Todo apoio aos trabalhadores operários – homens e mulheres!
A Ministra de Governo é Discriminadora e Opressora!
O gênero nos une, mas a classe nos divide!
 
O governo acusa os operários de discriminação contra uma mulher, porque exigem à renúncia da Ministra do Trabalho, Carmen Trujillo, usou a artimanha de colocar a Senhora Leonilda Zurita representante da federação de Mulheres Indígenas Bartolina Sisa, ao lado da ministra e na sua defesa, no canal 7, depois da greve nacional que os trabalhadores realizaram em rejeição aos 5% do governo.
 
Nós, mulheres estudantes e trabalhadoras do Grupo Luta Socialista, estamos ao lado dos homens e mulheres operários. Apoiamos com todas nossas forças sua luta por um aumento salarial de 12,5% e o pedido de renúncia da ministra. Apoiamos a luta de qualquer homem da classe trabalhadora e contra qualquer mulher que defenda uma política antioperária. Nossa luta não é de gênero, mas de classe. Entre os empresários privados, governo e sua ministra, que querem impor um miserável aumento de 5% para os salários e a luta dos operários, professores, etc., escolhemos estar a favor dos trabalhadores.
 
Não há discriminação no fato dos operários exigirem que a ministra saia. Leonilda Zurita se engana ao colocar as “Bartolinas” em defesa da ministra e, faz isto porque há muito tempo as bartolinas se transformaram em um braço do MAS e do governo. Nós mulheres da classe trabalhadora, indígenas, nativas, estudantes, não temos nenhuma obrigação na defesa de mulheres que atacam os pobres e oprimidos. Nunca estivemos a favor de Lídia Gueiler presidenta da Bolívia de 1979 a 1980, pela sua condição de mulher. Não defendemos as esposas dos fazendeiros em nosso país, do mesmo modo que não saímos em defesa das parlamentares de direita pelo fato de que sejam mulheres. Não emprestamos nenhum apoio a Hilary Clinton, Secretária de Estado dos EUA, pelo fato de ser mulher. Nesta sociedade machista e capitalista, o gênero nos une na luta contra a opressão, o machismo e a violência às mulheres. Mas a classe nos divide porque há mulheres burguesas, algumas a serviço de governos reformistas que enganam o povo.
 
Devemos lembrar e aprender com o triste capítulo que as “Barzolas” representaram na história da mulher na Bolívia. Estas mulheres do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário, NT), para defender as medidas do governo emenerrista [1] atacaram Domitila Chungara e as donas de casa das minas do Século XX, na sua luta por salários e pela liberdade de seus companheiros. Para defender o governo, as mulheres do MNR se opuseram à luta das mulheres mineiras. Agora, para defender o governo de Evo e a ministra do trabalho, a senhora Leonilda Zurita usando o nome das bartolinas, termina por se opor às operárias e operários e às suas justas reivindicações.
 
Apesar de ser mulher, a Ministra Carmen Trujillo com o aval do Presidente, encabeça uma proposta de reforma trabalhista (Código de Trabalho) absolutamenteantioperária. O Código que o governo tenta impor, promove a divisão dos trabalhadores, penaliza os trabalhadores em greve, restringe o direito à greve, facilita o fechamento de empresas, proíbe a greve do setor bancário, de gás, de luz e, dos serviços públicos, etc. Além disso, representa um duro ataque ao direito à licença maternidade das mulheres trabalhadoras.  No Artigo 64º do Anteprojeto do Código de Trabalho do governo apresentado pela Ministra, diz: “As trabalhadoras grávidas gozarão de um descanso pré-natal de 15 dias antes de darem a luz e, da mesma maneira gozarão de um descanso pós-natal de 75 dias após darem a luz”. Atualmente, as mães entram em licença médica um mês e meio antes do parto e permanecem de licença um mês e meio depois. Obrigar as operárias a trabalhar até 15 dias antes do parto é uma violência que põe em risco a vida da mãe e do bebê.
 
A luta dos trabalhadores homens e mulheres operários, dos professores, dos trabalhadores da saúde, em rejeição aos 5% e contra o Código merece todo nosso apoio e de toda a população por que 5% representa 32 bolivianos de aumento em um salário de 647 bolivianos. Qualquer mulher trabalhadora sabe que isso não é suficiente para a manutenção da família. O governo de Evo está tentando colocar a população contra os operários, ameaçando que um aumento superior a 5% vai gerar hiperinflação e colocar em risco os bônus Juancito Pinto e Juana Azurduy [2].
 
No entanto, o governo tem dinheiro para isso. O ministro da economia, Luis Arce, vive falando da boa situação econômica do país, o governo está comprando satélite, avião para o presidente, e destinou milhões para investimento em projetos de empresas privadas. O que o governo esconde é que, o ano passado o MAS fez alianças com vários setores empresariais para as eleições de 6 de dezembro. Setor que agora, pede ao governo que o aumento do salário não seja superior a 5%.
 
Os trabalhadores começam a dar-se conta que o governo que organizou a Conferência Climática em defesa dos direitos da mãe terra, anunciou o fim do neoliberalismo e do Estado colonizador, decretou a criação do Estado Multinacional e do socialismo comunitário, se recusa a dar 12% de aumento salarial, isto é, cumprir com o mínimo para que os trabalhadores não passem fome. A Ministra tem um salário de quase 15 mil bolivianos, os deputados do estado multinacional percebem 14.400 bolivianos por três semanas de trabalho, os operários têm um salário básico de 800 bolivianos. De qual lado devemos estar?
 
Por outro lado, o governo e seu ministro Sacha Lorentti estão penalizando os trabalhadores em luta. Quinze trabalhadores foram detidos no dia da greve nacional que aconteceu em todo o país. A polícia jogou bombas de gás nos manifestantes e até nos trabalhadores e trabalhadoras em greve de fome no sexto andar da Federação dos Trabalhadores Fabris. Nós estamos com os trabalhadores e apoiando sua luta.
E mais, o governo cooptou a direção da COB que está dando as costas aos trabalhadores em luta. Portanto, é preciso cercar de apoio e solidariedade as mulheres e homens operários em luta.
 
Viva a luta dos trabalhadores e trabalhadoras operários!
Derrotar os 5%! Por 12,5% de aumento salarial!
Mulheres: o gênero nos une, a classe nos divide!
 
La Paz, 5 de Maio de 2010
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Fonte: Jornal Luta Socialista
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 NT:
[1] governo do MNR (partido que foi fundado em 1941 por Víctor Paz Estenssoro);
[2] Planos assistenciais: Juancito Pinto – um bônus anual concedido as crianças do ensino fundamental por terem assistido as aulas; Juana Azurduy – um bônus para as grávidas (gravidez e os primeiros dois anos de vida do bebê).