o conjunta, a Quarta Internacional-Comit\u00ea Internacional (QI- CI). Como QI-CI realizamos uma campanha de apoio ao \u201cSolidariedade\u201d da Pol\u00f4nia. Tudo indicava que era poss\u00edvel dar um grande passo no caminho da reconstru\u00e7\u00e3o da IV.<\/p>\n<p>Mas essa tentativa foi frustrada. Nossa pouca inser\u00e7\u00e3o na Europa nos fez cometer um grave erro. N\u00e3o vimos que o lambertismo tinha fortes la\u00e7os com a burocracia sindical, o que o levou a capitular ao governo de Frente Popular, quando ocorre a vit\u00f3ria de Miterrand na Fran\u00e7a. Lambert se nega a discutir a pol\u00edtica para a Fran\u00e7a e come\u00e7am as expuls\u00f5es dos militantes que se op\u00f5em a essa pol\u00edtica, o que provoca a ruptura da QI-CI.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica com o lambertismo nos obrigou a avan\u00e7ar na elabora\u00e7\u00e3o sobre a Frente Popular, o que se refletiu no folheto \u201cA trai\u00e7\u00e3o da OCI\u201d, de Nahuel Moreno.<\/p>\n<p><strong>A FUNDA\u00c7\u00c3O DA LIT- QI<\/strong><\/p>\n<p>Em janeiro de 1982, se realizou uma reuni\u00e3o internacional com os partidos da FB e dos importantes dirigentes do lambertismo: Ricardo Napur\u00ed do Peru e Alberto Franceschi da Venezuela. Um dos pontos centrais da reuni\u00e3o era organizar uma campanha em defesa da moral revolucion\u00e1ria de Napur\u00ed, atacado por Lambert por expressar diferen\u00e7as pol\u00edticas com este. Outro ponto importante era a discuss\u00e3o sobre como avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o da Internacional.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o, depois de aprovar a campanha, resolveu por unanimidade converter-se em Confer\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o internacional. Foram aprovados os estatutos da LIT-QI e as teses fundacionais, onde se propunha a estrat\u00e9gia da constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional com influ\u00eancia de massas. Esta n\u00e3o era somente a FB com outro nome, j\u00e1 que Franceschi se integrou a ela com seu partido, o MIR oper\u00e1rio, que rompeu com o lambertismo. Napur\u00ed se incorpora ao mesmo tempo, junto com a metade do partido peruano que rompeu com Lambert.<\/p>\n<p>Em 1985, o partido dominicano se integra \u00e0 LIT-QI. Esse grupo n\u00e3o vinha do trotskismo, mas de uma ruptura com a Igreja.<\/p>\n<p>Em 1985, o Primeiro Congresso da LIT-QI vota um manifesto, onde define a situa\u00e7\u00e3o mundial como revolucion\u00e1ria e faz um chamado para construir uma FUR a partir de um programa m\u00ednimo revolucion\u00e1rio para enfrentar a frente da contrarrevolu\u00e7\u00e3o imperialista mundial, as burguesias nacionais, a igreja, o estalinismo, o castrismo, o sandinismo e as burocracias sindicais e avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios nacionais e de uma Internacional com influ\u00eancia de massas. Em 1987, se integram o grupo de Bill Hunter da Inglaterra, que n\u00e3o prov\u00e9m do morenismo e um grupo de jovens trotskistas independentes do Paraguai, que d\u00e3o origem ao PT paraguaio, a maior organiza\u00e7\u00e3o de esquerda nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>AS PRINCIPAIS CAMPANHAS POL\u00cdTICAS DA LIT \u2013 QI<\/strong><\/p>\n<p>A primeira \u00e9 pela vit\u00f3ria da Argentina na guerra pelas Malvinas, com a qual intervimos no processo anti-imperialista que se abriu na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A campanha pelo \u201cn\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa\u201d nos permitiu conectar com as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es bolivianas que obrigaram o governo de Frente Popular, liderado por Siles Suazo, a suspender o pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Teve grande import\u00e2ncia a campanha contra os acordos de Esqu\u00edpulas e Contadora, promovidos pelo imperialismo e apoiados pelo castrismo e pelo sandinismo para frear o processo revolucion\u00e1rio na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Em 1991 realizamos uma campanha pela derrota do imperialismo na guerra do Golfo.