O Governo propôs adiar a data das eleições PRIMÁRIAS, ABERTAS, SIMULTÂNEAS E OBRIGATÓRIAS (PASO) e das eleições gerais argumentando razões sanitárias (a pandemia) e econômicas (o custo das mesmas). Isto gerou um debate com diferentes posicionamentos por parte da oposição patronal e também das forças que integram a Frente de Esquerda dos Trabalhadores – Unidade (FIT-U). 

Por: PSTU-Argentina

O PTS, tanto através de declarações de Nicolás del Caño como em suas publicações em La Izquierda Diario, criticou a hipocrisia dos argumentos do governo nacional e dos governadores para adiá-las. Mas longe de orientar a crítica e a denúncia e o questionamento das PASO e do antidemocrático sistema eleitoral do qual estas são parte, de denunciar seu caráter impeditivo em relação à qualquer partido operário ou de esquerda que queira apresentar-se, sua posição é…defendê-las! Guillo Pistonesi, representante do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), esclareceu que seu partido está “contra a eliminação das PASO que querem impor os governadores” (1).  Isto é, para o PTS trata-se de defender uma suposta conquista democrática atacada pelos governadores e que no melhor dos casos deveria ser reformada ou melhorada: “não obstante isso, sempre continuaremos nos opondo do patamar impeditivo do 1,5 para chegar às gerais”. (2)

As PASO não tem nada de progressivo

Curiosamente a FIT surgiu denunciando o caráter impeditivo e antidemocrático das PASO e foi uma das razões fundamentais que forçou a constituí-la, superar este novo obstáculo que estabeleciam à participação da esquerda nas eleições gerais. Por outro lado, estas também foram criadas para recompor o regime bipartidário desgastado pelo Argentinaço e pelo grande desprestígio e crise da União Cívica Radial (UCR) e o Partido Justicialista (PJ), seus principais pilares. Buscava-se recriar as ilusões nesta “democracia de ricos” onde os diferentes setores patronais buscam resolver suas brigas por seus interesses e candidatos apelando à “participação popular”.  Por isso as PASO foram sempre uma nova reviravolta deste sistema eleitoral reacionário para burlar a representação dos trabalhadores e do povo pobre e isso é o que o PTS deveria dizer,

Porém já em 2015 ocorreu uma primeira ruptura na posição do PTS e da FIT. O PTS apelou para o mecanismo das PASO para impor suas candidaturas na frente. Como nós do PSTU dissemos naquele momento, ao invés de utilizar qualquer metodologia operária (assembleias e plenárias de trabalhadores e lutadores de esquerda, por exemplo), se abonou o uso desta metodologia burguesa. Talvez isso explique a enfática defesa das PASO pelo PTS agora.

O PTS é uma organização que se apresenta como trotskista e revolucionaria, porém sua adaptação aos mecanismos da democracia burguesa e ao jogo eleitoral o está empurrando cada vez mais longe dessas posições. Ao invés de aproveitar a ocasião para desmascarar perante os/as trabalhadores/as os mecanismos fraudulentos desta democracia mentirosa a serviço dos grandes empresários e do imperialismo, semeia expectativas neles. É o oposto do que propunha a Terceira Internacional: “Nesta luta de massas, chamada a transformar-se em guerra civil, o partido dirigente do proletariado deve, por via de regra, fortalecer todas suas posições legais, transformá-las em pontos de apoio secundários de sua ação revolucionária e subordiná-las (…) à luta de massas. 11.- A tribuna do parlamento burguês é um desses pontos de apoio secundários.(…) O Partido Comunista entra nela não para dedicar-se a uma ação orgânica, mas para sabotar a partir de dentro a máquina governamental e o parlamento.” (3)

Notas:

1- El FIT sin posición unificada ante las PASO. Página 12, 11/3/21

2- Idem.

3- El partido comunista y el parlamentarismo, (II Congreso de la III Internacional).

Tradução: Lilian Enck