Entidades como o Comitê de Solidariedade com a Palestina e o Panteras Rosa não querem que o Queer Lisboa seja associado a um estado que promove a violência contra o povo palestino. 
 
No passado dia 17 de Setembro teve início a 14ª edição do Queer Lisboa, festival de cinema gay, lésbico, bissexual e transgênero (LGBT). Este surge por força do movimento LGBT e foi uma vitória desse movimento na luta contra as discriminações em função da orientação sexual e da identidade de gênero em Portugal. Desta forma, não queremos ver o Queer associado a um Estado racista e assassino como o de Israel através do apoio financeiro que vem sendo dado pela embaixada deste país ao festival.
 
Sendo o estado de Israel responsável pela ocupação militar da Palestina e pela repressão e guerra contra os povos árabes, transformando Gaza num gigantesco campo de concentração, sem acesso a bens essenciais à sobrevivência da sua população, várias organizações de apoio à causa palestina e do movimento LGBT resolveram manifestar-se pela rejeição deste apoio. Com este objetivo, para que a direção do festival recuse o apoio financeiro dado pela embaixada israelita, estas entidades organizaram uma manifestação em frente ao Cinema São Jorge, em Lisboa, na noite da sua abertura.
 
Estiveram presentes ao protesto cerca de trinta pessoas, a empunhar faixas e distribuir um panfleto, assinado por várias organizações e personalidades, intitulado “Não à associação do Queer Lisboa com o criminoso apartheid israelita”, a explicar as razões daquele ato. Um dos subscritores do panfleto foi o realizador canadiano John Greyson, premiado na última edição do Queer Lisboa, mas que, ao saber da existência do apoio da embaixada israelita, retirou o seu filme desta edição do festival, para que o seu trabalho não esteja associado ao estado sionista.
 
Participaram da organização da manifestação, entre outras entidades, o Comitê de Solidariedade com a Palestina, o Panteras Rosa e o Coletivo Múmia Abu Jamal. A aceitação do público ao protesto foi bastante favorável, interessando-se, em muitos casos, em conhecer melhor as suas motivações. Mesmo assim, tudo indica que a organização do festival não recue e mantenha o apoio da embaixada israelita ao festival.
 
Um apoio com segundas intenções
 
Há alguns anos que o estado de Israel inclui na sua política externa o apoio a eventos culturais vinculados ao movimento LGBT, na tentativa de dar um aspecto mais progressista à sua política externa, com o objetivo de angariar simpatia junto à população dos países imperialistas, demarcando-se da maioria dos países do Oriente Médio que, de forma reacionária, reprimem as pessoas LGBT.
 
Da mesma forma, algumas multinacionais tentam lavar a cara nas principais marchas de orgulho LGBT e outros estados imperialistas vão fazendo algumas concessões, como no caso do casamento a pessoas do mesmo sexo, enquanto exploram e oprimem todos os trabalhadores do mundo.
 
De nossa parte, não podemos permitir que um estado utilize o movimento LGBT para lavar a cara de todos os crimes que cometeu e comete. O que nos separa é a classe, e não a etnia, gênero ou orientação sexual. Assim como os nazis reprimiram os judeus, os gays, os militantes de esquerda e os povos dos países ocupados para sustentarem a sua máquina de guerra em campos de trabalho forçado, hoje o estado israelita reprime o povo palestino para que o imperialismo tenha uma base militar no Oriente Médio e para que a burguesia israelita veja os seus lucros garantidos.
 
Toda a classe trabalhadora deve estar unida para lutar por um estado palestino livre, democrático e não racista, e lutar por um movimento LGBT independente e classista.
 
Fonte: Jornal Ruptura no. 111, setembro de 2010