<\/p>\n<p><strong>A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO MAS ARGENTINO<\/strong><\/p>\n<p>Depois da queda da ditadura argentina (1982), a dire\u00e7\u00e3o da LIT resolve priorizar o trabalho nesse pa\u00eds, onde se abriu a possibilidade objetiva e subjetiva do MAS se tornar um partido com influ\u00eancia de massas. Nas lutas do movimento de massas e na participa\u00e7\u00e3o eleitoral, o MAS se transformou no partido mais forte da esquerda argentina. Ganha grande inser\u00e7\u00e3o nas principais f\u00e1bricas e bairros oper\u00e1rios, lidera listas de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia nos principais sindicatos, realiza atos com 20 a 30 mil pessoas, obt\u00e9m o primeiro deputado trotskista na hist\u00f3ria argentina, chegando a promover e dirigir um ato de oposi\u00e7\u00e3o ao governo de 100 mil pessoas.<\/p>\n<p>Em meio a esse processo, a LIT-QI recebe, em 1987, um terr\u00edvel golpe com a morte de seu fundador e principal dirigente, Nahuel Moreno. Sua aus\u00eancia provocou um enfraquecimento qualitativo em nossa dire\u00e7\u00e3o internacional e teve uma incid\u00eancia muito grande no desenvolvimento e desenlace da crise que levou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da LIT.<\/p>\n<p><strong>A CRISE DE 90<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros anos da d\u00e9cada de 90, se desatou uma grande crise em nossa corrente internacional. Grandes mudan\u00e7as ocorriam no mundo a partir da queda do muro de Berlim, que tiveram repercuss\u00f5es mundiais. Grandes processos revolucion\u00e1rios destru\u00edram o aparato central do stalinismo, libertando assim o movimento oper\u00e1rio mundial da camisa de for\u00e7a que o manipulou durante d\u00e9cadas. Mas a falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial impediu que esse processo pudesse reverter a restaura\u00e7\u00e3o capitalista orquestrada pela burocracia. Isso possibilitou a ofensiva pol\u00edtica, militar e ideol\u00f3gica do imperialismo. \u00c9 nesse per\u00edodo que se d\u00e1 a crise da LIT-QI que a levou praticamente \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em abril de 1992 ocorre a ruptura do MAS argentino com m\u00e9todos incompat\u00edveis com a moral revolucion\u00e1ria: ocupa\u00e7\u00e3o de locais, ataques f\u00edsicos pela minoria, da Tend\u00eancia Morenista Internacional (TMI) e campanhas de cal\u00fanias pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Pouco depois, a TMI organiza a ruptura do partido brasileiro por meio de uma fra\u00e7\u00e3o secreta. Assim se abre a pior crise da nossa hist\u00f3ria. Neste processo sa\u00edram da LIT 40% do partido argentino, o PST do Panam\u00e1, a metade do PST peruano, um setor do POS mexicano, a metade da se\u00e7\u00e3o equatoriana, um setor do partido brasileiro e setores da Col\u00f4mbia, Chile, Alemanha, Portugal.<\/p>\n<p>O V Congresso, realizado em 1994, vota pela reconstru\u00e7\u00e3o da LIT-QI. Formalmente a LIT-QI existia, as reuni\u00f5es internacionais eram realizadas, havia uma dire\u00e7\u00e3o, a revista internacional era editada. Mas isso, era cada vez mais uma apar\u00eancia, uma formalidade. A melhor prova era a dire\u00e7\u00e3o com a qual se chegou ao V Congresso: um secretariado internacional integrado por quatro pessoas respondendo a quatro tend\u00eancias (FI, TBI, Nuevo Curso, TR) <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, a maioria das quais n\u00e3o defendia a continuidade da LIT-QI. De fato, a LIT havia deixado de ter um programa \u00fanico e havia perdido o regime centralista democr\u00e1tico. De conte\u00fado a LIT-QI havia sido destru\u00edda. &nbsp;Por isso, era totalmente necess\u00e1ria a resolu\u00e7\u00e3o do V Congresso. A partir desse momento se come\u00e7a a construir uma nova equipe de dire\u00e7\u00e3o liderada pelos dirigentes da ex TR, \u00e0 qual se integra a dire\u00e7\u00e3o do partido peruano e do grupo