Tudo era previsto: relatórios, estudos, projeções de pagamento de indenizações… e de número de mortes. Construíram galpões, vestiários, refeitório na rota da lama. Alertas foram emitidos. Mas a diretoria da Vale seguiu seus planos, tal qual fizeram em Mariana em 2015. E a barragem rompeu. 272 mortes de operários e operárias, homens e mulheres, pais, mães, amigos e vizinhos. Os corpos destes foram misturados na lama tóxica da Vale e correram rio abaixo. A lama arrastou pontilhão, casas, pousadas, mais vidas, árvores, peixes, animais domésticos.

Por: PSTU minas Gerais – Brasil

Uma comoção correu o mundo. Um sentimento combinado de consternação e indignação nos deixou sem ar, chorando por nossos companheiros trabalhadores e pelo sofrimento das famílias.

Mas nem todos choraram. O governador Romeu Zema chamou de “incidente”. Nós chamamos de assassinatos. A justiça burguesa, até hoje, não puniu nenhum dos altos executivos da empresa. Ao contrário. Um acordo judicial, aprovado na Assembléia Legislativa, distribui dinheiro para obras, comprando a consciência (se é que existe) de prefeitos, do judiciário e deputados. Enfim, todos aqueles comprometidos com os interesses das mineradoras se esbanjaram com a morte de centenas de trabalhadores.

E a trilha da destruição segue. Segundo reportagem no jornal nacional de 18 de janeiro “A atividade de mineração ganhou força nos últimos anos, junto a um faturamento crescente. O setor acumulou receita de R$ 209 bilhões em 2020. Em 2021, a receita subiu para R$ 339 bilhões.” Tudo isso foi acompanhado pela flexibilização da legislação ambiental que facilita a abertura de novas áreas. Essa ampliação tem a ver com a transição de uma economia semi-industrializada para uma economia primária, baseada na exportação de minérios e alimentos, retirados da mesa dos trabalhadores.

A flexibilização das legislações ambientais, assim como das fiscalizações, tem consequências nefastas. Assim se explica porque nada fizeram para evitar o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e de Córrego-Feijão, em Brumadinho. Ou mesmo porque permitiram a ampliação da Mina de Pau Branco, em Nova Lima, concedida em tempo recorde, onde ocorreu recentemente o rompimento do dique de contenção. Nesse caso recente, concessão da ampliação foi aprovada a toque de caixa pelo Governo Estadual e a maioria do conselho estadual de meio ambiente.

As mudanças ambientais em curso, largamente denunciadas por especialistas, têm muito a ver com a destruição predatória de nossas montanhas, com as queimadas da Amazônia, a destruição do cerrado, com o assoreamento dos rios. Em suma, estão associadas aos objetivos de implementar cada vez mais um modelo predatório de extrair a renda da terra, com a mineração e agronegócio.

A constante falta de água em dezenas de bairros de cidades em todo o Estado, as enchentes que colocaram quase a metade de municípios em estado de emergência, mas também as secas e temperaturas extremas são consequências diretas. Agora, com as chuvas de dezembro e janeiro e com a cheia do Rio Paraopebas, toneladas de rejeitos depositadas no leito três anos atrás foram para dentro das casas, dos mesmos familiares que perderam seus entes queridos. Destruiu centenas de pequenos proprietários rurais que viram a lama ser depositada em pastos e plantações, esterilizando terras férteis.

A construção de centenas de barragens, sendo algumas com peso acima da capacidade, sem fiscalização e em vias de rompimento, trazem como consequência esses crimes como os de Brumadinho e Mariana. Produzem tragédias constantes envolvendo as mineradoras e escancaram as consequências das privatizações no Brasil. Importante lembrar que a Vale do Rio Doce é tida como um exemplo de privatização, exemplo esse exaltado por Bolsonaro e seu ministro da economia Paulo Guedes. Uma privatização feita com argumento de pagar a dívida interna. Como vemos hoje, a dívida continua nas alturas e a privatização só gerou morte e destruição.

