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Solução imediata para as demandas dos moradores de Fuerabamba!

O GOVERNO DE MARTÍN VIZCARRA AMEAÇA aos moradores de Fuerabamba (Apurímac) com uma repressão com terríveis consequências. A razão? Defender o dinheiro de Minerals and Metals Group ( MMG), empresa que explora “ Las Bambas”, a segunda mina de cobre mais importante do país.

Por: PST-Peru

O Problema

A comunidade de Fuerabamba (APURÍMAC) protesta pelo uso, por parte de MMG- Las Bambas, de uma estrada que atravessa o Fundo Yavi Yavi ( Chumbivilcas – Cusco). Esse terreno foi entregue a comunidade como compensação pela perda de território utilizado pela concessão mineira.

Em consequência, a comunidade exige que se compense com dinheiro, o custo de um terreno que, havendo sido dado para remediar o impacto da mina na comunidade, não foi suficiente para os fins que  necessitavam, devido a passagem de 300 caminhões diários carregados de mineral. Transporte que provoca contaminação ambiental.

Um governo a serviço de MMGG – Las Bambas.

Mas o problema não para aí. MMG – Las Bambas se recusa a pagar o que a comunidade exige, usando como pretexto que a estrada, é uma estrada nacional, ou seja, parte das rodovias do país e por tanto de uso público.

Acontece que o governo de Vizcarra declarou convenientemente, no ano passado, a estrada que atravessa o Sítio Yavi Yavi como “via nacional”.

Vizcarra anuncia repressão.

Bastaria isso para evidenciar que Vizcarra e seus ministros – os que se foram e os que ainda estão – são agentes do empresariado e em particular dos interesses das mineradoras do país.
Mas o assunto não para aí, depois de 200 dias de reinício do conflito, e mais de 50 dias de início do bloqueio da passagem de caminhões da MMG-Las Bambas pelo Fundo Yavi Yavi, o governo transferiu policiais e membros do exército para “resguardar” a entrada da mina, onde estava um piquete de moradores e moradoras que participavam do protesto.

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Como vimos tantas vezes ante ( Conga, Tua Marta, Espinar, Bagua…)  o tal “resguardo” na realidade é a preparação de uma ação repressiva que busca liberar a estrada para que os caminhões da MMG – Las Bambas voltem a passar.

Ao mesmo tempo, com a intenção de criminalizar os dirigentes, e criar confusão, prenderam Gregório Rojas, presidente da comunidade de Fuerabamba, junto com Jorge e Franck Chávez, advogados da comunidade, depois de participarem do “diálogo” estabelecido com o Ministério de Energias e Minas em Lima. Do que estão sendo acusados? De ser uma “organização criminosa” que planejou o bloqueio da estrada em Yavi Yavi como forma de “extorquir” a MMG-Las Bambas.

Com isso Vizcarra e cia – que se escondem atrás da suposta “independência” do Ministério Público- abrem precedentes na criminalização da luta social, ao estilo Macri na Argentina.

Unir as lutas para derrotar a repressão que Vizcarra planeja contra os Moradores e Moradoras de Fuerabamba.

Está evidente que o único interesse do governo, que em suas declarações se mostra partidário de “dialogar”, mas que prende os dirigentes do protesto e enche a zona de conflito com policiais e militares do exército, é defender os interesses da MMG – Las Bambas, contra os interesses do povo de Fuerabamba.

Nisso Vizcarra não é original: Faz a mesma coisa quando defende os interesses do empresariado contra a classe operária ao promulgar a “Política nacional de competitividade e produtividade” (D.S. 345-2018-EF), base da “reforma trabalhista” que pretende legalizar a demissão arbitrária.

Por isso, a classe operária só pode colocar-se ao lado dos moradores de Fuerabamba nesta disputa que coloca na nossa frente, os mesmos inimigos que enfrentamos dia a dia: as empresas e o governo.

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DIZEMOS ALTO E CLARO: VIZCARRA SERÁ O RESPONSÁVEL SE COMO EM TANTAS VEZES, O CONFLITO EM YAVI YAVI TERMINAR COM MORTOS E FERIDOS.

É urgente que os dirigentes nacionais concretizem uma unidade na luta com a população de Fuerabamba contra a repressão de Vizcarra, inimigo do povo pobre do campo e da cidade. Não podemos afirmar que o governo “atua bem” contra a corrupção, mas “atua mal” com os trabalhadores e o povo de Fuerabamba: O governo é um só e Vizcarra é a sua cabeça. A dia de luta de 3 de abril deve colocar-se ao serviço da necessidade de derrotar a política de Vizcarra para Fuerabamba, sua política para a “reforma trabalhista” sua falsa política “anticorrupção” que só ataca um lado.

Nós do PST chamamos a classe operária, que vem sofrendo os ataques da patronal com demissões coletivas abusivas, a se solidarizar e se mobilizar em defesa do povo Fuerabambino. Ninguém mais pode levantar as bandeiras da solidariedade com a comunidade fuerabambina de forma mais legítima que a classe operária. Afirmamos que o direito do povo Fuerabambino de velar pelos seus interesses recorrendo às medidas de luta que considere conveniente é o mesmos que nos corresponde como trabalhadores e trabalhadoras quando fazemos greve e de maneira cínica a patronal nos acusa de violentos ou vagabundos.

Respaldamos a comunidade de Fuerabamba em suas reivindicação de fim imediato do estado de emergência que impõe o governo desde o ano passado, a liberação imediata de seu presidente Gregorio Rojas e seus assessores, fatos que não amedrontam os moradores, exatamente o contrário. Levou o conflito a uma escalada desatando uma crise que se estende com a luta de novos povoados vizinhos e pronunciamentos de solidariedade regionais.

Se o governo, a mineração e todo o aparato judicial e midiático que se montou para liquidar a luta popular ganharem, aumentará a ambição para impor uma “reforma trabalhista” mais exploradora. Por isso é indispensável derrotar a ameaça repressiva que o governo lança sobre a população do lugar. Uma vitória da luta do povo fuerabambino nos aproximará mais da derrota do governo afirmando a luta da classe operária contra a reforma trabalhista anunciada por Vizcarra.

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Tradução: Vitor Jambo