ingl\u00eas, que toma em suas m\u00e3os as tarefas da reconstru\u00e7\u00e3o. Essa tarefa precisou de muito esfor\u00e7o e levou muitos anos j\u00e1 que a destrui\u00e7\u00e3o havia sido muito grande. &nbsp;Um fato a destacar \u00e9 que desde que se resolve que a grande tarefa a encarar \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o da LIT-QI, ela \u00e9 feita n\u00e3o como um objetivo em si mesma, mas para que seja o motor da reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Em consequ\u00eancia, ao mesmo tempo em que se encaravam as tarefas da reconstru\u00e7\u00e3o, se iniciava um trabalho de rela\u00e7\u00f5es com diferentes organiza\u00e7\u00f5es em diferentes pa\u00edses (Inglaterra, Fran\u00e7a, Ir\u00e3, Jap\u00e3o, Alemanha, Turquia, a ex URSS\u2026) com o objetivo de avan\u00e7ar nesse objetivo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Dias antes do Congresso, a FI havia se retirado, o que significou a sa\u00edda da maioria do partido espanhol. Nem bem terminado o V Congresso, a TBI rompe, o que implica a perda do PST colombiano, do PRT da Costa Rica, das se\u00e7\u00f5es de Honduras e Nicar\u00e1gua, de mais de 100 militantes argentinos. Novo Curso, dirigido pelo que restava do MAS argentino, fica na Internacional (e participa da dire\u00e7\u00e3o) mas sem reivindicar suas bases fundacionais. Pouco tempo depois, come\u00e7am a defender que a LIT-QI deve abandonar o centralismo democr\u00e1tico e deixar de lado a estrat\u00e9gia de reconstruir a IV Internacional. Suas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o derrotadas (por um voto) no VI Congresso (1997). Novo Curso se nega a acatar suas resolu\u00e7\u00f5es e saem da Internacional o que restava do MAS argentino, Converg\u00eancia Socialista do Uruguai, a LST da Fran\u00e7a, o PST da Venezuela e um setor do partido brasileiro.<\/p>\n<p>Tal como disse o Balan\u00e7o de Atividades aprovado pelo VIII Congresso \u201cNa hora de contar as baixas e perdas podemos constatar que em todo esse processo, a LIT n\u00e3o s\u00f3 perdeu seu programa, seu regime, suas finan\u00e7as, suas publica\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m perdeu o grosso de seu patrim\u00f4nio humano. No total, a LIT perdeu entre 4 e 5 mil militantes, entre eles, possivelmente 80% dos quadros de mais experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>AS CAUSAS DA CRISE<\/strong><\/p>\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de fatores objetivos e subjetivos explica nossa crise. Nessa combina\u00e7\u00e3o, os elementos objetivos foram determinantes. Isto fica evidente quando se v\u00ea, que n\u00e3o foi afetada s\u00f3 a nossa Internacional, mas foi um processo que se deu sobre a totalidade das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, sem excluir as revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Depois da derrota militar no Vietn\u00e3, em meados dos anos 70, o imperialismo ianque come\u00e7ou a enfrentar os processos revolucion\u00e1rios apelando preferencialmente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e mecanismos da democracia burguesa e \u00e0 coopta\u00e7\u00e3o de dirigentes. Moreno denominou essa pol\u00edtica como \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d. Essa pol\u00edtica, que teve grandes \u00eaxitos para canalizar importantes processos revolucion\u00e1rios, tamb\u00e9m fez estragos na maioria da esquerda a n\u00edvel mundial: &nbsp;o abandono por parte da OLP da luta pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, a integra\u00e7\u00e3o ao regime dos Sandinistas na Nicar\u00e1gua e do Farabundo Mart\u00ed em El Salvador; a social democratiza\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas; a integra\u00e7\u00e3o ao regime, atrav\u00e9s do PT, da maioria da esquerda brasileira\u2026 Mas este processo de capitula\u00e7\u00e3o da velha esquerda anti-imperialista d\u00e1 um salto depois da restaura\u00e7\u00e3o nos estados oper\u00e1rios. Desta vez, tamb\u00e9m as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas s\u00e3o afetadas.