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PSTU realiza V Encontro Nacional de Negras e Negros

Entre os dias 15 e 17 de novembro, o PSTU realizou o seu V Encontro Nacional de Negras e Negros, na cidade de São Paulo. O tema deste encontro era “Os desafios da questão negra para a Revolução Brasileira e Mundial”.

Por: Secretaria Nacional de Negras e Negros do PSTU/Brasil

Reunindo militantes das quatro regiões do país, o encontro teve início com uma mesa de honra com Wilson Honório da Silva. Militante histórico do PSTU, o historiador Wilson H. da Silva foi um dos fundadores do Núcleo de Consciência Negra da USP, do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, e é autor do livro O mito da democracia racial: um debate marxista sobre raça, classe e identidade, publicado pela Editora Sundermann, em 2015.

O V Encontro de Negras e Negros contou, ainda, com a presença de Vera Lúcia e Hertz Dias, candidatos à presidência e vice-presidência pelo PSTU, nas eleições passadas.

Tempos de rebeliões contra o capitalismo e contra o racismo
Inúmeros temas foram debatidos nesses três dias: a questão racial e as terceirizações, a luta das mulheres negras e o programa socialista para a revolução brasileira e mundial.

Nas palavras do revolucionário Leon Trotsky, “podemos e devemos encontrar o caminho que nos conduza à consciência dos trabalhadores negros, chineses, hindus e a todos os oprimidos desse oceano humano constituído pelas raças ‘de cor’, que são as que terão a última palavra no desenvolvimento da humanidade”.

Suas palavras se tornam ainda mais verdadeiras nesta conjuntura onde há imensos levantes populares em países cuja população é em sua maioria de não-brancos, como é o caso de Hong Kong, Tunísia, Equador, Chile e Haiti.

RAÇA E CLASSE
Preparar um programa para as lutas de hoje e de amanhã

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O racismo é uma ideologia criada no capitalismo e utilizada pela burguesia para dividir a classe trabalhadora. Por um lado, condena os negros a uma existência de sofrimento, de superexploração e violência permanente. Por outro, o racismo beneficia a burguesia que se aproveita das rivalidades criadas pelo racismo dividindo e enfraquecendo os trabalhadores.

É o que vemos no Brasil. Afinal, diferente dos governos anteriores, que atacavam o povo negro mas dissimulavam seus ataques e seu racismo, o governo Bolsonaro não esconde de ninguém que odeia os trabalhadores e que é racista. Por isso fez uma reforma da Previdência para acabar com nossas aposentadorias e defende impunidade para os policiais que matam pobres e trabalhadores nas cidades brasileiras. O racismo de Bolsonaro, além de punir os negros, divide as forças de nossa classe.

Exatamente por isso, as duas grandes tarefas reafirmadas neste V Encontro do PSTU são: 1) ganhar os oprimidos da classe trabalhadora para a luta contra a opressão e por sua libertação; 2) ganhar os trabalhadores brancos para a luta contra o racismo. Ou seja, arrancá-los do “braço” político e ideológico da burguesia.

Uma luta que tem história
Há anos, o PSTU é o partido que apresenta o maior número de candidaturas negras nas eleições burguesas. E, no ano passado, ao apresentar a chapa da operária Vera Lúcia e o rapper e professor, Hertz Dias, às eleições presidenciais, o PSTU foi o primeiro partido no país a apresentar uma chapa 100% negra nas eleições.

Para nós isso é resultado de nosso compromisso na luta contra o racismo no país e na certeza de que a classe operária deve controlar a produção e a distribuição das riquezas que ela própria produz.

O PSTU resgata o legado do marxismo na luta pela libertação dos negros apagado pelas traições do stalinismo. Para nós, resgatar a tradição marxista na luta contra as opressões significa lutar contra toda forma de racismo, e organizar os oprimidos e explorados da classe trabalhadora para destruir o capitalismo e construir uma sociedade socialista, livre de exploração e opressão.

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