Detenhamos a repressão do governo espúrio de Pepe Lobo!

No mês de agosto de 2009, a política da oligarquia hondurenha e do imperialismo ianque foi claramente "maquiar" o golpe de Estado, em um primeiro momento com eleições espúrias e logo normalizando as relações de todos os países com o novo governo ilegítimo de Pepe Lobo.

 

Ainda que o governo tivesse uma débil margem de manobra em seu início, finalmente se esgotou esta margem. O Estado se encontra em bancarrota. Não só se perderam dezenas de milhares de empregos, mas também o governo pretende, diante da falta de recursos, pagar as dívidas com bônus.

 

A estratégia de Lobo é tentar fazer o povo trabalhador pagar os custos econômicos do golpe e garantir um saque a "mãos cheias" do Estado por parte da oligarquia hondurenha.Sobretudo, neste plano nos parece que foi nefasto o papel de Manuel Zelaya na chegada de Porfirio Lobo ao poder e, portanto, no triunfo da política do imperialismo, já que este preparou o terreno aceitando o acordo de Guaymuras.

Ante as mobilizações que se estão dando, deve-se construir a independência da classe trabalhadora e a resistência em relação aos setores burgueses, como Zelaya. Já que, nos fatos, ficou demonstrado que a Zelaya importou mais ter acordos com a burguesia e o imperialismo do que derrotar o golpe mediante a mobilização do povo hondurenho.

Se o governo atual teve alguma margem para negociar com o Movimento Campesino Unificado de Aguan, essa margem se acabou. É igual a situação no setor docente, já que as organizações sindicais, durante o mês passado, se lançaram às lutas e mobilizações em defesa da educação pública, pagamento de salários atrasados a milhares de docentes e também exigindo a renúncia do ministro da Educação.

Vemos pois que o quadro é o seguinte:

1) Bancarrota do Estado hondurenho.

2) Aprofundamento das medidas de saque e exploração representadas pela negativa do governo em fechar a negociação sobre o salário mínimo e sua proposta de reforma trabalhista, que realmente destrói os direitos coletivos dos trabalhadores (sindicalização, direito de greve, direito a acordo coletivo), mais a entrega de contratos leoninos com os grandes grupos econômicos que financiaram e sustentaram o golpe de Estado.

3) Um novo ascenso do movimento popular que começa a ter em seu centro os trabalhadores, tanto os da educação como os trabalhadores do setor privado.

Os fatos ocorridos em Honduras são de alcance continental. Se a classe operária com suas organizações clássicas conseguir derrotar claramente o governo de Lobo, estaremos diante da derrota do avanço do imperialismo na região. Não podemos nos esquecer de que o golpe de Estado, para funcionar, necessitou da política conjunta das burguesias da região, seja por meio do Acordo de San Hosé, seja com o atual processo de "reinserção" de Honduras no SICA (Sistema de Integração Centro-Americano) e, eventualmente, na OEA (Organização dos Estados Americanos).

Hoje em dia, o imperialismo ianque se apoia mais no governo da Costa Rica para levar adiante seus planos do que no de Honduras, que, sob todos os prismas, é muito mais instável. Foi com o plano Arias que o imperialismo conseguiu a derrota da resistência. A entrada das tropas e barcos dos EUA na Costa Rica, para supostamente combater o narcotráfico, é outro exemplo do interesse do imperialismo estadunidense no país. O imperialismo tem outro aliado muito importante na região, já que não há que esquecer que o governo de Funes-FMLN encabeçou as gestões regionais e internacionais para que o governo de Pepe Lobo ingressasse novamente no SICA e na OEA.

Por isso, é mais imperioso do que nunca que a classe operária centro-americana se una e se solidarize com as lutas operárias hondurenhas. Toda uma nova correlação de forças se abriria neste caso. É por isso que se torna imperioso rodear de solidariedade continental e regional as novas lutas do povo hondurenho.

Os sindicatos, as federações de estudantes e o movimento popular em geral em todo o continente deveriam organizar-se em função de 4 grandes tarefas:

1) Realizar uma grande campanha de apoio às lutas dos docentes e outros setores populares de Honduras.

2) No mesmo sentido, respaldar o movimento preparatório da criação de dezenas e centenas de comitês que organizem a partir das bases a greve geral.

3) Exigir o não-reconhecimento internacional do governo de Pepe Lobo.

4) Exigir a convocatória de uma Assembleia Nacional Constituinte que refunde Honduras.

Quanto mais repressão, mais luta!

Solidariedade centro-americana e internacional ao povo hondurenho!

Pelo triunfo da classe trabalhadora hondurenha!

Fonte: El Proletariado no. 5 – Periódico de UST – El Salvador

Tradução: Thaís Moreira