<\/p>\n<p>O problema central foi que a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deu como Trotsky havia prognosticado, a partir de um golpe contrarrevolucion\u00e1rio, mas em nome das liberdades democr\u00e1ticas e da utiliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es burguesas. A falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria fez com que uma parte da popula\u00e7\u00e3o tivesse expectativas nessas institui\u00e7\u00f5es restauradoras. A partir disso e da campanha do imperialismo sobre &#8220;a superioridade do capitalismo\u201d, a ampla maioria da esquerda abandonou a perspectiva do socialismo e da luta pelo poder. Grande quantidade de partidos se dissolveu, milhares e milhares abandonaram a milit\u00e2ncia e os que se mantiveram ativos, come\u00e7aram a buscar novos rumos\u2026Como n\u00e3o \u201cse podia\u201d ou n\u00e3o se queria tomar o poder, come\u00e7aram a buscar como ganhar \u201cespa\u00e7os de poder\u201d. \u201cNovas\u201d ideias foram se impondo: a classe oper\u00e1ria est\u00e1 desaparecendo, h\u00e1 que buscar outros sujeitos sociais; stalinismo \u00e9 continuidade do leninismo, o centralismo democr\u00e1tico leva \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o, tudo passa pela horizontalidade; todo poder corrompe, os trabalhadores podem resolver seus problemas sem tomar o poder\u2026Assim foi sendo criado um novo reformismo, um reformismo sem reformas.<\/p>\n<p>Este \u201cvendaval oportunista\u201d que atingiu o conjunto da esquerda inclusive as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, tamb\u00e9m chegou \u00e0 LIT-QI. Isto se refletiu, centralmente, nas pol\u00edticas equivocadas com que a dire\u00e7\u00e3o argentina respondeu aos grandes desafios que a realidade apresentava.<\/p>\n<p>Seguindo Trotsky, Moreno sempre dizia que para enfrentar as grandes mudan\u00e7as e as crises que estas geravam, havia que recorrer mais do que nunca \u00e0 classe oper\u00e1ria, mais do que nunca \u00e0 teoria marxista e mais do que nunca \u00e0 Internacional.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o argentina fez o contr\u00e1rio, caiu em um desvio eleitoreiro e foi relegando a constru\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria; ao inv\u00e9s de basear sua pol\u00edtica na teoria marxista, elaborou novas teorias para justificar sua pol\u00edtica; a partir de \u00eaxitos circunstanciais e de um grande crescimento, se considerou autossuficiente e caiu em um desvio nacional trotskista.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a com outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas foi que na LIT-QI havia reservas e um setor resistiu como pode \u00e0s investidas desse vendaval. Por isso, a LIT, diferente do SU, n\u00e3o correu no sentido que soprava o vento e n\u00e3o se adaptou \u00e0 \u201cmodernidade\u201d. Pelo contr\u00e1rio, na LIT-QI o \u201cvendaval oportunista\u201d provocou crises, rupturas, divis\u00f5es, at\u00e9 que finalmente pode voltar a retomar o caminho correto.<\/p>\n<p><strong>A MORTE DE NAHUEL MORENO E A DESTRUI\u00c7\u00c3O DA LIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>Se Moreno estivesse vivo, provavelmente ter\u00edamos entrado em crise da mesma forma, j\u00e1 que as causas objetivas eram muito fortes. L\u00eanin, Trotsky, Rosa Luxemburgo, enfrentaram as press\u00f5es chauvinistas durante a Primeira Guerra Mundial, mas n\u00e3o conseguiram evitar a bancarrota da Segunda Internacional. Moreno n\u00e3o conseguiu derrotar as press\u00f5es guerrilheiristas que originaram a ruptura na Argentina com Bengochea e depois com Santucho\u2026<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sem d\u00favida, se Moreno estivesse vivo, o desenvolvimento da crise teria sido diferente e as baixas muito menores. Tendo em conta a trajet\u00f3ria de Moreno e seu prest\u00edgio, muito dificilmente, a maioria da LIT teria ca\u00eddo em tal desvio, se tivesse contado com sua dire\u00e7\u00e3o. Com a dire\u00e7\u00e3o de