Aí estão mais uma vez os homens da troika para analisar as contas do país. Mas não é preciso ser Ph.D. em finanças para saber que o país vai de mal a pior. A meta de um déficit orçamentário de 4,5% para este ano era tão utópica que nem um aluno com o currículo do Relvas acreditaria nisso.

O valor do déficit, em apenas sete meses, equivale a cerca de 70% do acertado com a troika para todo o ano. Isso porque a recessão encarregou-se de fazer encolher em 3,5% as receitas fiscais e em 1,1% as do IVA.
 
Para compensar o furo nas contas, que se calcula em 3 bilhões de euros (cerca de 1,5% do PIB), já se especula que o governo poderá apelar para mais medidas de austeridade, isto é, embolsar mais uma parcela dos já achatados salários dos trabalhadores.
 
Está para ser comprovado, portanto, que nem do ponto de vista das metas do governo, e muito menos ainda do ponto de vista dos trabalhadores e da população, a intervenção da troika na economia dará bons resultados.
 
Do ponto de vista desses últimos, a situação não podia estar pior. Além do roubo dos subsídios de férias e de Natal, das privatizações para presentear os amigos (…) e dos cortes na saúde e educação, temos uma nova legislação trabalhista que reduziu férias e feriados e retirou metade do valor pago pelas horas extras e pelo trabalho em feriados; ampliou a possibilidade de impor o banco de horas; tornou mais fácil e barato demitir e acabou com os acordos coletivos de trabalho.
 
{module Propaganda 30 anos – BRASIL}Com esse novo código, estima-se que os salários vão sofrer um corte de 5,23% no custo por hora trabalhada, isso num cálculo otimista, porque a percentagem é ainda maior se adicionarmos a redução sofrida pelas indemnizações por demissão.
 
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), apesar de o desemprego ter atingido o recorde de 15%, está crescendo o número de trabalhadores que ultrapassam a jornada de 41 horas semanais. São quase 1,1 milhões – ¼ do total de pessoas empregadas – trabalhando mais do que esse número de horas.
 
Tudo isso demonstra que as medidas que estão para serem aplicadas pelo governo e a troika não são sem propósito. Elas representam um retrocesso histórico dos direitos conquistados pelos trabalhadores com o 25 de Abril. A burguesia portuguesa está aproveitando-se da situação de crise para retirar essas conquistas, assim como o conjunto da burguesia europeia em seus respectivos países.
 
Fazer com que sejam os trabalhadores e a população a pagar a crise do capitalismo e retirar direitos históricos é o projeto do imperialismo para manter a sua taxa de lucro. Cabe a nós contrariá-lo.
 
Mesmo durante o verão, muitos trabalhadores, principalmente no setor dos transportes, fizeram paralisações para protestar contra esses cortes de direitos. Mas um ataque tão violento não pode ser revertido sem uma luta muito forte e unitária e organizada de forma democrática e pela base. O exemplo da Grécia e da Espanha demonstra que a mobilização não pode parar até que sejam canceladas as medidas que atacam salários e direitos e rompido o compromisso com a troika.
 
É preciso suspender o pagamento da dívida externa para que não sejamos nós a financiar os bancos e manter os lucros do grande capitalismo europeu. Suspender o pagamento para que esse dinheiro seja empregado na criação de empregos e na reposição dos direitos roubados.
 
Os homens da troika não têm nada o que fazer aqui! Fora a troika de Portugal!
 
Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=441:troika-fora-de-portugal&catid=86:nacional&Itemid=537