A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP) chama os trabalhadores a votarem em Verónika Mendoza como “alternativa” nas eleições de 11 de abril. O Partido socialista dos Trabalhadores (PST) sustenta, com nitidez e firmeza, que se trata de uma falsa alternativa, e que a única saída que temos é nos prepararmos para lutar para conter e derrotar a política genocida e de fome que nos foi imposta pelo governo e pelos empresários.

Por: PST Peru

Verónika Mendoza é uma “alternativa”, mas ao estilo das demais candidaturas: pelo jogo eleitoral que nunca muda a vida dos operários.

Os trabalhadores e o povo pobre sofrem ataques imensos em meio a uma pandemia brutal que ceifa milhares de nossas vidas e de nossas famílias. Mesmo assim, nos obrigam a trabalhar, inclusive com protocolos rebaixados, enquanto o Estado não nos garante cobertura mínima de saúde, nem vacinas, e não gasta na compra de oxigênio ou leitos de UTI, e nos fazem de bucha de canhão para um sistema cujo único objetivo é garantir os lucros capitalistas.

E como eles pagam pelo imenso sacrifício a que nos submetem? Com demissões em massa. Com demissões coletivas e suspensões perfeitas (suspensão do contrato de trabalho, sem salário, ndt.). Com a imposição de brutal jornada de trabalho, negociações salariais congeladas, lucros roubados e abusos. Ou seja, os empreendedores se empoderam, nos exploram mais e atingem nossas organizações, fazendo retroceder as conquistas que conquistamos.

O Governo executa essa política, pois faz parte de um Estado que foi desenhado pelos empresários para utilizá-lo por meio de seus operadores políticos; no mais puro estilo de Vizcarra e Sagasti.

O que Verónika Mendoza, JP (Juntos pelo Peru) e a direção da central, que a apoia, fizeram ante tudo isso? Nada. Eles não lideraram a resposta a esses ataques. Eles não levantaram uma alternativa contra a política genocida oficial. Eles deixaram as maiorias operárias e populares que afirmam representar, a sua própria sorte.

Pelo contrário, dão apoio vergonhoso a Sagasti e sua política criminosa (como antes com Vizcarra). Uma posição que é uma verdadeira vergonha, pois deixou sozinho na oposição a direita de López Aliaga, que até se vestiu de anticorrupção, propondo expulsar a Odebrecht e punir os corruptos, enquanto essa “esquerda” se posiciona por um dos lados corruptos manifestando laços que não pode esconder (Villarán, Yehude Simon).

Além disso, Verónika Mendoza fala em nome dos trabalhadores somente porque está em busca de votos, quando na realidade não propõe um programa que nos represente minimamente.

Verónika deveria propor um programa que concretizasse nossas principais aspirações, que representasse uma alternativa para salvar a maior parte do país da catástrofe e que oferecesse uma verdadeira alternativa de mudança. Mas não é assim. Sua proposta, como a dos demais candidatos, é apenas uma lista de ofertas que apenas maquia o sistema.

Por exemplo, levanta a questão da convocação de uma Assembleia Constituinte (AC). Por meio dessa proposta, a direita a ataca. Mas, na realidade, esta proposta é uma saudação à bandeira. É verdade que uma AC é necessária para mudar as bases sobre as quais o sistema atual de superexploração e abuso está organizado. Mas isso não vai acontecer até que derrotemos a burguesia e seu governo. As reivindicações fundamentais (incluindo uma AC verdadeiramente transformadora) só serão alcançadas com o levante operário e popular.

O caminho que Verónika nos oferece é o “pacto” e a conciliação com a burguesia. Portanto, toda a sua perspectiva é eleitoral. Para isso, busca somar votos. Não bastou rebaixar seu programa, virar as costas às lutas e moderar sua política para ser aceita pela burguesia e setores da classe média; agora clama por “unidade” eleitoral em torno de sua candidatura. Se chamasse a unidade para lutar, alegremente nos colocaríamos na primeira fila, assim como muitos lutadores. Mas, como os candidatos da direita se aproveitaram disso, sugere que todos nós que nos reconhecemos do campo da esquerda devemos desistir de nossas posições e votar nela.

Isso não tem nada a ver com uma postura democrática e respeito por aqueles que discordam. Nós do PST, não compartilhamos o programa ou a política do JP e por isso não somos membros do referido conglomerado, não o apoiamos e não lhe daremos o nosso voto. Preferimos ficar sozinhos para dizer abertamente aos trabalhadores que o que precisamos não é eleger candidatos, mas lutar. Na mesma linha, Pedro Castillo, do Peru Libre, tem o direito de se candidatar.

Com este apelo, na realidade, Verónika e seus aliados pretendem uma manobra de última hora ou encobrir sua responsabilidade em caso de uma possível derrota.

No dia 11 de abril, os trabalhadores, na medida do possível, votarão “livremente”, com menos expectativa do que nunca, em qualquer um dos candidatos. Nós do PST, nos pronunciamos pelo voto em branco ou nulo porque só assim vemos -diante do cardápio eleitoral que temos sobre a mesa -, a defesa da independência política dos trabalhadores.

Mas, independentemente deste ato, aos lutadores e aos trabalhadores mais conscientes dizemos com toda a franqueza: a única saída que temos é organizar nossas forças para lutar por uma verdadeira solução para a crise que o governo e os empresários estão colocando em nossos ombros com a cumplicidade dos conciliadores, e que vai continuar, independente de quem for eleito.