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Khalida Jarrar e Khitam Saafin, lideranças palestinas, foram detidas em incursão das forças de ocupação israelenses na madrugada de 2 de julho

Por: CSP-Conlutas

Como de costume, na madrugada do último domingo (2), as forças de ocupação israelense realizaram mais uma operação nos territórios palestinos ocupados. Nesta incursão, detiveram Khalida Jarrar, parlamentar de esquerda palestina, desde 2006, e militante que advoga pelos prisioneiros políticos palestinos, Khitam Saafin, presidente da União dos Comitês de Mulheres Palestinas, além de pelo menos outras nove pessoas.

Khalida já havia sido presa em abril de 2015, esteve em cárcere israelense por 14 meses e em condição de detenção administrativa (sem acusação formal e julgamento). Khitam é uma ativista engajada na luta pela liberdade e em pautas em defesa das mulheres. É Coordenadora Geral da União dos Comitês de Mulheres Palestinas, organização que tem mulheres que são importantes lideranças contra a ocupação israelense e as prisões políticas de palestinos, como por exemplo Abla Saadat, ativista da causa palestina e esposa do preso político e líder da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP).

Para a palestino-brasileira Soraya Misleh, autora do livro Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina e membro da Frente em Defesa do Povo Palestino, “a detenção dessas duas mulheres expõe a face do Estado racista de Israel. Demonstra a privação de liberdade de expressão e organização e a tentativa de silenciamento de lideranças políticas, que são praxe no Estado colonial, como exemplo a que a sociedade se cale”.

Segundo os últimos dados divulgados pela Addameer, de maio de 2017, são 6.200 presos políticos palestinos, 490 em condição de prisão administrativa, destes, 9 membros do Parlamento. Em cárceres israelenses, são 12 membros do Conselho Legislativo da Palestina. Agora, com a prisão de Jarrar, são ao todo 13 presos. Até o mês da publicação do relatório, 56 mulheres estavam presas. Segundo Soraya, o número total atualizado deve estar em torno de 7 mil presos políticos palestinos e, dentre eles, 60 mulheres presas.

Resistência

A crescente violência do dia a dia na ocupação israelense não tem enfraquecido a mobilização dos palestinos e de organizações, ativistas e movimentos internacionais que atuam em defesa da Palestina. “A resistência heroica dos palestinos e palestinas, estas que estão historicamente na linha de frente, demonstra que isso [ações racistas do Estado israelense] não tem funcionado, pelo contrário, vem abalando mundialmente cada vez mais o projeto sionista”, pontua Soraya.

A luta contra as prisões políticas na Palestina tem sido construída com campanhas massivas de greve de fome, e tem recebido apoio internacional fundamental para que sejam conquistadas algumas importantes vitórias. Soraya avalia que foi a partir de ações como estas que a Greve Geral na Palestina foi realizada, e que somente com apoio internacional será possível “fortalecer esse movimento e garantir a libertação de Khalida, Khitam e todos os presos e presas políticos palestinos. Chamamos os lutadores e lutadoras brasileiros a se somarem, rumo à Palestina livre, do rio ao mar. É nossa bandeira, até que todas sejamos livres”, conclui a palestino-brasileira.

Uma petição online está disponível para exigir a libertação das presas. É possível acessá-la no link: Free Khalida Jarrar and Khitam Saafin Now

Até o último acesso (4/7, às 18h30) já eram mais de mil assinaturas na petição, com meta final de 1.500. Assine e compartilhe em suas redes sociais!