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Se a América do Norte se tornasse comunista como consequência das dificuldades e problemas que a ordem social capitalista é incapaz de resolver, descobriria que o comunismo, longe de ser uma tirania burocrática intolerável e regulação da vida individual, é o caminho para alcançar a  maior liberdade pessoal e abundância compartilhada

Por León Trotsky (1935)

Na atualidade, muitos norte americanos consideram o comunismo apenas à luz da experiência da União Soviética. Eles temem que o sovietismo na América do Norte produza os mesmos resultados materiais que trouxe aos povos culturalmente atrasados ​​da União Soviética.

Temem que o comunismo os coloque num leito de Procusto[1], e apontam o conservadorismo anglo-saxão como um obstáculo intransponível, mesmo para enfrentar algumas reformas possivelmente desejáveis. Argumentam que a Grã-Bretanha e o Japão interviriam militarmente contra os sovietes norte americanos. Tremem diante da perspectiva de os norte americanos serem arregimentados em seus hábitos de alimentação e vestuário, forçados a subsistir com rações de fome, a ler uma propaganda oficial estereotipada nos jornais, e servir como simples executores de decisões tomadas sem a sua participação ativa. Ou supõem que teriam que guardar seus pensamentos para si mesmos enquanto, em voz alta louvam os líderes soviéticos por medo de prisão e / ou exílio.

Temem a inflação monetária, a tirania burocrática e ter que passar por uma papelada “vermelha” intolerável para obter o que é necessário para viver. Temem a padronização sem alma da arte e da ciência, bem como das necessidades cotidianas. Temem ver a espontaneidade política e a suposta liberdade de imprensa destruídas pela ditadura de uma burocracia monstruosa. E  tremem ao pensar em ter que aceitar a incompreensível volubilidade da dialética marxista e uma filosofia social disciplinada. Temem, em uma palavra, que a América do Norte soviética se torne a contrapartida do que lhes disseram ser a Rússia Soviética.

Na realidade, os sovietes norte americanos serão tão diferentes dos russos quanto os Estados Unidos do presidente Roosevelt do império russo do czar Nicolau II. No entanto, a América do Norte só poderá alcançar o comunismo através da revolução, da mesma forma que chegou à independência e à democracia. O temperamento norte americano é enérgico e violento, e insistirá em quebrar uma boa quantidade de pratos e jogar uma boa quantidade de carrinhos de maçã no chão antes que o comunismo esteja firmemente estabelecido. Os norte americanos, em vez de especialistas e estadistas, são entusiasmados e desportistas, e seria contrário à tradição norte americana fazer uma mudança fundamental sem tomar partido e partir cabeças.

Entretanto, o custo relativo da revolução comunista norte americana, por grande que pareça, será insignificante comparado com o da Revolução Bolchevique Russa, devido à sua riqueza nacional e população. É que a guerra civil revolucionária não é levada a cabo pelo punhado de homens que está na cúpula ou  cinco ou dez por cento que possuem nove décimos da riqueza norte americana; esse pequeno grupo só poderia recrutar seus exércitos contra-revolucionários entre os estratos mais baixos da classe média. Mesmo assim, a revolução poderia facilmente atraí-los, demonstrando que sua única perspectiva de salvação está em apoiar os sovietes.

Todos os que estão por baixo deste grupo já estão economicamente preparados para o comunismo. A depressão causou estragos na sua classe operária e desferiu um golpe esmagador nos camponeses, já prejudicados pela longa decadência agrícola da década do pós-guerra. Não há razão pela qual esses grupos devam opor qualquer resistência à revolução; eles não têm nada a perder, é lógico, contanto que os dirigentes revolucionários se dediquem a uma política moderada de longo alcance em relação a eles.E quem mais vai lutar contra o comunismo? Os “guarda-costas” de milionários e multimilionários? Seus Mellons, Morgans, Fords e Rockefellers? Deixarão de lutar assim que não conseguirem alguém para lutar por eles.

O governo soviético norte americano tomará firme posse dos comandos superiores do sistema de negócios: bancos, indústrias-chave e sistemas de transporte e comunicação. Em seguida dará aos camponeses, pequenos comerciantes e industriais, muito tempo para refletir e ver o quão bem anda o setor nacionalizado da indústria.

É neste campo onde os sovietes norte americanos poderão produzir verdadeiros milagres. A “tecnocracia” [2] só será real sob o comunismo, que tirará do seu sistema industrial as mãos mortas dos direitos da propriedade privada e dos lucros individuais. As propostas mais ousadas da Comissão Hoover[3] sobre padronização e racionalização parecerão infantis em comparação com as possibilidades abertas pelo comunismo norte americano.

