Este ano, o dia 24 de Março (42º aniversario do golpe militar) acontece em um contexto de profunda revolta e lutas contra o governo.

 Por PSTU-Argentina

Os protestos contra o presidente Mauricio Macri se massificaram por todo o país em estádios de futebol, shows e no próprio 8 de Março.

Frente a essa situação, tem organizações que defendem que a solução dos problemas dos trabalhadores será votando em 2019 e outras organizações que afirmam que, para derrotar Macri, temos que continuar mobilizados nas ruas como fizemos nos dias 14 e 18 de Dezembro contra a reforma da Previdência.

Nós, do PSTU, estamos convencidos de que precisamos da maior unidade nas lutas. Derrotamos o 2×1 (redução de pena) dado aos genocidas, nas ruas, mobilizando mais de 500 mil pessoas, entre elas trabalhadores de esquerda, peronistas, kirchneristas, radicais e pessoas sem partido. Derrubamos a ditadura em 82, mobilizados nas ruas, gritando “vai acabar, vai acabar a ditadura militar” e derrubamos De la Rua em 2001, mobilizando e lutando nas ruas.

Acreditamos que dia 24 de Março será uma grande oportunidade para milhares e milhares de trabalhadores e organizações irmos às ruas e gritarmos bem forte que não queremos ditadura nunca mais, que não esquecemos, que não perdoamos, que não queremos reconciliação e que foram 30 mil desaparecidos.

Temos que ir às ruas e exigir, com determinação, justiça para Santiago Maldonado e Rafael Nahuel, gritar bem alto que não queremos mais mortos por repressão policial como Facundo Burgos de 11 anos. Que queremos prisão comum e perpétua para todos os genocidas e queremos liberdade aos que estão presos por lutar como Milagro Sala, Jone Huala e os companheiros detidos no 14 D. Temos que ir às ruas e exigir  com firmeza o fim da perseguição a todos os lutadores como nosso companheiro Sebastián Romero, Cesar Arakaki e Dimas Ponce.

Neste 24 de Março temos que ir às ruas para dizer basta ao ajuste, à repressão, à impunidade e à entrega de Macri. Pela vitória das lutas que estão acontecendo em todo o país, como as rebeliões populares em Jujuy e a luta dos companheiros de Rio Turbio.

O próximo 24 de Março tem que ser um grande dia de luta em todo o país, vamos às ruas bater com força no Governo de Mauricio Macri, nos seus cúmplices da CGT e nos Governadores Provinciais.

O PSTU irá às ruas para dizer bem alto Fora Bullrich e que temos que derrubar Macri.

A política da FIT debilita a luta

A FIT fez declarações e o PO, em particular, fez uma polêmica com as organizações de esquerda que querem que o 24 de Março seja um dia de luta unitária contra o governo de Macri. A argumentação que utilizam é que temos que fazer um ato independente, de delimitação com o kirchernerismo, e que os partidos que propõem uma mobilização unitária contra Macri seriam o “último vagão do trem” do kirchnerismo. O centro do 24 de Março para estas organizações é fazer a delimitação com o kirchnerismo. Para nós, o centro do 24 de março é ir, aos milhares, às ruas e combater o governo de Macri, sem com isso abandonar nossas delimitação com o kirchnerismo. Tem que ficar explícito que nosso principal inimigo é o governo e seus planos.

Divisão nas lutas, unidade no parlamento

A FIT não quer uma mobilização unitária com o kirchnerismo contra Macri, mas não hesitam em votar a Lei do 2×1 apresentada pelo Governo de Macri e votar projetos de lei junto com os deputados Kirchneristas.

Não querem uma mobilização unitária contra Macri, mas no 8 de Março mobilizaram e compartilharam declaração e ato comum com o kirchnerismo. O mesmo kirchnerismo que é responsável pela morte de milhares de mulheres por haver proibido o aborto durante seus 12 anos de governo e que condenou à morte milhares de mulheres destinando um orçamento miserável para combater a violência de gênero.

Ou a nomeação de Milani é mais importante que os milhares de mulheres mortas por abortos clandestinos durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner?

A FIT se une com o governo e o kirchnerismo para votar leis, mas não quer mobilizar com o kirchnerismo no 24 de Março. Tudo ao contrário.

Sectarismo nas lutas e oportunismo eleitoral

O sentido que a FIT quer dar à mobilização do 24 de Março é mais parecido com um ato eleitoral do que a um dia de luta. Sua política não faz mais do que debilitar a unidade de ação para fortalecer sua participação eleitoral. Sua principal preocupação este 24 de Março não é fortalecer a luta nas ruas, e sim fortalecer a sua pretensão eleitoral frente ao kirchnerismo.

A maior unidade nas lutas

Somos pela maior unidade nas ruas contra o governo e a maior delimitação política de todos aqueles partidos que querem frear as lutas dizendo que até que não votemos em outro presidente, no ano que vem, as coisas vão continuar assim. É isso que estão fazendo os dirigentes kirchneristas e, lamentavelmente, a FIT também está colocando as expectativas nas eleições do ano que vem.

Frente a isso, colocamos todas nossas forças para impulsionar, a partir de cada local de trabalho e estudo, a maior unidade nas ruas para fazer do próximo 24 de Março um grande dia de luta.

E frente a todos aqueles que, como o kirchnerismo, dizem que a solução é ir votar no ano que vem, dizemos que temos que continuar o caminho do 14 e 18 de dezembro quando milhares de nós fomos às ruas para enfrentar o governo e seus cúmplices.

Nessas jornadas estivemos com milhares de companheiros peronistas e kirchneristas que foram em frente, continuaram lutando, apesar de seus dirigentes fugirem ao primeiro disparo da polícia. Com esses companheiros queremos continuar nas ruas, até tirar Macri e colocar em seu lugar um governo dos trabalhadores e do povo.

Neste 24 de Março não podemos desperdiçar a grande oportunidade de bater com força no Governo, nas ruas, em unidade, deixando nítidas nossas diferenças, mas colocando em primeiro lugar a necessidade de derrotar o Governo Nacional e seus cúmplices.

Tradução: Lilian Enck