Moreno, a crise teria se dado, teria havido rupturas, perdas, mas quase com seguran\u00e7a n\u00e3o ter\u00edamos chegado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 correntes como o Partido Oper\u00e1rio da Argentina que opinam que a crise e destrui\u00e7\u00e3o do MAS e da LIT s\u00e3o produto da pol\u00edtica de Moreno e que a atual evolu\u00e7\u00e3o oportunista do MST<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> argentino, seria a continuidade do morenismo. Nahuel Moreno construiu nossa corrente enfrentando o oportunismo, as frentes populares, a rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, lutando incansavelmente pela constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios na classe oper\u00e1ria, pela constru\u00e7\u00e3o da Internacional. Essa luta de d\u00e9cadas criou ra\u00edzes, deixou reservas e por isso \u00e9 que do interior da LIT-QI e do pr\u00f3prio velho MAS, surgiu a resist\u00eancia que encarou a reconstru\u00e7\u00e3o e conseguiu voltar a colocar de p\u00e9 a nossa Internacional.<\/p>\n<p><strong>A NOVA REALIDAD DA LIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>A partir do V Congresso se iniciou um lento e traum\u00e1tico processo de reconstru\u00e7\u00e3o. Este processo foi muito dificultoso pela forma em que teve que ocorrer. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez, na hist\u00f3ria das Internacionais, que \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar uma ofensiva do revisionismo. Ocorreu na Segunda, mas nela a luta foi liderada por uma parte dos principais dirigentes: Kautsky, Rosa Luxenburgo, Liebknecht\u2026em um primeiro momento; Rosa, L\u00eanin, Trotsky, Liebknecht\u2026depois de 1914. Na Terceira, a batalha foi liderada por Trotsky. No SWP ianque, Trotsky e Cannon estiveram na lideran\u00e7a do combate contra os antidefensistas.<\/p>\n<p>Na LIT foi muito diferente, os principais dirigentes, os que haviam trabalhado mais estreitamente com Moreno, os que tinham mais experi\u00eancia e mais prest\u00edgio, foram caindo um por um frente ao \u201cvendaval oportunista\u201d, foram adotando uma ou outra posi\u00e7\u00e3o revisionista ou se foram e n\u00e3o lutaram. Esse combate teve que ser encarado por dirigentes de segunda ou terceira linha, que n\u00e3o tinham nenhuma experi\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o internacional nem no combate te\u00f3rico program\u00e1tico. Por isso \u00e9 que, com muitas dificuldades, e cometendo muitos erros no caminho, os organismos foram sendo reconstru\u00eddos e a partir deles se foi avan\u00e7ando na compreens\u00e3o comum do mundo.<\/p>\n<p>Assim, pouco a pouco, foi se recuperando a tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, pol\u00edtica metodol\u00f3gica. Foi se dando resposta pol\u00edtica a novos fatos: a guerra da B\u00f3snia, a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d capitalista, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva. Temos conseguido dar uma interpreta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista nos ex estados oper\u00e1rios degenerados. Os partidos da LIT-QI interviram nos processos revolucion\u00e1rios latino-americanos e apresentamos uma pol\u00edtica principista, de enfrentamento aos novos governos (de Frente Popular ou populistas) originados por esses processos.<\/p>\n<p>Em torno da participa\u00e7\u00e3o nestes processos, a LIT-QI foi se reconstruindo, n\u00e3o s\u00f3 em termos te\u00f3ricos, program\u00e1ticos, metodol\u00f3gicos, morais, mas tamb\u00e9m em termos organizativos. O maior avan\u00e7o organizativo se deu no Brasil com a constru\u00e7\u00e3o do PSTU que se tornou uma refer\u00eancia indiscut\u00edvel para as lutas e o ativismo brasileiro. Mas n\u00e3o foi o \u00fanico, as se\u00e7\u00f5es aprofundaram sua inser\u00e7\u00e3o no movimento de massas, se iniciou a reconstru\u00e7\u00e3o do partido argentino, foram constitu\u00eddas novas se\u00e7\u00f5es no Equador, na Costa Rica, o POI da R\u00fassia entrou na LIT-QI. O Correio Internacional e a revista Marxismo Vivo t\u00eam demonstrado, regularmente, as defini\u00e7\u00f5es pol\u00edticas frente aos principais fatos da luta de classe e o avan\u00e7o das elabora\u00e7\u00f5es t\u00e9orico-program\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Estes fatos, somados \u00e0s rela\u00e7\u00f5es estabelecidas com o CITO com o objetivo de ir a uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o, fizeram com que o VIII Congresso (junho de 2005) constatasse que a LIT-QI estava vivendo uma nova realidade.