A indústria nacional será organizada seguindo o modelo de suas modernas fábricas automotivas de produção contínua. O planejamento científico se elevará do nível da fábrica individual para o de todo o sistema econômico. Os resultados serão estupendos.Os custos de produção diminuirão em vinte por cento ou talvez mais. Isso, por sua vez, aumentará rapidamente o poder de compra dos camponeses.

De fato, os soviéticos norte americanos estabelecerão seus próprios gigantescos estabelecimentos agrícolas, que também serão escolas de coletivização voluntária. Seus camponeses podem facilmente calcular se lhes convém continuar como elos isolados ou se juntar à cadeia geral.

O mesmo método seria usado para incorporar pequenas empresas e pequenas indústrias à organização industrial nacional. Com o controle soviético de matérias-primas, os créditos e suprimentos, essas indústrias secundárias permaneceriam solventes até que o sistema socializado as absorvesse gradualmente e sem compulsão.

Sem compulsão! Os sovietes norte americanos não precisariam recorrer às medidas drásticas que as circunstâncias frequentemente impuseram aos russos. Nos Estados Unidos, a ciência da publicidade fornece os meios para ganhar o apoio da classe média, que estava fora do alcance da Rússia atrasada, com sua vasta maioria de camponeses pobres e analfabetos. Isso, junto com seu aparato técnico e sua riqueza, será a maior vantagem de sua futura revolução comunista. Sua revolução será mais suave que a nossa; depois de resolver os problemas fundamentais, não terão que desperdiçar energia e recursos em dispendiosos conflitos sociais e, consequentemente, avançarão muito mais rápido.

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Mesmo a intensidade e a abnegação do sentimento religioso que prevalece na América não será um obstáculo para a revolução. Se a perspectiva dos soviéticos é assumida na América do Norte, nenhuma barreira psicológica será forte o suficiente para retardar a pressão da crise social. A história provou isso mais de uma vez. Além disso, não devemos esquecer que os próprios Evangelhos contêm alguns aforismos bastante explosivos.

Quanto aos relativamente escassos opositores da revolução soviética, pode-se confiar no gênio inventivo dos norte americanos. Por exemplo, poderiam enviar todos os seus milionários não convencidos para alguma ilha pitoresca, com uma renda vitalícia, e ficar lá fazendo o que bem entenderem. Podem fazê-lo com calma porque não terão que temer a intervenção estrangeira. O Japão, a Grã-Bretanha e os outros países capitalistas que intervieram na Rússia não poderão fazer nada além de aceitar o comunismo norte americano como um fato consumado. E, de fato, a vitória do comunismo na América do Norte, a espinha dorsal do capitalismo, determinará que se espalhe para outros países.O Japão provavelmente se juntará às fileiras comunistas antes que os soviets sejam implantados nos Estados Unidos. E o mesmo pode ser dito sobre a Grã-Bretanha.

De qualquer forma, seria uma idéia maluca enviar a frota de Sua Majestade Britânica contra a América do Norte soviética, mesmo contra o sul do continente, mais conservador. Seria inútil e nunca iria além de uma incursão militar da segunda ordem.Poucas semanas ou meses depois que os sovietes se estabelecessem na América do Norte, o pan-americanismo se tornaria uma realidade política.

Os governos da América Central e do Sul seriam atraídos para a sua federação como ferro pelo ímã. O mesmo aconteceria com o Canadá. Os movimentos populares desses países seriam tão fortes que promoveriam esse grande processo unificador em um período muito curto e a um custo insignificante. Estou disposto a apostar que o primeiro aniversário dos sovietes norte americanos encontraria o Hemisfério Ocidental transformado nos Estados Unidos soviéticos das Américas do Norte, Central e do Sul, com sua capital no Panamá. Pela primeira vez, a Doutrina Monroe adquiriria um peso total e positivo nos assuntos mundiais, embora não o previsto por seu autor.

Apesar dos choramingos de alguns dos seus arquiconservadores, Roosevelt não está preparando a transformação soviética dos Estados Unidos.

A NRA [4] não pretende destruir, mas sim fortalecer as bases do capitalismo norte americano, ajudando as empresas a superar suas dificuldades. Não será a Águia Azul, mas as dificuldades que ela é incapaz de superar, o que trará o comunismo para os Estados Unidos. Os professores “radicais” de vosso trust de cérebros [5]não são revolucionários; são apenas conservadores assustados. Seu presidente abomina “os sistemas” e “as generalidades”. Mas um governo soviético é o maior de todos os sistemas possíveis, uma gigantesca generalidade em ação.

