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No dia 5 de maio completaram-se 200 anos do nascimento de Karl Marx em Tréveris, na Alemanha. Foi, sem dúvida, um dos homens que teve maior influência na história dos séculos XIX, XX e XXI. Junto com Friedrich Engels, seu amigo e camarada de elaboração teórica, política e militância, ao longo de suas vidas construíram uma corrente de pensamento e ação (o marxismo) que hoje se mantém mais vigente do que nunca.

Por: Alejandro Iturbe

Inclui, evidentemente, seus estudos críticos sobre a economia capitalista e suas leis de funcionamento. Especialmente “O Capital”, uma obra monumental que ele não chegou a completar, mas que ainda assim não foi superada (mesmo tendo sido complementada por outros trabalhos, como o livro de Lenin sobre o imperialismo). Quem quiser entender com profundidade a situação atual do capitalismo (e a necessidade de superá-lo como estágio do desenvolvimento econômico-social da humanidade) deve partir imprescindivelmente dessas elaborações de Marx.

Há também seus numerosos escritos filosóficos. Baseado em uma concepção materialista, Marx combate as visões idealistas e os enfoques religiosos da história. Ao mesmo tempo, tira o materialismo da camisa de força da metodologia mecânico-formal em que estava aprisionado e o eleva a um nível superior ao incorporar-lhe as ferramentas da dialética, construindo assim uma síntese, até agora não superada, de construção do pensamento para compreender a realidade: o materialismo dialético.

Há, finalmente, o corpo central de suas ideias, que organiza todas as suas elaborações múltiplas e complexas: o Marx militante revolucionário. Um caminho que se inicia com uma premissa filosófica em sua juventude: “Até agora os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, mas o que importa é transformá-lo” (XI Tese sobre Feuerbach, 1845). Esta conclusão da necessidade de transformar o mundo capitalista o levou, baseado em um estudo científico da realidade, a outra conclusão, expressa no Manifesto Comunista (1848): o sujeito dessa transformação histórica era a moderna classe operária desenvolvida pelo capitalismo. E o caminho para fazê-lo era o da revolução: a tomada do poder por meio da insurreição da classe operária e a destruição do Estado burguês como início da transformação radical das bases econômico-sociais para chegar primeiro a uma sociedade socialista e, mais tarde, à sociedade comunista.

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A partir daí, desde que fundou junto com Engels a Liga dos Comunistas (1847), ele intervém e ajuda a orientar (ou debater com outras correntes o que considerava a orientação necessária) os processos mais importantes de organização e luta da classe operária da época, como a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT ou Primeira Internacional, em 1864) e a primeira tentativa de revolução operária (a Comuna de Paris em 1871).

A Comuna foi derrotada. O próprio Marx escreveu conclusões e lições que era necessário extrair dos erros cometidos nesta experiência. Desenvolvendo essas conclusões e contribuindo com novas considerações, uma nova geração de seus discípulos (Lenin e Trotsky) vão dirigir, em 1917, a primeira revolução operária triunfante e a construção do primeiro Estado operário da história. O balanço desta experiência e seu curso posterior continuam sendo hoje objeto de intenso debate. Mas é parte inseparável do já longo caminho iniciado por Marx.

Os ideólogos do capitalismo e seus jornalistas pagos pretenderam, na década de 1990, afirmar que, tal como dizia ironicamente uma música de Joan Manoel Serrat, “Marx estava morto e enterrado” porque o “capitalismo havia triunfado”. O curso posterior da realidade capitalista mostrou que, longe dessa bravata literária, suas análises e conclusões mantêm uma vigência absoluta e seus trabalhos devem ser estudados mais do que nunca (pelo menos para compreender a realidade).

Alguns supostos “marxistas” tentaram esterilizar o Marx revolucionário e deformam suas ideias para propor “humanizar o capitalismo”. Outros nos dizem que o aspecto revolucionário de suas propostas continua sendo válido, mas para aplicar num futuro indeterminado. Propõem que a tarefa atual é “democratizar” o capitalismo… e acabam juntando-se com os anteriores.

Pelo conteúdo profundo de sua elaboração teórica e de sua ação política, temos certeza que Marx repudiaria essas propostas, com a profundidade, a dureza e também a ironia que o caracterizavam nas polêmicas.

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De nossa parte, continuamos sendo orgulhosamente “marxistas ortodoxos”. Ou seja, tentamos ser marxistas no pensamento e também marxistas na ação de “transformar o mundo” com a luta de classes através da revolução operária e socialista.

Tradução: Nadini Tavares