Essa realidade pode ser entendida dentro de um contexto em que o Brasil é um país exportador de comodities, o que remonta ao nosso passado colonial. Passado que ainda está impregnado na lama que hoje invade nossas casas, nossos bairros e rios, destruindo toda a vida que ainda resta. Exportam nossa matéria prima, destroem nossas florestas, assassinam nossos companheiros e companheiras e levam toda a nossa riqueza para engordar os bolsos de acionistas e banqueiros. Esse modelo ainda permanece com o apoio de todos os governos capitalistas, tanto o Governo Bolsonaro quanto os Governos Lula e Dilma.

Terror da Vale e terror capitalista! 

O capitalismo decadente é o que produz esse tipo de desastre. Assim como produz a pandemia e governos genocidas de Bolsonaro e Zema. Mariana e Brumadinho são exemplos de uma verdadeira guerra contra os povos, que em nome do lucro deixa que seres humanos sejam assassinados sem que haja uma punição aos assassinos. É o mesmo sistema responsável pela fome ao mesmo tempo em que gera lucros estratosféricos aos empresários do agronegócio. O mesmo que destrói a Amazônia, o Pantanal e assassina pequenos agricultores, quilombolas e povos originários em todo país.

Na outra face da mesma moeda estão estampados os lucros de banqueiros, nacionais e internacionais, dos acionistas da Vale e dos bilionários que lucram com a fome e destruição de nosso povo.

A classe trabalhadora nada tem a esperar desse capitalismo decadente, a não ser mais dor, terror e destruição. Os governos, o judiciário e o legislativo garantem a continuidade desse modelo em troca de algumas verbas parlamentares para alimentar os seus currais eleitorais.

É preciso uma solução definitiva: a expropriação imediata da mineração!

Ao contrário daqueles que dizem não haver o que fazer, nós dizemos que existe solução. E ela está nas mãos dos que produzem toda essa riqueza: os trabalhadores da mineração. Estes são os que mais sofrem com o aumento da exploração e os baixos salários.  Suas casas e bairros estão submetidos ao mesmo terror das barragens ou a enchentes que entram destruindo os poucos móveis acumulados em décadas.

Uma solução definitiva deve mobilizar todos os atingidos. Desde os operários e operárias da mineração, os pequenos e médios agricultores, os pequenos e médios comerciantes e toda a população das regiões mineradoras. O conceito de atingido da mineração também não é o mesmo de anos atrás. Agora somos todos atingidos pela mineração. As mudanças climáticas, a destruição das nascentes, as enchentes e as barragens em vias de ruptura deixam o conjunto da população mineira refém do capitalismo decadente.

É preciso expropriar toda a mineração e os bens dos principais acionistas. Basta de acordos entre governantes e mineradoras. Todos os recursos devem ser usados racionalmente para garantir a reconstrução dessas regiões. Os bilhões destinados aos acionistas devem ser usados para garantir um modelo sustentável de mineração, que respeite as comunidades e esteja a serviço da classe trabalhadora.

Isso significa que precisamos enterrar definitivamente esse defunto malcheiroso chamado capitalismo. Substituir por um sistema socialista, capaz de trazer paz, emprego e garantir uma vida de qualidade da população trabalhadora.

A classe operária precisa ser a primeira a se mobilizar e juntar-se a todos os atingidos, construindo comitês populares de defesa dos direitos e da vida. Essa não é uma tarefa fácil, pois, enfrentaremos todo tipo de traidores e bajuladores das mineradoras. Mas é uma tarefa necessária para evitar mais desastres, dor e sofrimento de nossa classe e da população trabalhadora de todo o Estado.

Pela reestatização da Mineração sob o controle dos trabalhadores e das comunidades!

Prisão para Schvartsman e todos os responsáveis por todos esses crimes!

Indenizações Justas para todas e todos os atingidos!

Fora Bolsonaro e Mourão!

Fora Zema!