Pedro Castillo parece ter entrado na fase final de seu breve governo. O gabinete que ele nomeou para substituir o encabeçado por Valer, e que foi repudiado por seu histórico de violência familiar, é apenas um episódio da sua saída, que já está sendo preparada pelos grupos de poder.

Por: PST Peru

Castillo foi eleito com imensa esperança operária e popular, derrotando nas urnas a poderosa máquina empresarial por trás de Keiko Fujimori como garantidora da continuidade de seus negócios. Mas traiu essa esperança e por isso hoje seu governo está cambaleando.

Por que fracassou?

Castillo é acusado de ser incapaz e despreparado. Sobre suas limitações, mesmo os chamados “progressistas” zombam e chacoteiam, mostrando desprezo pelas pessoas do povo pobre que nunca seriam capazes de governar, escondendo que são exatamente os filhos preparados da burguesia –PPK, Alan García…– os que levaram o país à ruína e roubaram imensamente.

Castillo não foi eleito por sua “preparação”. Ele foi eleito por seu compromisso com os trabalhadores e os pobres com um programa que oferecia “não mais pobres em um país rico”. Seu fracasso não é porque seja incapaz, mas porque abandonou esse compromisso para se dedicar à reconciliação com seus inimigos, cedendo à chantagem dos patrões.

Das fileiras castillistas, argumenta-se como explicação que os constantes ataques da direita não lhe permitem avançar. Mas a verdade é que não avança porque não a enfrenta e cede a ela. Castillo só tinha uma maneira de honrar seus compromissos e era apoiar-se na mobilização operária e popular para derrotar as investidas dessa direita e, ao não fazê-lo, enfraqueceu-se ao mesmo tempo em que ela crescia.

Ao ceder aos inimigos e adiar o cumprimento de suas promessas, Castillo permitiu que tudo continuasse igual, ou seja, que a maioria continuasse sofrendo a catástrofe da pandemia enquanto os grandes empresários, orgulhosos, realizam grandes negócios, ao mesmo tempo em que infringem ainda mais os direitos dos trabalhadores no local de trabalho. Isso explica por que o apoio a Castillo na classe operária e nas bases populares fosse diminuindo, até chegar à crise atual.

Em tudo isso atua como um agravante a responsabilidade do próprio Castillo por sua improvisação e o rastro de suspeitas que levanta por comportamentos duvidosos. Mas nisso, o problema de fundo é a esquerda que o acompanha e que não tem sido capaz de organizar uma administração eficiente. Peru Livre e Juntos pelo Peru (JP) fizeram um pacto para governar, mas em todo esse tempo só se envolveram em disputas por ministérios e outros cargos, contribuindo para o caos na gestão do governo e o ressurgimento da corrupção. Nestas condições, explode o gabinete de Mirtha Vásquez e dá lugar à eleição de Héctor Valer como seu substituto, uma eleição que obriga toda a esquerda a passar para a oposição –muitos gritando “traição”–, o que soa cínico porque são tão responsáveis pela crise quanto o próprio Castillo.

O verdadeiro responsável por todo o fracasso é essa “esquerda” que foi eleita para governar. Deles é a política de adiar as promessas eleitorais para fazer acordo com a burguesia. Assim, os ministros de “esquerda” não fizeram nada para cumprir as promessas de campanha: no Ministério do Trabalho tudo deu errado para os trabalhadores e suas reivindicações, e o ministro da Economia Pedro Francke (do JP) foi quem garantiu neste momento a continuidade das políticas neoliberais que beneficiam os grandes empresários e atingem as maiorias pobres.

Essa política projetada para a classe operária foi aplicada pela direção da Central Geral dos trabalhadores do Peru (CGTP), que também neste processo não fez nada para não incomodar os patrões com os quais o Governo estava determinado a “conciliar”.

O que fazer?

Diante disso, a esperança que resta em alguns setores é que Castillo perceba isso e mude de rumo. Mas a formação de seu novo gabinete inclinado à direita mostra que isso é quase impossível. Mesmo assim, em seu naufrágio a burguesia não lhe dará uma mão e não parará até acabar com ele. Seus porta-vozes discutem livremente e com o apoio de amplos setores da mídia a melhor forma de fazê-lo.

Os trabalhadores não devem apoiar nenhum desses planos, incluindo qualquer plano de impeachment do Congresso que não nos representa. Qualquer mudança inventada naquele antro ou nos escritórios da CONFIEP (Confederação dos Empresários do Peru) só pode ser pior para os trabalhadores.

Diante dessa situação, a classe trabalhadora se depara com o imenso desafio de construir uma saída junto com as maiorias pobres. Se não é mais possível esperar que o governo Castillo cumpra suas promessas e que virão mais ataques da burguesia, é hora de retomar a mobilização e a luta para conquistar as reivindicações.

Muitos esperavam que votando em Castillo as soluções surgissem por si mesmas, mas a experiência mostra que a realidade é mais complexa. A única garantia de defender e conquistar direitos é lutando: todo dirigente de base sabe disso. E a maior demonstração disso é que neste breve período, a direção da CGTP, tendo desistido da luta para apoiar o governo, só favoreceu o seu fracasso e o fortalecimento da reação burguesa.

Agora a vanguarda operária precisa se renovar para retomar as ruas como centro de suas atividades e esperanças. Os trabalhadores forjam seu destino lutando, nunca no jogo parlamentar ou nas promessas eleitorais. É preciso notar que no debate dominado pela mídia não existe demissões e desemprego, mas apenas os interesses dos grandes empresários e nessa linha até os custos da crise atual serão descarregados nas maiorias pobres como sempre foi.

É preciso discutir e esclarecer essa situação na base e organizá-la para a luta, criando comitês de luta, coordenando com outras bases e promovendo uma Greve Nacional. Ficar parado significa deixar o caminho livre para que as forças reacionárias continuem avançando enquanto os problemas trabalhistas continuam crescendo. Temos que sair e lutar agora para exigir que o governo Castillo cumpra suas promessas e exigir um salário mínimo de 1.500, o fim das demissões coletivas, não ao fechamento da Cogorno, o fim da terceirização, o emprego em massa com um plano de obras públicas…

A classe trabalhadora vem arrastando seus pés há muito tempo devido ao papel paralisante da direção da CGTP. Agora o centro se concentra em pedidos lamentáveis ​​a Castillo em vez de organizar a luta. A tarefa é titânica porque precisa ir além da restrição representada pelas direções. Não é impossível. Há imensas reservas na classe operária e no movimento popular, e muitos elementos conscientes que são chamados a dirigir as novas tarefas.

O PST, que desde o primeiro momento chamou a não confiar em Castillo e a manter uma mobilização permanente, faz este chamado à vanguarda operária e juvenil.

E faz convencido de que, por este caminho, é possível acabar com a direita e conquistar o que é mais urgente para nós, e configurar a verdadeira força de classe e das suas organizações na perspectiva de conquistar um Governo Operário e Popular que, de fato, reconstrua o país e atenda às aspirações urgentes das maiorias empobrecidas.

Tradução: Tae Amaru