O homem comum também não gosta de sistemas ou generalidades. A tarefa de seus estadistas comunistas será fazer com que o sistema produza os bens concretos que o homem comum deseja: sua comida, seus charutos, suas diversões, sua liberdade de escolher as gravatas, a casa e o carro de que gosta. Será muito fácil fornecer-lhe esses confortos na América do Norte soviética.A maioria dos norte americanos está desorientada pelo fato de que na União Soviética tivemos de construir indústrias básicas inteiras, partindo do nada. Tal coisa não poderia acontecer nos Estados Unidos, onde já se é forçado a reduzir as áreas cultivadas e a produção industrial. De fato, seu tremendo aparato tecnológico está paralisado pela crise e exige ser colocado de volta em uso. O ponto de partida do ressurgimento econômico poderá ser o rápido aumento no consumo de seu povo.

Estão mais preparados do que qualquer outro país para alcançá-lo. Em nenhum lugar o estudo do mercado externo se tornou tão intenso quanto nos Estados Unidos. Ele vai para os estoques acumulados pelos bancos, trusts, empresários, comerciantes, viajantes comerciais e fazendeiros.

Seu governo soviético simplesmente abolirá o segredo comercial, combinará todas as descobertas dessas investigações feitas em função do lucro privado e as transformará em um sistema científico de planejamento econômico. Para isso, terá a colaboração de uma grande classe de consumidores instruídos e críticos. A combinação de indústrias-chave nacionalizadas, o comércio privado e a cooperação do consumidor democrático produzirá rapidamente um sistema altamente flexível para atender às necessidades da população.

Nem a burocracia nem a polícia irão operar esse sistema; será feito pelo dinheiro duro e frio.Seu todo-poderoso dólar terá um papel fundamental no funcionamento do novo sistema soviético. É um grande erro misturar a “economia planejada” com a “emissão dirigida”. A moeda terá que ser o regulador que mede o êxito ou o fracasso do planejamento.

Seus professores “radicais” estão mortalmente equivocados com sua devoção à “moeda dirigida”. Essa ideia acadêmica poderia facilmente liquidar todo o seu sistema de distribuição e produção. Essa é a grande lição a ser aprendida com a União Soviética, onde a necessidade amarga se tornou uma virtude oficial no reino do dinheiro.

A falta de um rublo de ouro estável é uma das causas fundamentais de muitas das dificuldades e catástrofes econômicas. É impossível regular salários, preços e qualidade das mercadorias sem um sistema monetário firme. Ter um rublo instável em um sistema soviético é o mesmo que ter moldes variáveis ​​em uma fábrica que funciona em série. Não funciona.

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Só será possível abandonar a moeda de ouro estável quando o socialismo conseguir substituir o dinheiro por um sistema de controle administrativo. Então o dinheiro será um vale comum e corrente, como a passagem de ônibus ou a entrada do teatro. À medida que o socialismo avance, esses vales também desaparecerão; o controle não será mais necessário, nem em dinheiro nem administrativamente, no consumo individual, já que haverá bens suficientes para satisfazer as necessidades de todos!

Ainda não estamos nessa situação, embora certamente os Estados Unidos cheguem antes de qualquer outro país. Até lá, a única maneira de alcançar esse nível de desenvolvimento será manter um regulador e medidor efetivo do funcionamento do seu sistema. De fato, durante os primeiros anos, uma economia planejada precisa, ainda mais do que o antigo capitalismo, de dinheiro efetivo. O professor que regula a unidade monetária com o objetivo de regular todo o sistema econômico é como o homem que tentou levantar os dois pés do chão ao mesmo tempo.

A América do Norte soviética contará com reservas de ouro suficientes para estabilizar o dólar, o que é uma vantagem inestimável. Na Rússia, aumentamos a produção industrial em vinte e trinta por cento anualmente; mas, devido à fraqueza do rublo, não conseguimos efetivamente distribuir esse aumento. Isso ocorre em parte porque permitimos que a burocracia subordine o sistema monetário às necessidades administrativas. Vocês economizarão esse mal. Consequentemente, nos superarão muito, tanto na produção quanto na distribuição, o que levará a um rápido avanço no bem-estar e na riqueza da população.

Em tudo isso, não precisarão imitar nossa produção padronizada para nossa massa pobre de consumidores. Recebemos da Rússia czarista um legado de pobreza, um campesinato culturalmente sub-desenvolvido com um baixo padrão de vida. Tivemos que construir fábricas e represas às custas de nossos consumidores. Sofremos uma inflação monetária contínua e uma burocracia monstruosa.