<\/p>\n<p>Posteriormente, novos fatos confirmaram essa defini\u00e7\u00e3o: a unifica\u00e7\u00e3o com o CITO, que significou a recupera\u00e7\u00e3o do PST colombiano e de organiza\u00e7\u00f5es e quadros no Peru, Costa Rica e Argentina. O cont\u00ednuo desenvolvimento do PSTU, sua correta localiza\u00e7\u00e3o de enfrentamento ao governo de Frente Popular de Lula, o \u00eaxito de sua pol\u00edtica de construir a CONLUTAS como central oper\u00e1ria e popular de alternativa; a entrada do partido italiano na LIT-QI, a funda\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o venezuelana, o desenvolvimento do trabalho na Am\u00e9rica Central, a funda\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o belga, a fus\u00e3o que deu origem ao PSTU da Argentina, a abertura de nosso trabalho no Paquist\u00e3o, no Senegal, a reabertura do trabalho na Turquia. Tamb\u00e9m houve alguns fatos de signo oposto: a sa\u00edda do POS mexicano, do MST da Bol\u00edvia e da LST da Rep\u00fablica Dominicana, a ruptura em 2016 de um importante setor do PSTU do Brasil e do PSTU da Argentina. Fatos que continuam marcando a press\u00e3o do \u201cvendaval oportunista\u201d.<\/p>\n<p><strong>NOSSO PROJETO ESTRAT\u00c9GICO: A RECONSTRU\u00c7\u00c3O DA IV INTERNACIONAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2008 afirm\u00e1vamos:<\/strong><\/p>\n<p>A nova realidade da LIT-QI se combina com uma nova realidade da luta de classes a n\u00edvel latino-americano e mundial. A situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial e latino-americana que come\u00e7ou a se manifestar com for\u00e7a a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, est\u00e1 passando por um novo momento. A resist\u00eancia iraquiana est\u00e1 colocando a possibilidade de uma nova derrota militar do imperialismo ianque. Os planos dos EUA de estabilizar o Oriente M\u00e9dio v\u00eam abaixo como demonstra a derrota do ex\u00e9rcito israelense no L\u00edbano. O prest\u00edgio de Bush caiu abruptamente.&nbsp; Nos pa\u00edses imperialistas, os ajustes pela crise econ\u00f4mica provocam a rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, aos que se somam as fortes lutas dos oper\u00e1rios imigrantes. No caso dos EUA, isto significa que uma ponte est\u00e1 sendo constru\u00edda com as lutas latino-americanas. Mas o ataque imperialista continua. Na Am\u00e9rica Latina, aprofunda a ofensiva colonizadora do imperialismo, o saque dos recursos naturais, as exig\u00eancias de ajustes para pagar a d\u00edvida externa, agora tudo agravado pela crise econ\u00f4mica mundial. Tamb\u00e9m continua a resposta das massas diante desse saque permanente. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora este ascenso oper\u00e1rio e popular come\u00e7a a se dirigir contra os que aplicam os planos, ou seja, os novos governos que surgiram para canalizar ou prevenir o ascenso: Lula, Ch\u00e1vez, Evo, Kirchner, Tabar\u00e9\u2026.