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Neste 8 de Março, o movimento feminista convocou uma Greve Feminista para “visibilizar” a desigualdade e a opressão que nós, mulheres, sofremos e que “sem nós o mundo para”.

 Por: Laura R.

Vários sindicatos aprovaram a greve, entre eles o COBAS, e paralisações parciais de duas horas, no caso da CCOO e UGT. Mas a direção do movimento feminista deixa claro: chamam à greve SOMENTE as mulheres. Não querem uma Greve geral. Chamam os homens para apoiar, fazendo as tarefas domésticas ou cuidando das crianças, indo trabalhar para cobrir os serviços mínimos ou que façam anotações das aulas como forma de solidariedade.

A pergunta é inevitável: não seria melhor se todos e todas fizéssemos greve e fôssemos às ruas para exigir os direitos das mulheres? Não se daria muito mais visibilidade se nós, as mulheres, impulsionássemos e protagonizássemos nesse dia uma greve que paralisasse o país inteiro?

Estamos de acordo que somos nós as trabalhadoras que assumimos a maior parte das tarefas domésticas e de cuidados, devido ao machismo social existente. É necessário exigir a socialização das tarefas domésticas e, enquanto essas medidas não são aplicadas, temos que exigir dos homens a divisão igualitária das mesmas, o que é uma batalha diária.

A convocatória da greve geral seria uma oportunidade “de ouro” para exigir das empresas, do governo e do Estado medidas concretas como: aumento do orçamento para centros de cuidados de idosos, residências ou serviços de ajuda a domicílio e que não continuem sendo privatizados, reestatizando os que já estão. Ou por restaurantes e creches nas empresas. Porque são as famílias trabalhadoras que mais sofrem e, dentro delas, as mulheres.

Porém, além de uma série de denúncias “contra o patriarcado” e de exigências ambíguas, o manifesto que aparece no site Hacia la huelga feminista não tem programa, nem reivindicações concretas. É pura ideologia.

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Precisamos unir a classe e não as mulheres por cima das classes

Esta política em torno ao gênero está atravessada pela mesma lógica: unir as mulheres por cima das classes sociais. E por isso chamam TODAS as mulheres “a partir da interseccionalidade”.

Nesse caminho e em prol da unidade, dilui-se qualquer exigência concreta aos governos, aos patrões ou às instituições, das quais algumas mulheres fazem parte e que são as que mantêm e legitimam esse sistema que criticam.

Acabam dividindo a classe trabalhadora e o movimento estudantil, assim como faz o machismo que combatemos, e confundindo milhares de trabalhadoras sobre quais são os seus verdadeiros aliados. Não são as pequenas ou médias empresárias, nem as ministras deste governo, nem as banqueiras como Ana Botín, representante do capitalismo financeiro espanhol, e que se beneficiam da nossa exploração. Seus aliados são os homens da sua classe, aos que, é lógico, temos que confrontar juntas e diariamente, para que renunciem aos seus privilégios pelo fato de serem homens.

Nós não achamos que a luta contra o capitalismo machista (ou patriarcal), que é também racista, LGBTfóbico ou opressor das nacionalidades, passe pela união dos oprimidos, por cima das classes sociais. Mas, sim, que passa pela unidade da classe trabalhadora, combatendo permanentemente nela todas as opressões.

Nós nos reivindicamos da classe trabalhadora. Não concordamos com uma greve que chame a metade da classe operária (mulheres) para realizá-la e a outra metade (homens) para ser fura-greve. Lutamos para que as nossas reivindicações trabalhistas sejam incorporadas nos acordos coletivos de empresa. E para que as nossas demandas e reivindicações sejam parte do programa e da luta cotidiana das organizações da classe. Por isso, sentimos um grande orgulho de que sindicatos como o COBAS chame todas as suas filiadas e filiados para ir às ruas, paralisar e construir a greve deste 8 de Março.

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Tradução: Lilian Enck