A América do Norte soviética não terá que imitar nossos métodos burocráticos. Entre nós a falta do mais elementar produziu uma luta intensa para conseguir um pedaço extra de pão, um pouco mais de tecido. Nesta luta, a burocracia impõe-se como conciliadora, como árbitro todo-poderoso. Mas vocês são muito mais ricos e terão pouca dificuldade em atender às necessidades de todas as pessoas. Mais ainda; suas necessidades, gostos e hábitos nunca permitiriam que a burocracia distribuísse a riqueza nacional. Quando organizarem sua sociedade para produzir com base nas necessidades humanas e não nos lucros individuais, toda a população se reunirá em novas tendências e grupos que lutarão entre si e impedirão que uma burocracia todo-poderosa se imponha a eles.

Assim, a prática dos sovietes, isto é, da democracia, a forma mais democrática de governo alcançada até hoje, impedirá o avanço do burocratismo. A organização soviética não pode fazer milagres; simplesmente deve refletir a vontade do povo. Entre nós, os sovietes foram burocratizados como resultado do monopólio político de um único partido, transformaram-se em burocracia. Esta situação foi a consequência das dificuldades excepcionais enfrentadas pelo início da construção socialista num país pobre e atrasado.

Os sovietes norte americanos estarão cheios de sangue e vigor, sem necessidade ou oportunidade para que as circunstâncias imponham medidas como as que foram adotadas na Rússia. É evidente que os capitalistas que não se regeneram nem terão lugar na nova ordem. É um pouco difícil imaginar Henry Ford dirigindo o Soviete de Detroit.

No entanto, não é apenas concebível, mas inevitável que uma grande luta de interesses, grupos e ideias seja desencadeada. Os planos de desenvolvimento econômico anual, quinquenal e decenal; os esquemas nacionais de educação; a construção de novas linhas básicas de transporte; a transformação das fazendas; o programa para melhorar a infra-estrutura tecnológica e cultural da América Latina; o programa de comunicação espacial; a eugenia, tudo isso despertará controvérsias, lutas eleitorais enérgicas e debates acalorados em jornais e reuniões públicas.

Pois na América do Norte soviética não haverá monopólio da imprensa por parte dos chefes da burocracia como na Rússia soviética. A nacionalização de todas as gráficas, fábricas de papel e distribuidores seria uma medida puramente negativa. Significaria simplesmente que o capital privado não pode mais decidir quais publicações fazer, sejam progressivas ou reacionárias, “úmidas” ou “secas”, [6] puritanas ou pornográficas. A América do Norte soviética terá de encontrar uma nova solução para o problema de como o poder da imprensa deve funcionar em um regime socialista. Isso poderia ser feito com base na representação proporcional aos votos em cada eleição para os sovietes.

Assim, o direito de cada grupo de cidadãos de usar o poder da imprensa dependeria de sua força numérica; o mesmo princípio se aplicaria ao uso de salas de reunião, rádio e assim por diante.Desta forma, a administração e a política de publicações não seriam decididas pelos talões de cheques individuais, mas pelas idéias dos diferentes grupos. Isso pode levar a que se tenha pouca consideração aos grupos numericamente pequenos, mas importantes, porém implica a obrigação de cada nova ideia de abrir caminho e demonstrar seu direito à existência.

A rica América do Norte soviética poderá alocar um monte de dinheiro para pesquisa e invenção, para descobertas e experimentos em todos os campos. Não deixarão de lado seus arquitetos e escultores audaciosos, seus poetas e filósofos não convencionais.

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Na realidade, os ianques soviéticos do futuro liderarão a Europa nas mesmas áreas em que a Europa tem sido sua professora até agora. Os europeus têm uma idéia muito pobre de como a tecnologia pode influenciar o destino humano e adotaram uma atitude de superioridade desdenhosa em relação ao “norte americanismo”, particularmente depois da crise. E, no entanto, o norte americano marca a verdadeira linha divisória entre a Idade Média e o mundo moderno.

Até agora, na América do Norte, a conquista da natureza foi tão violenta e apaixonada que não tiveram tempo de modernizar suas filosofias ou desenvolver suas próprias formas artísticas. Até agora têm sido hostil às doutrinas de Marx, Hegel e Darwin. A queima da obra de Darwin pelos batistas do Tennessee [7] é apenas um pálido reflexo da rejeição das doutrinas evolucionistas pelos norte americanos. Essa atitude não se limita aos seus púlpitos. Ainda é parte da sua constituição mental.