<\/p>\n<p>Esta realidade, sem d\u00favida alguma, coloca em evid\u00eancia a necessidade urgente de avan\u00e7ar na solu\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, construindo uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial. Ao mesmo tempo, este novo momento da situa\u00e7\u00e3o mundial provoca mudan\u00e7as importantes na consci\u00eancia do movimento de massas que facilitam essa tarefa. Com o surgimento destes governos se viu, em sua m\u00e1xima express\u00e3o, os efeitos do \u201cvendaval oportunista\u201d. A maioria das correntes de esquerda, inclusive a maioria das que se reivindicam trotskistas, capitularam a eles. Mas esta nova realidade, que teve sua m\u00e1xima express\u00e3o na derrota eleitoral de Ch\u00e1vez no referendo, est\u00e1 provocando rupturas pela esquerda dessas organiza\u00e7\u00f5es, que buscam novas refer\u00eancias nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Voltando ao proposto na Introdu\u00e7\u00e3o, frente a esta situa\u00e7\u00e3o, a LIT-QI reafirma seu projeto estrat\u00e9gico: a reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e faz um chamado para a unidade em torno de um programa revolucion\u00e1rio, que contemple n\u00e3o apenas as respostas pol\u00edticas aos principais fatos da luta de classe, que aproximem os trabalhadores da luta pelo poder, mas tamb\u00e9m os aspectos de concep\u00e7\u00e3o de partido, de m\u00e9todo e de moral revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Propomos aplicar para a reconstru\u00e7\u00e3o da IV o mesmo m\u00e9todo que Trotsky aplicou em sua constru\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, fazendo o chamado n\u00e3o s\u00f3 dos que prov\u00eam do trotskismo, mas a todos os revolucion\u00e1rios com os quais concordamos programaticamente, independentemente de sua origem.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, n\u00e3o dirigindo o chamado a todos os que se reivindicam trotskistas. Por um lado, porque h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que assim se reivindicam e que, entretanto, abandonaram o programa revolucion\u00e1rio ao apoiar ou participar de governos burgueses. E, por outro lado, porque existem as seitas auto proclamat\u00f3rias que recitam o programa, mas que, pelos seus m\u00e9todos fracionalistas e desleais, cumprem um papel absolutamente destrutivo.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, propondo as unifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o atrav\u00e9s de confer\u00eancias abertas e grandes atos, mas a partir de uma paciente discuss\u00e3o program\u00e1tica e de uma atividade comum na luta de classes, que permitam avan\u00e7ar sobre acordos s\u00f3lidos e rela\u00e7\u00f5es de lealdade revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dada a deteriora\u00e7\u00e3o produzida pelo \u201cvendaval oportunista\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio especificar alguns aspectos que atuam como divisor de \u00e1guas:<\/p>\n<p>A defesa da independ\u00eancia de classes frente a todos os governos burgueses, inclusive os de Frente Popular ou populistas. N\u00e3o apoiamos a eles nem as suas medidas e somos oposi\u00e7\u00e3o de todos eles.<\/p>\n<p>Apoiamos as lutas da classe oper\u00e1ria e de seus aliados.<\/p>\n<p>Enfrentamos toda burocracia e defendemos a democracia oper\u00e1ria em todas as organiza\u00e7\u00f5es da classe.<\/p>\n<p>Temos como centro ordenador a luta contra o imperialismo em todas suas variantes.<\/p>\n<p>Nosso objetivo \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas e suas FFAA, e a constru\u00e7\u00e3o de um estado oper\u00e1rio, baseado em organismos democr\u00e1ticos da classe, que impulsione a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional.<\/p>\n<p>Defendemos a moral revolucion\u00e1ria e rejeitamos os m\u00e9todos do \u201cvale tudo\u201d, agress\u00f5es f\u00edsicas, cal\u00fanias, trabalho desleal, descumprimentos de acordos.<\/p>\n<p>Reafirmamos o papel da classe oper\u00e1ria como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Defendemos a necessidade de construir partidos revolucion\u00e1rios democraticamente centralizados e o car\u00e1ter oper\u00e1rio que esses partidos devem ter.<\/p>\n<p>Defendemos a necessidade imperiosa de construir uma Internacional revolucion\u00e1ria democraticamente centralizada.