Rami Jarrah é um daqueles indispensáveis do poema do Brecht. Um revolucionário sírio de enorme coração e incrível coragem. Ele foi preso pela odiosa polícia secreta do governo turco. Preso por sua heroica militância contra Assad, preso por cobrir e transmitir, muitas vezes direto de Aleppo, as realidades da guerra civil.

Por: Aldo Sauda

Recebi hoje a notícia que meu querido amigo e camarada Rami, um dos últimos a permanecer em Aleppo fazendo trabalho de jornalismo revolucionário, cobrindo os crime do imperialismo nos últimos redutos rebeldes do país, foi preso na Turquia quando tentava entrar de volta à Síria. (Al Jazeera: http://www.aljazeera.com/news/2016/02/turkey-urged-free-detained-syrian-journalist-160219132713591.html )

Há uma campanha internacional para soltá-lo, organizada pelo Comitê de Proteção de Jornalistas: https://cpj.org/2016/02/cpj-calls-for-turkey-to-release-syrian-journalist-.php .

Peço que vocês tirem só um minuto do dia para assinar o abaixo-assinado exigindo do governo da Turquia sua libertação e postar este link no Facebook: http://act.thesyriacampaign.org/sign/free-rami/

Conheci-o em meados de 2011, em um protesto na porta da embaixada síria no Cairo. Ele havia acabado de ser espancado por soldados egípcios. Mas estava tranquilo, sorridente, seguro de si. Ele havia acabado de chegar ao Cairo, fugido da polícia secreta síria, com uma criança de 6 meses no colo. Rapidamente, nos tornamos grandes amigos.

Internacionalista revolucionário, Rami não perdia um protesto na Praça Tahrir. Estava sempre lá, com sua inconfundível jaqueta de couro. Junto com outros colegas, quando a revolução egípcia se encontrava em seu auge, montamos um canal no Twitter para cobrir, ao vivo, a realidade das barricadas. Era uma espécie de “mídia ninja” da revolução. Nos momentos mais altos dos conflitos de rua, tínhamos algo em torno de 20 mil pessoas assistindo nossas coberturas. A partir de seus acúmulos de mídia, Rami montou todo um sistema de comunicação para dar voz aos conselhos populares da Síria, tornando-se, assim, um dos principais pontos de apoio digital da revolução.

Foi Rami, no começo do levante contra Assad, que colocou a revolução síria na TV ocidental. Ele organizou um sistema de canalização dos filmes feitos em celular via Youtube para a imprensa. Durante os primeiros meses do levante, Rami fez a ditadura tremer. Não por acaso, mesmo no exílio em meio ao caos da Cairo revolucionária, ele era constantemente assediado pela polícia egípcia, que o tinha como persona non grata. Com a chegada do General Sisi ao poder, teve que imediatamente fugir do país.

Agora, este grande revolucionário, que foi inúmeras vezes para Aleppo cobrir a guerra e a revolução, está nos cárceres turcos.

Erdogan, seu canalha, liberte o Rami!