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Sob intenso calor do interior de São Paulo, teve início na manhã deste 3 de outubro o 4° Congresso da CSP-Conlutas, em Vinhedo (SP). Várias delegações ainda chegavam quando os trabalhos do Congresso foram abertos.

Por Jeferson Choma

No momento da abertura havia aproximadamente 2 mil delegados inscritos de 24 estados do país. São representantes dos mais distintos setores da classe trabalhadora brasileira da cidade e do campo, vindos de todas as regiões, que estão reunidos para construir uma agenda de lutas contra o governo Bolsonaro-Mourão e seu projeto de transformar o país em uma colônia dos Estados Unidos, acabar com os nossos direitos trabalhistas e com a educação, destruir a Amazônia e realizar um genocídio dos camponeses, povos originários e quilombolas.

Como expressão do internacionalismo operário a que marca a central desde sua fundação, também há a presença de delegações internacionais do Sudão, Costa do Marfim, Palestina, Itália, Espanha, França, Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru, entre outros países.

Pela manhã, na mesa de abertura do Congresso ocorrerem dois momentos. O primeiro com as falas das centrais sindicais convidadas a dar a sua saudação aos delegados, e o segundo marcado pela saudação dos representantes dos partidos políticos.

Estiveram presentes representantes das centrais CGTB, NCST, CTB, Força Sindical, Intersindical Central e Intersindical Instrumento de Luta, além dos partidos PSTU, PSOL e POR e a organização internacional Rede Sindical de Solidariedade e Lutas. O dirigente da CUT Sérgio Nobre enviou uma saudação ao Congresso.

Partidos
Em sua fala representando o PSOL, Israel Dutra lembrou da campanha de solidariedade política aos presos políticos argentinos, como Daniel Ruiz. Falando sobre a situação mundial, Israel realizou um duro ataque aos setores da esquerda que defendem a repressão da China sobre as manifestações realizadas pelos estudantes de Hong Kong.

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Também representando o partido, o professor João Zafalão explicou que os primeiros 8 meses do governo Bolsonaro foram marcados pelo ataque às liberdades democráticas e o aumento da repressão sobre os trabalhadores e os pobres. No entanto, em sua opinião, a CSP-Conlutas deveria defender a libertação de Lula. “Não está preso pela corrupção, mas está preso por ataque pela direita para favorecer Bolsonaro“, disse.   Desse modo, a fala do representante do PSOL antecipou uma das polêmicas que serão travadas no congresso.
Gustavo, representante do Partido Operário Revolucionário (POR), também fez a sua saudação aos delegados. “Nós do POR compareceremos a este congresso disciplinados, diante da defesa do governo operário camponês e do socialismo“, disse.

“Nós não vamos deixar!”  
Representando o PSTU, Vera Lúcia empolgou os delegados em vários momentos de sua fala. Vera lembrou que a CSP-Conlutas tem uma característica toda particular, e que ela não é apenas uma central sindical. “Ela reúne no seu interior o conjunto da classe trabalhadora que empregada e desempregada. Reúne os trabalhadores diretos e terceirizados, àqueles que estão na economia informal, trabalhadores da cidade e do campo“, disse.

Segundo Vera, a tarefa do Congresso “é discutir, planejar e elaborar e executar as lutas contra o governo e o projeto de Bolsonaro e Mourão que é de entrega do país, de ataque aos direitos da classe trabalhadora e da volta da escravidão. Nós não vamos deixar!“. Também defendeu o direito de autodefesa dos povos indígenas que lutam por seus territórios e defendem a floresta Amazônica.

 

Mas Vera explicou que o grande inimigo da classe trabalhadora é o sistema capitalista, e que as lutas mais imediatas e sentidas da população precisam estar articuladas com a estratégia geral de derrubar esse sistema que está em profunda decadência.
Enquanto a gente se organiza pra lutar pelo nosso direito a terra, a educação, contra a dívida pública, contra as privatizações, a gente também deve lutar contra o sistema capitalista. Por que ele é o responsável por essa situação. O Estado capitalista é assassino e opressor. E ele mata e não é de agora“, disse sob aplausos. Segundo Vera, Bolsonaro e seu preconceito, machismo e LGBTfobia expressa  “a cara mais escarrada e deslavada desse sistema“.

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Por fim, defendeu que a luta contra o governo precisar se dar simultaneamente com a construção de uma alternativa de poder socialista. “Enquanto nos organizamos em nosso sindicato, em nossa associação de moradores, movimento estudantil, no movimento popular, na luta pela terra e pela sua demarcação, precisamos nos organizar também pra destruir o sistema capitalista. Precisamos nos organizar por que a gente precisa fazer nesse país uma revolução”, disse.

A última fala foi realizada por Rejane de Oliveira, que representou a Secretaria Executiva da CSP-Conlutas. Rejane falou sobre o momento político do país em que se realiza o Congresso da CSP-Conlutas.

Estamos lutando contra um governo que tenta autorizar a violência contra aqueles que lutam pelos seus direitos, lutam por justiça social e distribuição de renda. Mas também estamos realizando nosso congresso no marco do ascenso da luta de classe. Em janeiro de 2019, nós não imaginávamos que a 6 meses de governo a classe trabalhadora estaria realizando uma greve geral. Que as mulheres realizariam um grande 8 de março, ou que haveria um tsunami da educação defendendo a educação pública e de qualidade“, explicou.

Rejane também salientou a necessidade de se lutar pelo fim do capitalismo. “Nós sabemos defender e lutar pelos direitos imediatos das nossas categoriais. Mas a CSP-Conlutas também sabe que sua tarefa, que é a maior de todas, é derrotar o capitalismo e construir o socialismo. Não existe possibilidade de justiça social, acabar com a exploração ou de felicidade ou liberdade sem derrotar o capitalismo“, disse.

Também falou sobre o desafio da central a respeito de avançar no seu fortalecimento e construção “E se as direções não souberem qual é o seu papel neste momento, temos que chamar a base da classe trabalhadora e dos movimentos sociais pra CSP-Conlutas, e assim cumprir o seu papel que é chamar os trabalhadores às ruas e derrotar o projeto neoliberal, de ultradireita e fascista do governo Bolsonaro“, disse.