<\/p>\n<p>Esse breve esbo\u00e7o da nossa hist\u00f3ria, teve o objetivo de mostrar os aspectos centrais desta longa marcha da nossa constru\u00e7\u00e3o. Mostrando nossos acertos, nossos pontos fortes e tamb\u00e9m nossas falhas, nossos desvios, nossas crises porque, como dizia Moreno, \u201cavan\u00e7amos atrav\u00e9s de erros e golpes e n\u00e3o temos vergonha de diz\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p>Depois de muitos anos de crises e rupturas, estamos vivendo uma nova realidade. Estamos vivendo um processo de fortalecimento que nos coloca em melhores condi\u00e7\u00f5es para avan\u00e7ar no projeto estrat\u00e9gico. Temos uma hist\u00f3ria, uma experi\u00eancia acumulada, um programa que continuamos construindo, uma estrutura de se\u00e7\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, uma for\u00e7a militante, que colocamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para avan\u00e7ar na reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional.<\/p>\n<p><strong>Hoje ap\u00f3s 40 anos da funda\u00e7\u00e3o da LIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia; a crise econ\u00f4mica mundial, a fome; a crise dos refugiados; a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional na Ucr\u00e2nia; os levantes oper\u00e1rios e populares como os de Sri Lanka e Ir\u00e3, os dos EUA frente ao assassinato de George Floyd; as lutas das mulheres e demais setores oprimidos; a volta dos chamados \u201cgovernos progressistas\u201d na Am\u00e9rica Latina, assim como o crescimento da extrema direita a n\u00edvel mundial; tudo isso nos faz dizer que devemos concluir este breve esbo\u00e7o hist\u00f3rico, reafirmando a defini\u00e7\u00e3o das Teses Fundacionais da LIT-QI: a necessidade fundamental para resolver os problemas da humanidade \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial e para isso o central \u00e9 superar a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, avan\u00e7ando na reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional como continuidade pol\u00edtica, program\u00e1tica, metodol\u00f3gica e moral da Terceira Internacional dirigida por L\u00eanin e Trotsky.<\/p>\n<p>Novembro de 2022.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O trotskismo oper\u00e1rio e internacionalista na Argentina, coordenador Ernesto Gonz\u00e1lez, editorial ant\u00eddoto, pag.293<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>[2] Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> A FI (Fra\u00e7\u00e3o Internacional): integrada pela maioria do PST espanhol e pelo SR da It\u00e1lia que fazia parte da LIT; TBI (Tend\u00eancia Bolchevique Internacional), integrada pela maioria do PST colombiano, os partidos da Costa Rica, Honduras e Nicar\u00e1gua e um setor do MAS argentino; Novo Curso, integrada pela dire\u00e7\u00e3o do MAS argentino, um setor do partido brasileiro, o partido venezuelano, o partido uruguaio, a LST da Fran\u00e7a; TR(Tend\u00eancia pela Reconstru\u00e7\u00e3o) integrada pela maioria do partido brasileiro, do partido boliviano e do partido chileno, e um setor do partido espanhol.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> MST. Movimento Socialista dos Trabalhadores, partido surgido da TM, a tend\u00eancia que rompeu com o MAS em 1992<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"td-pb-padding-side td-page-content\">\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a d\u00e9cada de 40, viemos desenvolvendo uma longa e dif\u00edcil batalha para construir partidos revolucion\u00e1rios com influ\u00eancia de massas em todos os pa\u00edses e para construir uma Internacional. Localizamos esta luta como continuidade da luta travada por Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, L\u00eanin e Trotsky para construir a I, a II, a III [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65886,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-73958","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/73958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73958"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/73958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75330,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/73958\/revisions\/75330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}