Tanto seus ateus quanto seus quakers são decididamente racionalistas. E esse mesmo racionalismo é enfraquecido pelo empirismo e pelo moralismo. Não tem nada da implacável vitalidade dos grandes racionalistas europeus. É por isso que seu método filosófico é ainda mais antiquado do que seu sistema econômico e suas instituições políticas.

Hoje, despreparados para isso, vocês são forçados a enfrentar as contradições que, sem que se suspeite, surgem em toda sociedade. Conquistaram a natureza com as ferramentas que seu gênio inventivo criou apenas para descobrir que suas ferramentas destruíram tudo, exceto seu povo. Ao contrário de todas as esperanças e desejos, sua riqueza sem precedentes produziu infortúnios sem precedentes. Descubriram  que o desenvolvimento social não segue uma fórmula simples. Então se viram jogados na escola da dialética, para ficar lá.

Não há como voltar atrás, ao modo de pensar e agir predominante nos séculos XVII e XVIII.Enquanto os tolos românticos da Alemanha nazista sonham em restaurar a pureza original, ou melhor, a imundície original da antiga raça da Selva Negra europeia, vocês, os norte americanos, depois de dar um salto firme em sua economia e em sua cultura, aplicarão métodos científicos genuínos ao problema da eugenia. Dentro de um século, da mistura de raças surgirá um novo tipo de homem, o primeiro a merecer o nome de Homem.E uma profecia final: no terceiro ano do governo soviético na América do Norte, já não mascarão chicletes!

[1] Si Norteamérica se hiciera comunista. Liberty, 23 de marzo de 1935. Este artigo foi escrito para um grande público americano, durante a Grande Depressão, quando milhões de pessoas se tornaram radicais e interessadas em aprender o que era o marxismo e o que significava a revolução socialista nos Estados Unidos. Foi na metade do segundo ano do regime do New Deal, imposto por Franklin D. Roosevelt, quando o movimento operário começou a levantar-se, mas antes que o Comitê para a Organização Industrial (CIO) fosse organizado. Uma nota editorial de Liberty apontou: Não acreditem em uma palavra sobre tudo isso! Leia a resposta do ex-secretário do trabalho Davis na próxima semana. ”

[2] A tecnocracia foi um programa e um movimento norte americano muito difundido nos primeiros anos da depressão, especialmente na classe média. Ele propôs superar a depressão e alcançar o pleno emprego nos Estados Unidos, racionalizando a economia e o sistema monetário sob o controle de engenheiros e técnicos, todos sem luta de classes ou revolução. O movimento foi dividido em duas alas, uma à esquerda e outra à direita, desenvolvendo tendências fascistas.

[3] Herbert Hoover (1874-1964), predecessor republicano de Roosvelt, foi o trigésimo primeiro presidente de Estados Unidos.

[4] National Recovery Administration (NRA, Administración de Recuperación Nacional). Foi criada em 1933 como uma agência do New Deal para preparar e reforçar os códigos de comércio e indústria de práticas leais. Ao mesmo tempo, estabeleceu um salário mínimo e um máximo de horas de trabalho e apoiou o direito dos trabalhadores de se unirem a um sindicato, mas era fundamentalmente uma ajuda para os empresários, no sentido de permitir que estabelecessem níveis de qualidade e preços máximos das mercadorias. O símbolo da NRA era uma águia azul. A Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegal em maio de 1935.

[5] Trust de cerebros era o nome popular dos conselheiros de Roosevelt em Estados Unidos.

[6] De 1920 a 1933, os Estados Unidos eram formalmente “secos”, isto é, a venda de bebidas alcoólicas era proibida por uma emenda constitucional. Em 1933 a emenda foi abolida e o país tornou-se “molhado” novamente.

[7] A queima dos trabalhos de Darwin refere-se a leis que proibiam o ensino da teoria da evolução nas escolas públicas. O julgamento de 1925 Scopes em Dayton, Tennessee, foi o mais dramático dos protestos legais contra essas leis repressivas. 

[1] Na mitologia grega,  Procusto é um bandido que assalta viajantes e os obriga a se deitar em seu leito de ferro. Caso a vítima seja maior que o leito, Procusto amputa o excesso de comprimento: se é menor, estica. Como nenhuma pessoa é exatamente do tamanho da cama, ninguém sobrevive. https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/principios-e-dogmas-a-etica-e-o-leito-de-procusto.htm

Tradução: Nea Vieira