Três dia para denunciar a violação dos direitos dos imigrantes e a chantagem com a qual estas pessoas são cotidianamente expostas, sob o jugo das leis burguesas. Três dias para lançar um forte sinal da Sicilia e para começar a despertar uma opinião pública adormecida. Três dias para relançar a necessidade da unificação das lutas contra o sistema capitalista.

 

Alternativa Comunista desenvolveu entre os dias 28 e 30 de junho passado na Sicilia uma série de iniciativas em apoio às comunidades imigrantes, iniciativas que se constituíram passos de um percurso que o partido está desenvolvendo por todo o território nacional.
Em Caltanissetta inicia o assalto ao céu
 
Em Caltanissetta, na tarde de sexta-feira, 28 de junho, centenas de pessoas foram para a rua atendendo ao apelo do Partido da Alternativa Comunista, para denunciar o vergonhoso abandono  reservado pelas instituições burguesas aos imigrantes que vivem dentro e fora do CIE/CDA/CARA[1] de Pian Del Lago. A sua história é a história dramática que costuma acontecer com muitas pessoas forçadas a saírem de seus próprios países para fugir da fome, da guerra, de regimes ditatoriais. Depois de meses ou anos de viagem, estas pessoas vêm finalmente o seu objetivo alcançado: os “democráticos” países ocidentais, como a Itália. E o acolhimento que lhe são reservado é possível ver nas prisões, na falta de assistência sanitária e dos serviços básicos. Dentro dos centros polifuncionais as pessoas sentem na pele a extrema lentidão e a ineficiência da burocracia. Centenas  de imigrantes, consequentemente, vivem fora do centro polifuncional em condições desesperadoras, em espaços apertados, expostos ao mal tempo e ao ataque de parasitas e animais silvestres, sem água nem comida, esperando que o procedimento burocrático, longo e lucrativo para os abutres do sistema, siga o seu curso.  

Ao chamado à luta lançado nos dias anteriores pelo PdAC, o sindicato de base CUB respondeu dando a sua contribuição nas ruas. Junto com os militantes do PdAC da Sicilia interveio o companheiro Moustapha Wagne, dirigente nacional do Partido e responsável nacional pela CUB Imigração. Grillini[2], reformistas e centristas não responderam ao chamado, confirmando ainda mais uma vez que, para além do teatrinho eleitoral, quando é para lutar realmente só podemos confiar nos revolucionários.

Claramente se trata apenas de uma etapa, ainda que importante, no quadro de uma batalha que o PdAC promove na Sicilia, como em cada uma das demais regiões, e que conhecerá já nos próximos dias novos desenvolvimentos. As iniciativas efetuadas tiveram como primeiro resultado o de chamar a atenção da mídia e de obter a intervenção do serviço sanitário local. A batalha segue adiante sem parar, para romper a indiferença de uma cidade adormecida, Caltanissetta, na qual a longa apatia das forças reformistas e centristas, para falar no mínimo, favoreceu a proliferação dessa indiferença, além do surgimento de forças neofascistas como Casapound.
 
Agrigento: o Pdac apoia a comunidade dos imigrantes senegaleses
 
No curso de três dias os militantes do PdAC encontraram os representantes da comunidade senegalesa de Agrigento, que nos dias anteriores foi vitíma de uma vergonhosa repressão policial, contando com blitz noturnas nas casas. Fato gravíssimo que o PdAC-Sicilia denunciou imediatamente, única voz no silêncio geral das forças políticas organizadas, inclusive aquelas reformistas.

A atividade desenvolvida nestes dias pelo PdAC em apoio aos imigrantes senegaleses já obteve uma primeira vitória. A mobilização conseguiu parar a máquina repressiva da ordem burguesa nos confrontos com a comunidade imigrante e a levantar muitas outras questões essenciais, com relação às graves violações em matéria de imigração. Como por exemplo, com respeito à instância para renovação do visto de permanência e à necessidade de simplificação do procedimento para a liberação dos mesmos (liberação que não está vinculada a um contrato de aluguel, como instrumentalmente é interpretado por alguns burocratas, leais à “legalidade” burguesa sempre que conveniente). A luta reforçou também a conexão entre o PdAC e a comunidade senegalesa local, e gerou a adesão de novos companheiros ao partido. 

Claramente o PdAC estará vigilante e continuará a levar avante também a luta ao lado dos imigrantes de Agrigento, trabalhando com a unidade de todas as forças que acreditam na defesa dos direitos das pessoas, italianas ou imigrantes, e que estão dispostas a combater o sistema capitalista e a sua máquina repressiva.
 
A luta novamente em Mineo

Os três dias sicilianos terminaram com uma ocupação promovida pelos militantes do PdAC no CARA de Mineo, na província de Catania. Embora as “instituições” apresentam hipócritamente o centro de acolhimento para requerentes de asilo de Mineo como um tipo de hotel com todos os confortos, a realidade é radicalmente oposta, como confirmado pelos imigrantes que participaram da iniciativa de domingo, 30 de junho. Não é por acaso, aliás, que a menos de um mês ocorreu uma outra revolta sufocada com dificuldade pelos militares. As causas que desencadearam a revolta, episódios de repressão nos confrontos com indivíduos ocorridos dentro do CARA, que fizeram explodir uma raiva acumulada há tempos. Superlotação, comida de péssima qualidade e espera interminável para obter a liberação do visto de permanência contribuíram para tornar ainda mais difícil a permanência dos imigrantes naquela que, com ao contrário da retórica burguesa, é para todos os efeitos um centro de detenção.

Em um clima de indiferença geral, na melhor das hipóteses, os imigrantes têm o apoio de qualquer organização “antiracista” que, além de denunciar no plano humanitário, não propôs a eles outra coisa que uma jornada para ensinar a fazer macarrão ao forno e a dançar. “Não nos interessa dançar agora – se referiu um deles – dançaremos quando formos livres”.

Além da mera denúncia, e contra cada forma de piedade ou assistencialismo, o PdAC levará avante a luta ao lado dos imigrantes de Mineo, procurando unir ao redor dessa batalha uma única e grande mobilização com aqueles lutadores das outras comunidades imigrantes do território siciliano. E trabalhando a unidade de todas as lutas em torno da guerra contra o sistema capitalista pela construção de uma alternativa de sociedade. Contra um inimigo que através da repressão ou de concessões ilusórias procura dividir a classe trabalhadora provocando a guerra entre os pobres. A única resposta possível só pode ser de fato aquela da máxima unidade contra isso, em torno de um programa revolucionário.

(*) Pdac Sicilia
 
 
Tradução: Nívia Leão.



[1] CIE – Centro de Identificação e Expulsão, CDA – Centro de Acolhimento, CARA – Centro de Acolhimento ao Requerente de Asilo.
[2] Se refere aos seguidores do Movimento 5 Estrelas (M5S), liderado por Beppe Grillo.