O ano de 2016 está terminando. E é tempo de fazer um balanço do que foi o primeiro ano de Macri no governo.

Por: Cristian Napia

Um ajuste brutal contra os trabalhadores e o povo. As medidas econômicas que favorecem diretamente os empresários e as multinacionais, representados por seus CEOs no governo, começaram desde o primeiro dia e levaram a um aumento considerável da miséria, do desemprego e da fome de amplos setores da população.

No entanto, também foi um ano de lutas, em que nós, trabalhadores, medimos forças nos lugares de trabalho e nas ruas e demonstramos que estamos dispostos a dar a batalha contra cada um dos ataques do governo e das patronais. Assim, protagonizamos mobilizações heroicas, como a de 29 de abril, a Marcha Nacional e a Quarta-feira Negra com a Greve de Mulheres.

Esta é a situação na qual nos encontramos no 15o aniversário das jornadas de 19 e 20 de dezembro de 2001, nas quais dissemos basta à fome e à miséria a que estávamos sendo submetidos. Por isso, hoje, mais do que nunca, temos que tomar a jornada do dia 20 não como uma simples comemoração, mas como uma preparação para a luta do ano que vem.

Enfrentar o plano econômico do governo

A partir de diferentes comissões internas, corpos de delegados e sindicatos combativos, está sendo preparada uma mobilização na Praça de Maio no dia 20 de dezembro. Falarão no ato Alejandro Crespo, pelo Sindicato dos trabalhadores da indústria de pneus, os ferroviários de Haedo, Raúl Godoy pela Zanon, Daniel Ruiz pelos petroleiros de Chubut, entre outros dirigentes representativos.

É importante participar por dois motivos. Em primeiro lugar, para reivindicar as mobilizações de 2001, que derrubaram o governo de De La Rúa. Os atos de 19 e 20 de dezembro de 2001 foram uma reação popular contra o plano de fome do governo da Aliança, que pretendia continuar com as políticas dos anos 1990. Isso é o que os políticos patronais querem apagar da nossa memória. Mas, além disso, na situação atual, é necessário que voltemos a dizer basta de ajuste já, para não voltar a cair na miséria a qual chegamos na crise anterior, e para a qual estamos caminhando rapidamente. Não podemos permitir isso.

No dia 20 de dezembro, temos que tomar as ruas para reivindicar um salário suficiente para o sustento de uma família, o fim das demissões e suspensões, a eliminação do imposto ao salário, o fim do processo e a liberdade dos presos por lutar, entre outras reivindicações.

Contra a trégua das direções sindicais

Um ano de lutas deve ser encerrado lutando, ao contrário do que fazem as direções sindicais.

Nesse sentido, o dia 20 é uma oportunidade para que se expressem todas as lutas que aconteceram durante o ano e as que ainda estão acontecendo, para começar a sair do isolamento ao qual os dirigentes sindicais nos submetem. Por isso, a convocatória denuncia a trégua das direções sindicais, que nunca concretizaram a greve tantas vezes anunciada. Porque, se as lutas deste ano não conseguiram barrar totalmente o ajuste, foi devido à política traidora das centrais sindicais, que estiveram a serviço de colocar panos quentes cada que vez que se propôs convocar uma greve geral para unificar todos os setores que saíam à luta. Até os jornais patronais reconhecem que os dirigentes das centrais foram o setor que mais fizeram para sustentar a governabilidade de Macri1, atuando como dique de contenção e evitando que a vontade dos trabalhadores de lutar fosse até o final.

Um primeiro passo para organizar a luta de 2017

Contra essa trégua dos dirigentes sindicais vendidos, o dia 20 é uma convocatória que os trabalhadores têm que aproveitar porque chama a enfrentar o Plano Macri.

E também porque, para enfrentar o que vem pela frente, é necessário fortalecer a mais ampla unidade na luta conta o ajuste.

Em 2017, o governo, junto com a oposição patronal, os governadores, as patronais, os dirigentes sindicais de sempre e a Igreja, tentarão intensificar os esforços e avançar no ajuste com tudo o que ficou pendente este ano.

Com a armadilha da reabertura das negociações trabalhistas, vão querer avançar sobre as convenções coletivas para retirar nossas conquistas e aumentar a precarização e a flexibilização laboral. Os petroleiros da Patagônia já estão sofrendo esses ataques, que serão generalizados no ano que vem. Outro exemplo do que está por vir é a lei de ART (Seguradoras de Riscos do Trabalho, na sigla em espanhol) promovida pelo governo, que deixa os trabalhadores ainda mais desprotegidos nos acidentes laborais e põe travas para impedir que as patronais sejam processadas. Tudo isso com o apoio explícito das centrais sindicais.

Por isso, o PSTU chama a nos mobilizarmos com tudo neste dia 20 de dezembro, compreendendo esta jornada como um passo da unidade necessária na ação ampla que temos que construir com todos aqueles companheiros que vêm resistindo e saem a enfrentar Macri, e que buscam uma alternativa às direções burocráticas que abandonam a luta contra o ajuste.

É necessário fazer esse debate com todos aqueles que denunciam a trégua da CGT e da CTA, estejam ou não convocando a marcha de 20 de dezembro e independentemente do candidato que apoiem nas eleições do ano que vem.

Um encontro operário e de lutadores, encabeçado por todos os que estão a favor de enfrentar o ajuste, sejam da corrente política e sindical que forem, seria um grande passo para começar a construir um espaço em que se vá forjando uma direção alternativa à burocracia, que desenvolva a fundo a coordenação e a luta contra as patronais e que obrigue as direções a convocar a Greve Geral e o plano de luta para derrotar o Plano Macri.

Nós, do PSTU, estaremos a serviço de organizar essa luta, impulsionando e ajudando a realizar reuniões e assembleias em cada lugar de trabalho e de estudo para avançar na organização da luta. Convidamos você para que, no dia 20 de dezembro, venha marchar conosco do Congresso até a Praça de Maio para começar esta tarefa.

Nota:

1. http://www.ambito.com/865522-cgt-cierra-ano-en-paz-con-macri-yen-deuda-con-los-trabajadores

Tradução: Raquel Polla