“Não ter governo é tão ruim quanto ter um governo que não possa governar”, afirmou Rajoy no segundo debate da sucessão de governo. Dito de outra maneira, dirigindo-se a toda a oposição, [afirmou que] sem “acordos essenciais”, não poderá governar.

Por: Corriente Roja

O apoio dado pelo PSOE à sucessão de Rajoy, na forma de abstenção, exige novos apoios, para sustentar ao governo de modo que este não caia logo no início. Nunca, nestes anos, houve um governo que nascesse com tanta debilidade.

A União Europeia e o Ibex 35, que ditam as medidas do governo, exigirão do PSOE e de toda a oposição “coerência”, para que não cheguemos a um governo de “Mariano II, o Breve”.

O problema é que a UE exige novos cortes; a Igreja e os principais empresários da educação privada se aferram ao seu LOMCE [Lei Orgânica para a Melhora da Qualidade Educativa, uma lei de reforma educacional aprovada em 2013]; os “investidores” querem uma maior liberalização, para seguir privatizando a saúde e os serviços públicos, ao mesmo tempo em que exigem novos ajustes, mais reformas trabalhistas que garantam-lhes diminuir os salários e os direitos dos trabalhadores e outro pensionazo [reforma da previdência] para diminuir o gasto público e continuar com o negócio das previdências privadas. E, além disso, meter a tesoura nas “Comunidades Autônomas”, tendo o problema catalão como uma bomba relógio sob seus pés.

[Ou seja] têm que encabeçar uma guerra social, com o Estado maior de seu “exército” mais débil do que nunca.

A mobilização massiva contra a LOMCE foi o melhor exemplo do que pode ocorrer num futuro imediato caso este governo encontre uma oposição real desde o primeiro dia. A greve massiva e as manifestações multitudinárias obrigaram Rajoy a suspender provisoriamente as reválidas [exames obrigatórios, propostos pela LOMCE, aos estudantes do ensino secundário]. É insuficiente? Verdade! Queremos o fim de toda a LOMCE? Verdade, tão verdade como o fato de que, quando a oposição vem das ruas, com mobilizações e enfrentando resolutamente o governo, é possível ganhar, e agora, mais do que nunca!

A alternativa é se a oposição será feita pelas mobilizações, nas ruas e greves, exigindo a revogação da LOMCE, a defesa da educação e da saúde 100% públicas, a revogação das reformas trabalhistas, o fim dos despejos e um conjunto público de moradias de habitação social, o não pagamento da dívida, o direito dos povos a decidir, a anistia social para todos os presos e processados por lutar, a revogação da Lei Mordaça [conjunto de leis que restringem as liberdades democráticas] e novas eleições com novas regras… ou se a oposição se limitará à batalha nas instituições.

Unidos Podemos, ERC, Bildu e os setores do Não do PSOE anunciaram oposição ao governo, mas limitada às regras parlamentares, o respeito à Lei e às ordens da União Europeia. Essa é a melhor garantia para que não haja mudança alguma e, no máximo, nos vejamos logo diante de novas eleições, com as mesmas regras de sempre, para que novamente Rajoy e o PP recuperem, com sua Lei, o que os nem votos nem as ruas lhes dão.

Continuar a mobilização da educação contra a LOMCE, apoiar as greves e lutas dos trabalhadores, do telemarketing, dos trabalhadores do campo… massificar as manifestações do 3 de dezembro, convocadas pelas Marchas da Dignidade, é o único caminho para organizar uma verdadeira oposição ao governo.

Marchas da Dignidade: no dia 3 de dezembro, vamos tomar as ruas

A Assembleia Nacional das Marchas da Dignidade está convocando uma jornada de manifestações em todas as grandes cidades no próximo dia 3 de dezembro.

As organizações do Bloco de Classe (CGT, COBAS, AST, Intersindical de Aragón, SAS, Baladre), que são parte das Marchas, conscientes de que “a chave da atual situação é retomar o caminho da mobilização, como condição indispensável para reverter a atual catástrofe social e enfrentar ao governo, qualquer que seja”, concordaram em impulsionar a convocatória “sob o lema geral de que Não há mudança sem luta operária”, enfatizando as seguintes reivindicações:

Revogação das Reformas Trabalhistas!

Defesa dos serviços públicos!

Não ao pagamento da dívida!

Anistia social!

Bem como “convocar as empresas, setores e Marés [movimentos] em luta a se somarem às manifestações, com suas próprias reivindicações”.

Nós, de Corriente Roja, apoiamos a convocatória e o conteúdo que o sindicalismo de classe lhe dá.

Em 3 de dezembro, temos a oportunidade de voltar massivamente às ruas, sem dar um dia de trégua ao “novo” governo da Troika. A recente greve da educação e as massivas manifestações pela retirada da LOMCE devem ter continuidade nas manifestações do dia 3, que deve ser também um momento para os trabalhadores do telemarketing, do campo andaluz e de todas as empresas, setores e Marés em luta expressarem suas reivindicações.

Nas semanas que restam, devemos centrar os esforços para convocar todas as escolas, faculdades, empresas e bairros operários, que saiam às ruas e organizem uma oposição verdadeira a este governo dos cortes e da corrupção.

Tradução: Isa Perez